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montesclaros.com - Ano 25 - domingo, 21 de abril de 2024


Manoel Hygino    [email protected]
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Por Manoel Hygino - 18/4/2024 09:05:50
Ainda sobre 1964

Manoel Hygino

Não se disse tudo sobre o golpe de 1964. Ou revolução, como preferem outros considerá-la. Inúmeros os mortos, feridos, expulsos do país, fugitivos. O ambiente se caracterizara pela intolerância, pela disposição de mudar um quadro muito anteriormente esboçado e preparado.

Quando finalmente se deu largada para a publicação de um livro revelador como “Memórias: A verdade de um revolucionário”, muitos anos tinham decorrido, como bem o sustenta o próprio autor, o general Olympio Mourão Filho, com apresentação e utilização de arquivos do historiador Hélio Silva.


O general que comandou a tropa que partiu de Juiz de Fora para o Rio de Janeiro, em 31 de março de 1964, confessa que ele próprio “não pretendia escrever, nem muito menos publicar este livro”.

“Explica que aqueles que assim procedem terminam sem importância, com prejuízo do geral, objeto da História; ou, ainda, dominados pela paixão despertada ao sabor dos acontecimentos, falseá-los, o que ainda é pior; além disto, como a História não é um relato puro e simples, é necessário tempo para o exame das reações e consequências, que não podem ser adivinhadas”.

Diz o velho general: “Minha intenção era deixar apontamentos relativos aos fatos, a fim de permitir a historiadores futuros, não envolvidos diretamente neles a tarefa de relatar imparcialmente os eventos, desprezando as minúcias, fazendo luz sobre o fato geral e tirando as consequências que só o futuro pode mostrar”.

Com os anos, Mourão sentiu que era dever escrever. “Para restabelecer a verdade para destruir os falsos e numerosos heróis, a começar por mim próprio, que não pratiquei nenhum, heroísmo. Para fazer aluir a pretensão de falsos chefes da Revolução”.

Afirma, peremptoriamente: “Meu verdadeiro e principal papel consistiu em ter articulado o movimento em todo o país e depois ter começado a Revolução em Minas. Se nós não o tivéssemos feito, ela não teria sido jamais começada”.

Tanto anos decorridos de 1964, ler o que conta Olympio Mourão é válido. Pairam ainda dúvidas ou controvérsias sobre a revolução/golpe, que repercute na vida, de cada brasileiro e de todos, em nossos dias, em outro século e sob outras circunstâncias.

Uma coisa é certa e insofismável. O livro do general ajuda, e muito, a entender os acontecimentos de décadas transpostas. Não sei se o volume é encontrado ainda em livraria; ou em algum sebo, talvez.





87063
Por Manoel Hygino - 16/4/2024 09:20:55
O nosso petróleo

Manoel Hygino

Josué Montello é nome consolidado como um dos grandes escritores brasileiros no século passado. Conviveu com os maiores de seu tempo, mas também com diplomatas, políticos e, enquanto se dedicava à literatura, fazia anotações em cadernos próprios, dos quais não se apartava. Confessava: "Nada mais sou do que escritor. Escritor pela graça de Deus. Não me deduziram outros títulos. Não busquei outras recompensas. E, se tivesse de reviver esta vida, queria vivê-la com igual pendor”.

Acrescenta: "Já descendo a outra encosta da vida, a nada mais aspiro do que este canto, esta folha de papel, esta caneta, estes livros e a luz desta mesma lâmpada, enquanto ouço perto de mim os passos da companheira perfeita, outra dádiva de Deus".


Concluída a sua obra como romancista, pôde voltar-se para a publicação de seus diários, valiosos pela sua qualidade literária, mas também pelo conteúdo, porque neles encontramos referências a episódios que não exigiram as numerosas e cuidadosas páginas da ficção.

No "Diário da Manhã", editado pela Nova Fronteira em 1984, Montello anotou em 16 de dezembro de 1953: "Vargas, há dois meses, deu um passo arrojado, que o restituiu aos dias em que criou Volta Redonda; assinou a lei que instituiu o monopólio estatal do petróleo, criando a Petrobras”.
No Hotel Glória, onde vou visitar o Ministro João Neves da Fontoura, este me diz, com ar consternado, ao pé da orelha, no momento em que vem deixar-me à porta do elevador:

- Getúlio semeou ventos; vai colher tempestades. A esta hora, já estou querendo ver onde me abrigar durante o temporal".

Decorridos tantos anos, decênios até, fica-se a meditar sobre o pensamento do antigo ministro Neves da Fontoura. Depois do movimento do Petróleo é Nosso, que reuniu nas capitais a juventude entusiasmada com a possibilidade de o Brasil libertar-se da dependência ao jugo óleo negro, somados aos comunistas que não eram poucos, a empresa estatal deu e dá fortes dores de cabeça aos chefes de governo. Lembre-se da Lava Jato, por exemplo, e quantos tiraram proveito dos lucros da estatal, ilicitamente.

A mais recente ou atual crise na Petrobras ganhou corpo após o seu Conselho de Administração reduzir o pagamento de dividendos, guardando o lucro de R$ 43,9 bilhões para reserva da remuneração de capital. Com isso, a União, principal acionista da estatal, deixaria de receber R$ 12 bilhões, o que desagrada ao governo de forma geral, além de colocar o nome do presidente Jean Paul Prates na mira do Ministério de Minas e Energia e de outros ministros palacianos. Esperam-se decisões importantes na reunião do dia 25.


87060
Por Manoel Hygino - 13/4/2024 08:44:04
O caso Marielle

Manoel Hygino

Não esqueceria. Um dia exatamente após meu natalício, isto é, em 14 de março de 2018, a vereadora carioca Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes foram assassinados na antiga capital da República, após participarem de uma reunião política bem no Centro do Rio de Janeiro.

Foi meia dúzia de anos em investigações, em que se envolveram integrantes de várias polícias, em gestão de dois presidentes da República. Dois ministros da Justiça participaram de levantamentos diversos ao longo do tempo decorrido: Flávio Dino, desde a posse de Lula, e Ricardo Lewandowski, que assumiu o posto após o primeiro demitir-se para ingressar no STF.

Lewandowski, ainda às voltas na caça a dois fugitivos da Prisão de Segurança Máxima de Mossoró, Rio Grande do Norte, afirmou que a prisão dos envolvidos no caso Marielle, no domingo, 24 de março de 2024, “é uma vitória do Estado brasileiro, das nossas forças de segurança do país em relação ao crime organizado”. “Neste domingo chuvoso de março, a verdade começou a ser desvelada”, dizia um texto assinado por membros das famílias enlutadas.

Já na Páscoa, um domingo muito especial, a Polícia Federal prendeu os irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão, indicados como mandantes do crime contra Marielle e Anderson, que ocupavam elevados cargos na administração pública carioca. O primeiro era conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio e Mano deputado federal pelo partido União Brasil.

Foram também presos: o delegado Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio, e Edilson Barbosa dos Santos, conhecido como Orelha, dono do ferro-velho que desmanchou o automóvel preto usado pelos assassinos, além de Ronnie Lessa, autor dos disparos, Elcio de Queiroz, que teria dirigido o carro na noite do crime e Maxwell Simões Corrêa, o Suel, que participou pessoalmente com medidas oportunamente necessárias, inclusive no desaparecimento da arma utilizada.

Com as prisões, a Polícia Federal considerou encerrada a apuração sobre os mandantes, intermediários e executores do duplo assassinato; Andrei Rodrigues, observa contudo: “Isso não impede que outras situações sejam analisadas”. Andrei é diretor-geral da Polícia Federal atualmente. Ainda: o delegado Rivaldo Barbosa foi demitido da Universidade Estácio de Sá, em que era professor de Direito desde 2003.

E agora: vai-se esperar mais seis anos?


87056
Por Manoel Hygino - 10/4/2024 09:01:42
Apenas uma morte

Manoel Hygino

Esta é uma das funções da Imprensa: fiscalizar as ações do poder público; em suas inações, o que é muito comum. Basta que se acompanhe a sujeira de ruas nas cidades, a intolerância flagrante, a violência crescente, o desrespeito ao patrimônio histórico ou aos monumentos recém-implantados. Uma tristeza de doer.

Por esta coluna, há cerca de dois anos, tecemos elogios à assinatura e ao contrato para construção de uma grande ponte sobre o Rio São Francisco, entre os municípios de Pintópolis e São Francisco, com 1.130 metros de comprimento, de vital importância para toda aquela região, cenário das aventuras de Antônio Dó, personagem do escritor Petrônio Braz, prefeito de várias cidades e conceituado advogado.

Passada a Páscoa, lendo as mesmas folhas, verifico que as obras da ponte estão interrompidas desde a primeira metade de 2023, pois cancelado o contrato com a firma, quando apenas 20% foram concluídas. Uma lástima.

Seriam empregados na construção 11,1 milhões, o que dá uma ideia de sua grandeza e do que ela representaria para toda a área de sua influência, cuja população terá de voltar a fazer a travessia nas lentas balsas de anteriormente, retardando o transporte entre as margens do rio da unidade nacional.

O DER-MG informa que vai abrir licitação para a finalização, mas até que as providências legais sejam concluídas mais tempo será consumido e não há previsão para retomada da construção.

O prefeito de Francisco Sá, Levy Lopes, diz que a interrupção das obras "desacelera o progresso do município". O secretário-executivo e coordenador da Defesa Civil de Pintópolis, Nilson Pereira Ruas, lamenta que os moradores, incluindo os pequenos produtores rurais, tenham de pagar a conta do atraso.

Segundo ele, sem a ponte, tudo fica mais difícil. "Temos problemas diariamente para a travessia de balsa. Às vezes, as pessoas precisam esperar até três horas para cruzar o rio". Aquele expressivo território de Minas Gerais pode perfeitamente adquirir maior importância e muito beneficiar o estado e os que o habitam. Quem lê a história da região conhece as dificuldades e os desafios que ela tem enfrentado desde os anos 1.500. É isto mesmo. Aquele pedaço do chão mineiro é sobremodo valioso em termos de história, teremos de esperar mais, no entanto.


87052
Por Manoel Hygino - 9/4/2024 09:02:23
A América ainda

Manoel Hygino

Constitui sempre problema falar sobre os países latino-americanos, em face das reiteradas mudanças de governo e de presidentes. É o caso, por exemplo, do Equador, que tem menos de 280 mil quilômetros quadrados e que já foi tido como território de paz e cordialidade.

Com população predominantemente cristã e menos de 14 milhões de habitantes, viveu um período bastante longo e firme, com economia baseada em produtos agrícolas exportáveis como café, cacau e predominantemente, bananas, de que é um dos maiores produtores mundiais e de venda externa.

Com 50% de seu petróleo exportado, o Equador esteve em apreciável tranquilidade interna e adotou o dólar como moeda oficial, depois de grande crise econômica em 2020. Mais recentemente enfrenta o narcotráfico, que conduz a população ao medo e a regimes políticos de instabilidade.

Na primeira semana de abril, registrara-se uma nova onda de violência, que provocou três massacres em dois dias. O país, de passado relativamente tranquilo, pois, está mais recentemente sob comando de quadrilhas que disputam violentamente as rotas do narcotráfico.

O ciclo de violência causou o aumento da taxa de homicídios, que cresceu de 100 mil habitantes em 2018, para o recorde de 43 por mil habitantes para 100 mil em 2023.

As agências informativas publicam que o primeiro massacre foi numa sexta-feira, antes da Semana Santa, quando quatro pessoas, entre as quais um militar, foram assassinadas na cidade de Manta, departamento de Manabi. Logo em seguida, outro ataque se registrou na área de Guasmo, na cidade de Guayaquil, Sudoeste do Equador e a maior cidade do país. Oito pessoas foram mortas a tiras a tiros e outras oito ficaram feridas e estão sob proteção policial.

Um grupo de turistas também foi assassinado em uma praia do Sudoeste por traficantes. Ao presidente Daniel Noboa, que decretara estado de exceção, restou enviar condolências às famílias das vitimas. Assim, somos na América.

O grupo de turistas não tinham vínculos com organizações criminosas, mas os agressores “aparentemente teriam confundido esses indivíduos com seus adversários na disputa pelo micro-tráfico na região”.

Em verdade, o estado de exceção não conseguem evitar o pior no continente que Colombo, bem mais ao Norte, descobriu.


87055
Por Manoel Hygino - 6/4/2024 07:32:55
Meu amigo Pedro

Manoel Hygino

O presidente da Academia Mineira de Letras, Jacyntho Lins Brandão, não deixa a peteca cair. Para a Semana Santa, programou um belo programa, para a terça-feira, 26 de março. Deste modo, a partir das 19h30, recebeu Tadeu Sarmento para uma palestra do escritor pernambucano sobre um tema que passa quase ignorado pelos interessados na história nacional.

Tadeu Sarmento tem 47 anos, já editou 13 livros, entre romances, contos, poesia e biografia e já conquistou vários prêmios importantes, o que é uma distinção a que muitos aspiram na difícil existência de escritor.

O autor, com propriedade, discorreu sobre seu livro mais recente "Meu amigo", lançado pela editora Abacatte, em que resgata interessantes momentos e fatos da vida do primeiro e único imperador nascido no Brasil. O escritor da terra de Gilberto Freyre conta a difícil infância de Pedro II, sem brinquedos, marcada por rotina de obrigações e estudos que o tornaria o mais jovem imperador da história. Segundo os editores, o volume é um convite a que os jovens reflitam sobre o direito das crianças à sua própria infância.

Em 1841, um dia antes de ser coroado imperador do Brasil aos 15 anos de idade, Dom Pedro II foge do palácio na companhia de Gato, amigo fiel e filho do sapateiro real, para viver seu único dia de criança pelas ruas e praias da cidade do Rio de Janeiro do século XIX. "Dom Pedro II foi de fato um personagem controverso de nossa história, ou um personagem importante (...) Culto, progressista e apaixonado pelo país, o imperador foi, sobretudo, uma criança que não teve infância, ou um garoto cuja infância foi roubada pelas altas expectativas que tinham a seu respeito".

Segundo Tadeu Sarmento, o progressista Dom Pedro II, seu amor pelo Brasil e sua simpatia pela causa abolicionista fazem crer que a história contada em "Meu amigo Pedro é possível, ou absolutamente verossímil”.
O direito à infância é tema principal também em mais três livros escritos pelo autor, com foco nos jovens leitores: "O cometa é um sol que não deu certo”, (infâncias interrompidas pelo abuso sexual); “Sundiata, o filho de Sogolon” (infâncias interrompidas pela alta expectativa dos adultos em relação aos filhos). "Garantir o direito à infância de todas as crianças é garantir um futuro em que adultos tenham sido crianças que não precisam envelhecer rápido e que, por isso, se tornam saudáveis", concluiu.

Tadeu Sarmento, a despeito de tudo o que já produziu, ainda não goza do prestígio a que faz jus, em quase cinco décadas de produção.


87050
Por Manoel Hygino - 3/4/2024 10:31:10
A porteira do crime

Nenhuma hora seria mais propícia ao esclarecimento de numerosos casos pendentes de solução no âmbito da administração pública do que a que ora o Brasil chegou. Penso que as revelações do caso Marielle desperta a nação que não queria mais acreditar na Justiça diante das delongas que conduziam às prescrições ou ao cancelamento de pesadas punições que se aplicariam aos temíveis beneficiários de indevidos favores públicos. A ascensão de um novo procurador-geral da Justiça indica simultaneamente a possibilidade de dar fim e punir os criminosos que imensos prejuízos causaram e causam ao patrimônio e tesouro públicos. Lembrei aqui, há algum tempo, o caso da J&F, que é apenas um entre tantos casos.

Em fevereiro último, o jornalista e professor Aylê-Salassié Filgueiras Quintão, atento ininterruptamente, também ingressou no indigesto assunto, mais uma vez, com coragem. Registrou, então: “Nesses dez a quinze anos, tempo de três a quatro mandatos presidenciais, e metade do tempo das aposentadorias no Supremo Tribunal Federal, se se somar os desvios de recursos públicos da Lava Jato e do Mensalão - este sempre lembrado na discussão das tais emendas parlamentares -, a soma dos dois inquéritos políticos policiais representaria um prejuízo ao Tesouro Nacional superior a 20 bilhões de reais. Para ficar na Lava Jato. Cinco anos de investigação, 285 condenações, 600 réus e 3.000 anos de penas de prisão. Só no STF foram 300 inquéritos e deflagradas 60 fases desde 2014. O fato está registrado na História do Brasil, na mente e no coração dos brasileiros como a maior investigação de corrupção e lavagem de dinheiro ocorrida no País. A Lava Jato gerou a expedição de 1250 mandados, 140 condenações e detectou logo R$ 800 milhões desviados só dos cofres da Petrobras. O rombo generalizado é muito superior e está tipificado, como crime, na legislação, conforme mostram pesquisas de duas jornalistas ligadas ao campo jurídico, Brenda Lícia e Heloisa Sousa, seguindo o relatório da Lava Jato(...).

A investigação da Lava Jato gerou quase 2.000 ações de buscas e apreensões pela Polícia Federal, resultando em 244 ações penais, 349 prisões preventivas e 211 prisões temporárias. Ao todo, foram denunciadas 981 pessoas, entre empresários, líderes políticos, ministros, inclusive dois presidentes da República”(...).


87048
Por Manoel Hygino - 2/4/2024 11:18:34
Justiça criticada

Manoel Hygino

Tem absoluta razão. Refiro-me ao desembargador José Arthur Filho, presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, em recente entrevista. Ele se referiu a problemas enfrentados pela Justiça em nossa época. Um deles - é o mais comumente lembrado - é de que é lenta e termina pela delonga e resultando em injustiça. Com sua prudência e com coragem, não fugiu às críticas, tanto que admitiu a necessidade de uma revisão do que existe para melhor servir à sociedade.

Em verdade, para avaliar a posição correta de sua opinião, bastaria acompanhar os fatos cotidianos pelos veículos de comunicação. Tudo leva a crer que o Brasil não anda porque todas as questões, por mínimas que sejam, são praticamente transferidas ao Judiciário. Diante disso, o Estado se inclina à indesejável situação de a gestão pública se estagnar no campo do Executivo e Legislativo, impedidos de ação por sua transferência ao Judiciário.

A questão não é do juiz ou da Justiça, mas do sistema. Eis o que disse o magistrado: “O sistema de justiça hoje é um sistema falido e precisa ser repensado, por isso, entram as mediações e conciliações. Há também um aspecto cultural. O brasileiro tem que levar menos questões para o Judiciário, tentar conversar mais, ampliar a escuta e o diálogo. Hoje, qualquer problema que se tenha com um vizinho, uma batida de carro, vai para a Justiça”.

“Eu confio muito nas mediações e conciliações. A sentença não é pacificadora, ela tem, às vezes, potencialismo ao litígio. Já as mediações e conciliações, essas, sim, são pacificadoras, porque as partes passam a ser protagonistas do seu próprio destino. Elas é que fazem, através desse consenso, uma decisão que fazem, através desse consenso, uma decisão que seja mais justa ao olhar delas próprias. Então, temos inclusive incentivado muito o Judiciário nesta área”.

A propósito, lembro o artigo publicado em folha belo-horizontina, há bem tempo, que recebeu o forte título de “Falência do Judiciário”, (mas tinha razão), de autoria do professor Antônio Álvares da Silva, professor da Faculdade de Direito da UFMG. Referia-se ao malsinado Mensalão. É que, na condição de revisor do processo, Lewandovski confessou que possivelmente não teria condições de julgar os réus a tempo de impedir prescrições.

Explicou-se: só o relatório do ministro Joaquim Barbosa, relator, tinha mais de cem volumes e já sofria quatro embargos de declaração, 17 embargos regimentais e oito questões de ordem, quase todos negados. Lewandovski, hoje ministro da Justiça, afirmou então que, na condição de juiz, não poderia condenar ou inocentar ninguém.


87044
Por Manoel Hygino - 30/3/2024 07:18:56
Urucuia avança

Manoel Hygino

Urucuia conta agora com uma Academia de Letras, o que conduz automaticamente à convicção de que a cidade cresce não apenas economicamente. Eis uma boa notícia que compartilho com a população e, especificamente, com o presidente da entidade Napoleão Valadares, que lá tem berço e com os demais cidadãos que tomaram o mesmo barco. Urucuia tem liames sólidos com Montes Claros, minha unidade natal, unidos, histórica e geograficamente pelo rio São Francisco, que corre para o Norte em território mineiro. Somos água da mesma fonte e muito nos orgulha.

Urucuia tinha e tem tudo para desenvolver-se exponencialmente, contando com a fertilidade do solo e a operosidade de gente que não descansa. Se o São Francisco é um grande caminho da civilização brasileira, fonte de vida e de riqueza, nascido cristalinamente na serra da Canastra para diversificar-se em vários rumos e sentidos, os que vivem à sua margem também foram presenteados com o solo que muito contribui e mais contribuirá para maior desenvolvimento ou retardará. Estão abertas as vias do progresso não restritas evidentemente aos bens materiais.

As povoações geradas às margens da grande corrente se tornaram pródigas em benesses a seus moradores. Poder-se-ia evocar Caminha, que antevia que, naquelas terras, em se plantando tudo nelas renderá. Com o desenvolvimento regional, que tanto já exigiu em forças e sacrifícios, o urucuiano conscientizou-se de que, embora muito materialmente se usufruirá da bondade do solo e da dedicação do homem, há ainda imensamente a aproveitar-se das populações que ali se assentaram em suas manifestações culturais, artísticas e literárias.

Há uma vocação natural para expressão de sentimentos, descrição de episódios passados, mas não pretéritos, visando à perenidade ao que se conseguiu ao longo de décadas, representadas em vidas e obras. Para esse prolongamento dos efeitos do tempo, unem-se, a partir de agora, os urucuianos com sua notória e natural disposição de preservar e venerar o belo e duradouro.

A população está cônscia da importância de sua Academia em benefício da cidade e de seu progresso, inclusive pela escolha de um timoneiro à altura das tradições, ideais que nortearam e norteiam os pródigos filhos de uma das mais belas e progressistas regiões da velha província.


87041
Por Manoel Hygino - 27/3/2024 07:58:43
As várias Minas

Manoel Hygino

Minas não é única, sob muitos aspectos. Basta ler um pouco de sua história para confirmar a veracidade. Não sem razão se tem propalado que Minas são várias, como consagrado por conceituados escritores. Neste março, por exemplo, constatamos como são múltiplas estas terras e gentes.

Em meados do mês, para gáudio geral e felicidade de todos os segmentos, tomou-se conhecimento de que, pela primeira vez na história, o PIB de Minas ultrapassou a casa de R$ 1 trilhão. De acordo com a Fundação João Pinheiro, inteiramo-nos de que a economia mineira cresceu 3,1% em 2023 relativamente ao exercício anterior. O nosso Produto Interno Bruto alcançou resultado tão memorável, que certamente agradaria a ambos governantes.

É confortável apreciar os números e percentuais e conferir que eles decorrem do aumento de nossa produção mineral e do agronegócio, evidentemente sem esquecer o desempenho da indústria de transformação.

O atual governo mineiro se exulta, e não poderia ser de outra maneira, tanto que o chefe do Executivo sublinha que o Estado tem crescido acima da média nacional.

Entretanto, a felicidade não é permanente e total. É o que se demonstra com outros números e áreas. Apanho o pré-título de matéria em jornal belo-horizontino: com quase 54 mil casos prováveis e 21 mortes já confirmadas, incidência da chikungunya segue nas alturas e pode mais elevar-se. Já se registraram 82.714 casos prováveis no país e Minas atinge 53.972 também prováveis, que podem ser menos ou mais, conforme anunciará o Ministério da Saúde tão logo conclua o monitoramento.

E não se trata somente da doença cujo nome é um desafio de digitação para repórteres ou redatores. Há também a dengue. Até o dia 14 deste março findante, conforme o Painel de Monitoramento das Arboviroses da Secretaria de Estado da Saúde, foram notificados 577.229 casos prováveis de dengue em Minas Gerais, dos quais 211.768 confirmados. Há 354 óbitos em investigação e 88 confirmados. A letalidade da doença é de 2,58% sobre os casos de dengue grave ou com sinais de alarme.

Quanto ao vírus zika, há 122 casos prováveis e 14 confirmações. Esse número é o mesmo há dois dias. Entretanto, a SES-MG informa que, desde 2018, não há casos confirmados de zika por métodos diretos de identificação viral, o exame RT-PCR. Por isso, os municípios são instruídos a fazer uma avaliação bastante criteriosa e, após essa investigação, alguns casos são reclassificados por não atenderem critérios para mantê-los como confirmados.


87039
Por Manoel Hygino - 23/3/2024 07:05:12
Marinha em ação

Manoel Hygino

Caminha para meio ano a verdadeira guerra iniciada com a empreitada a que se decidiram fortes dispositivos terroristas do Hamas, na invasão de território israelense, em outubro de 2023. Desencadeou-se, a partir de então, violento conflito com Israel, que já deixou mais de 33 mil vítimas. A exploração política da guerra Hamas-Israel ganhou mais do que espaços na imprensa, porque espargiu sangue em toda a região, historicamente bélica.

Não se dá maior importância aos fatos, mas o Brasil também se envolve na questão. Não simplesmente por manifestações públicas do presidente Lula sobre o evento, resgatando animosidades históricas como o holocausto patrocinado por Hitler, que resultou no extermínio de mais de seis milhões de judeus.

Aquele pedaço do mundo é palco de guerras de todas as dimensões, ao longo dos séculos. A região é ligação geográfica entre nações e grupos diversos, como somos cansados de saber. Hoje, há uma barafunda de navios de guerra, comerciais e porta-aviões ingleses e americanos, trocando dezenas de bombas e mísseis com grupos rebeldes houtis. Estes são milicianos armados fortemente e prontos para enfrentamentos em qualquer dia e hora.
O que temos com isso? É o que se perguntaria, respondendo-se de imediato com as informações precisas de Aylê-Salassié Filgueiras Quintão, professor da UnB e jornalista conhecedor do problema. Os somalis justificam suas atividades clandestinas, sob alegação que agem em favor da proteção ambiental no golfo usado como depósito de lixo para navios, às dezenas, que transitam por ali ou por ali atracam.

A Marinha do Brasil, além de pretender dar sua contribuição ao estabelecimento da paz no Golfo de Áden e o retorno à normalidade ao tráfego mercante, foi indicada para liderar um grupo de embarcações de fiscalização e rastreio das ameaças latentes na região, entre as quais estão cargueiros brasileiros que trafegam por ali transportando produtos exportados e importados, inclusive para a China, maior parceiro comercial do Brasil. Os piratas atacam à noite, sorrateiramente e agem com violência.

Nossa gloriosa força de mar, reaparelhada pelos norte-americanos na 2a. guerra, tem participado indiretamente de guerras até perseguição e 66 ataques a submarinos alemães, e realizou missões de guarda de comboios para o Norte da África e no mar Mediterrâneo. Entre 1942 e 1945, foram comboiados cerca de 3.164 navios, sendo 1 577 brasileiros e 1.041 norte-americanos. Ultimamente, comboiou o equivalente a 50 navios mercantes brasileiros.

A Marinha é a mais velha das forças armadas brasileiras. Dispõe de cerca de cem embarcações.


87034
Por Manoel Hygino - 19/3/2024 09:13:22
A dívida de Minas

Manoel Hygino

O cidadão me confessou ter medo de ler as notícias de jornal quando se referem às dívidas de Minas. De um dia para outro, os números crescem espantosamente, e se fica sem saber que se leu a notícia com correção, se a entendeu bem ou se houve algum equívoco na compreensão do texto.

Recorro a um dos diários do domingo, 10 de março deste 2024, ano de eleições municipais no país. Eis: “A dívida pública de Minas Gerais já chega a quase R$ 171 bilhões, de acordo com dados da própria Secretaria Estadual da Fazenda (SEF), que atualizou recentemente os débitos do Estado. Esse valor pode até ser maior, pois os números se referem às informações de dezembro passado, quando o Estado fechou o ano fiscal. O valor exato da dívida, atualizada em dezembro passado, é de R$ 170.829.708.709.83, números que superam a previsão do Estado para a arrecadação deficitária deste ano, estimada em R$ 115,4 bilhões, frente a uma despesa prevista de R$123,5 bilhões”.

O contribuinte, pobrezinho, queda pensativo sobre a utilidade do quinhão diminuto ao bolo total da receita. “Adianta eu dar uns poucos reais, se o débito é tão grande? Eu transfiro essas migalhas aos cofres públicos, se o volume do débito é imenso”?

Considerações assim passam pelo raciocínio de cada e de todo cidadão que se sacrifica, às vezes, para não falhar com o fisco estadual. E vem, inapelavelmente, a pergunta crucial:

- Como chegamos a esse ponto? Sem querer ingressar no quintal dos maus julgamentos, indaga-se se houve desvios, de quem foram, quando e quanto representam, como devemos agora proceder? Não podemos deixar que o glorioso Estado se afunde mais no buraco sem fim.

O pior é que, além dos valores referidos, ainda há muitos outros débitos que precisam de quitação. Em decorrência, novas indagações aumentam na cabeça do contribuinte. Porque se tem também de quitar compromissos com o BNDS, CEF, BNB e Bird. Dentre outros, é claro.

E o redator do texto também tem o direito de querer acrescer algo ao já dito pelo contribuinte. Lembrou-se de Eduardo Frieiro e de um capítulo em seu “O Diabo na livraria do Cônego”. No primeiro parágrafo, lá está: “Uma das patranhas da nossa história, tal como usualmente se conta nas escolas, é a da pretendida riqueza e até mesmo opulência das Minas Gerais na época da abundância do ouro. Em boa e pura verdade nunca houve a tão propalada riqueza, a não ser na fantasia amplificadora de escritores inclinados às hipérboles românticas”.

Mas os tempos são outros, não são?


87033
Por Manoel Hygino - 16/3/2024 07:19:53
Passado imperdível

Manoel Hygino

Não se pensaria que a posse de Conceição Evaristo na Academia Mineira de Letras arrefeceria o ânimo que transborda no palacete Borges da Costa, após ingresso da antiga moradora do Pindura Saia no caso do celebrado (com todos os méritos) médico. Antes pelo contrário, pode-se afiançar.

Já nos últimos dias de fevereiro bissexto, o presidente da Academia Mineira de Letras, Jacyntho Lins Brandão, anunciava o início da série “Encontro com os Clássicos – Viagens e Literatura”, que ele ministrará na Universidade Livre da entidade. O primeiro módulo do curso, intitulado “Literaturas Antigas e Medievais”, será realizado no formato híbrido (presencial e virtual) desde este março até junho, com encontros nas noites de terça-feira ou pela plataforma Zoom.

Neste espaço de jornal, escreve-se sobre tudo, porque há campo para todos os temas e preferência de leitores. Mas não posso deixar de realçar que, no dia 12, programou-se a Descida de Inana, um poema sumério do século XVII antes de Cristo e a Descida de Ishtar, um poema babilônico do século XII antes de Cristo. Não há algo mais atraente, mas em junho será a vez da vida de Apolônio de Tiana e Pseudo-Calitene, romance de Alexandre, ambos do século III d.C., e de Marco Polo, com o Livro das Maravilhas, do século XIII, e de Dante Alighieri, “A Divina Comédia”, do século XIV. Algo maravilhoso, para quem aprecia.

Segundo ponto: Não posso deixar de registrar, embora de passagem, a Semana de Arte de 1922, que constituiu um marco importante na vida cultural, artística e mesmo histórica e política do Brasil. Haverá ocasiões em próximas edições para estender comentários, porque ainda estamos no terceiro mês deste 2024, que celebra o centenário da visita que nos fizeram artistas brasileiros e não brasileiros, que se exponenciaram no movimento modernista e, a partir de Minas, deram nova significação à arte nacional.

Os visitantes que vieram conhecer cidades históricas, monumentos e artistas como o Aleijadinho descobriram nas coisas antigas o Brasil que desconheciam. O acadêmico Ângelo Oswaldo tem excelentes contribuições sobre o tema, inclusive na Revista da Academia Mineira de Letras. Não se deve, tampouco, deixar de consultar “Uma tristeza mineira numa capa de garoa”, belo livro de Ivana Ferrante Rebello e Fabiano Lopes de Paula, resgatando o papel de Agenor Barbosa, um poeta mineiro que brilhou na Semana de Arte Moderna, em 1922, em São Paulo.

Pelo que se apreende, pois, há muito de que podemos e devemos aproveitar: no passado distante, ou mesmo entre as montanhas de Minas.


87028
Por Manoel Hygino - 13/3/2024 08:00:13
Jequitaí em festa

Manoel Hygino

Um sonho antigo, uma imposição de toda uma região que aguardou durante dezenas de anos: o projeto hidroagrícola de Jequitaí, demanda histórica do Norte de Minas, foi leiloado, com expectativa de investimentos de R$ 1,51 bilhão, no qual se incluem os custos de implantação de duas barragens de usos múltiplos no rio Jequitaí. Os que primeiramente quiseram ver concretizado o sonho não mais existem. Seus netos verão consumado o ideal de mais de uma geração.

Segundo a Codevasf, à qual se incumbiu o empreendimento, ele poderá beneficiar em torno de 150 mil pessoas na área de sua influência, principalmente nos municípios de Jequitaí, Francisco Dumont (antigo Conceição do Barreiro) e Claro dos Poções.

Graças ao propósito alimentado por mais de meio século, será implantado um sistema de irrigação de áreas agrícolas e se contribuirá para regularização do vazão do São Francisco, que crescentemente tem de manter-se como rio da unidade nacional.
Será a realidade, que terá de esperar mais 48 meses, portanto quatro anos, para tudo se concluir. Em todo caso, para quem tanto esperou, acrescentar um tempo a mais se transformará em tanto gáudio para quem tanto nutriu expectativas.

Daqui a cinco anos, praticamente, se dará o desencadear do processo de desenvolvimento regional através da produção agrícola e geração de empregos. A estimativa é de 84 mil vagas diretas ou indiretas após o empreendimento. E mais: como observou o ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira, se melhorará significativamente a realidade clamante da seca no Norte de Minas. Textualmente, eis sua palavra: “As barragens vão permitir o desenvolvimento da agricultura irrigada em aproximadamente 35 mil hectares no Norte de Minas”, disse, acrescentando que serão produzidos cerca de 20 megawatts de energia limpa e renovável, “o suficiente para abastecer cerca de 200 mil pessoas”.

Os que atravessaram tantas décadas imaginando a grandeza e a beleza do rio Jequitaí, com suas águas descendo ruidosamente na região bendita do Cachoeirão (um substantivo tão valioso para os moradores da área), daqui a um quinquênio agradecerão a Deus por terem atravessado anos tão penosos para sentirem os benefícios que o progresso traz.

Para sempre, a população será brindada com a irrigação, que constitui um dos objetivos do projeto. É que, segundo os números anunciados, o empreendedorismo possibilitará a formação de um reservatório de 9.100 hectares, com potencial para irrigar 10 mil hectares de início, embora possa alcançar 35 mil.

Pena que Daniel Fonseca Junior não esteja mais vivo para saudar, com sua sensibilidade e euforia oratória, o futuro que enfim chegou.


87026
Por Manoel Hygino - 12/3/2024 09:23:39
Cem anos sempre

Manoel Hygino

Há dois ou três meses, foi publicado o livro “São Lucas, O Hospital: 100 Anos de Assistência à Saúde”, para celebrar o centenário de inauguração do prestigiado estabelecimento belo-horizontino, que tanto tem servido a Minas em seus decênios de funcionamento. A publicação agradou aos seus leitores, inclusive por trazer à memória nomes expressivos das ciências médicas no Estado. Mas com a edição não se esgotou o assunto.

Agora mesmo, fico sabendo que o São Lucas – Hospital Particular e Convênios, braço da saúde suplementar da Santa Casa, a que historicamente pertence, fez entrar em funcionamento seu novo Centro de Diagnóstico e Tratamento, que absorveu investimentos de R$ 6 milhões. A iniciativa possibilitou novos exames em hemodinâmica, com foco em Cardiologia, Neurologia e Radiologia Intervencionista, cumprindo seu compromisso e pioneirismo em atendimento.

Foi um dia de generalizada alegria, na solenidade presidida pelo provedor Roberto Otto Augusto de Lima, da Santa Casa BH. Então, ele reafirmou a tradição do corpo clínico do Hospital São Lucas na oferta de tratamentos inovadores com a excelência de sua estrutura. Assim, o hospital se esmera em propiciar saúde de ponta.

Vitória Bispo, gerente do CDT, elogiou a revitalização do serviço e a incorporação de equipamentos para assistência de alto padrão no diagnóstico e prevenção em diversas doenças, incluindo colonoscopia e hemodinâmica. Entre as principais inovações, destacou-se o moderno angiógrafo Siemens Artis Zee, que viabiliza procedimentos terapêuticos e diagnósticos minimamente invasivos, elevando a qualidade do atendimento. O aparelho revoluciona o diagnóstico e o tratamento de doenças cardiovasculares, mapeando anormalidades e prevenindo condições graves, como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC), além de possibilitar procedimentos intervencionistas, como drenagens, embolizações, quimioembolizações, dentre outros.

A superintendente assistencial, dra. Raquel Felisardo, disse estar muito feliz e emocionada. “Hoje é um marco para toda a sociedade, mas também para todos os profissionais do hospital, em especial aqueles que estiveram envolvidos no projeto de revitalização do CDT. Foram reuniões, vários projetos sempre pensando em oferecer o melhor para os nossos pacientes. Além disso, esse ano teremos mais novidades, aguardem”. Aliás, o diretor técnico do hospital, dr. Pedro Augusto Macedo de Souza enfatizou que esta é mais uma etapa do “Projeto São Lucas 100 anos”, visando modernizar e aprimorar as instalações do hospital, oferecendo ambiente para a prestação de cuidados de saúde de vanguarda.





87024
Por Manoel Hygino - 9/3/2024 07:52:13
Esperando paz

Manoel Hygino

No momento dificílimo que a mundo atravessa, com ênfase pela guerra no Oriente Médio, ouço o deputado federal Patrus Ananias, ex-ministro de Lula, e ele se abre: “Tenho vínculos históricos e profundos com o povo judeu e a tradição judaica, assim como com os povos árabes e palestinos. Sou neto de libanês. Sou leitor da Bíblia desde a infância, quando comecei a me abrir para as questões políticas, inspirado pela vida e pelos ensinamentos de Jesus”.

Adiante diz o parlamentar: “Lembremos o sonho, ainda não realizado, de Martin Luther King, nele inspirado: “Sonho que um dia todos os montes serão rebaixados, todos os vales serão exaltados; os lugares inóspitos serão aplainados”. Isaías, em muitas passagens, antecedeu Jesus nos anúncios da justiça e da paz: “Eu trarei paz como um rio (…)”.

Muito aprendi com os Livros Proféticos e Sapienciais. Os Salmos, em boa parte atribuídos ao rei Davi; os Provérbios, a Sabedoria de Salomão – outra figura contraditória e intrigante – Eclesiástes…¹

Chegamos a Jesus, o Príncipe da Paz, que nasceu e viveu em territórios onde se encontram judeus e palestinos. Andou também pelo Egito. Jesus, o judeu-palestino, abre os olhos e o coração para o mundo: “Bem-aventurados os que promovem a Paz”.
Saltemos agora dois mil anos de história. Os judeus dispersos pelo mundo, maltratados e vistos com preconceito. Por outro lado, os árabes-palestinos também não tiveram boa vida. Enfrentaram as Cruzadas, “guerras santas”, o colonialismo e a exploração europeia. No caso dos judeus, a violência atingiu seu ponto culminante com o genocídio nazista – um dos maiores crimes, senão o maior da história da humanidade. As memórias de Anne Frank tocam o coração e nos acompanham para sempre!”.

À frente, o ex-prefeito de Belo Horizonte, Patrus, analisa o quadro de Israel na geografia do outro lado do Mediterrâneo:

“Atravessamos as guerras, tristemente presentes desde a criação do Estado de Israel; a Guerra dos Seis Dias, em 1967; os territórios palestinos invadidos e ocupados. Chegamos aos nossos dias. O atentado terrorista do Hamas matando e sequestrando pessoas totalmente indefesas. Inaceitável o número de mortos e sequestrados! O que nós estamos assistindo, através das imagens dos meios de comunicação (e aqui presto homenagens às transmissões da TV França, focada na América Latina), é estarrecedor! Não se trata de uma guerra contra o Hamas, mas sim de uma guerra de Israel, poderosamente armado, contra o povo palestino”.


87022
Por Manoel Hygino - 6/3/2024 09:25:18
Guerra e eleição

Manoel Hygino

Transcorridos dois anos, Rússia e Ucrânia continuam numa guerra que apenas acrescentou número de mortos e problemas financeiros para ambas. O presidente da primeira jamais quis empregar a palavra guerra. Tratava-se, em seu entendimento, de “uma operação militar especial para defender repúblicas separatistas pró-Rússia”.

Ninguém ganhou ou o que quer que seja nesse conflito, já considerado o maior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, de que ninguém conserva boas memórias. Antes pelo contrário. O Kremlin, agora, pode contar como vantagem unicamente a ocupação de territórios antes independentes.

A situação das populações se torna mais difícil dia a dia, mas isso é apenas um detalhe na maneira de Putin considerar os acontecimentos. Cerca de 1,3 milhão de ucranianos, de um total de 6,5 milhões deslocados do país, se refugiaram. Problemas aumentam mais e mais em ambos os lados do conflito, sem perspectivas de paz.

Os jornais de todo o mundo são unânimes em suas opiniões, assim como os mandatários dos países, europeus principalmente: “Do ponto de vista econômico, os prejuízos são consideráveis para ambos os países. Na Ucrânia, as perdas passam de US$ 137 bilhões, segundo cálculos da Kyiev School of Economics, e os gastos militares projetados para este ano somam US$ 40 bilhões. Do lado russo, Moscou sente os efeitos de dois anos de sanções financeiras e contabiliza US$ 300 bilhões em reservas congeladas no exterior.

Embora a situação interna na Ucrânia se torne mais difícil, o mesmo se poderá avaliar do quadro interno na Rússia, inclusive pela morte, na Sibéria distante, do principal líder da oposição a Putin. As centenas de prisões realizadas o demonstram à suficiência, embora o natural silêncio do Kremlin.

Pesa, ademais, no caso russo, o fato de faltarem apenas semanas para a eleição de um novo presidente, o que põe Putin com as barbas de molho. Não deixa de pesar também o vultoso número de baixas já registradas em seus contingentes bélicos. Segundo os ucranianos, até agora foram 315 mil baixas do lado russo, o que influencia no psicológico da imensa população que ainda apoia a campanha na Ucrânia, ou que não encontra razões para se sacrificar em um conflito que não diz de perto à sociedade nacional.

Se depender de Putin, a guerra continuará até a vitória da Rússia. Mas o irredutível presidente da Ucrânia, Zelenski, acha que o triunfo poderá transferir-se a Kiev.


87020
Por Manoel Hygino - 5/3/2024 07:56:57
As chuvas chegaram

Manoel Hygino

Belo Horizonte ficou atrás no tempo. Montes Claros, a mais economicamente vigorosa cidade do Norte de Minas, passará a sua frente com a construção de uma concha acústica no espaço novo da Praça dos Jatobás, no bairro Morada do Sol, nome que muito se enquadra nas virtudes da natureza e do clima da região.

A capital mineira chegou a construir uma, há anos, mas problemas técnicos impediram seu funcionamento. A metrópole do Norte ganhou a vez, atendendo a carência da cidade por espaços públicos culturais. Assim a Concha será ali erguida para utilização em eventos, nos termos do Programa de Investimento no Cidadão, lançado pela Prefeitura, com valor previsto que se aproxima de 2 milhões de reais.


Um detalhe: a conclusão será em seis meses, de modo a confirmar o título de MOC como a “cidade da arte e da cultura”. Para o vice-prefeito de Montes Claros, o empreendimento melhorará os índices de desenvolvimento da grande cidade em população no estado. Promoverá e participará da vida cívica, social e artística e será palco de eventos comunitários, atividades educativas e promovendo atividades de escolas e demais organizações locais.

Foi um bom registro a fazer no ocaso de fevereiro/princípio de março. O outro resulta da notícia que transmite José Ponciano Neto, técnico em Recursos Hídricos/Meio Ambiente, com uma bela titulação também no campo literário. Anunciou: “Ufa, até que enfim!.. Barragem de Juramento transbordou”.

Depois de onze anos, a barragem quebra o jejum e chega ao nível máximo de sua capacidade. Aconteceu em 22 de fevereiro, pondo fim à ansiedade da população de Montes Claros e do próprio pessoal da Copasa, diretores e colaboradores. Explica-se: com capacidade de 45 milhões de metros cúbicos, desde dezembro de 2010, ela não alcançava plenitude 100%.

A pirraça das chuvas se deveu às mudanças climáticas dos últimos anos, segundo alguns especialistas, embora o técnico Ponciano considere que se trata de antropocentrismo. Isto é, um caso de ocorrência de ciclos naturais do sol-lua e da inclinação axial da terra (eixo). Em resumo, são as chuvas recidivas de 50 a 100 anos, que vêm acontecendo pelo mundo afora a cada ciclo, inclusive no Brasil. Traduzindo, nos dois últimos anos, o mundo vem sofrendo inundações vorazes, mas – se se verificar com diferentes métodos – estas chuvas já estavam previstas. Demoraram, mas chegaram.


87019
Por Manoel Hygino - 2/3/2024 09:14:01
Fatos de fevereiro

Manoel Hygino

São fatos que somente o mundo moderno nos possibilita. De Portugal, onde presentemente vive o escritor Ronaldo Cagiano, nascido em Cataguases, comunicou ao cronista Danilo Gomes, que falecera o cônego Agostinho, na capital mineira.

O sacerdote Agostinho de Lourdes Coimbra Oliveira era o padre mais antigo da velha vila e cidade e falecera na madrugada do sábado, 17 de fevereiro, aos 103 anos de idade, dos quais quase 80 dedicados à Igreja. Ordenado em 26 de novembro de 1944 pelo arcebispo Dom Helvécio Gomes de Oliveira, Agostinho foi pároco em São Gonçalo (hoje Acaiaca), Cachoeira do Campo, distrito de Ouro Preto e da Paróquia Cristo Rei, também na segunda capital mineira, e ali o primeiro a atuar, encerrando a passagem terrena e, finalmente sepultado ao lado dos pais.

Em 18, também de fevereiro, domingo, o presidente da Academia Mineira de Letras, enviou aos confrades também uma comunicação curta, objetiva e triste: deixara de viver entre nós o confrade Rui Mourão, cujo corpo seria velado em Belo Horizonte, no Cemitério do Bonfim, onde ocorreria o sepultamento na capital.

Num daqueles dias, chegou-me mensagem, procedente de Brasília. Dizia: “Foi criada a Academia Urucuiana de Letras (que abrange os municípios banhados pelo rio Urucuia, em Minas Gerais), que terá, entre suas finalidades, contribuir com publicações, eventos e outros meios, para a elevação do nível cultural do povo brasileiro”. A região, como se sabe, é parte do cenário de “Grande Sertão Veredas”, de Guimarães Rosa que, aliás, é patrono de uma cadeira na recém-fundada Academia, sendo eleito para presidente o escritor Napoleão Valadares.

Observo, nestas poucas e despretensiosas linhas de registros vários, a presença indisfarçável de Minas. Pessoas, locais e fatos referidos são liames de história que se começou a construir até antes da província. A despeito de tudo e de todo o negativismo pessoal, político, fático desta hora, há traços do passado que perduraram e se refletem no estado de hoje.

Um dos longevos da Academia Mineira de Letras, Rui Mourão, era de 1929 e ocupava a cadeira 31, de que foi fundador Machado Sobrinho e patrono o médico, compositor e jornalista Lucindo Filho. Seus antecessores na Casa de Alphonsus e Vivaldi foram Salles Oliveira, Manoel Casassanta, Waldemar Pequeno e Luiz Carlos de Portilho.

Para o presidente da AML, Jacynto Lins Brandão, Rui Mourão dirigiu e introduziu importantes inovações no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, além de ser um dos mais respeitáveis romancistas de Minas.


87016
Por Manoel Hygino - 28/2/2024 08:31:54
Ameaças à vista

Manoel Hygino

Sequer transcorridos dois anos da malfadada reunião na primeira quinzena de julho de 2022, no Planalto, perguntamo-nos desconfiados: que de bom e de bem resultou do encontro na sede do Executivo em Brasília?

Nada, concluem os brasileiros que tem bom-senso. Serviu exclusivamente para suscitar suspeitas em torno de brasileiros que disputavam altos escalões na República, enfim concorrentes dos que se assentaram nas mais de 33 cadeiras do grande salão de um Palácio, neste período em que a democracia não vive uma bela fase em nível mundial.

Recente pesquisa da Atlasintel registra que 62% de brasileiros têm opinião positiva sobre a democracia liberal, enquanto somente 45% da população dá apoio ao regime em nosso país, conforme o Latinobarômetro, citado por Márcio Coimbra. Para um povo que passou longos e terríveis tempos de ditaduras, é um percentual que incomoda, desagrada e atemoriza. Segundo o mesmo jornalista, estamos perto de um barril de pólvora, e riscar um fósforo muito próximo seria uma tragédia, acrescentaria eu.

Exatamente nesta hora, passamos por dificuldades com eclosão de movimentos golpistas, pré-golpistas, de intransigência e de movimentação de várias índoles nos países irmãos da América, alguns com pretexto antitráfico de drogas.

Nem tudo é tão alegre, brilhante e musical como esplendorosamente se assistiu no Carnaval. Como na expressão do maior vate inglês, há algo de podre no reino da Dinamarca. Além dos muitos milhares que desfilaram, cantaram e se esbanjaram nos dias da folia, há milhões que enfrentam necessidades clamantes, a começar pela falta de alimentos suficientes para a vida. É um segmento sofrido e explosivo.

E há parcelas que entram em cena sob o pretexto de vir em ajuda aos carentes, embora à procura de satisfação de seus anseios pessoais e políticos, sem medir as consequências de seus atos e planos. O Brasil não pode inclinar-se a esses inconsequentes e ambiciosos.

Muitos milhares já foram sacrificados, ofendidos e humilhados em experimentos, não poucos, da história do Brasil. Não poucos perderam a família e a própria vida. De 1907 a 1966, a América Latina sofreu 20 golpes de Estado que repercutem ainda hoje sobre seu povo.

Em julho de 2022, estivemos – mais uma vez – à beira de um abismo. Escapamos por pouco, mas não é uma situação definitiva. Temos de nos manter atentos e dispostos. Os alto-falantes carnavalescos não nos fizeram surdos...nem mudos.


87013
Por Manoel Hygino - 27/2/2024 08:49:21
Favela, a palavra

Manoel Hygino

Bem recentemente ressurgiu a discussão sobre a palavra favela. Não se queria que o substantivo fosse usado para os locais de habitação de grupos menos favorecidos da população. Explica-se e se compreende. Mas convém ir às origens do vocábulo para melhor entender. Para isso, temos de chegar a “Os Sertões”, a celebrada obra de Euclides da Cunha, que descreve a epopeia de Canudos e a atuação dos sertanejos que acreditaram, em sucesso. Deus no céu e Antônio Conselheiro na terra.

Manif Zacharias lança luzes. Médico no Paraná, perseguido inexplicavelmente pelo regime instalado no país em 1964, pesquisou em profundidade a obra e em livro de quase mil páginas, aclara: Favela foi o “aglomerado de frágeis casebres”, precariamente construídos com materiais improvisados, em terrenos baldios e, principalmente, em encostas de morros, sem quaisquer condições de higiene e conforto. Acomodavam-se nesses tugúrios pessoas ou famílias desprovidas de recursos, que vivem à margem da sociedade.

Na obra, favela é a área do arraial de Canudos localizada no declive de um morro, em que, ocupando habitações desse tipo, moravam os fanáticos de Antônio Conselheiro. Foi, aliás, assim, que se originou a denominação genérica – favela, que hoje se dá, em todo o país, às áreas tomadas por esse gênero de moradias. “O nome primitivo, Morro da Favela, adveio do fato de existir no topo da elevação, à espera da campanha militar, um exemplar da árvore desse nome”.

Euclides empregou diversas vezes o vocábulo, que se prestava perfeitamente ao cenário que descrevia. Na página 25, está: “Galgava o topo da Favela”. “Volvia o olhar para abranger de um lance o conjunto da terra”.

Na 148, encontra-se: “O Monte da Favela, ao sul, empolava-se mais alto, tendo no sopé, fronteiro à praça, alguns pés de quixabeiras, agrupados em horto selvagem”.

Está na 313: “Restava-lhe um recurso sobremaneira problemático e arriscadíssimo: saltar fora daquele vale sinistro da Favela, que era como uma vala comum imensa, à ponta de baionetas e a golpes de espadas”.

Compreende-se pois, a esta altura, que se queira substituir a palavra favela. Imensos são os esforços que os moradores de áreas pobres e mal consideradas que tudo fazem para mostrar que os tempos são outros e muito outros os favelados, dispostos a ingressar numa nova fase de vida e vivência.

O essencial, no entanto, é que a simples mudança do substantivo favela por comunidade não significa mera substituição de uma palavra por outra. As comunidades não podem ser valhacouto de foras da lei e de aprendizes de bandidos, como acontece nas grandes cidades do país.


87011
Por Manoel Hygino - 24/2/2024 08:02:31
Antes, seria diferente

Manoel Hygino

Quem assistiu ao buliçoso Carnaval de Belo Horizonte, neste 2024 já caminhando para o terceiro mês, não imaginará como seria por aqui há cem anos ou pouco menos. Estamos longe do que seria a já capital com a pequena população de então. Tampouco registraria que blocos de milhares de pessoas desfilariam animadamente pelas ruas do antigo Curral del-Rei, neste principio de ano.

Ninguém, hoje, se lembrou de que décadas antes a metrópole dos mineiros era em grande parte habitada por pessoas que para aqui vinham, além evidentemente de participar da construção, tratar-se de doenças pulmonares, de tuberculose. Inicialmente, nem médico queria vir para cá, a não ser aquele que, para aproveitar o clima, também fazia da cidade nascente um meio para recuperar-se de seus males.

Abílio Barreto, historiador da cidade, falou em 1928, de um certo Dr. Paul Miquet, “excêntrico médico e botânico francês, o qual perambulou durante muito tempo, em explorações pelas circunjacências do arraial” até desaparecer sem deixar pista”.

Com a fundação, em 1899, da Santa Casa, Belo Horizonte começou a mudar expressivamente. Levantando recursos junto à população, pôs-se a atender as pessoas de várias patologias. Pedro Salles, médico e considerado o historiador da medicina na capital, a alta fama do bom clima de Belo Horizonte, especialmente ao tratamento a tuberculose pulmonar, fez afluir grande número de doentes, determinando uma incidência artificialmente elevada de tuberculosos. “Os clínicos gerais buscavam terapêutica com recursos muito simples: clima, repouso, superalimentação”. A cidade nova se encheu de doentes de todo o estado e de outras regiões. A Santa Casa criara clínicas especializadas, para homens e mulheres.

Em 1934, premida pelas circunstâncias, a filantrópica inaugurou um hospital só para esta especialidade: o Sanatório Imaculada, na gestão do provedor Jarbas Vidal Gomes, com 100 leitos para começo, na rua Domingos Vieira, entre Ceará e Piauí, onde hoje está o Ambulatórios Especializados Santa Casa BH.

O Imaculada se transformou num marco na assistência à tisiologia no Brasil, com as primeiras aplicações de pneumotórax artificial e, com o tempo, se consagrou pelo início da cirurgia torácica e na sua consolidação.

A capital conseguiu ultrapassar a fase de abrigo da tuberculose. É uma extensa história a contar. E os carnavalescos puderam, em 2024, se vangloriar de uma cidade que soube enfrentar e triunfar sobre a temível patologia que muitas vidas aniquilou.



87014
Por Manoel Hygino - 21/2/2024 09:09:08
Candidata do Pendura Saia

Manoel Hygino

A Maternidade Hilda Brandão, da Santa Casa de Belo Horizonte, hoje inserida no Instituto Materno-Infantil, é um precioso repositório de interessantes histórias, além da sua própria. Em 1916, graças ao pessoal empenho de seu idealizador, o médico Hugo Werneck, após passar pela Suíça e Inglaterra, a inaugurou festivamente.

Pois conto mais um caso para atualizar “a biografia” da primeira maternidade de Minas Gerais, daquele tempo em que os recém-nascidos cujos pais não tinham condições de mantê-los, preferiam ocultar o nome através de artifícios.

Lembro um episódio que bem serve a tornar mais evidente o sentido social do belo casarão da rua Álvares Maciel, 511, em Santa Efigênia. Ao falecer a ocupante da cadeira 40, da Academia Mineira de Letras, em 2023, escritora Maria José de Queiroz, sucessora de Afonso Pena Júnior, abriu-se inscrição para ocupar a vaga.

Esperavam-se vários candidatos, considerando o prestígio e a saudade que Maria José, referência magna pelo que produzira nas letras e em cátedras também no exterior. Para suceder a excelente professora, inscreveram-se seis autores sobremodo conhecidos. Entre os candidatos estava Maria da Conceição Evaristo de Brito, nascida em 29 de novembro de 1946, na favela do Pendura Saia, na jovem capital.

A mãe era a lavadeira Joana Josefina Evaristo e o pai o pedreiro Aníbal Vitorino, sendo filhas Maria Inês, María Angélica e Maria de Lourdes, e filhos, Adair, Ademir, Altair, Altemir e Almir, todos com o sobrenome Evaristo. A escritora não esquece nunca que é a mãe também de Ainá Evaristo de Brito, menina muito especial de 42 anos, filha de seu falecido esposo, Oswaldo Santos de Brito, a seu lado em todas as horas.

Primeira na cédula de votação da AML é, pois, Conceição Evaristo, com 77 anos, nascida na Maternidade Hilda Brandão, uma das mais prestigiosas autoras brasileiras no campo literário. Sua produção é constituída de poemas e ensaios, em grande parte traduzida para inglês, francês, árabe, espanhol, eslovaco e italiano. Em 2014, recebeu ampla cobertura da imprensa no Salão do Livro, em Paris, quando integrou a comitiva de escritores brasileiros.

Em 15 de fevereiro, Conceição foi eleita por 30 dos 34 votantes. Imortalizou-se. Encontrava-se em Havana, no cumprimento de missão literária.


87004
Por Manoel Hygino - 17/2/2024 07:53:57
Bernardes adverte

Manoel Hygino

Em 6 de fevereiro de 2030 completam-se os 100 anos da famosa passeata política em Montes Claros, que se tornou acontecimento nacional. A manifestação se transformou no grito de alerta da Revolução de 1930, com todas as consequências funestas ou benéficas decorrentes. Do acontecimento, apareceu a personagem quase mítica de Tiburtina Alves, mulher que honra e dignifica o sertão mineiro.

A despeito das boas intenções, o movimento de quase um século atrás não surgiu os objetivos desejados e pelos quais se batia a nação. Tanto que, já em 1932, entrava em cena o Estado de São Paulo com uma nova iniciativa, inclusive mediante ação bélica, a Revolução que novamente incendiou o país conquistando também a adesão de Bernardes.


Em julho de 1932, Artur Bernardes, líder do PRM, estando no Palácio da Liberdade Olegário Maciel (que assumira em 7 de setembro de 1930), assinava uma carta de apoio à revolução declarada em São Paulo, em que começava dizendo: “Os que entraram com altos objetivos na Revolução de Outubro e não desconhecem totalmente as ciências políticas e as necessidades nacionais, certamente, estarão decepcionados com os resultados negativos daquele memorável movimento cívico.

Coroada de sucesso como foi a Revolução, era de esperar que, irmanados em um só pensamento, os vencedores logo cogitassem dos problemas mais urgentes do país, de que o mais instante era então a reconciliação dos brasileiros, sem distinção entre vencidos e vencedores”.

Com maior ênfase advertia: “Cumpria-lhes (aos vencedores) reconhecer que a Nação não pertence a grupos ou a classes, mas a todos os brasileiros, indistintamente, e que é direito de todos atuar na sua reconstrução, por tratar-se de patrimônio que lhes é comum. E que não é só isso – um direito, mas DEVER, pois cumpre aos bons cidadãos interessarem-se pela organização da sua pátria, dada a influência, boa ou má, que terá a mesma de exercer sobre o seu futuro e sobre a sorte do povo. Além disso, a Revolução resultou na conquista do país em favor de uns, com injustificável exclusão de outros”.

E Bernardes segue em sua advertência: “Foi portanto erro, e erro lamentável: não se ter feito aquele congraçamento, que importaria no passo decisivo para a pacificação dos espíritos. Erro tanto maior ainda, quando a pacificação interessava grandemente à consolidação da vitória revolucionária. Como não se quis e não se promoveu a reconciliação, aí está a desgraça, fruto da política extremista, senão ódios incontidos: a Ditadura combatida numa guerra civil, por seus erros graves e imperdoáveis”.


87001
Por Manoel Hygino - 14/2/2024 09:17:42
E, agora, Drummond?

Manoel Hygino

E agora José? Perguntaria o poeta de Itabira, mais uma vez. Passado o carnaval, festa tornada nacional num país do hemisfério sul em terra descoberta por Cabral na metade do século XVI, o novo mundo que vai fazer? Como proceder a enorme população após a extraordinária eclosão no período superfestivo?

Respostas dificílimas dos dias e noites de imensas e imponderáveis festanças, cuja exuberância ou exagero atrai turistas procurando confirmar se assim mesmo se procede neste país, acima e abaixo da linha do Equador.

O José, convidado ou instado a responder à interrogação do vate mineiro, encontra dificuldade para contestar. Há epidemias grassando por aí, depois que a maldita Covid-19 perdeu o privilégio de pandemia. Mas sucedem-se as enfermidades; isoladas ou em penca, persistem na interminável relação das patologias humanas.

Há desafios supostamente intransponíveis como a duplicação da BR-381, ainda classificada como Rodovia da Morte e a 262, perigosa e assassina, como o PCC, e demais organizações criminosas, que somente agora a autoridade competente se sente na obrigação de combater.
O carnaval contribuiu com melhoria no sentimento e nas disposições de ânimo de uma população acostumada a sofrer?

E agora, José, ou que outro nome se queira impor à interrogação. Que será depois da festança? Haverá moradores de rua ainda sob viadutos e marquises, enquanto a chuva pode despencar impiedosamente? Não ponhamos maldades e más perspectivas depois que a temporada alegre se consumiu.

Melhor omitir a insuficiência alimentar registrada pelo IBGE e outras entidades ou organizações de pesquisa. Nada de mau olhado ou outras pragas que infestam ou infernizam a vida dos esquecidos dos poderes públicos ou dos detentores do poder que têm demais afazeres e compromissos.

Os tempos são outros sim, mas não diferem substancialmente dos pretéritos. Exigem muito de todos, sem deixar de ferir mais profundamente os menos providos de bens materiais e de horizontes animadores.

O carnaval passou, embora novos caminhos devessem abrir-se aos de boa vontade. Não se perderá a esperança.
Agora, temos a Inteligência Artificial, capaz – quem sabe? – de prever e prover em favor dos carentes e necessitados. Era o que imaginavam os sonhadores. Confiava-se que a IA viria para ficar e dar solidez aos sonhos. Mas ela apenas parece existir para substituir o homem em determinadas missões e tarefas.

Somemos em favor do futuro e dos justos. Pelo menos, os devaneios ainda são permitidos. Amém!


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Por Manoel Hygino - 13/2/2024 08:25:09
Apurações muito longe

Chama atenção a atuação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, no caso da suspensão da multa milionária aplicada em virtude de ação na Operação Lava Jato às empresas acusadas de lesão grave ao erário. Em uma das ações, o ministro suspendeu a multa de R$ 10,3 milhões, fruto de acordo firmado em 2017 entre J&F e o Ministério Público Federal. A Procuradoria Geral da República, pelo novo procurador- geral Paulo Gonet, recorreu da decisão e a questão renasceu das brasas ainda aquecidas.

A imprensa não se esquivou à divulgação, ao conhecer que o pagamento da multa já fora suspenso em dezembro. O ministro, na ocasião, apontou haver “dúvida razoável” sobre a “voluntariedade dos acordos” da empresa dos Irmãos Batista após a divulgação de mensagens trocadas entre procuradores e juízes da Lava Jato, mas houve vazamento do fato. E não foi pelo fato de a mulher de Dias Toffoli, dra. Roberta Rangel, ser advogada do grupo J&F, beneficiado pela decisão. Até porque ela atua em casa diferente.

O lembrado jornalista professor na UnB Aylê-Salassié Filgueiras Quintão comentou: “Observa-se que o ministro Dias Toffoli está fazendo: desqualificando, monocraticamente, os resultados da Operação Lava Jato e suspendendo o ressarcimento ao Tesouro Nacional de prejuízos com operações fraudulentas, confessas pessoalmente por um punhado de empresários e políticos nacionais. Não é pouco dinheiro: próximo de R$ 15 bilhões e cobriria parte do déficit das contas públicas, que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, esforça-se para conter”.


Diga-se o que se quiser dizer, essa dúvida de que a contenda está armada mais uma vez na cúpula do Judiciário, o que ficou suficientemente claro desde que Toffoli suspendeu o sigilo das ações determinando a interrupção do pagamento de multas do acordo da leniência da Novonor, antiga Odebrecht, com participação ou não da Transparência Internacional. É bom salientar que, no dia 5, uma segunda-feira, o ministro determinara que a ONG fosse investigada por ter supostamente usado indevidamente recursos públicos na ocasião da Operação Lava Jato. No entanto, foi a própria Procuradoria Geral da República que referendara, em 2020, a informação de que a entidade não recebera remuneração pela assistência prestada na leniência.

Em última análise, eis um caso que muito rende ainda, pondo em xeque altos escalões da República. A Lava Jato, apesar de tudo, não morreu. Afinal foram cinco anos de investigação, 285 condenações, 600 réus e 3.000 anos de prisão. Só no Supremo, foram 300 inquéritos que detectaram R$ 800 milhões desviados dos cofres da Petrobras, mas há muitíssimo mais.



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Por Manoel Hygino - 10/2/2024 08:46:48
O futuro do bosque

Manoel Hygino

Jornalista, professor, doutor em História Cultural, com 82 anos, atuante pleno na Universidade de Brasília, Aylé-Salassié Filgueiras Quintão, é – como antes já disse – mineiro, da Zona da Mata. Sob muitos aspectos e sobre muitos problemas, nossos pontos de vista se assemelham. Vejam o que ele afirma e com que concordo:

“Provavelmente, no futuro próximo, não encontraremos fortunas fabulosas concentradas em poucas pessoas. Um por cento dos mais ricos são proprietários privados de quase 50 por cento do PIB mundial: US$ 96,5 trilhões. Não há mais espaço para isso! São 8 bilhões de seres humanos habitando este Planeta, expandindo-se a um ritmo de aproximadamente 1,0 por cento ao ano, numa média de 800 mil novos nascimentos.

E não são as ideologias que estão provocando essa potencial inversão de valores. Elas são apenas véus (discursivas) que nos distraem da verdade absoluta: a ameaça de extinção da vida no Planeta. É a realidade!... Os recursos naturais - a biodiversidade, as florestas, as águas - são cada vez mais escassos para uma população que cresce assustadoramente.

Os dramas ambientais aterradores frequentes são banalizados no cotidiano: tsunamis, terremotos, exploração irrefreável do subsolo (a terra está se tornando uma espécie de queijo mineiro: toda furada por dentro) , temperaturas nunca experimentadas, inundações, secas prolongadas, desmatamento, queimadas, perda de terras cultiváveis, escassez de alimentos, quase 1 bilhão de pessoas famintas. E continua a falar-se em desenvolvimento (econômico), industrialização, guerras fratricidas, até nucleares. Tudo predatório dos recursos naturais que protegem a Terra e os princípios ativos da vida (...).

Falta gestão, mas o Brasil tem, de fato, se adiantado na busca de soluções. Promulgada em 5 de outubro, a Constituição de 1988 pôs em destaque em um capítulo especial, capitaneado pelo artigo 225, segundo o qual a proteção do meio ambiente é um direito do cidadão. Foi a primeira Lei Magna no mundo a tratar dessa questão. Para homenagear seus autores parlamentares, a comunidade brasiliense, idealizou em Brasília, na praça dos Três Poderes, um monumento ambiental simbólico com o nome de Bosque dos Constituintes, em que cada um daqueles congressistas, acompanhado de grupos de escolares, entre 12 a 15 anos, plantou uma árvore nativa do bioma da região de origem”.

A esta altura do tempo e das circunstâncias, poder-se-ia perguntar: que futuro terá o Bosque? Ou não terá nenhum? Os dias estão tempestuosos e destruidores.


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Por Manoel Hygino - 8/2/2024 08:27:52
Minas sem dinheiro

Manoel Hygino

Nesta hora lastimável para Minas, ofendida e humilhada por uma dívida imensa para a qual não se encontrou solução digna, não posso deixar de lembrar o governo Silviano Brandão (1898 - 1902). O historiador João Camilo de Oliveira Torres registra que o Estado se metera em “grandes aventuras” e o peso maior recaíra no governador Silviano Brandão, que viveu uma “tragédia”.

Repito: Silviano teve de lançar mão de todos os recursos. “Cortou despesas enquanto lhe foi possível, fechando escolas e estabelecimentos de grande necessidade, demitindo funcionários; dizem depoimentos pessoais que assinava os decretos chorando, pois, compreendia vivamente que estava levando o mal a amplos setores do povo, mas não lhe restava outro meio”.

O crédito não era fácil, forçando-o até a recorrer à poderosa St. John del-Rei Mining Co. E os ingleses de Nova Lima deram dinheiro ao governo do Estado. “Afinal, como solução heroica, o imposto territorial, na época, por força das ideias de Henri George, considerado um expediente socialista”. Os fazendeiros, que constituíam a força mais poderosa de Minas, reagiram, queriam fundar um partido para a defesa de seus interesses. Silviano chegou a fazer as malas para deixar o palácio. “Aos poucos a crise foi vencida. Mas, Silviano Brandão não chegou a ver a vitória. Foi vencido, também”.

Daniel de Carvalho, profundo conhecedor da matéria, comentou: “Silviano teve que adotar uma política realista, dura e firme, para enfrentar a situação calamitosa das finanças estaduais e firmar o prestígio de Minas no cenário federal”.
Médico, Silviano empregou largamente os recursos cirúrgicos. Suprimiu verbas, suspendeu serviços, extinguiu cargos de comissões. Reformou o sistema tributário, criando o imposto territorial. Com energia e firmeza, conseguiu, pela primeira vez na República, unificar a representação mineira, “reunir a boiada”, como então se qualificou a delicada operação de levar à Câmara Federal a famosa bancada do apoio incondicional.

Silviano venceu. Indicado na chapa como vice-presidente da República, ao lado de Rodrigues Alves, “esteve a pique de faltar ao banquete de leitura da plataforma, porque não possuía casaca, nem dispunha de dinheiro para a viagem ao Rio. Cotizaram-se para adiantar-lhe a quantia necessária a alguns amigos, que também não eram abastados...”.

Esse homem admirável não foi poupado pela imprensa... Morreu no exercício da chefia do governo de Minas.


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Por Manoel Hygino - 6/2/2024 09:13:48
Bom livro chegando

Manoel Hygino

São apenas 29 dias. Mesmo reduzido, fevereiro de 2024 segue o definido historicamente, somando ao fim do ano 366, e não 365 dias. Nele se inclui especialmente a data de lançamento de mais um livro do desembargador Rogério Medeiros Garcia de Lima, como anunciado por ele mesmo.

Já em 11 de janeiro, ele enviara mensagem por e-mail. Repito agora: “Estive hoje à tarde na Livraria e Editora Del Rey, Belo Horizonte, para receber das mãos da Aldria um exemplar impresso do meu novo livro “Redes sociais em prosa e verso”. Fui tomado por emoção indescritível. Já publiquei quatro livros de minha exclusiva autoria. E outros trinta, como coautor. Todos predominantemente jurídicos, mas com algumas incursões pela ciência política, economia, filosofia, história e sociologia. Este novo livro marca a minha estreia propriamente literária.; ou pretensamente literária. Lembrei o saudoso memorialista mineiro Pedro Nava:

“Quem escreve é para ser lido. Mas sejamos sinceros, acrescentando que muito do que escrevemos é para ser lido por nós mesmos. Não há ninguém, por mais pintado que seja, que não goste de lamber a própria cria” (“Balão Cativo”, 1973, p. 268).

Sinto-me como um pai no berçário da maternidade. Afago, no colo, o mais novo filho recém-nascido... Que alegria!

Antes que o primeiro mês do ano, terminasse – a nova mensagem: “Já estão agendados os lançamentos do meu livro "Redes sociais em prosa e verso":

Dia 22/2, 5a feira, a partir de 18h, Belo Horizonte, parque esportivo da Associação dos Magistrados Mineiros - Amagis, Rua Albita, 194, Cruzeiro.

Dia 1/3, 6a feira, ás 19h, São João del-Rei, no Teatro Municipal. Na terra natal, farei, na abertura, uma apresentação do livro. Abordarei minha infância, formação, influência da literatura nessa trajetória e a importância do uso das redes sociais para propagar "pitadas" literárias, culturais, históricas, poética s etc. Devem ser um ambiente de fraternidade e paz, em vez de ódio e propagação de fake news. Não somente São João del-Rei e Minas Gerais forjaram o meu espírito, mas também a querida Paraíba (terra de mamãe e 3 dos meus avós). São muitas narrativas mineiras e paraibanas selecionadas na obra”.

Então, temos mais um bom livro a partir deste fevereiro. Sou assíduo frequentador dos textos do magistrado de São João. A ele devo, por sinal, a informação de que, no ano passado, o padre Vieira ingressou na Companhia de Jesus como noviço, em 1623; quatrocentos anos, pois. E foram os jesuítas que lutaram contra a escravização dos indígenas no território que serviria para implantação de uma nação. Contribuíram para combater o canibalismo, a poligamia e o nomadismo.


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Por Manoel Hygino - 3/2/2024 07:46:51
O palacete da avenida

Manoel Hygino

Jornal belo-horizontino vem focalizando lugares especiais do cenário urbano da metrópole. Um deles foi a Funeral House, erguida na Afonso Pena, em local privilegiado. A população que passa pelas imediações a conhece suficientemente, pela imponência das linhas e pela beleza arquitetônica.

O que não ficou dito é que ali residiu o médico Antônio Pimenta, de alta competência profissional, e de tradicional família dedicada principalmente às atividades pecuárias. Eram quatro irmãos: ele, Antônio; João; que cuidou principalmente da produção de gado, mas entrou pela política, elegendo-se prefeito de Juramento e de Montes Claros; Lourdes, formada em Direito, em cujo escritório trabalhava João Chaves, homem das leis, mas também poeta de excelente qualidade e seresteiro; Neném, diplomada em Farmácia, casada com o médico Plínio Ribeiro, enciclopédia viva e atuante em todas as áreas a que fosse chamado. Gente muito mineira, muito sertão, séria, e confiável.

Em Montes Claros, Antônio gozava de alto prestígio. Cuidava de sua extensa clientela, sobretudo no seu consultório, mas também na Santa Casa, e no Sanatório Santa Terezinha, de que foi um dos fundadores e diretores. Nas proximidades da residência da mãe, construiu uma residência do mais alto nível. Ao lado, o consultório a que recorriam homens, mulheres e crianças, confiando ao seu carinho e competência. Dos ferimentos, cuidava pessoalmente, pois não existiam enfermeiros, auxiliares ou técnicos de enfermagem.

Sem pensar em política, a ela se integrou. Elegeu-se folgadamente deputado estadual, no velho PSD, partido do governo, já casado em Nhanhá (naquela época, todos tinham apelidos), ela dos Alcântaras, de Grão Mogol – Dagmar Alcântara Pimenta. Não geraram filhos, fazendo de cada cliente tratado no consultório ou nos hospitais um seu afilhado. Era assim e a cidade sentia-se grata.

Antônio Pimenta e esposa (que gostava de tango argentino) resolveram construir a sua residência, fazendo-o na Avenida Afonso Pena, 2.158. Jeito e maneira dos mineiros, discreta e silenciosamente, o prédio com duas imponentes colunas gregas de frente para a principal via pública da capital.

O prédio deixou de ser residência para os viventes, mas transformado em abrigo temporário para os mortos nos velórios.


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Por Manoel Hygino - 31/1/2024 10:19:45

Lições imperdíveis

Manoel Hygino

José Ponciano Neto não deixou que o fato passasse em brancas nuvens, ao publicar a notícia do falecimento de uma das pessoas mais distintivas de Montes Claros. Amelina Chaves, no dia 22 de janeiro último, deixou o nosso convívio. Não a veremos com seu entusiasmo nas reuniões literárias ou sociais, mas será lembrada pela sua história de superação das dificuldades que se acumulavam nas regiões distantes norte-mineiras.

Nascida em berço humilde em Sapé, hoje integrante do município de Capitão Enéas e antes de Francisco Sá. Ela soube superar todos os empecilhos para ser o que sempre sonhara: escritora. Lembra a colega de atividade literária, Glorinha Mameluque, que a sua paixão pelas letras surgiu em torno dos dez anos. Decidiu seu futuro no distante sertão, em época muito distante até da ideia de Polígono das Secas, então sem as academias que hoje existem em Montes Claros, núcleo maior da economia e da cultura regionais.

Na existência de Amelina, que revi pela última vez numa reunião não consumada por imposição da Pandemia, na AML, tudo é grande e expressivo. Ela viveu 92 anos, teve 15 filhos e escreveu 32 livros, sempre com referência à nossa terra e seus ilustres filhos, tema principal e preponderante de sua bela e farta produção.

Assim, seguirá entre nós a despeito das contingências do tempo. Sobre Amelina, poder-se-ia repetir o que escreveu Clarice Lispector a respeito de si mesmo e que a Mameluque transcreveu: “E nasci para escrever. A palavra é o meu domínio sobre o mundo. Eu tive desde a infância várias vocações que me chamavam ardentemente. Uma das vocações era escrever. E não sei por que, foi esta que eu segui. Talvez porque para as outras vocações eu precisaria de um longo aprendizado, enquanto que para escrever o aprendizado é a própria vida se vivendo em nós e ao redor de nós. É que não sei estudar. E, para escrever, o único estudo é mesmo escrever. Adestrei-me desde os sete anos de idade para que um dia eu tivesse a língua em meu poder. E, no entanto, cada vez que vou escrever, é como se fosse a primeira vez. Cada livro meu é uma estreia penosa e feliz. Essa capacidade de me renovar toda à medida que o tempo passa é o que eu chamo de viver e escrever.”

Suponho, a título de encerramento, que poderia reiterar com Ponciano, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros e da Academia Maçônica de Letras do Norte de Minas: Amelina Chaves nos ensinou que “o saber a gente aprende com os mestres e os livros; a sabedoria se aprende com a vida e os humildes”.


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Por Manoel Hygino - 30/1/2024 08:48:06
O grande mal

Manoel Hygino

Sou admirador de Edgar Morin, sociólogo e filósofo francês, desconhecido por milhões de pessoas que não aprenderam a ler. Nem vão aprender, de acordo com o andar da carruagem. Ao publicar suas memórias ao ensejo de seu centenário, em 1921, editou-se um livro especial: “Leçons d’un siecle de vie”. Lá, ele elenca algumas das aulas de aulas que guardou consigo: “Resistir à dominação, à incredulidade e à barbárie, tomar consciência da complexidade humana, levar uma vida poética, com fé no amor”.

Sem dúvida, o máximo que se pode exigir de nossa breve passagem pela terra, que muitos, sem embargo, ignoram. Haja vista o que se vê todos os dias e horas, em todos os continentes e países, sem que se dê mais atenção aos fatos.

É o caso, por exemplo, dos inúmeros casos dos que se enchem de drogas pensando que fazem o melhor. As casas de detenção ou prisão, as clínicas, se superlotam com tantos que não querem ver e sentir com o coração. Inventou-se até uma palavra nova para o registro – drogadição -, que vai além das infrações penais e conflitos criminosos que habitam o noticiário policial no Brasil.

O incauto e o descuidado de sua própria vida estão presentes permanentemente em hospícios, clínicas, vários hospitais especializados, quando não em casas de correção, repetidamente sem muitas condições efetivas de recuperação.

Nos anos mais recentes, o poder público percebeu que algo se teria de fazer, de modo permanente, para combater os chefões da droga e seu comércio, que deixam dezenas de mortos e incapazes pelas ruas das cidades brasileiras, não apenas as de maior população. Parte dos resultados se pode aferir pelas notícias da Imprensa, mas nem tudo é apurado.

Um pormenor: o Ipea constatou que a guerra às drogas reduz em média, 4,2 meses a expectativa de vida dos brasileiros, causando prejuízo de R$50 bilhões anuais. Isso quer dizer 0,77% do PIB em decorrência de óbitos no país.

Uma tragédia nossa de todos os dias, com a qual devem preocupar-se também os chefes de família, o núcleo essencial para evitar o mal pior e tentar causar a felicidade geral da nação, mesmo sem Pedro I por aqui. O nosso primeiro imperador e Morin têm razão.


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Por Manoel Hygino - 27/1/2024 08:52:04
Nossa pecuária

Manoel Hygino

Depois de longa temporada sem chuva, confirmando até algumas informações da Inteligência Artificial, despencaram em boa parte do território mineiro pesadas pancadas, que deixaram estragos muitos, danos múltiplos, principalmente em cidades de maior porte, embora também efeitos perversos fossem sofridos naqueles de menores dimensões. Com mortos e desaparecidos humanos, que não encontraram meios para fugir às destruidoras cargas.

Extensas regiões, que reclamavam da estiagem maligna, puderam enfim prever que a água descia do céu e que os anjos diriam amém. Aconteceu também no meu Norte de Minas e pelas bandas do Jequitinhonha, Mucuri e Itambacuri. Ainda bem. Mas o que inúmeros mineiros não apreciaram foi com relação aos rebanhos bovinos. Havia gente pensando que Minas liderava, mas se enganou.

Em verdade, pelos dados ora revelados, a liderança no número de bovinos no país pertence a Mato Grosso, com 34.246.313 cabeças, seguido pelo Pará com 24.991.000. Seguem Goiás com mais de 24 milhões também, enquanto o estado montanhês dispunha de 22.993.105, em 2022. Somos, assim, o quarto em número de reses bovinas.

Os maiores municípios criadores entre nós são: Prata, Campina Verde, Santa Vitória, Unaí, São João da Ponte, João Pinheiro, Carlos Chagas, Paracatu, Patos de Minas, Uberlândia. Apesar disso, a quantidade de cabeças segue sob liderança do Triângulo – Alto Paranaíba, seguida pelo Norte, mas com distância assaz relevante. A primeira conta com 5.437.061 cabeças, enquanto o Norte soma 2.834.992. Em seguida, aparecem Sul e Sudoeste, Vale do Rio Doce, Zona da Mata, Noroeste, Oeste, Central, Metropolitana de Belo Horizonte, Vale do Mucuri, Jequitinhonha e Campo das Vertentes.

Segundo os mais recentes números, o rebanho bovino de Minas é de 22,99 milhões de cabeças, enquanto a população está com 20, 558 milhões de habitantes.

Não podemos reclamar, mas não devemos deixar de investir. Precisamos manter o prestígio de nossa pecuária e a qualidade de nossos produtos. Não sem razão, Antônio de Salvo, de uma família de pecuaristas e presidente da Federação da Agricultura de Minas, declarou recentemente: “A pecuária de corte vem conquistando novos mercados considerando a qualidade e sanidade do nosso rebanho; a gripe aviária não nos atingiu nesse 2023, justamente pelas ações rápidas e alinhamento produtivo”.


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Por Manoel Hygino - 23/1/2024 09:01:23
Agora, Equador

Manoel Hygino

A América Latina sempre em evidência sob olhar acurado e cuidadoso; quando não temeroso do resto do mundo. É bom ler o livro de Manoel Bonfim, escrito no princípio dos anos 1800. Informa-se o leitor sobre as causas de nossos atrasos, desavenças e problemas, que só aumentaram no decorrer dos dias.

Vivemos os nossos desafios, mas se vê que não estamos sozinhos. Os “Hermanos” também os enfrentam ou os sofrem. Veja-se a Argentina em suas atribulações antes e depois de Perón, antes e depois dos militares. E há a Venezuela, que incomoda os latinos e os Estados Unidos, mas também as demais nações. O que, afinal, pretende o ditador que é “maduro” no nome, mas não deteriora com suas ideias?


Há pouco dias, o Equador segue vivendo momentos de tensão após toda a confusão, armada sobretudo devido às organizações criminosas, com ênfase dos traficantes de drogas, que montaram um império de alta periculosidade, conseguindo inserir-se num sistema internacional de compras e vendas, que inclui a Europa, a Ásia, mesmo a África. Como em Gaza, são mantidos reféns, pondo em risco o que ainda detém certa dose de complacência e paz na nação latina.

Ainda no Equador, seu jovem presidente se mantém esperançoso e disposto a enfrentar os “grupos terroristas” compostos por mais de 20 mil pessoas. Para ele, as gangues criminosas são terroristas e não alvos militares de seu governo. Daniel Noboa é categórico: “Nós não vamos ceder e deixar a sociedade morrer lentamente. Hoje, vamos combatê-los, vamos dar soluções e em breve vamos dar paz às famílias”.

O Equador é banhado pelo Oceano Pacífico. Tem pouco mais de 272 mil quilômetros quadrados de extensão, com por mais de 20 milhões de habitantes, 25% ameríndios. Daqui dois anos, isto é, em 2026, se registrarão os 500 anos da chegada ali dos espanhóis. Não foram poucas as lutas dos europeus para seguirem no comando do território. A partir de 1932, o cenário político foi assumido pelo líder populista José Maria Velasco Ibarra, eleito cinco vezes presidente.

A capital é Quito, mas a maior cidade é Guayaquil, com população semelhante a Belo Horizonte. Produtos principais: café, cacau e, em especial, banana. Coberta sua superfície, principalmente pela floresta amazônica, há predomínio da exportação de petróleo – 50 % de sua pauta. Durante certo período, 14 presidentes da República foram derrubados. Quem pode não deve perder a oportunidade de conhecer o arquipélago de Galápagos, primeira região do planeta a integrar a lista de patrimônio mundial da Unesco. Lá pelo menos, há sossego.


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Por Manoel Hygino - 20/1/2024 07:30:25
Histórica edição

Manoel Hygino

Tem completa razão o presidente da Amagis, Juiz Luiz Carlos Rezende e Santos, ao referir-se à edição histórica lançada pela entidade há poucos dias: “É publicação para ser lida com prazer e guardada com carinho por todos que atuam e têm apreço pelo Judiciário e, de modo especial, por estudantes de Direito em todos os níveis”.

Depois da edição especial, em parceria com a Escola Judicial Edésio Fernandes, protagonizando a vida de um dos mais brilhantes magistrados deste país, Hermenegildo Rodrigues dos Santos, houve a publicação sobre vida e obra de outros dezoito elaborada por quem com eles conviveu e aprendeu a admirá-los.


Mais recentemente e para deleite intelectual de um infindo número de leitores, eis que se focaliza a trajetória exemplar de Raphael de Almeida Magalhães, a partir da inesquecível palestra do desembargador Luciano Pinto. Para não deixar por menos, a edição contou com prefácio de Rodrigo de Almeida Magalhães, bisneto de Raphael, professor de Direito na PUC e na UFMG.

Com tão rico material, o jornalista responsável pela revista, Manoel Marcos Guimarães, a excelente ilustradora Sandra Bianchi e a projetista gráfica Rachel GM Magalhães puderam regalar-nos com uma produção do maior significado histórico, cultural e artístico. Sem falar na relevância da edição para enfatizar a nobre missão de nossos magistrados.

Dá-se relevância ao sentido da missão desses profissionais do Direito na prática da tolerância, em que foi exemplar Raphael de Almeida Magalhães, “nascido na aristocracia do Império, educado no Rio de Janeiro e São Paulo, mas foi em Minas Gerais, lá na margem direita do Grande, nos longes do sertão do Tamanduá, na comarca de Campo Belo, que ele se sentiu filho de Minas Gerais e nas Minas Gerais ficou para sempre”.

Segundo Luciano Pinto, seu focalizado “não se desinteressava da vida pública e a formação liberal e harmoniosa de sua personalidade o incompatibilizava com os destemperos, tanto da demagogia como do regalismo”. Ao depoimento de Mendes Pimentel, amigo de todas as horas, assíduo companheiro nas caminhadas diárias para as sessões de cinema, no seu depoimento a que recorro mais uma vez: “Aquele cuja memória aqui nos congrega teve, como os que mais o possuíam, o senso crítico, a consciência da injunção política. Mas tanto o aborrecia o demagogo como o déspota. No seu espírito nunca se desatou o binômio da ordem e da liberdade. E, se não tolerava a bufonaria dos exploradores das multidões, também não compreendia que a defesa da autoridade precisasse trancar permanentemente a igualdade de direitos entre os cidadãos”.


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Por Manoel Hygino - 18/1/2024 08:40:14
Povo e gente

Manoel Hygino

A violência no Brasil é fenômeno que impressiona toda a sociedade, inclusive a que vive em outros países. Ela é estudada porque nãos e compreende com facilidade como um país como o nosso- com suas dimensões, com suas imensas riquezas, ocupando o maior território de um hemisfério, habitado por populações que se caracterizariam pelo pacifismo e solidariedade chegou ao ponto em que está. Raquel Galinati, delegada de Polícia, diretora da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil, mestre em Filosofia e pós-graduada em Ciências Penais, processo Penal e Direito de polícia Judiciária, em artigo para jornal de Belo Horizontem, expôs a questão em sua grandeza: “A compreensão da raiz da violência urbana requer um olhar além das lentes ideológicas, direcionando o debate para questões estruturais, sociais e históricas que alimentam esse problema”. A situação a que chegamos inquieta. Intelectuais de nome como Sílvio Romero ingressaram em ia equivocada ao abordar a questão e atribuir ao desvio da população ao arianismo e com o domínio das raças inferiores no país. Encontrou um adversário à altura o Manoel Bonfim a partir da primeira década dos anos 1900. Enquanto Romero se preocupava com a degradação a raça brasileira e com o domínio das raças inferiores, o contendor, usando a Imprensa, o contesta com veemência e ao “pessimismo da sociologia da cobiça”, que nos classifica como “incapazes e inferiores”. “O bravo sergipano defende a correção de rumos e regeneração, ou a vitória sobre a opressão, por meio da educação popular. Segundo Vera Alves, para Bonfim a correção se teria de fazer por meio da educação popular, o estudo das ciências. A instrução básica, pública e de acesso a todos- a educação que liberta e traz a independência- é a grande saída revolucionária para acabar com as generalizações e simplificações errôneas, não fundamentadas por nenhuma ciência que possa realmente se entendida como tal”. Como Manoel Bonfim, Darcy Ribeiro acreditou que “a educação popular tem um papel indispensável em nosso esforço de autossuperação. Somente através dela conseguiremos que os brasileiros de amanhã manifeste em sua extraordinária criatividade, não só no exercício do futebol e no carnaval, mas em todas as formas humanas de expressão”. Manoel Bonfim viveu muito pouco, mas deixou lições fortes. Deixou, por exemplo, o ensinamento de que “Viver é acrescentar alguma coisa ao que já existe”. Para isso, imprescindível união, sem querer extraviar vantagens, com descaso pelo povo trabalhador, que não há de ser visto como mera fonte de energia produtiva, que a sociedade possa usufruir como bem desejar.


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Por Manoel Hygino - 16/1/2024 08:27:22
Fatos históricos

Manoel Hygino

Em curto espaço de tempo, a Academia Mineira de Letras perdeu três de seus ilustres membros: Maria José de Queiroz, Olavo Romano e Orlando Vaz Filho, cujas vagas não foram ainda ocupadas. Fazem faltas e farão, pela contribuição que deram à entidade enquanto já atuaram. Do segundo, há de lembrar-se declaração feita no Congresso das Academias Estaduais de Letras, em outubro em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul: “Primeiro, que o sentido da academia é confraternizar. É uma reunião de opostos, de tolerância, amizade. O colega de academia é chamado de confrade. Não importa o que ele pense, a sua cor política. A academia é um espaço de tolerância, amizade e fraternidade”.

Provisoriamente, são 37 que ocupam suas cadeiras. Logo, serão 40, como a Academia Brasileira, voltada para a inteligência, a história, as artes, à literatura especificamente, a cultura. O atual presidente - Jacyntho Lins Brandão, sucessor de Rogério Faria Tavares - dá sequência a um ciclo renovador, que se percebe e se sente. A mansão da rua da Bahia, antiga residência de Borges da Costa, um expoente da Medicina, é um símbolo e um marco na história da capital.

Em outubro, as doutoras Sara Rojo e Júlia Morena Costa promoveram na AML a palestra “Diálogos entre Texto, Cinema e a Obra do escritor chileno Roberto Bolaño”, quando se deu também a noite de autógrafos do livro de Sara “Imagens e teatralidade na narrativa de Roberto Bolaño, da teoria à teatralidade”. É obra que enriquece a produção do Bolaño, usando diálogos no contexto teatral e no cinematográfico.

Em novembro, o sodalício recebeu o poeta e acadêmico Afonso Henriques Beto, para a palestra “A poesia entre os Guimarães e os Guimaraens”. Foi quando se lançou o livro “Correntezas em tinta e versos - Quatro séculos e poesia na família Guimaraens”, sendo mediador Ângelo Oswaldo, prefeito de Ouro Preto e também acadêmico.

Não deixo de registrar que, em 30 e 31 de outubro, mais uma vez a Academia lançou luz à história, ao patrocinar e apresentar o seminário “Compilador Mineiro, 200 Anos”, reverenciando a memória dos que promoveram a edição do “Compilador Mineiro”, que legou marca imperecível ao jornalismo brasileiro, pois se perenizou como o primeiro periódico redigido e impresso na província de Minas Gerais, em 1823, dois séculos antes pois.


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Por Manoel Hygino - 13/1/2024 07:20:38
Voz do povo

Manoel Hygino

As cidades têm defensores de seus patrimônios naturais, históricos e culturais, principalmente se há meios de preservá-los, sem prejudicar a exploração, assegurando bens naturais de forma sustentável. E sustentabilidade é vocábulo inserido habitualmente em debates sobre meio ambiente. Em Montes Claros, maior cidade do Norte de Minas, um dos defensores dela é José Ponciano Neto, técnico em Meio Ambiente e Recursos Hídricos e membro da Comissão de Geografia e Ecologia do IHG do município.

É ele defensor de outras ideias, válidas para todos os municípios e regiões – não só de Minas. É o que depreendo de documento que me chegou às mãos, há bastante tempo e cuja divulgação retinha para melhor avaliar.

“Cinco grandes inimigos da paz habitam dentro de nós: a avareza, a ambição, a cobiça, a fúria e a vaidade. Se conseguíssemos desterrá-los, gozaríamos irrevogavelmente da perpétua PAZ”.

O nosso querido país, “abençoado por Deus e bonito por natureza” está literalmente nebuloso, propício a... Sei lá o quê!

A maioria dos nossos patrícios está mostrando que estão afundados no delírio ideológico, evidenciando uma índole inaceitável com muita ignorância.

As facções políticas – de ambos os lados – não querem externar a seus “seguidores” que a paz e uma boa administração são muito mais importantes que determinadas utopias. Estão armando os seus escudeiros com a arma do ódio, uma arma perigosa para provocar uma guerra civil - verdadeiramente um atraso feudal do estado patrimonial; o ódio instiga conflitos entre amigos e familiares.

No tocante ao algoritmo das plataformas, estas estão recheadas de “seguidores” espalhando notícias falsas (fake news) – política do macarthismo. Lamentavelmente, os responsáveis por elas não têm qualquer interesse na qualidade dos conteúdos. Com isso, estão impelindo muitos brasileiros para uma ilusão de animosidade geral entre os eleitores e regiões.

O brasileiro nunca pensou que os políticos são tão cegos diante da relevância de seu cargo e a importância de seu papel na sociedade. Basta observar a maneira como reagem diante de qualquer fraude, crime físico ou catástrofe. São insensíveis! Reações que acabam promovendo mais ódio.

Pelo amor de Deus! Dias destes, li uma frase que diz tudo: – “O Brasil está sendo desfigurado dentro de nossas cabeças”. – certo!

Enquanto nós estivermos nesta guerra civil do ódio, vamos sofrer com a violência do povo contra o povo.


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Por Manoel Hygino - 9/1/2024 07:59:14
O bem público

Manoel Hygino

Não vive a nação os seus melhores momentos. Ainda repercutem nos cérebros e nos corações os sentimentos que resultaram dos lastimáveis acontecimentos de 8 de janeiro de 2023. No primeiro mês, deste novo ano, são lembrados os atos do janeiro passado, quando se quis e se pretendeu incendiar o ambiente político no país que ainda busca o ambiente propício ao pleno desenvolvimento a que está destinado superiormente.

Não venceram as aves de mau agouro, mas persistiram as imagens de destruição que invadiram as sedes dos três poderes da República. A desmedida polarização não se prolongou pelas mãos e artifícios dos que não souberam pensar no futuro do Brasil e dos que nele habitam e as futuras gerações. Estas guardarão na memória um espetáculo deprimente que em nada representaram ou representariam em favor do bem nacional. Mas, de todo modo, predominou o bom-senso, o patriotismo, que precisam ser ressaltados e reconhecidos, agora que o mau tempo é pretérito.

Em 1973, também num janeiro, precisamente no dia 31, faleceu aqui o historiador João Camilo de Oliveira Torres, debruçado sobre os processos e os problemas da autarquia INPS, cuja sorte ligou à sua própria vida. Atleta do bem comum, como o classificou o professor de Direito Antônio Augusto de Melo Cançado, membro da Academia Mineira de Letras e ex-secretário de Estado, João Camillo era autêntico “republico”, condição desconhecida ou olvidada pelos planejadores e autores do atentado de 8 de janeiro.

Os bens invadidos e criminosamente danificados eram bens do povo, isto é, “Res Pública”, pertenciam à comunidade nacional que nos abriga, eram de todos e de cada um.

Mello Cançado, mestre-confrade, recorda: “Ora, se o Governo o assume de forma monárquica ou republicana- constitui uma coisa do Povo, pelo que se compreende muito bem porque Dom Pedro II podia ser obstinado republico sem jamais ter adido republicano”.

E que dizer ou pensar dos que decidiram e agiam contra os núcleos maiores das decisões da pátria nas casas dos três Poderes? Pelo menos, que os fatos rendam algum ensinamento útil, é o mínimo que se haverá de rogar a Deus, mas há aqueles que n’Ele não confiam. De todo modo, divido a ideia de que “há renovadas esperanças de que avançamos para a ideia de valores normalmente ascendentes. Deixaria nosso planeta de ser de expiações para ingressar no patamar da negociação, com a prevalência da luz sobre as Trevas, do bem sobre o mal”, como se expressou dias atrás, o jornalista Paulo Narciso, com sua convicção segura e serena.

Não nos inclinemos aos baderneiros e seus tributários. O Brasil merece fé, para alcançar um futuro venturoso.


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Por Manoel Hygino - 6/1/2024 07:41:59
Guerra ou Paz

Manoel Hygino

Estamos em tempo de paz? Não é o que parece. Basta passar as páginas dos jornais e conferir. Não temos paz, por mais que a humanidade peça e o Sumo Pontífice pregue.

Os números de mortos expostos nas estatísticas podem parecer irreais. Estamos pessimistas. No entanto, não é exatamente o que acontece. Desde o fim da II Guerra Mundial, de pérfidas e dolorosas lembranças, nunca se matou tanto em tantos lugares do planeta.

Oitenta anos são transcorridos do final da II Grande Guerra, uma das piores carnificinas da história da humanidade, em cruel período da história. Será que as lideranças mundiais não se apercebem do que patrocinam? Os exemplos passados são efetivamente passados? Muitas interrogações nos pairam, mas deveriam ser permanente fonte de dor e inquietação.

Apanho o jornal. Lá está: a recém-lançada Pesquisa de Conflitos Armados, do Instituto Internacional de Estados Estratégicos, registra que houve mais pessoas mortas de 2023, do que no ano anterior: mais de 14 por cento este ano do que em 2022 - nada menos de 267, mil humanos perderam a vida.

Perderam a vida é modo de dizer. São pessoas como nós, que vivem nas ruas das várias nações e imolados. Em nome de que? Que motivos maiores os levaram a pena de morte?
E, no entanto, consta que estamos em tempo de paz? Que paz é essa, no Oriente Médio se travam cruentas lutas, como em outras épocas da história? E a Rússia, há mais de um ano, mantendo sua guerra não declarada contra a Ucrânia?

De plantão, Maduro - na Venezuela - movimenta soldados nas cercanias da Guiana. Um simples jogo de soldadinho de chumbo? Do outro lado do mapa, o aparentemente débil mental Kim Jon Um determina estado e alerta máximo a suas tropas. E a Coreia do Norte, vamos lembrar, é potência nuclear.

Fazer o que?

Estadistas ou dirigentes de nações que não querem guerras são vistos com maus olhos. Consolidou-se a ideia de que somente belicamente se consegue paz. São velhos conceitos e pensamentos que resistem até ao prognóstico de pacificação dos povos. Não é promissor o rumo que ora se toma. Frias, as estatísticas da tragédia darão a resposta.


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Por Manoel Hygino - 3/1/2024 11:39:31
Vez dos Pardos

Manoel Hygino

A imprensa do país deu ênfase à notícia do dia 13 de dezembro: oferecendo um retrato do Brasil, informava que, pela primeira vez, a maioria de nossa população é de pardos. Além: quem o contava era o próprio segmento assim classificado. Em resumo: nós dissemos que éramos pardos na maioria, segundo o Censo do IBGE em 2022. A parcela de brancos caiu de 51,6% para 43,5% presentemente, ao passo que a de pardos se declarou de 45%, tendo aumentado além dos 42,5% anteriores.

Com informes coletados pelos recenseadores mostraram que, entre 2010 e 2022, a participação dos pardos cresceu em todos os grupos de idade pesquisados, enquanto a população branca sofreu diminuição em todas as faixas etárias.

Dado que desperta curiosidade: no país, apenas nove municípios exibem população predominantemente preta, o que equivale a 0,1% das cidades brasileiras, sendo oito na Bahia, e apenas uma no maranhão - Serrano do Maranhão.

A gente negra está dispersa na imensidão do território nacional, com concentração no Recôncavo da Bahia. No restante do país, observa-se uma concentração importante no Rio de Janeiro. Outro detalhe: em Morrinhos do Sul, em terra gaúcha, 97% se autodeclarou branca, o índice mais elevado em todo o território nacional.

Restaria, para sentir melhor a questão, saber quem é pardo.

Busquei informação em Manik Zacharias, médico, já falecido, nascido em Curitiba, muito perseguido pela revolução de 1964, que o manteve preso por extenso período. Zacharias, estudioso de “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, elaborou um index com cerca de mil páginas (Lexicologia de “Os Sertões”) explica que sobre “a cor parda, intermediária entre o branco e o preto, ou entre o amarelo e castanho”, ou “indivíduo de pele escura, mulato”. Quanto a mulato é “mestiço de branco e negro”.

Mais adiante, para definir “mestiço”, explica que se origina de raças diferentes, nascido de país de raças diferentes. O pesquisador curitibano amplia seu pensamento, à base de Euclides: “Adstrita às influências que mutuam, em graus variáveis, três elementos étnicos, a gênese das raças mestiças no Brasil é um problema que por muito tempo ainda desafiará o esforço dos melhores espíritos”.

E, na página 87: “Oras toda essa população perdida num recanto dos sertões, lá permaneceu até agora, reproduzindo-se livre de elementos estranhos, como, que insuflado e realizando, por isso mesmo, a máxima intensidade de cruzamento bem definido, completo”.


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Por Manoel Hygino - 30/12/2023 07:48:46
O Menino Transmutado

Manoel Hygino

Não era para eu estar aqui, hoje, com este comentário. O Natal 2023 já se foi, as pessoas cuidam do iniciado novo ano e dos problemas que afligem o mundo nestes dias iniciais do calendário. Mas a figura do Menino Jesus, tão da ternura da gente cristã, permanece diante dos olhos e do coração de milhões, mesmo dos judeus.

Daniel Polish, diretor da União das Congregações Hebraicas Americanas, sobremodo admirado em sua pátria e entre os de mesma religião, comenta: “há um Jesus que não tem precedente na vida judaica - o Menino Jesus”.

O Menino Jesus, por sua vez, costuma ser central e coerentemente inevitável como componente da vida religiosa cristã.

Como entender a força do Menino Jesus na tradição cristã? Tal como outros ritos e símbolos religiosos, há nesse fenômeno mais coisas do que os olhos veem - ou que pode ser acessível à mente consciente do praticante religioso. É mais fácil que eu, como observador externo, entenda esse fenômeno religioso em analogia com um aspecto específico da tradição religiosa na Índia.

Nesse universo religioso, encontramos o conceito de bhavas: as várias maneiras de amar a Deus. As várias modalidades de amor humano que vivemos em nossa vida podem vir a ser entendidas como vislumbres ou analogias com as emoções que sentimos em relação a Deus. As várias expressões de fé encontradas em Krishna articulam certo número dessas maneiras ou bhavas. O amor que sentimos pela família e pelos amigos pode ser um modo de compreendermos o que é amar a Deus.

As emoções que os servos sentem em relação a seus senhores, os sentimentos de um amigo ou de um amado, todas essas coisas são transpostas em emoções que podemos sentir em relação a Deus. E figura entre as bhavas o amor dos pais pelos filhos.

Caminhando para concluir, escreve o rabino: “... essa bhava do amor pelo recém-nascido é o que se acha na base da veneração do Menino Jesus. A devoção a Jesus como menino é encontrada com tal regularidade e irradia tal intensidade que, articulada ou não, reflete mais do que uma dimensão incidental da vida cristã. Mais que mera curiosidade ou alusão histórica, a força do motivo do Menino Jesus serve de vínculo à descoberta de intensas emoções, no âmbito de nossa própria experiência, que podem ser transmutadas - “despertadas” para servir a um propósito religioso mais elevado. O amor que os pais sentem pelos filhos se transmuta, por meio do envolvimento com o Menino Jesus, no amor que podem sentir por Deus. O menino – no cristianismo, o Menino Jesus - se torna a passagem para a expressão intensa de um amor mais grandioso”.


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Por Manoel Hygino - 27/12/2023 07:59:45
Esperando a paz

Manoel Hygino

Até por ser natural de Mariana, primeira capital de Minas, não deixa Danilo Gomes, um dos grandes cronistas e poetas deste nosso tempo, de lembrar-se dos amigos e colegas de faina na Imprensa, ele que desde a época que integrava a equipe do DIP de Getúlio Vargas servia ao Catete. Assim, não se aposenta de todo. Há pouco, por exemplo, enviou a seus privilegiados correspondentes o texto do artigo de 19 de dezembro do imortal José Sarney. A página exige leitura.

O ex-chefe da nação evoca a Declaração Universal dos Direitos Humanos, o mais importante documento publicado pela ONU, em 10 de dezembro de 1948, escrito por grandes personalidades como Austregésilo de Athayde, o canadense John Peters Humphrey, o libanês Charles Malik, o chinês P. C. Chang, e o francês René Cassin.

O articulista ressalta: “Não é uma convenção e não tem efeito vinculante, de modo que ninguém a obedece. Se tivesse efeito vinculante, também não seria obedecida: nada é tão desrespeitado no mundo quanto o que dizem as Nações Unidas”. Em 1985, ele próprio, Sarney, encaminhou mensagem ao Congresso Nacional comunicando a adesão do Brasil ao Pacto de San José, em vigor desde 1978, a que não havíamos aderido. Em agosto daquele ano, Sarney assinada a Convenção das Nações Unidas contra a Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis ou Degradantes, hoje garantidos por força da Constituição.

Observa ainda. “Para nós, cristãos, a História dos Direitos Humanos traz lembranças fundamentais nesse sentido. Não há dúvida sobre a mensagem de Jesus Cristo. Os catecúmenos, em Roma, seguiam para o martírio sem resistência: o exemplo do desfazimento do gesto de Pedro resistindo com a espada não podia ser mais claro. Mas a Europa cristã foi o modelo de barbáries, culminando com as cruzadas e as guerras de religião, em um fundo de discriminação, violência, ódio. O mesmo retrato pode ser feito o islamismo e o judaísmo: a paz que a palavra sagrada traz e destorcida para virar violência que não respeita nem as bárbaras “leis de guerra”. E, com a diferença da complexidade da fé no resto do mundo, a situação se repete universalmente.

O ex-presidente escritor conclui seu precioso artigo, comentando com muita propriedade porque estamos entrando em novo tempo: “E, assim, por seu extraordinário efeito moral que a Declaração dos Direitos Humanos influencia a evolução da sociedade. É lenta, mas paulatinamente vai sendo seguida”.


A violência - na guerra ou no crime comum -, a discriminação, a desigualdade de direitos recebem, cada vez mais, o repúdio universal.

Haverá um dia em que a indústria de armas será substituída pelos gestos de Paz. E poderemos nos juntar aos anjos para cantar na chegada do Menino: “Glória a Deus nas alturas e Paz na terra entre as pessoas de boa vontade”.



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Por Manoel Hygino - 26/12/2023 07:10:19
Um lugar ao Sul

Manoel Hygino

Começou por São Paulo. O Brasil inteiro julgava que o progresso tinha ponto fixo, instalado historicamente no Sudeste. Populações expressivas do Nordeste, do Oeste, do Norte e mesmo do Rio Grande do Sul se deslocavam para ali se realizar. No período colonial, coube a um mineiro, Antônio Gonçalves Chaves, assumir o cabresto do Executivo catarinense. Era de Montes Claros, cidade do sertão mineiro que tinha fama de gente decidida, capaz de vencer as dificuldades e desafios daquele período penoso.

De Santa Catarina, lia eu a prosa de Enéas Athanázio, lá do aprazível Balneário de Camboriú, magistrado a quem se devem excelentes livros, que somam dezenas e que a todos agrada; e Emanoel Medeiros Vieira, e com a grave responsabilidade de relatar suas ideias e experiências, perseguido pela ditadura, e agora descansando prematuramente de sua tortuosa aventura humana.

Agora, pela Editora Caminho de Dentro, de Florianópolis, Alcides Buss, publica “Em nome da poesia”, já aplaudido no estado do autor e que nos premia com 350 páginas de memórias, cuja narrativa se estende do ciclo da vida nacional que vai da queda de Getúlio Vargas ao governo Lula, novamente à frente dos destinos nacionais.

É missão extensa, mas agradável e, até, didática. O relato parte de Trombudo Central, no Vale do Itajaí, percorrendo imenso território, passado por Medianeira, na tríplice fronteira de Foz do Iguaçu, alargando-se em Joinville, para desemborcar-se finalmente na bela ilha de Santa Catarina. Uma avenida feliz.

Uma biografia, aventura sim, mas diferente. Vazado o texto em segunda pessoa, a narrativa da vida do poeta se torna numa espécie de pando de fundo e serve de fio condutor dos atos sociais, culturais e poéticos, como o diz o próprio poeta.

Essencial é que o leitor se torna conhecedor de extensas regiões e cidades de um estado riquíssimo em atrações da natureza, de pedaços do território brasileiro, até hoje ainda menos conhecido que deveria e das cativantes gentes que o conhecem. Buss, enfim, ajuda-nos a apreciar o que Santa Catarina tem e que pela leitura, nos revela de modo esplêndido.

Um belo presente, enfim, de Natal, válido para um novo ano, que se deseja mais propiciador de realizações e alegrias do que o que fica perdido no calendário pretérito. Estes são os votos que brasileiros se desejam.


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Por Manoel Hygino - 22/12/2023 09:32:59
No cômputo da morte

Manoel Hygino

Quem assiste às transmissões de televisão ou ouve as rádios no Brasil se espanta com a sucessão de crimes contra a vida, mesmo que não se fale nos casos de acidentes, principalmente em rodovias ou nas ruas das cidades. “Um desperdício de gente que morre”, ouvi dizer. E é verdade.

Mas boa parte das pessoas classifica de morticínio praticado pelos fora da lei que agem incessantemente durante o dia ou à noite. Não há a rigor um horário delimitado para descarregar uma arma nas grandes cidades e despachar alguém para a eternidade, como se afirma.

O Brasil é forte no ramo. Na primeira semana de dezembro, leu-se nos jornais ou ouviu-se pelos meios eletrônicos de comunicação, que o Brasil lidera o ranking da ONU pelo maior número de homicídios em números absolutos. A informação está no Estudo Global sobre Homicídios 2023, então divulgado pela Organização das Nações Unidas.

Nosso país registrou 47.722 casos em 2021, seguido da Índia, com mais de 41 mil. Do total de 458 mil homicídios no mundo, 10,4% ocorreram no Brasil. São números de que não se deve orgulhar, antes pelo contrário.

No planeta que habitamos, mais pessoas foram vítimas de homicídios do que em conflitos armados e terrorismo combinados naquele ano. Para ser mais sucinto, bastaria registrar que a média global foi de 52 vítimas por hora, segundo o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

A América pode lamentar-se ao tomar conhecimento de que o mundo descoberto por Colombo continua com a maior taxa do mundo – 15 pessoas a cada 100 mil habitantes. Em 2021, perderam a vida, seis vezes mais que a Europa.

Nesse cômputo, os homens representam 81% das vítimas de homicídios, mas as mulheres têm maior probabilidade de serem mortas por familiares ou parceiros íntimos. As mulheres correspondem a 54% de todos os homicídios domésticos e a 50% de todas as vítimas de homicídio por parceiros íntimos. Outro dado alarmante: 15%, ou seja, 71,6 mil das vítimas eram crianças.

Estas estatísticas poderiam servir para um reposicionamento de cada um e todos quando ingressamos no novo ano. Que o Natal de 2023 abra portas de esperança e de real felicidade.


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Por Manoel Hygino - 20/12/2023 08:48:24
A transparência

Manoel Hygino

A tradição do Brasil no caso de criminosos e crimes não é das melhores. Nos velhos filmes de Hollywood, ainda em preto e branco, via-se que os condenados ou suspeitos de ilegalidades eram encaminhados ao Brasil. Era a maneira de não se obrigar o bandido a cumprir penas no país de origem.

A situação mudou muito. Temos gerações de foras da lei produzidos por cá mesmo ou em nações limítrofes. Organizações criminosas poderosas operam por aqui, fazem vultosos negócios e são atuantes internacionalmente. Basta conferir pelos veículos de comunicação para se certificar a veracidade da informação. Episódios típicos e escabrosos são noticiados em horários certos por tevês e rádios.

Mata-se no país, muito mesmo. Determinadas áreas do Rio de Janeiro estão infestadas de criminosos, que fazem dali o seu ponto de apoio e o seu sustento. Pesquisa Nacional de Vitimização e Segurança Pública, feita pela Quest Consultoria e Pesquisa, em parceria com o Centro Internacional de Gestão Pública e Desenvolvimento da UFMG, realizada no recente novembro, em todo o país, revelou a redução da pobreza e da desigualdade como solução para o problema da violência.

Confiança maior é com a Polícia Federal.

Mas Andrea Dip e Maria Isabel Couto, do Instituto Fogo Cruzado, alertam para outro aspecto da questão, como publicado em jornal de BH, com assinatura também de Ricardo Terto: “As chacinas policiais no Rio de Janeiro não são algo que ficou no passado”, pelo contrário elas são parte da política cotidiana. Todavia 1.137 civis foram mortos nesses desastrosos embates com militares.

Ocorreram três chacinas ao mês, em média. Apesar das estatísticas assustadoras evidenciarem uma guerra diária permanentemente, por outro lado, há a percepção de que o estado brutal de violência não impacta mais a população.

Em resumo, a violência continua, sobretudo, em certos estados. E a Polícia pensa que está agindo como é preciso, mas o fato não é verdadeiro. Faltam dados imprescindíveis ao combate sistemático, o que exige inclusive transparência. Sem ela, sem confiança, nada feito.


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Por Manoel Hygino - 19/12/2023 08:57:20
O aço nacional

Manoel Hygino

Enquanto se atenta para a situação da dívida do Estado de Minas Gerais com a União, embora este não seja o único grande problema, outros estão surgindo no panorama da economia montanhesa como a produção e exportação de aço. E se trata de um excelente item na pauta de vendas ao exterior do país.

A imprensa, às vezes mal interpretada, tem advertido repetidamente para o que ocorre. É que, sem proteção ao item nacional, a importação do produto asiático, principalmente da China, pode subir 20% no ano que vai começar. Segundo estimativa do Instituto do Aço Brasil, este percentual vem somar-se aos 50% já aumentados em 2023.

Ao ver os números, os empresários do setor temem, mas parece que o governo federal não se impressiona. Minas Gerais abriga a Usiminas, a CSN- Companhia Siderúrgica Nacional, a Gerdau, a Aperam e a Acelor-Mittal, padecendo de maturação e inquietação diante da invasão do dragão chinês.

Já diminuindo sua produção justamente, nossos produtores de aço pressionam para ampliar a taxa de importação para 25%, a fim de encarecer o aço importado e, assim, incentivar a siderurgia brasileira. É o que se sente, vê-se a que se assiste. A Aperam, sediada em Timóteo, no Vale do Aço, tem clientes em quarenta países e capacidade para produzir 900 mil toneladas por ano, mas se vê constrangida a reduzir sua expansão.

As siderúrgicas insistem em atitudes da União, sem sucesso. A direção das empresas é objetiva: se o governo não tomar atitude, pode destruir uma indústria estratégica para a nação. A posição sustentável do empresariado está se tornando cada vez mais desafiadora.

Existe ainda o aspecto mão-de-obra. Se não houver providências no Brasil no novo ano, haverá possibilidade de demissões nas empresas siderúrgicas nacionais, a não ser que a União dificulte o ingresso do produto estrangeiro.

Até que algo se faça, ficamos na pior. E os chineses, do outro lado do mundo, dão um sorriso amarelo, porque não há falta de aço naquele lado do planeta.


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Por Manoel Hygino - 16/12/2023 07:53:31
As estatísticas revelam

Manoel Hygino


Os problemas existem e não são poucos no Brasil e para os brasileiros. Os recentes dados divulgados pelo IBGE, em sua Síntese de Indicadores Sociais, advertem para uma situação que todos bem sabem inclusive os mineiros, mas que não logram eliminá-la.

As informações são um documento que o organismo federal atira à consideração dos gestores da coisa pública, vive o país, que não conseguem extingui-los. Uma análise das condições de nossa população traz dados interessantes à velha e rica província da qual se extraiu tanto ouro e outras riquezas em benefício dos colonizadores.

Segundo o Instituto, quase 60% (exatamente 58,2%) dos mineiros vivem - eu prefiro usar o verto sobreviver - com até R$ 1.212, que constituía o salário mínimo mensal. Claro que Minas, orgulhosa de ter a maior malha rodoviária entre todos os estados, conhece à suficiência que esse dinheiro não dá sequer para manter o cidadão, muito menos uma família.

Seria de bom alvitre que as pessoas que ocupam cargos importantes e de decisão no país meditassem sobre os números e suas consequências. E há mais: 9% de nossos conterrâneos não tem qualquer rendimento. Como se alimentam? De que vivem? Não adoecem? Não pagam aluguel? Serão moradores de rua? Nas cidades de maior expressão, esses que dormem sob as marquises dos prédios ou de viadutos e pontes, ainda são beneficiados com alguns “favores” e o poder público ou de pessoas de boa vontade que buscam amenizar-lhes o cotidiano.

O presidente da República, em suas incessantes viagens por muitos países, apregoa a necessidade de acabar com a fome. E daí?

Ele, que é rouco, já anda com as cordas vocais em pandarecos, porque os apelos são intermináveis, até porque os responsáveis pela gestão pública não conseguiram êxito sem suas tentativas. A informação mais referida é de que cerca de 33 milhões de brasileiros apenas sobrevivem, enfrentando insuficiência alimentar permanente. Para equacionar o desafio, tem-se de propiciar trabalho para todos. Mas também isso não é oferecido a essa gente, que é apenas números nas estatísticas.


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Por Manoel Hygino - 13/12/2023 09:21:23
Um menos entre nós

Manoel Hygino

Como faço dominicalmente, recolhi-me, pela manhã, aos jornais para conhecer os fatos e vejo-me diante da notícia de falecimento de Orlando de Oliveira Vaz Filho, ocupante da cadeira nº 34 da Academia Mineira de Letras. Dela foi fundador Mendes de Oliveira, e sucessores Noraldino Lima, Nilo Aparecida Pinto, Juscelino Kubitschek, Affonso Arinos, Gerson de Britto Boson.

Anos atrás, Orlando e eu, fomos a uma solenidade na Academia de Letras João Guimarães Rosa da Polícia Militar, no Prado, ele evidentemente ao volante. Uma bela festa de letras e civismo. Orlando, advogado, foi secretário da Educação de Belo Horizonte, deputado estadual e diretor da Casa do Brasil na Cidade Internacional da Universidade de Paris. Ente os livros que nos legou estão “Otávio Mangabeira, trajetória de uma consciência”, e “Pedro Aleixo, um nome na História”, enquanto outros aguardam publicação.

Descendente de família da Zona da Mata, herdou muito das qualidades da gente daquela região. Preocupava-se com o Brasil de hoje, seu e meu, pensando soluções para os problemas que nos afetam, como o também jornalista e professor Aylê-Salassié Filgueiras Quintão, nascido em Piraúba, também autor de dez livros, inclusive sobre jornalismo econômico.

Sobre o último tema, aliás, Aylé assim se pronunciou: “O Governo está enrolado com a proposta do Orçamento para 2024, com votação, no Congresso Nacional, prevista para até 31 de dezembro. Trafega-se por duas opções: zerar este desequilíbrio; ou enfrentar um déficit primário estimado em R$ 168 bilhões , que alimenta o aumento da taxa de juros, a inflação e o endividamento do Estado, já circulando nas proximidades do trilhão de reais.

Lula não abre mão de gastar. Ele quer este 1% do PIB para bancar as eleições municipais. Ao contrário, o Ministério da Fazenda esforça-se para equilibrar as contas públicas - arrecadação versus gastos do Governo - e acabar com a inflexão nas contas nacionais , que vem se arrastando por dez anos, tendendo a piorar, e arruinar a confiança do Brasil no exterior. Já há, por aqui, empresas que fecharam as portas. O exemplo da Argentina assusta.

O Presidente não consegue, entretanto, descolar o Orçamento Fiscal do processo político eleitoral, este um consumidor contumaz dos recursos do Tesouro, e que terá R$ 37, 4 bilhões em emendas parlamentares individuais impositivas em 2024, sem contar os recursos para os partidos e para o Tribunal realizar as eleições . Diante desse quadro, o Produto Interno ( R$ 1,7 trilhão) parece perder o fôlego. Teve uma queda, no último trimestre, de 0,6%, segundo o Banco Central, contrariamente à expectativa gerada no campo político, de um crescimento de 2,0%”.

Com o adeus de Orlando, temos um a menos a pensar.


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Por Manoel Hygino - 9/12/2023 07:25:51
Venezuela e Guiana

Manoel Hygino

Há brasileiros que sequer supõem existir um país, que é limítrofe do nosso, chamado Guiana. The Cooperative Republic of Guyana" está localizada no norte da América do Sul, o único de colonização britânica da região. A população concentra-se na estreita planície costeira e a capital é Georgetown, da qual falei ao focalizarmos um missionário que lá perpetrou um suicídio coletivo que matou centenas de pessoas. O "religioso", por sinal, morou em Belo Horizonte, como conto.

Conflitos entre descendentes de indianos e de africanos, na Guiana, têm causado, no decorrer do tempo, instabilidade política. Seus principais produtos agrícolas têm sido cana-de-açúcar e arroz. Mas há uma histórica disputa fronteiriça com a Venezuela. Sua população é menor do que algumas cidades brasileiras, pois tem menos de um milhão de habitantes.

Sua história remonta a Colombo, que lá deu as caras no século XV, mas só começou a ser colonizada por holandeses da Companhia das Índias Ocidentais em 1621. Passa ao domínio inglês em 1814, mas, com a liberação dos escravos, em 1838, foram contratados indianos para trabalhar na agricultura.

Em 2009, inaugurou-se uma ponte sobre o rio Tacutu, ligando o país a Roraima, isto é, ao Brasil. Na oportunidade, os presidentes do Brasil e da Guiana assinaram um acordo de defesa, e, um ano após selou acordo que permite ao Irã mapear jazidas de urânio no país, enquanto a oposição acusa o governo de compactuar com o programa nuclear iraniano.
Eis a questão.

Agora, o Irã é um dos protagonistas indispensáveis na guerra Israel e Hamas contra Israel, iniciada em 7 de outubro. Estamos possivelmente caindo em uma emboscada grave, sem responsabilidade maior. Em todo caso, o jogo vem sendo armado com a Venezuela montando uma operação militar visando a construção de uma base aérea exatamente na fronteira com a Guiana.

E mais: o presidente Maduro organizou um plebiscito em 3 de dezembro para definir se o território, ora ocupado por guianenses e que se quer que passe à Venezuela.

A consulta popular resultou favorável aos planos políticos e expansionistas de Maduro. Este se exultou com a aprovação de seus súbitos ao plano, que pode causar um perigoso centro bélico na América Latina. É algo tenebroso e inquietante.



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Por Manoel Hygino - 6/12/2023 08:00:30
Hora de apoio

Manoel Hygino

A população continua crescendo. Basta conferir as estatísticas desde a inauguração em 1897. E a Santa Casa de Belo Horizonte, fundada em maio de 1899, não foi permitido deixar de seguir esse rumo e, as capitais estaduais não dispunham de uma maternidade pública, quando, em 1916, a instituição inaugurou a primeira no bairro do Quartel, seja dizer, Santa Efigênia.

A entidade se tornou mantenedora do maior complexo de saúde de Minas Gerais, o que é objeto de muito orgulho, mas, também de muita exigência. Tinha-se de acompanhar a evolução da cidade e da gente que a habita e de seguir o aprimoramento científico e técnico com vultuosos investimentos.

Imprescindível levantar recursos. Escolheu-se o lançamento de uma campanha para levantar recursos para a reforma estrutural da UTI Neonatal, exatamente no 50º aniversário da Neonatologia da instituição. Crianças continuam nascendo, logo...

A missão se tornou uma referência nas Minas na assistência aos recém-nascidos e prematuros que nascem com menos de 1 quilo e 30 centímetros, além daqueles bebês com malformações neurológicas, pulmonares, gastrointestinais, geniturinárias e cardiovasculares. E o tratamento é feito para atender cerca de 90% dos 853 municípios mineiros. Diga-se de passagem, que a Santa Casa BH é a única instituição 100% SUS no estado, que realiza esse tratamento. É útil para quem quiser doar para reforma programada saber que, no ano passado, a instituição realizou 1.172 internações na UTI Neonatal, com projeção de crescimento de 1.750 internações para o ano de 2023.

Para que esse importante trabalho continue sendo realizado com excelência, é necessário realizar uma reestruturação da UTI Neonatal. Atualmente, a unidade dispõe de 64 leitos, sendo 20 de UTI (Unidade de Terapia Intensiva Neonatal), 14 leitos de UCI (Unidade Cuidados Intermediários Neonatais e Canguru) e 30 de Alojamento Conjunto (recém-nascido permanece ao lado da mãe).

Neste período difícil do ano, com variações no tempo inclemente, que reforma estrutural foi planejada em todos os detalhes, incluindo melhorias das condições de climatização, iluminação e acústica, condições indispensáveis para o melhor atendimento e desenvolvimento dos bebês, que necessitam de cuidado integral e individual, conforme as suas necessidades.

De acordo com a coordenadora médica do Instituto Materno Infantil Santa Casa BH, Dra. Filó, também grande referência na pediatria mineira, a chegada de um bebê é momento de muita alegria. No entanto, para alguns recém-nascidos que necessitam de cuidados imediatos para viver, a jornada começa como um grande desafio. Para os bebês prematuros, o tempo é uma questão vital. Não só na urgência imediata da vida, mas também na qualidade de vida do bebê. Ser padrinho ou madrinha da Campanha, significa proporcionar a um número ilimitado de crianças, a oportunidade de ter uma nova chance de vida com qualidade.


86938
Por Manoel Hygino - 5/12/2023 12:28:24
A Inteligência Artificial e a Justiça

Manoel Hygino

A Inteligência Artificial é um dos fenômenos de nosso tempo. De uma hora para outra, em país que não o Brasil, surgiu a notícia de seu descobrimento, mas nem todos ficaram sabendo exatamente de que se tratava e para que servia. Em todo caso, a Inteligência Artificial passou a ser conhecida e reportagens a seu respeito surgiram nos jornais, revistas e televisões. Era a consagração.

O desembargador Rogério Medeiros Garcia de Lima, que fala bem, bem escreve, culto, e avançado em ideias, foi convidado a manifestar-se. E não foi em Belo Horizonte ou São João del-Rei, sua cidade natal. Seu nome fora selecionado para apresentação no X Congresso Internacional de Direito, da Consinter - Universidade de Barcelona, Espanha, é claro.

Aconteceu no dia da proclamação de nossa República, 15 de novembro, fazendo-o o magistrado oralmente e em síntese. Observei: “Abordei criticamente os juízes robôs. Querem robotizar os juízes. Querem transformar todo mundo em robôs...”.

Porque o tema é relevante, além de fascinante, o trabalho do magistrado, com 26 páginas, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, por ele integrado, decidiu por sua Diretoria Executiva de Comunicação - Dircom dar-lhe ampla divulgação. Por ele, o desembargador demonstra que “a Inteligência Artificial, desenvolvida no contexto da Quarta Revolução Industrial (4.0) é, sem dúvida, ferramenta útil para os diversos campos da atuação humana. Porém, algumas atividades por suas peculiaridades, não podem ser desempenhadas por todos”.

Ressalta-se, ainda, que o “Direito, desde os primórdios da civilização, evoluiu em um processo aberto e inovador”. E acrescenta que “essa marcha desaguou, contemporaneamente, na adoção das novas tecnologias e da Inteligência Artificial. Todavia, a conclusão da pesquisa é no sentido de que somente o juiz humano - de carne, osso e cérebro - poderá julgar com justiça”.

O desembargador adverte que se mostra na pesquisa correspondente que “centenas de tribunais brasileiros desenvolveriam projetos de Inteligência Artificial (IA) com objetivo de aumentar a produtividade, buscar a inovação, melhorar a qualidade dos serviços judiciários e reduzir custos”.

O Poder Judiciário não foi para enfrentar os desafios dos fenômenos de judicialização da política e “ativismo judicial”, em um País onde as deficiências estatais representam o cotidiano da sociedade. “A utilização da tecnologia e das novas ferramentas, portanto, são decorrências do princípio da eficiência, constitucionalmente consagrado”.


86936
Por Manoel Hygino - 2/12/2023 06:50:50
Hora de decisão

Manoel Hygino

Minas Gerais não pode permanecer à beira do abismo como parece que vem acontecendo. Decorridos meses, anos, a situação econômica do Estado e seu prestígio decaíram ao ponto mais rasteiro dos últimos tempos. A dívida com a União é extremamente elevada, mas não se admitirá que o nome da velha Província e seu prestígio sejam atirados ao lixo de problemas insolúveis.

A esta altura, apontar os nomes dos responsáveis pela crise inigualável não acrescenta para resolver a pendência que já passou por mais de um responsável e pela gestão dos negócios públicos. O quadro evoluiu para pré-calamidade e não se há de permitir a prevalência de vaidades pessoais e projetos dos que querem tirar proveito.

Estão em jogo preciosos valores representados por empresas públicas, que foram exemplo e orgulho da sociedade mineira, como a Cemig, a Copasa e a Codemig. Há a proposta para sua transferência a novos proprietários ou exploração de seus bens e serviços.

É uma tristeza imensa reconhecer, mas se tem de considerar que há meios e rumos para que as prestigiosas comunidades empresariais sigam como ativos públicos, inclusive com prestação de serviços em Minas Gerais, além das perspectivas de futuramente os créditos reverterem em proveito de Minas Gerais.

Não se trata de um bilhete de apenas ida. Pelos ativos até agora desenvolvidos, ao término de dez anos, ao invés da dívida de R$ 200 milhões, o Estado teria saldo zero ou pequeno resíduo a ser liquidado. Segundo um dos negociadores do enorme desafio enfrentado, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, haverá assim um resíduo favorável, embora pequeno, que poderá ajudar Minas a recuperar sua capacidade de investimento.

Não é momento senão de pensar em Minas Gerais, reabilitando o bom nome da velha província quanto a seus compromissos. Estamos em fase decisiva e os mineiros esperam que, enfim, se abram as portas para equacionamento definitivo de um problema que coloca tão mal os homens públicos e políticos de uma unidade rica em talentos, que saberão vencer prováveis resistências.

Após Pacheco, novas ideias e propostas surgiam à consideração. O bom senso vem de prevalecer, eis que o tempo se vai esgotando. Uma delas é que se federalizassem a CEMIG, por meio do BNDES, adquirindo o banco estatal as ações do Estado na energética. Analistas, todavia, acreditam que a federalização, como sugerido é um caminho sobremodo complexo, cujas vantagens não valem o esforço do governo. Mas o instante é chegado.


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Por Manoel Hygino - 28/11/2023 10:07:46
Esperando Milei

Manoel Hygino

O que acontecerá a partir de 10 de dezembro na Argentina é a grande interrogação que paira no ar. O presidente eleito cumprirá suas promessas, ousadas algumas? Uma série de expectativas se abrem porque o povo está sufocado por dificuldades, dores e angústias, após ter elevado o país a um dos mais avançados e ricos do planeta lá pelos anos 1920.

O candidato Massi, ex-ministro da Economia, perdeu o pleito, mas aí está Massi com a corda toda. Os antigos dias voltarão? Os sucessores de Gardel cantarão seus sucessos pelas rádios como em época gloriosa? A América, especialmente, espera ansiosa, principalmente o Brasil – o seu segundo parceiro econômico.

Da importância do país vizinho se poderá avaliar que se construiu uma ferrovia que ligava as duas principais capitais a Bueno Aires. Uma viagem inesquecível através de uma das regiões mais belas do território brasileiro até a capital portenha, então com mais prestígio junto aos turistas do que Rio de Janeiro.

Vivia-se nos primeiros decênios do século XX, na época de Percival Farquhar, “um empreendedor de acurada visão futura e invulgar coragem”, como o classifica o excelente escritor Enéas Athanázio, de Santa Catarina. Ele conhece muito sobre a lendária construção de uma ferrovia sobre a qual restam pontos a aclarar. Depois de empreendimentos em Cuba e na Guatemala, voltou-se o empresário para a América do Sul e o Brasil, especialmente, ponto de partida para o império que sonhou edificar, conhecido como Sindicato Farquhar. Este incluía portos, exploração de minérios e madeira, frigoríficos, gado, colonização, terras, energia elétrica, carvão e outros. Em termos de ferrovia, planejava implantar uma rede transcontinental de trilhos que cobririam o Brasil, Paraguai, Bolívia, Uruguai, Argentina e Chile. Só esse tema exigiria dezenas de autores, como parcialmente aconteceu.

A década de 1930, contudo, contribuiu para modificar o destino do país sulino, como aconteceu com o Brasil, que muito sofreu, mas tem sabido, a duras penas, superar as dificuldades e manter a esperança de milhões de pessoas. Com Milei, na Argentina, eis novas perspectivas, embora o candidato eleito seja controvertido, assim como suas ideias e planos. Resta esperar.


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Por Manoel Hygino - 25/11/2023 07:24:54
A guerra nas ruas

Manoel Hygino

Quem, de outra parte deste país ou de outro, chegar a Belo Horizonte ficará em palpos de aranha para entender a capital dos mineiros como presentemente. Sabido que a metrópole inaugurada em 1897 é de vida política mais intensa, porque esta uma característica da gente que aqui se foi instalado desde que Minas é Minas. Não adianta disfarçar: política é aqui mesmo.

Mas verdadeiramente houve uma substancial transformação nos últimos tempos. O mineiro, tranquilo, sereno e cordato, parece ter cedido lugar a outro cidadão - afoito, impaciente, intolerante e agressivo. Desta constatação se poderá extrair lições que evitem problemas que terminam nos verdadeiros embates de trânsito e nas delegacias de polícia.

Os belo-horizontinos assistem ao desairoso espetáculo do grande número de moradores de rua, sob marquises, viadutos e pelas vias públicas. Com o calor insuportável da primeira metade de novembro, as autoridades cuidaram de fornecer água e alimentos a esses contingentes. Justo, humano, é claro. No entanto, é mais indicado que elas zelem para que esses humanos, cuja cor não interessa, tenham condições apreciáveis de sobrevivência em todos os períodos do ano.

Aí está a questão. A desumana situação do morador de rua não existe apenas em um curto período do calendário e quando as temperaturas alcançam limites insuportáveis. Necessidades são da espécie e da raça, não se restringem a certos períodos das folhinhas e determinados locais de uma cidade que não parou de crescer. Tem-se de fazer algo mais.

Com o acirramento da guerra de Israel versus Hamas, os descendentes de ambos os povos ou integrantes das comunidades judaico-israelenses e palestinos se têm metido em encrencas que já preocupam a polícia. Em São Paulo, a situação é das mais candentes e inquietantes, e as autoridades enfrentam verdadeiros desafios.

Na capital bandeirante, a Polícia Federal prendeu pessoas em operação contra planejamento de atos extremistas, que eram brasileiros recrutados pelo grupo libanês Hezbollah. A situação é séria e impõem ação imediata. Todos a conhecemos. Agir já, antes que seja tarde. O Brasil já tem problemas demais.


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Por Manoel Hygino - 21/11/2023 09:23:41
Dois que partem

Manoel Hygino

Anda inclemente o tempo mais recentemente com os humanos. Sobretudo neste penúltimo mês de 2023, em que sofremos com as elevadas temperaturas, que corroem a paciência e encharcam as camisas dos obrigados a vesti-las nos escritórios.

Os que frequentam as bibliotecas e os saraus acadêmicos, os que se aprazem com o convívio dos apenas devotados aos livros e leituras, verificam que o calendário decidira apenar Minas Gerais e Belo Horizonte.

Num mês mais estreito em número de dias, perdemos duas personalidades marcantes nas faculdades, nas páginas dos periódicos e nos encontros de escritores. Em cerca de 48 horas, não mais suponho, perdemos Maria José Queiroz, autora de mais de 30 títulos e professora inclusive de universidades no exterior, ocupante da cadeira 40 da Academia Mineira de Letras, exatamente na data de proclamação a República.

Com 89 anos, ela residia no Rio de Janeiro, depois de tornar-se a mais jovem professora catedrática do país, façanha conquistada aos 26 anos, ao suceder Eduardo Frieiro, na Faculdade de Letras da UFMG. Um vazio irrevogável, incontestavelmente.

Mas não foi só: proclamada a República, isto é, transposta a data comemorativa, eis que perdemos novamente um protagonista raríssimo no cenário literário do estado e da capital. Refiro-me a Olavo Romano, que foi alto funcionário público, jornalista, escritor com numerosas obras editadas, editor membro e presidente emérito da Academia Mineira de Letras a todas as vozes.

Nascido em Morro Ferro, sensível à inesgotável veia da música do interior, soube aproveitá-la para o rádio de televisão, com bom humor e alegria. Foi incomparável sua gargalhada por ambientes sisudos, mesmo na AML.

Enfim, novembro não foi nada bom neste 2023. Mas a AML mudou muito com ele, opina Jacynto Lins Brandão, atual presidente, por desenvolver trabalho importantíssimo de documentação dos costumes da gente mineira, como acrescentou seu antecessor na AML, Rogério Faria Tavares.


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Por Manoel Hygino - 18/11/2023 07:29:10
Os nós na reforma

Manoel Hygino

Em discussão há três décadas, eis aprovado o texto-base da Reforma Tributária. Como estamos no mês da Proclamação da República, é um fato auspicioso a pesar em favor do novo regime instalado em 1889, que permanece apesar dos ventos fortes e tempestades. Drummond miraria o pico de Itambé e perguntaria: “E agora, José?”.

A Reforma não é do presidente Luís Inácio, tanto que tem 30 anos. O que se pretende, o que se quer, é que ela atenda aos mais caros anseios da sociedade. O leitor e o eleitor indagam também: se era tão importante e valiosa, se resultou beneficamente em centenas de países, qual a razão de, cá no nosso, encontrar tantos óbices à sua aprovação.

Desta vez, senadores e deputados chegaram à decisão magna. As medidas preconizadas pela RT já deviam ter sido aplicadas no Brasil, se é para o bem de todos. Para que tantos tributos, se eles não resultavam em favor de um povo angustiado sob o imenso peso? Simplificar o sistema e evitar a cobrança em cascata de impostos sobre empresas e consumidores foram dois dos motivos e justificativas que conduziram à decisão.

Em todos os países, isso funcionou, deu certo, aliviou o governo e agradou às sofridas populações. É o que se exige, aqui e agora.

A Reforma não era novidade. Estava terminando desde 2019, no país, mas andava mal ou simplesmente não andava. No atual governo, o ministro da Economia assumiu a paternidade: ela era prioridade absoluta da economia. Criou-se uma comissão extraordinária para tratar do assunto. Uma negociação complexa e ampla foi discutida em profundidade.

Os especialistas são unânimes em que o sistema novo será positivo para o Brasil, e é nisso que todos os cidadãos ora pensam. Há perspectivas de a migração para o sistema poder gerar um crescimento adicional de 4,14% do PIB, antes mesmo de incorporar os ganhos de produtividade das empresas. Outro estudo, mais recente, aponta que o PIB poderá crescer até 7,9% com a uniformização de alíquotas e o fim da cumulatividade. Nem tudo, entretanto, é tão bom como pareceria. Marcilio de Moraes é de opinião que a indústria, um dos setores mais beneficiados com o fim do Imposto sobre Produtos Industrializados e do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços vê com preocupação as exceções incorporadas ao projeto pelo Senado. Aí está um nó difícil, agora que a matéria volta a análise dos deputados.


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Por Manoel Hygino - 16/11/2023 09:50:57
Ainda a Covid

Manoel Hygino


Para a Organização Mundial de Saúde, a Covid passou daquele período pior, conforme amplamente divulgado pelos quatro cantos do planeta. Mas ela anda por aí, como fantasma perambulando pelas noites escuras. Dados da Secretaria de Estado da Saúde mostram, por exemplo, que Belo Horizonte é a cidade de Minas com mais casos da doença, com 20.402 confirmações até 30 de outubro.

O Sul e o Norte do estado não ficam fora das estatísticas. Seguindo Belo Horizonte, Pouso Alegre registrou 10.596 casos; Montes Claros, 10.484; Varginha, 10.338, além de Uberlândia, no Triângulo, com 10.593. São números, pelo que se vê, bastante altos para exigir atenção da população. Aliás, quem anda pelas ruas da capital encontra pessoas com máscaras, mesmo liberadas pelas autoridades sanitárias.

Quem levantou a lebre foi a histórica Santa Luzia, na região Metropolitana, cujos índices de Covid têm sido bastante elevados, a despeito das iniciativas adotadas pela Secretaria Municipal para evitar o mal enquanto é tempo. Os postos de vacinação da RMBH, por outro lado, ampliaram os locais e dias de vacinação.

Belo Horizonte adota estratégias para conter as novas variantes e os crescentes casos positivos de Covid-19. De 5 de outubro a 1º de novembro, a capital mineira confirmou 1.776 óbitos pela doença. O número é 79,7% maior que as 988 mortes registradas entre os dias 6 e 27 de setembro. Os dados são de boletins epidemiológicos da prefeitura de Belo Horizonte. Conforme a Secretaria Municipal de Saúde, a alta dos casos é justificada pela circulação da EG5.1. Para conter o avanço dessa e de outras subvariantes, a Prefeitura de Belo Horizonte aposta na testagem como forma de monitorar a doença. “Nossa principal estratégia é a vacinação. Porém, temos destinado os testes da rede pública de saúde para aqueles pacientes que possuem sintoma característico, como febre, dor de cabeça, tosse. Restringir os testes é uma forma de observar se o vírus passa por alteração. E ajuda a identificar alguma nova subvariante em circulação”, explica o subsecretário de Promoção e Vigilância à Saúde Fabiano dos Anjos.

O imprescindível e inadiável é que todos nos convençamos de que a Covid não está morta e sepultada ad aeternum. Ela passeia entre nós, embora não a percebamos diante de nós num piscar de olhos.

E atentemos: uma nova provável pandemia já está sendo preconizada pelo mundo científico.


86922
Por Manoel Hygino - 14/11/2023 08:58:41
124 anos depois

Manoel Hygino

Em 12 de dezembro de 1897 inaugurou-se finalmente a nova sede do governo mineiro. A velha e rica província chegara à conclusão indesviável, de que havia necessidade de uma nova cidade para enfrentar os desafios impostos pelas modernidades. Não foi unânime a decisão, mas foi seguida embora todas as dificuldades esperadas.

Mais uma administração pública nova exigia mais do que novas instalações. Cedo se percebeu que o horizonte era belo e saudável a localização, se debochasse com o boato de que a água a ser consumida produzia sapos.

Menos de dois anos após as festividades inaugurais, já se cuidava de pensar na saúde da população e protegê-la. Assim nasceu a Santa Casa, que era e é de Misericórdia, que não faltaria numa comunidade cheia de esperança e confiante no futuro. Implantou-se a entidade, rigorosamente conforme as linhas mestras da iniciativa benemérita da rainha Leonor de Lancastre, lá em Portugal.

A cidade nasceu para metrópole e assim cresceu, como o número de habitantes, dentro do perímetro urbano e se extravasando. Mais pessoas, mais demandas. A Santa Casa foi coagida a construir o maior estabelecimento de saúde local, depois de atender seus pacientes em barracas de lona que tinham servido aos operários da obra.

Quem daquele período heroico hoje visitasse o empreendimento fundado pelos pioneiros ficaria surpreso. Não mais a coleção de barracas, porque um complexo hospitalar surgiu nas imediações do apelidado Bairro do Quartel. A Santa Casa se transformou na segunda melhor instituição hospitalar do Brasil, após superar situações aparentemente intransponíveis.

No setor de saúde, destacou-se, segundo a pesquisa época, altamente conceituada, no primeiro lugar em Visão de Futuro, segundo em Pessoas, e quarto em Inovação, além do quinto em Desempenho Financeiro (e isto numa instituição filantrópica) e ESG Socioambiental. E atente-se: tudo entre as mais de 410 empresas participantes, com o que se posicionou na 22.ª colocação no ranking geral, reconhecida como as melhores empresas do Brasil neste ano de 2023. Leia-se de novo e acredite-se.

No entanto, era isso mesmo, porque a direção da entidade e de seus mais de seis mil colaboradores era exatamente a bela conquista. Todos estão perfeitamente convictos de que se trata de algo fantástico, mas que irá exigir muito mais à frente. A rainha Leonor deve sentir-se feliz, tanto quanto os que utilizam de seus serviços médicos e sociais. É olhar para frente, para que o horizonte continue belo e saudável.


86921
Por Manoel Hygino - 11/11/2023 06:23:14
Três cidades

Manoel Hygino

Neste ano quase encerrante, ainda houve tempo de lançamento de “Três Cidades”, novela de Napoleão Valadares, nascido em Arinos, bisneto de Saint-Clair Fernandes Valadares, um dos líderes políticos que tiveram a feliz e justa iniciativa de promover a emancipação e a constituição de uma cidade naquela excelente região das Minas Gerais. Lá é o berço de Afonso Arinos de Melo Franco e de Ana Leopoldina de Melo Franco, ele uma das figuras mais importantes da literatura brasileira, como oportunamente lembrado por Danilo Gomes, que é de São João del-Rei e o Brasil todo conhece.

Assim como Afonso Arinos, Napoleão se revelou, mais uma vez, no campo literário e nas áreas a que se devotou. Formado em Direito pela UnB, exerceu importantes cargos em Brasília, como de Assistente jurídico da União, Diretor de Secretaria da Justiça Federal, Assessor de Juiz do TRF da 1ª Região e Advogado da União. Membro da Associação Nacional de Escritores, de que já foi presidente, da Academia de Letras do Brasil, do IHGDF, da Academia Brasiliense de Letras e de Letras, Ciência e Artes do São Francisco, já foi premiado em diversos concursos de prestígio no cenário literário nacional.

A mais recente edição de Valadares é a novela “Três Cidades”, pela André Quicé, da capital federal. Depois de cerca de vinte obras publicadas em outros gêneros, ele decidiu caminhar para a ficção.

Em três cidades de porte diverso, experimentou a vida o protagonista, a partir de sua pequenina localidade natal, da qual se despedira apenas com o dinheiro para pagar a viagem de coletivo. A vida lhe vinha toda à cabeça, desde as primeiras lembranças da infância até aquela cadeira de ônibus.

Era a nova ocasião de realizar-se numa cidade maior. A de porte médio poderia dar-lhe ocasião para realizar-se profissionalmente. Até sentindo fome, que lhe dava tontura e dor no estômago, descobriu uma praça pública. “Tinha vindo para fugir. E fugido estava. Agora, nem voltar era possível. O jeito era procurar um meio de vida. Ou de morte”. Podia ter ficado sossegado, mas buscou outro rumo.

Na cidade grande, estaria seu futuro, botando as ideias no lugar, resgatar o tempo perdido. Meditou sobre sua carreira de advogado, sua experiência como professor e escritor, os amores, a angústia, mas partiu pela terceira vez. Não se despediu, azulou no mundo. Pegou suas coisas e saiu. “Tranquei por fora, joguei a chave por cima do portão e fugi mais uma vez”. Uma novela que merece leitura mais de uma vez.


86915
Por Manoel Hygino - 8/11/2023 08:17:43
Guerra só de longe

Manoel Hygino

Enquanto se desenrola a guerra no Oriente Médio, no Brasil se esperam os de nossa nacionalidade por lá encontráveis ainda, para trazê-los... Quem gosta de samba o canta e dança, quem aprecia futebol se diverte com o ludopédio, a quem agrada a política se depara com inflamados discursos que nem sempre resultam em benéficos projetos. Mas se vive relativamente a contento.

Quem ama a poesia tem muita oportunidade de satisfazer-se. Tanto que o professor Jacyntho Lis Brandão, eleito este ano presidente da Academia Mineira de Letras, foi premiado pela Biblioteca Nacional na categoria, por seu livro “Harsiese”, enquanto João Moreira Salles ficava com o primeiro lugar em ensaio geral, com seu “Arrabalde”.

Não esqueço: no dia 23 de outubro, dentro do Ciclo Filosofia e Literatura, o professor-doutor Guilherme Domingues da Motta discorreu sobre “Platão e a Poesia”. O palestrante é um mestre e se houve à excelência diante do tema, que era relativo às restrições Platão no âmbito da educação proposta em seu célebre diálogo “A República”.

Em 4, 5 e 6 de outubro o sodalício dos escritores mineiros, apresentou o VII Colóquio Internacional Portugueses de Papel, reunindo pesquisadores da Europa e do Brasil, que se debruçaram sobre textos de ficção em prosa brasileira com personagens portugueses. Algo muito interessante, evocando-se Machado de Assis, Aluísio Azevedo, João do Rio, Jorge Amado e Monteiro Lobato.

A participação do Colóquio foi gratuita, servindo de alerta para outras oportunidades que apareçam, por iniciativa do prestigiado Grupo de Investigação 6 do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa – atual Linha de Investigação Brasil: literatura memória e diálogos com Portugal – que criou o projeto Portugueses de Papel que visava colmatar essa lacuna”, explica Vania Pinheiro Chaves, coordenadora do Projeto.

Desta vasta, coletiva e contínua pesquisa resulta a produção de um site (portuguesesdepapel.com) em que está colocado o Dicionário de personagens portuguesas da ficção brasileira, dirigido em parceria pelas Doutoras Vania Pinheiro Chaves (ULisboa), Ana Maria Lisboa de Mello (URFJ) e Jacqueline Penjon (Sorbonne Nouvelle). Em permanente atualização, o Dicionário já publicou mais de uma centena de verbetes.

A despeito de tudo e de todos, melhor ainda viver por aqui. Os do Oriente Médio não aprenderam a conquistar paz e felicidade a despeito de milênios.


86919
Por Manoel Hygino - 7/11/2023 09:06:11
Já é novembro

Manoel Higino

O brasileiro está impaciente, tão longa sua espera por melhores dias, a começar pela comida na mesa. Hoje, com licença do trocadilho, “comida farta”, isto é, falta; pelo menos para mais de trinta milhões de conterrâneos.

A esperança residia ou reside no novo governo, que assumiu este ano no calendário.

Se há algo que aumentou significativamente foi o número de ministros. Dará certo? A pergunta paira no ar, como muitas outras de difícil resposta.

A outra indagação é com relação à reforma tributária que vem deixando o ministro Haddad em palpos de aranha. Afinal, vai ou não dar certo? Pelo menos as expectativas giraram expressivamente em função dela. Mas a gestão Lula já vai completar um ano, e há um mistério desafiador.

O leigo se assusta com a longa discussão da matéria, sobre a qual se fundamentam horizontes e sonhos. Tantos meses decorridos, o projeto segue sendo projeto e sempre discutido. Será que não vai? Está escorregando nos trilhos do Parlamento como sabão nas mãos de lavadeira?

Agora entra em cena o jurista Sacha Calmon, que suscita novo problema: “Estima-se um prazo de transição que, em tese, pode chegar a até 50 anos de coexistência entre o velho sistema tributário, tido por complexo, e o novo, talvez mais complexo ainda, somando-se perplexidades”.

E Sacha não é um qualquer, um disseminador de boatos. Advogado, doutor em direito público (UFMG). Coordenador do curso de especialização em direito tributário da Faculdade Milton Campos, ex-professor titular das faculdades de direito da UFMG e da UFRJ. Ex-juiz federal e procurador-chefe da Procuradoria Fiscal de Minas Gerais. Presidente Honorário da ABRADT e ex-presidente da ABDF no Rio de Janeiro. Autor do livro “Curso de direito tributário brasileiro” (Forense). Sabe, pois, o que diz.

O relatório da reforma tributária foi protocolado pelo senador Eduardo Braga, mas se antevê aprovação longa e turbulenta. Roberto Andenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás, observou: “Ao criar um imposto seletivo para essa atividade, você gera uma pressão inflacionária que vai impactar todos os consumidores”. Na mesma linha se manifestam outras atividades empresariais. Duro acreditar.


86910
Por Manoel Hygino - 4/11/2023 07:25:48
Perspectivas sombrias

Manoel Hygino

Os brasileiros dormem, quando dormem, e acordam pensando nos preços de todos os produtos imprescindíveis à sua manutenção ou sobrevivência. É típico do civilizado, aliás. E, nestes tempos bélicos, com conflitos no Oriente Médio, entre Rússia e Croácia, e entre países que já pertenceram à União Soviética, no Sudeste da Europa, não faltam ao interessado na paz mundial motivos para impedir um bom sono.

Eis o caso dos chefes de executivos municipais, que se acham em regime de permanente insônia. No caso de Minas, os municípios, em especial os com menos de 5 mil habitantes, enfrentam uma crise financeira sem tamanho, que pode dificultar o pagamento do 13º salário a seus servidores neste final de ano. E falta pouco...

Li que o presidente da Associação Mineira de Municípios vem alertando que a diminuição dos repasses está gerando desequilíbrio nas finanças. Nem poderia ser de outro jeito e maneira. Em decorrência da redução da arrecadação de tributos neste ano, a maioria das cidades mineiras depende de recursos transferidos, como o ICMS e FPM, tendo este sofrido significativa diminuição.

A situação é tão delicada que se prevê, em maio de 2024, se não houver uma mudança imediata no cenário (o que está fora de perspectiva) os municípios poderão enfrentar colapso financeiro. Dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, adverte homens e mulheres de todas as confissões religiosas, renovando o apelo do pontífice Francisco.

Os cenários de pobreza e exclusão social, conflitos, mortes, manifestações furiosas da natureza comprovam a gravidade da situação, que ameaça a dignidade humana. A lembrança é de que tudo está interligado, inspirando o engajamento de todos para a adoção de um novo estilo de vida. É preciso superar determinados modos de agir no mundo, indiferentes com relação ao planeta, pautados pela mesquinhez. Ao se trata de uma simples abordagem ligada à preservação da fauna e da flora. Inclui a necessidade do cuidado com o semelhante, condição essencial para a autopreservação.

Todos precisam buscar-se informar, e se posicionar diante de tudo o que leva à degradação ambiental. Atribuir responsabilidade aos pobres apenas acentua lógica de exclusão e contribui para esgotamento extrativista da natureza. Vamos acordar e agir.


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Por Manoel Hygino - 1/11/2023 09:02:40
Luta sem trégua

Manoel Hygino

Tem razão o presidente Lula quando relaciona a Faixa de Gaza com os acontecimentos policiais e criminosos no Rio de Janeiro no outubro findo. O país, que vinha sofrendo sucessivos, inúmeros e graves episódios de violência, aprecia chegar ao ápice com a evolução dos horríveis embates no Oriente Médio, que preenchem grandes espaços nos meios de comunicação.

A médica e jornalista Mara Narciso, natural de Montes Claros, onde reside, resume: “A vida é hoje, e até mais breve, a vida é agora”. Ela opina: “Antes de expressar-se sobre a paz no mundo, é preciso pacificar o espírito e semear a paz interior”. Depois de considerações sobre a guerra no Oriente, declara: “Quem quer fazer valer sua vontade aos demais, não tem como clamar pela paz”.

Pois, da maior cidade do Norte de Minas, chegou, há poucos dias, a notícia de mais uma ação do novo Cangaço, bem armado e violento. Dez criminosos explodiram caixa eletrônico do Banco do Brasil, em Itinga, a 420 quilômetros dali. Toda a região se põe em campo, três bandidos foram presos, três viaturas com explosivos foram, localizadas, suficientemente lotadas com armas e munições. Guerra à vista.

Oito metralhadores de grosso calibre desapareceram de um quartel do Exército, em Barueri, São Paulo, encomendadas por traficantes do Rio para seus confrontos. Autoridades se puseram em campo, porque afinal uma parte das Forças Armadas estava ferida até em seu prestígio diminuído em arsenal. A busca continua pelas armas e por seu desvio.

Em Jaboatão dos Guararapes, Região Metropolitana de Recife, durante a noite, um Juiz de Direito, 69 anos, foi morto a tiros. O crime, por volta das 20 horas, ocorreu quando o magistrado dirigia seu carro e foi cercado por criminosos, dispararam contra ele e fugiram. Com mais de trinta anos de devotamento à magistratura, barbas brancas crescidas, não mereceu respeito dos foras da lei. O juiz mantivera reunião com o presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco para investigações rápidas da Polícia por justiça.

O presidente do STF, Luís Roberto Barroso, expressou solidariedade à família e aos amigos do juiz. É o que poderia fazer. Fora isso, o crime percorre ruas, viela e avenidas, não só da capital pernambucana.


86902
Por Manoel Hygino - 31/10/2023 09:25:53
Ao sol do rio Grande

Manoel Hygino

Enquanto avultavam os embates no Oriente Médio, desencadeados após o imprevisto e absurdo ataque do grupo Hamas, em 7 de outubro, maldito, alguma coisa útil e digna aconteceu do lado de cá do Atlântico. Parece que as Américas começam a entender que chegada é a hora de acertar o passo político no hemisfério sul do continente. Parece – foi o verbo que usei. Ficaria, porém, a indagação. Chegou a hora efetiva de as Américas abaixo do Rio Grande, encontrarem seu melhor e mais lúcido caminho? Gostaria de ouvir agora Manoel Bonfim e Darcy Ribeiro, que lamentavelmente não mais estão conosco.

Mas o presidente Nicolás Maduro despertou de seu pesadelo e determinou a soltura de alguns de seus 273 presos políticos. Assim, obedecendo a acordo com a oposição, prometeu eleições presidenciais limpas, competitivas, em 2024, com presença de observadores internacionais. Também mandou libertar o ex-deputado Juan Requesens. Este, à porta de sua residência, onde estava cumprindo pena de oito anos de prisão domiciliar, foi aplaudido.

Como não podia deixar de ser, o jornalista Roland Carreño conseguiu igualmente a libertação. Também falou. Declarou estar “cheio de esperança de que a liberdade da Venezuela também chegue. Um acordo político foi firmado para tentar retomar a normalidade democrática”. Em compensação, Estados Unidos suspenderam sanções ao petróleo, gás e ouro da Venezuela, impostas desde 2019.

Na Argentina, após campanha marcada por discursos contundentes contra os adversários, o ultradireitista Javier Milei, sempre descabelado como de costume, classificado como anarcocapitalista ou libertário, ficou em segundo lugar no pleito, no último domingo, não confirmando as pesquisas e os números das primárias de agosto. Agora, é esperar a segunda votação para ver como ficam as relações com o Brasil. E há pauta importante: Mercosul, acordo com a União Europeia e ingresso nos Brics, em 2024. E ainda: adoção de uma moeda única para os dois países.

Em 3 de novembro próximo, o novo presidente do Equador, Daniel Noboa, filho de conhecido empresário, venceu as eleições, com mais de 52% das atas válidas contabilizadas. Por sinal, ele votou usando um colete à prova de balas devido à violência no país. Veremos na posse como será.


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Por Manoel Hygino - 28/10/2023 07:26:32
A paz distante

Manoel Hygino

Na fronteira do Egito, cerca de 150 caminhões estacionados, esperando ordem para que entrassem na Faixa de Gaza. Tinham de aguardar ordem para entrar em Rafah, ainda isolada do resto do mundo. Inicialmente, eram 20 veículos, que o presidente dos Estados Unidos chegou a anunciar que recebera autorização do governo egípcio para transpor cruel marco divisório. Após angustiante espera, contudo ingressaram os pesados veículos no outro lado, o da Faixa e dos milhões e quatrocentos mil palestinos famintos, feridos e sem assistência, sequer alimentar, em Gaza.
Notícias perversas e auspiciosas cruzavam os limites conflagrados.

A Organização Mundial de Saúde, tão citada e atuante na recente pandemia da Covid, alertava: vinte caminhões com alimentos de toda espécie são insuficientes para suprir as ingentes necessidades. A população civil percorria as ruas, quando e quanto pôde, para gritar por ajuda urgente. A resposta foram novos bombardeios há meio mês praticamente, desde que o grupo terrorista resolveu atacar terra e povo em região de Israel, sem explicação prévia, como se procederia mesmo em tempo de guerra.

A contestação veio em forma de poderosos mísseis.
O território palestino sofre pesadamente. A palavra paz ou a expressão cessar-fogo não são conhecidas. Guerra é guerra e a insistência de líderes internacionais por pacificação, não foi percebida. Os caminhões permaneciam ao longo da fronteira, pois os principais autores da tragédia, são surdos e cegos.

Os civilizados não se espantam mais, não se surpreendem com o caos, somente temem que o conflito se estenda em tempo e espaço, que o ódio invada criminosamente as grandes cidades do planeta ou os pequenos conglomerados, como a Covid, ampliando-se por outras distantes e pobres localidades.

O fim da guerra atual entre Israel e palestinos não será o término do extensíssimo conflito, que se alonga por centênios. A inimizade entre as partes perdurará, a julgar pelos sentimentos e pensamentos das lideranças. Uma trégua agora seria apenas uma pausa para meditação e para o sonho milenar. Mas abriria uma esperança. Esperança embora tênue.

Enquanto isso, palestinos e grupos israelenses percorrem as ruas das capitais da Europa trocando acusações e injúrias.
O ódio não terminou, pelo que se vê e se sente. É um sentimento que séculos não conseguiu amainar ou extinguir.


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Por Manoel Hygino - 24/10/2023 09:02:15
Conflito sem fim

Manoel Hygino

O presidente Biden, cauteloso, não deixa de advertir: Qualquer país, qualquer organização, a qualquer pessoa que esteja pensando em aproveitar a ocasião, eu tenho uma frase: “Não faça, não o faça”.

Em verdade, em verdade, vos digo, redige o autor deste comentário: está-se vivendo no Oriente Médio uma situação extremamente grave que até os mais ingênuos ou os mais sabidos reconhecem. Chegou-se ao ponto nevrálgico de não se saber o que acontecerá.

O que está certo é que os Estados Unidos não enviarão tropas à região conflagrada. Para Biden, a ocupação militar de Gaza por Israel seria um erro. Na semana passada, ele foi a Tel Aviv, mas abandonou a ideia de uma reunião com os grupos palestinos árabes. Mesmo assim, segue crendo que há necessidade de um Estado palestino, devendo existir um caminho para sua criação.

Mal compreendido pelo Ocidente também o presidente norte-americano acredita que Israel seguirá as “regras da guerra”, embora não tenha sido esta a atuação do grupo terrorista Hamas. Enquanto isso, o embaixador de Israel na ONU, Gilad Erdan, responde que seu país não tem interesse em ocupar Gaza, mas se mantém determinado a impedir sua sobrevivência para assegurar-se.

Voltou-se a avaliar a posição do Islã em apoio ao grupo Hezbollah, com base no Líbano. Biden destaca que não existem evidências de que o governo iraniano esteja diretamente envolvido no conflito, embora apoie o Hamas e o Hezbollah, este através de suas bases no Líbano.

Mais uma semana se completou no último sábado do início do conflito na turbulenta região. Pode-se constatar que o quadro não melhorou; pelo contrário se tornou mais tenso com o bombardeio de um hospital em região beligerante, há dias. Mais de 500 seres humanos perderam a vida e as partes se negam a confessar autoria do crime.

Os finais de semana são de devoção para os que praticam a religião de Maomé e os cristãos. No entanto, a paz permanece distante e o ambiente sombrio e tenso. Até quando, só Deus saberá. Até uma paz temporária e um acordo de cessar fogo são perspectivas remotas.
Os grupos terroristas não têm interesse ou controle de discutir a paz. No entanto, eles e os palestinos favoráveis às negociações não se dispõem a sentar-se numa mesa. A voz desses segmentos é pela guerra e pelo sangue derramado. É incrível que isso ainda persista. É triste reconhecê-la.


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Por Manoel Hygino - 21/10/2023 09:17:26
Temor no Irã

Manoel Hygino

O mundo está atento à posição do Irã relativamente ao conflito entre Israel e o Hamas, uma preocupação muito candente em países do mundo ocidental, principalmente. O Irã apoiaria quem? A pergunta paira no ar, por óbvios motivos. Mas um outro mundo, dos que pensam, dos intelectuais, dos escritores também se inquietam, sobretudo depois do Prêmio Nobel da Paz de 2023, atribuído a Narges Mohammadi, de 51 anos.

Ela, iraniana, está presa em Teerã por “espalhar propaganda contra o Estado”. O Comitê norueguês do Nobel informou que Narges cometeu a imprudência de “apoiar a luta das mulheres pelo direito de viver vidas plenas e dignas. Esta luta, em todo o Irã, tem sido alvo de perseguição, prisão, tortura e até morte”.

Há 30 anos, tem sido assim, desde que ela ingressou na universidade, com artigos escritos em favor dos direitos das mulheres no país. Seu marido, Taghi Rahmani, também detido por 14 anos, pela mesma razão, vive exilado na França com os dois filhos gêmeos, Ali e Kiana. Antes, Narges estivera presa, em 2009, ficando atrás das grades oito anos. Libertada em 2021, foi novamente detida ao participar de cerimônia pela memória de uma pessoa morta durante protestos contra o regime islâmico.

Os países com maior interesse no Oriente Médico estão em aflição permanente em razão dos riscos que os iranianos correm em sua própria pátria, e sabe-se perfeitamente que o acontecido com a vencedora do Nobel e seus familiares, pode estender-se. O noticiário internacional dá repetidas referências às restrições que sofrem os iranianos de mais expressivo nível intelectual e que se julgam no direito de emitir opinião, que possa desagradar aos donos do poder. É terrível a situação, portanto.

Os demais países mais de perto sensíveis aos problemas do Oriente Médio também temem, pois, se sabe que há um grau de cumplicidade iraniana nos ataques do Hamas, que resultaram na guerra Israel-Hamas, há poucos dias, desencadeada. A aplicação de pena de morte em Irã se deu em 2009, com execução de 338 pessoas, sem contar à iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada a apedrejamento.


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Por Manoel Hygino - 19/10/2023 09:12:26
Guerra a Leste

Manoel Hygino


Não constitui até certo ponto estranheza o ataque do grupo Hamas, ao invadir Israel, num final de semana além de ferir, trucidar, aprisionar, fazer reféns milhares de pessoas que se encontravam na faixa de Gaza e imediações. Foi medida sorrateira, violenta, mas que apenas confirma a posição permanente de guerra contra o vizinho país.

No fundo, porém, trata-se de uma pérfida iniciativa não restrita a Israel, pois atinge, com suas repercussões, grande parte do mundo civilizado, fazendo vítimas enormes contingentes humanos, de várias nacionalidades.

Uma longa preparação vinha sendo feita pelo Hamas na região, em que vivem, sob bloqueio israelense desde 2007, 2,3 milhões de palestinos. Sob o labirinto de vias estreitas e superpovoadas, que a televisão exibe para todo o planeta, há uma rede de túneis, que o Exército de Israel sabia que existia, sendo conhecido como “metrô” de Gaza.

Idêntica providência foi adotada em vias subterrâneas em seu próprio território, a uma profundidade de 30 a 40 metros, fora do alcance de ataques aéreos inimigos. Ali se instalaram também sistemas lança-foguetes, que se elevam à superfície usando alçapões.

John Spencer, do Modern War Instituto da Academia Militar norte-americana de West Point, observou: “Sempre soubemos quem é o Hamas, agora o mundo inteiro sabe. O Hamas é o Estado Islâmico. Todos os inimigos vão saber que foi um erro terrível atacar israel. Vai ecoar por gerações”, afirmou.

Não apenas o Hamas participa do conflito, cuja extensão, em espaço e tempo, ainda é cedo para avaliar. Outras facções palestinas, como o Jihad Islâmico e a esquerdista Frente Popular pela Libertação da Palestina estão aliados ao Hamas; tanto que Israel já ordenou um “cerco completo”, ao enclave. O analista da “Inteligência Jones, afirma que há ali um campo de batalha de 360 graus, onde a ameaça está por toda parte, dos bueiros aos telhados”.

O que se terá pela frente é o fundamental, mas ainda uma incógnita. “O Hamas ainda deve ter um significativo arsenal de foguetes de reserva e parece favorável que possa manter o fogo durante muito tempo”, alertou Fabian Hinz, do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS, na sigla em inglês). Esse grupo islâmico palestino possui um arsenal difícil de decifrar, mas muito variado, concluiu com razões de sobra.


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Por Manoel Hygino - 17/10/2023 08:59:55
Um bom que parte

Manoel Hygino

Quando em Belo Horizonte se fala sobre Pediatria, logo surge o nome da Santa Casa. Explica-se e justifica-se: desde sua fundação em 1899, a instituição se tem dedicado à causa das crianças com algum problema de saúde. Ademais, há uma série de casos raros que foram tratados com sucesso por seus médicos, de alto e comprovado conhecimento. Não se esquece, por exemplo, os casos de gêmeas conjugadas, isto é, de bebês nascidos unidos em um só corpo, e com êxito submetidas ali, as cirurgias de separação por suas equipes. Não sem razão, o maior número desse tipo de operação no hemisfério, mesmo no mundo, pode estar aqui.

Por isso mesmo, é que se sentiu profundamente o falecimento, no último dia 3, do prof. Moacir Astolfo Tibúrcio, aos 81 anos. Era profissional dedicado a oferecer a melhor saúde a quem mais precisava. Sua biografia se confunde com a da Santa Casa BH onde, sem sombra de dúvidas, o seu trabalho foi fundamental como instituição de referência em cirurgia pediátrica no Brasil.

Durante muitos anos foi chefe do Serviço de Cirurgia Pediátrica. Ao lado do dr. Manoel Firmato e do dr. Júlio César Amorim Sena, foi um dos fundadores do CTI Pediátrico da Santa Casa, o primeiro de Minas Gerais, motivo de orgulho no tratamento de crianças e adolescentes, no atual Instituto Materno-Infantil Santa Casa-BH.

Sua paixão e dedicação à cirurgia o levaram e se tronar pioneiro em Urologia Pediátrica. Um legado que perdurará e serviu como fonte de inspiração para muitos outros. Em 2013, ao lado de vários autores, lançou pela Editora Sparta, o livro “Tratado de Urologia Pediátrica”, em que compartilha toda sua experiência com as próximas gerações.

Em época em que a saúde pública, como conhecida hoje, ainda dava os seus primeiros passos, o dr. Tibúrcio foi pioneiro na criação dos mutirões de cirurgia pediátrica na Santa Casa BH, sensibilizando outros profissionais a aderirem à causa e, assim, transformaram vidas e diminuíram as filas de espera por tratamento de qualidade.

Maurício Tibúrcio vivia a Santa Casa e seus pacientes. Quem o via pelos corredores do Hospital ou participando de delicadíssimas cirurgias não imaginava que ele mesmo sofria de diabetes e com uma úlcera oncológica no cólon. Em silêncio, em paz consigo mesmo, com Hipócrates, da Iha de Cós, na velha Grécia, com Deus. Agora pode descansar, como muitos ex-clientes que nele encontraram lenitivo para suas dores.


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Por Manoel Hygino - 14/10/2023 07:05:44
Organizações criminosas

Manoel Hygino

O Rio de Janeiro continua lindo, mas a bandidagem continua devidamente consolidada como é de interesse dos donos do poder, das falcatruas e do crime organizado, a despeito dos esforços inauditos nas grandes capitais. Nem poderia ser de outro jeito, se considerar o seu privilegiado lugar na economia brasileira.

Bem recentemente, as autoridades decidiram tomar providências mais seguras e corretas para que, também no Rio de Janeiro, a terra de Machado de Assis pudesse enfrentar as quadrilhas, que se estendem por todos os locais para ludibriar o próximo e roubar. Para isso, aliás, já se conta com a contribuição de meios digitais, cada vez mais utilizados para surrupiar do distinto público, no qual se encontram pessoas do grand mond e de altos negócios em muitas modalidades.

Novas técnicas instrumentais foram incorporadas aos meios de tomar o dinheiro honesto do trabalhador ou do empresário. Para isto, existem verdadeiros experts em todas as áreas. Quem assiste aos programas de televisão fica impressionado com a maneira de agir desses verdadeiros ases para apossar-se do que não lhes pertence.

As modernas táticas e estratégias, sem embargo, não anularam o que já se conquistara em largo tempo. Os milicianos cariocas continuam demonstrando que nada se perde. Entraram em cena ademais, os ocupantes de territórios anteriormente controlados pelo tráfico. Uma dupla parada dura – a milícia e os traficantes. Agora são os dois braços fortes da ilegalidade atuando fortemente no mesmo ramo, contando com a preciosa contribuição da banda podre da polícia e invadindo, inclusive, territórios nos demais estados.

O jornalista Luiz Carlos Azedo relaciona os campos de ação dos bandidos: a cobrança na distribuição de gás, as vans, os motoboys, o comércio local nas regiões pobres, a distribuição de água e até, agora, a energia solar. Trata-se de economia popular controlada por organizações criminosas. Mas o Rio continua lindo. E o Comando Vermelho, o Terceiro Comando, no Rio de Janeiro, e o Primeiro Comando da Capital, em São Paulo, seguem faturando alto.


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Por Manoel Hygino - 11/10/2023 08:12:08
As verbas públicas

Manoel Hygino

Há anos, muitos já, assisto ao esforço e empenho dos municípios, por sua sobrevivência. Durante décadas, os patrocinadores da nobilíssima causa estiveram e estão em campo para levantar recursos, sempre escassos quando se trata de nossos núcleos, principalmente interioranos, cujos prefeitos são lembrados quase apenas no período eleitoral.

E, em 2024, haverá um novo pleito. Além de ganhar voto, precisa-se, mais do que nunca, vencer junto daqueles que detêm o poder nas casas do Senado e da Câmara dos Deputados. Muito do que se propõe, do que a população quer e anseia, depende dos parlamentares, porta-vozes das necessidades, sobretudo do interior brasileiro, com cidades de menos de mil habitantes.

Mas a população carece tanto quanto as grandes urbes, as capitais. Recente pesquisa publicada em Minas traz números e percentuais valiosos. Precisamos levar em conta que este estado, a velha província, é o quarto em extensão territorial da nação. Sua malha viária é a maior de todas. Seus municípios chegam a quase mil. As necessidades são imensas.

Os prefeitos que participaram da pesquisa representam todas as regiões de Minas Gerais, sendo que 36,4% estão no Norte, Jequitinhonha, Rio Doce e Mucuri; 34,1% no Sul, Zona da Mata e Campos das Vertentes; 22,7% na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Oeste e Central; além de 6,8% que estão no Triângulo e Noroeste.

E a população? Tem de conseguir recursos para suprir as necessidades, carências e desafios. Como?

Para 63,6% dos prefeitos mineiros, a maior dificuldade na gestão municipal é a falta de recursos, agravada pela queda na arrecadação nos últimos tempos. O levantamento revelou ainda que, para 47,7%, a prioridade do governo federal deveria ser a melhora de repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e a execução do pacto federativo.

Não basta propor e conseguir aprovação das verbas públicas. É imprescindível pagá-las em dia, sem o que nada significam. Ou pouco.

Os recursos têm de ser transferidos aos municípios e aos estados, com presteza, para que estes os passem aos cofres das cidades. A inadimplência é um desacato, principalmente em momentos como os atuais, quando o resultado de impostos foram restringidos expressivamente. Os gestores locais não têm como fabricar dinheiro.


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Por Manoel Hygino - 10/10/2023 08:11:42
Mortes na Tijuca

Manoel Hygino

Muito mais que estarrecedor. Em apenas 27 segundos, três médicos participantes de um Congresso Internacional de Ortopedia foram sumariamente executados com mais de 30 tiros em um quiosque, na Barra da Tijuca, após os trabalhos do dia.

O crime foi por volta de 1h, em frente ao Windsor Hotel, área nobre do bairro. Quatro médicos estavam sentados em uma mesa, quando três homens vestidos com roupas pretas desceram do outro lado da via, de um carro branco, e começaram a atirar. Outros clientes do estabelecimento fugiram velozmente. Dos quatro médicos, apenas um sobreviveu.

A cobertura do trágico episódio foi ampla e envolveu todos os meios de comunicação, inclusive do exterior. As vítimas eram Marcos de Andrade Corsato, 62 anos; Diego Ralf de Souza Bomfim, 35; Perseu Ribeiro Almeida, 33; e Daniel Sonnewend Proença, 32, único sobrevivente, ferido na perna.

Celulares das vítimas foram apreendidos para análise da perícia, encontrando-se uma última selfie de pouco antes do episódio, na qual os médicos estavam descontraídos e sorridentes durante a conversa.

Foram 33 os tiros disparados. Recolhendo-se 33 estojos de pistola 9 MM no local. Quando as vítimas começaram a ser atendidas pela PM do Rio, já se encontravam lá aos cuidados por socorristas do Corpo de Bombeiros. Nenhum assassino foi localizado, evidentemente, nas imediações. Todos os tiros miraram a região do coração, reforçando a tese de execução. Duas vítimas eram de São Paulo e uma, Perseu Ribeiro Almeida, Bahia; o que se salvou é de Marília, SP.

A explicação para a chacina é de que um dos profissionais da Medicina se parecia com um bandido que os chefões queriam eliminar. O experiente jornalista Luiz Carlos Azedo comentou: A ilegalidade tomou conta. “Jogou-se fora a experiência de ocupação dos territórios antes controlados pelo tráfico, com a água da bacia; esse espaço vem sendo ocupado pelas milícias, que praticam os mesmos crimes, em conluio com a banda podre da polícia. É uma economia paralela controlada por organizações criminosas”.

Eu, contudo, prefiro perguntar como o fez Castro Alves, com referência aos médicos assassinados: “Deus, ó Deus, onde estás que não respondes? Em que mundo, em que estrela tu escondes, embuçado nos céus?”.


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Por Manoel Hygino - 9/10/2023 07:54:21
O tempo incerto

Manoel Hygino

Técnico em Meio Ambiente e Recursos Hídricos, José Ponciano Neto é ecologista provido das crenças hereditárias. Deste modo, consegue prever para prover, como aconteceu em 29 de setembro, Dia de São Miguel Arcanjo, o anjo vencedor das forças do mal. Como tradição neste finalzinho do nono mês do calendário, vêm as primeiras chuvas em extensas regiões do Brasil, o que significa muito de bom para os parques florestais e reservas gerais, já enfrentando as queimadas que começam pelo meio do ano.

É quando aparece, segundo o técnico, São Miguel, com sua espada empunhada, trazendo chuva para extinguir o fogo, defendendo a natureza dos ataques acidentais e dos inimigos de Deus, os pironíacos humanos. No Norte de Minas, onde vive Ponciano, após temperaturas extremas de quase 40 graus, chegaram bravas as chuvaradas, como advertido pelo portal montesclaros.com, não faltando a trovoada e os raios, numa espécie de fundo de cenário na Colina de Dona Germana, ou dos Morrinhos, em Montes Claros.

Enfim, estas são as condições em que nos encontramos neste segundo decênio do século XXI. O respeitável inventor Ray Kurzwell preconizava que, um dia, os seres humanos seriam capazes de viver para sempre. Imagina que o ritmo da mudança seria tão assustadoramente rápido que ninguém seria capaz de acompanha-lo, a menos que se aumentasse a inteligência humana, fundindo-a com a tecnologia inteligente que se criava. Os computadores teriam consciência em apenas 25 anos por volta de 2030 (agora falta pouco) não haveria diferença significativa entre a inteligência de humanos e máquinas.

Previa mais: graças a esses e outros avanços, os cegos poderiam novamente enxergar (com olhos biônicos), os paraplégicos e amputados andariam, com próteses comandadas pela mente, genes de doenças como diabetes, Alzheimer ou Parkinson poderiam ser desligados e terapias seriam executadas por mini robôs em viagem insólitos rotineiros pelo nosso organismo.

Aí, porém, avaliava o inventor, já não se saberia se ainda continuávamos como seres humanos. Neste ínterim, vamos levando a existência possível, com todas as limitações com as quais não nos conformamos, com companheiros da espécie se contrapondo a nossos desejos e anseios, e a natureza fazendo das suas como agora, neste tempo incerto e seguidamente doloroso. Acho que é assim, Ponciano.


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Por Manoel Hygino - 4/10/2023 09:32:05
Agora sem renúncia

Manoel Hygino

Consulto os meus alfarrábios. Em 29 de agosto último, completou-se um ano da visita do Papa Francisco ao túmulo do primeiro pontífice renunciou ao cargo. Eis uma longa história. O sucessor argentino, em 2022, elogiou a humildade de líderes que se afastam voluntariamente, abrindo mão de honroso governo por toda a vida. A declaração surgiu em meio a especulações de que ele poderia deixar a função em breve, algo que o próprio Francisco cogitaria ao comentar seus problemas de saúde, que reaparecem periodicamente, não se esquecendo de que ele recentemente se submeteu a delicada e extensa cirurgia.

No ano passado, o Papa Francisco aproveitou a manhã para uma chegada a L`Aquila, cidade no centro da Itália, em que o Papa Celestino, o primeiro renunciante, está sepultado. Aconteceu em 1294, uma época de profundas divergências na direção do estado. Foi um imbróglio de todo tamanho, de modo que Celestino, embora com somente cinco meses à frente do Vaticano, achou melhor afastar-se.

A decisão desencadeou profundas e novas divergências, mas o desafio foi vencido. Transcorridos séculos, o Papa Bento XVI resolveu homenagear Celestino e dar uma demonstração de que o pior havia passado. Em 2009, o pontífice do século XXI, foi L’Aquila homenagear seu antigo antecessor, coincidindo sua viagem com a posse de vinte novos cardeais um dia antes. Parecia ser uma advertência sobre a responsabilidade dos que assumiriam.

Já naquele instante, admitia-se que Bento XVI também renunciaria, o que efetivamente ocorreu quatro anos depois, dando razão aos que divulgavam a informação. De Francisco também muito se tem propalado, mas ele resiste até agora, quando empreende viagens à vários países, como a apagar a ideia, reafirmada pela nomeação de novos cardeais em número expressivo.

Na primeira vez, Francisco, rodeado por cinco cardeais, enalteceu Bento XVI, sua “sabedoria, delicadeza e entrega nas mãos do Pai. Mãos de perdão e compaixão, de cura e misericórdia, mãos de unção e de benção”.

É oportuna a referência de Francisco nestes 2023, por ser pontífice reverenciado por milhões de pessoas, o maior coletivo isolado que o mundo já conheceu, um Papa como líder espiritual. E não resisti repetiu o pensamento de renúncia.


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Por Manoel Hygino - 30/9/2023 07:17:29
Números espantam

Manoel Hygino

A maioria da população brasileira toma conhecimento dos projetos do governo, ouve falar no arcabouço fiscal, na redução do número de impostos pagos pelo cidadão, ouve notícias pelas rádios e televisões, gruda os olhos nas páginas de economia dos jornais. E depois pergunta:

"A vida vai mesmo melhorar?" Os preços de bens indispensáveis à família baixarão, desde a água consumida à energia elétrica, gás de cozinha, o feijão, o arroz, a carne, o frango, as verduras, até o sal? A lista é extensa, sempre incompleta. Mas as despesas têm de manter-se de acordo com os salários, que inúmeros confundem com renda.

Ignora-se que renda é algo muito diferente. Grande parcela de nosso povo está querendo entender a tal de Reforma Tributária. É bom mesmo? Veio para beneficiar os chefes de família? Eis uma dúvida cruel que desafia todos os dias e horas.

Estudo recente elaborado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) apurou que 95% das empresas brasileiras pagam mais impostos do que deveriam. A propalada Reforma Tributária trará alívio para este cenário, que não é incentivador. O empresariado ficou sabendo, assim, que a Reforma não irá resolver tudo.

Chegou-se à conclusão que, mesmo com a extinção do sistema atual, as companhias deverão buscar recuperação de tributos indevidamente recolhidos.

Como ficará? Eis a resposta que os técnicos do governo precisam ir pensando desde já. Enfim, não é apenas o consumidor que está pagando pelo pato que não comeu.

Ademais, agosto não foi animador. A arrecadação tributária do oitavo mês do ano deixou muito a desejar; melhor dizendo, foi um tombo feio e inesperado.

A própria Receita Federal conta. O reconhecimento de impostos, contribuições e demais valores teve enorme declínio. Descontada a inflação de 4,02% comparada ao ano passado, 4,01%, no mesmo período, registrou o terceiro recuo consecutivo. Pior ainda: o número aponta para uma tendência negativa, podendo atingir os objetivos fiscais do governo. Difícil acreditar na possibilidade de déficit zero em 2024.


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Por Manoel Hygino - 27/9/2023 08:17:39
O tempo ardente

Manoel Hygino

Setembro tem 30 dias, assim como novembro. São os últimos meses com o privilégio de reduzido número de dias, com exceção evidentemente de fevereiro. Mas, neste 2023 em cujo último trimestre ingressamos, houve um detalhe com relação ao calendário findante: nunca talvez os brasileiros passaram tanto tempo de olho no céu para tentar adivinhar o que a natureza lhes reservava com referência a temperaturas e perspectivas de chuvas.

Não foi apenas o Brasil, sabe-se. Os habitantes do planeta pregaram os olhos nas alturas, buscando identificar o que lhes viria. As temperaturas estiveram altas, altíssimas em algumas regiões, houve incêndios em várias delas, a terra tremeu, barragens se romperam, houve muitos milhares de mortos, inclusive com desabamentos e enchentes na China e no Sudeste asiático.

Os deuses estariam desencantados ou raivosos dos seres que existem por aqui?

No Brasil, abençoado por Deus e pelas bênçãos que os sacerdotes cristãos trouxeram do velho mundo e dos ensinamentos do rabi da Galileia, cujo nascimento como homem se festeja em dezembro, também tivemos tropeços, atropelos e tragédias, como a causada por um ciclone em setembro, que levou dezenas de mortos e milhares de desabrigados, além dos imensos prejuízos à produção agrícola no Rio Grande do Sul.

Na capital mineira, os termômetros assinalaram 38 graus na Escala Celsius, até mais, segundo fontes oficiais. Chuvas escassas, até raras, pancadas isoladas, embora o vento não economizasse força e chegasse a mais de 50 km por hora. Os alertas da meteorologia assustavam o mineiro, sobretudo as senhoras tementes a Deus.

A primavera entrou no cenário em 23 de setembro, uma sexta-feira. Ainda que não foi agosto, benziam-se os mais crédulos. Os boletins dos meteorologistas admitiam 37 graus. Como suportar? Depois do inverno mais quente desde 1916, nunca ouve calor tão intenso – um recorde, e não só na metrópole dos montanheses. Em outros trechos do território, os horizontes eram também perturbadores, para não dizer sombrios, adjetivo inaceitável em face das circunstâncias.


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Por Manoel Hygino - 26/9/2023 08:02:41
Além das telas

Manoel Hygino

Torna-se um sucesso o filme focalizando a vida e o drama de Ângela Diniz, transformada em símbolo para as mulheres do país, nos longos anos transcorridos desde o seu assassinato, um episódio que comoveu a sociedade brasileira, em todos os seus segmentos. Neste 2023, caminhante a término, Ângela encarna a mulher e protagonista de um período muito especial para os brasileiros, que começaram a pensar mais e mais sentir sobre o papel da mulher no lar, no convívio profissional e social, levado agora ao cinema e a um podcast que a Rádio Inconfidência já programou.

Muito a propósito, aliás, o lançamento de uma publicação da Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte contando a história do Hospital São Lucas, que completa 100 anos de fundação e funcionamento. Explico: no tradicional estabelecimento nasceu Ângela Diniz, de distinta família mineira. Lá ela derramou as primeiras lágrimas de nascitura, como, aliás, ocorreu com centenas de outras crianças da fina flor da sociedade. O São Lucas foi o primeiro hospital dito de elite de Belo Horizonte, lá recebendo tratamento figuras ilustres em todas as áreas de atividades e seus familiares.

Em caso de maternidade, é bom registrar que, também no São Lucas, nasceu a ex-presidente da República Dilma Rousseff, presentemente presidente do BRICS, de elevada representatividade na economia mundial. Não poderia deixar de lembrar que lá veio à vida Humberto Werneck, nome nacional do jornalismo ainda e nas letras, que ora completa uma panorâmica biografia sobre Carlos Drummond de Andrade, que lhe tomou décadas de pesquisa. Por sinal, a mãe do poeta de Itabira também recebeu assistência no hospital, por muitos anos.

O genial Guignard foi paciente do São Lucas e não se deve esquecer que Juscelino, médico da instituição, deu encerramento à carreira após alta de seu paciente Eduardo Frieiro, uma das mais autênticas e respeitáveis figuras das letras mineiras. Por sinal, há um depoimento dele na publicação que vale a pena ser lida. Como há ainda do jornalista Fernando Gabeira, um dos biógrafos de Leila, no filme vivido pela também atriz mineira Isis Valverde, que julga o caso Leila Diniz emblemático no Brasil.



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Por Manoel Hygino - 23/9/2023 07:31:25
Julgamento próximo

Manoel Hygino

No mínimo constrangedor o que acontece presentemente em Belo Horizonte com relação ao funcionamento de sua Câmara Municipal, pela qual já passaram vultos eminente, da política e da vida pública mineira. É doloroso que o fato se registre num momento em que tanto se espera dos administradores, em âmbito federal e estadual, depois da polarização, que foi um dos signos da campanha política de 2022.

Como não poderia deixar de ser, Belo Horizonte não é mais a cidade do princípio do século passado, quando ainda repercutiam as vozes mais autênticas de Ouro Preto, contrapondo-se à transferência da sede do governo para a nova cidade que se erguera a toque de caixa, para obedecer aos cronogramas estabelecidos e aos orçamentos.

A nova metrópole cresceu vertiginosamente e este, aliás é, um dos motivos pelos quais a administração sempre se viu em apuros para consumar planos e projetos, para corresponder a expectativas. Gerir um empreendimento dessa dimensão, em prazo solidamente definido não foi fácil, nem tem sido, mas a administração não pode falhar. E administração não resume a Executivo, pois se vive no proclamado estado democrático de Direito.

Os cidadãos que se elegeram para cargos importantes assumiram graves responsabilidades, sobretudo numa época em que mais se exige e do Estado por seus três entes dirigentes. Não se permite falsear, debilitar-se, impor-se por meios impróprios. O Legislativo tem papel importantíssimo nesse período de transição. Os sonhos dos munícipes não podem transformar-se em pesadelos.

É preciso considerar-se que estão envolvidos em debates, quase metamorfoseados em contendas, edis que formam uma nova geração de belo-horizontinos, em grande parcela nomes não antes submetidos ao veredito das urnas e ao julgamento da tribuna parlamentar.

Evidentemente, problemas não faltam e novos desafios surgem no correr dos dias e meses. A população reivindica mais e sente onde o carro emperra, identificando quem não responde satisfatoriamente a suas demandas e anseios.

Ademais, no ano vindouro, haverá eleição municipal. Os parlamentares em exercício na Câmara estarão sendo avaliados e julgados.


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Por Manoel Hygino - 20/9/2023 08:35:32
Visitando Havana

Manoel Hygino

Praticamente estamos ingressando no último trimestre de 2023. Quero dizer: praticamente entramos no final deste ano, que não tem oferecido conforto, paz, desenvolvimento e alegria para os habitantes deste planeta, que anda pelos oito bilhões de habitantes. É muita gente confiando em melhorar seus padrões de vida e de sobrevivência.

Quem viveu os meses iniciais não se acha esperançoso, a julgar pela evolução dos acontecimentos. Não faltam reuniões e conferência em todos os continentes para amenizar um quadro vai dizer- desolador. Quem toma conhecimento dos fatos sente que os gestores das nações parecem esforçar-se, embora haja aqueles que apenas se mantêm no poder para uso próprio, de outros grupos, de apaniguados.

Quanto já se gastou do cidadão, inclusive daqueles que não são considerados como tal; quanto se utilizou em viagens e passeios usando o produto sofrido do imposto de cada um, pelo menos aparentemente em busca de soluções práticas para solução de problemas que se acumularam em termos de anos, décadas e até mais?!

Não me lembro de uma pesquisa de satisfação mundial das populações dos países. Existe? Quais os resultados? Que respostas contribuem para diminuir o estado de descontentamento e de desilusão dos povos pesquisados?

Focalizaremos especificamente o caso da dívida de Cuba com o Brasil. Ao que se sabe, ela chega a 490 milhões de dólares, utilizados fundamente na construção do Porto Mariel, um empreendimento que tiraria a ilha do buraco em que afundara desde Fidel.

Antes de embarcar para Nova York para a abertura da conferência anual da ONU pelo presidente brasileiro, como ocorre sempre, Lula foi muito bem recebido pelo colega Miguel Díaz-Canel e demais autoridades. O que Havana pretende é flexibilização da dívida, que já está sendo flexibilizada há muito tempo. Até que começasse a redigir esta nota, nada havia evoluído concretamente, nem creio que as autoridades da ilha tenham o que propor.

A não ser o pagamento do débito em produtos nacionais de lá. Quais? Fornecer bananas ou açúcar para os brasileiros? Até seria algo objetivo. Mas, além das recepções me Havana, não obtive o teor de havidas conversas. Claro que todos nós queremos ajudar os cubanos, mas precisamos de algo palatável, o que não aconteceu até aqui.


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Por Manoel Hygino - 19/9/2023 08:54:35
Santa Tereza em foco

Manoel Hygino

Há Santa Tereza no Rio de Janeiro, onde viveu, por muitos anos, o escritor Paschoal Carlos Magno; e há Santa Tereza, em Belo Horizonte, em que se mantêm em plena atividade gentes de toda Minas Gerais, de sua capital, principalmente, nãos e devendo deixar de citar o Clube da Esquina, transformado em ícone da boa música de nossa era.

Santa, a de cá, que surge depois da avenida do Contorno, exibe seu nome antes da Revolução de 1930, em torno de 1928, segundo Libério Neves, escritor premiado mais de uma vez, e que viveu ali desde profissional e não trocaria o bairro por qualquer outro.

Libério escreveu: “Quando se fala de Santa Tereza, tem-se a imagem de um lugar festivo, povoado de alegria que trazem de todos os lugares”. Essa característica do povo que vive naquela parte da cidade é bem típica.

Por tudo isso, o bairro inspirou muitos compositores que cantam a beleza e a glória da cidade fundada para ser capital de um estado poderoso, resultante da antiga província. Presentemente, Santa Tereza pode ser tida como uma cidade dentro de outra.

A Praça Duque de Caxias é o centro nervoso. Todos os comícios, entretenimentos passam por lá, festivais de banda e corais, espetáculos de toda espécie, com o quartel da Polícia Militar, silencioso, tomando conta. A Igreja de Santa Tereza e Santa Terezinha promove as festas religiosas católicas com grande devoção e de participação de paroquianos.

O comércio é dos mais intensos. Há estabelecimentos e lojas de tudo e para todos, além de bares e restaurantes já conhecidos e apreciados à eficiência. Aí está a questão. Alguns deles se instalam agora sem pleno passeio público, com mesas e cadeiras, impedindo a livre circulação das pessoas - do bairro e das que vêm de fora. Isso atravanca o trânsito dos pedestres, põem em risco, adultos e crianças, obrigados a andar praticamente sobre os meios-fios. Quem perde é o próprio comércio e o prestígio de uma região tão singular.


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Por Manoel Hygino - 12/9/2023 09:48:04
Males de origem

Manoel Hygino

Li, em jornal da capital, que a professora Adriana Romeiro terminou a elaboração de “Ladrões da República: Corrupção, Moral e Cobiça no Brasil - Séculos XVI a XVIII”, livro não encontrado ainda nas livrarias como apurei. Mas, pelo periódico consultado, pude sentir o conteúdo da obra e antecipar sua importância para o Brasil dos últimos 300 anos.

A palavra “corrupção” é suficientemente conhecida no Brasil e se houve frequentemente no noticiário da mídia, sobretudo nos horários de programas políticos por TVs e rádios, simultaneamente com o que publicam as folhas.

Em Direito, o vocabulário diz respeito a todo ente público que cometer o crime, recebendo doação ao presente, por si ou interpostas pessoas, com sua autorização ou retificação, para fazer um ato das suas funções. Se este ato for injusto e, se executado, será punido o infrator com a pena de prisão maior celular, salvo se o ato for crime pela lei corresponde a pena mais expressiva, sempre visando manter dignas e íntegras as funções públicas e os serviços do Estado. Grosso modo, é por aí.

Mas o que a professora a conta é que a corrupção não foi inventada aqui. Ela chegou ao Brasil com os colonizadores, como assás demonstrado, que aprendeu muito e se aprimorou, aproveitando marcha do tempo e os instrumentos disponíveis. A historiadora mineira faz renascer o pensamento do antropólogo Manoel Bomfim, que é dos anos 1800, que não deixa recair a culpa de muitos de nossos males a nós mesmos, os brasileiros.

O autor, já naquela época, nos conduzia a “uma rica viagem às raízes e aos vícios resultantes da colonização ibérica, predadora e parasitária - enriquecer depressa e sem muito trabalho... Esgotados os tesouros, escravizar os naturais e enriquecer à custa de seu labor... onde o elemento índio é escasso ou onde foi exterminado, substituir pelo escravo africano”.

Darcy Ribeiro, antropólogo também, mineiro do Norte do estado, defende veementemente as ideias de Manoel Bonfim. “Não progredimos mais, porque os colonizadores não permitiam”. Escreveu: “Nossos males não vêm do povo. São, isto sim, produto da mediocridade do projeto das classes dominantes que aqui organizaram nossas sociedades em proveito próprio, com maior descaso pelo povo trabalhador. Visto como uma mera fonte de energia produtiva, que ele podia desgastar como bem-quisesse”.


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Por Manoel Hygino - 9/9/2023 09:05:23
Uma obra valiosa

Manoel Hygino

Joaquim Cabral Netto é nome conhecido em Minas Gerais, não por aqui ter nascido. Sua atuação nos círculos jurídicos tem sido das mais destacadas desde a formatura em Direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora, a que acrescentou o título de História. Ao longo da existência, sempre aduziu outras distinções.

No Ministério Público foi por duas vezes corregedor-geral, assim como presidente da Associação Mineira do Ministério Público e da Confederação Nacional (Conamp). Membro do Instituto Histórico Geográfico de Minas Gerais, do Memorial do Ministério Público e das Academias de Letras do Ministério Público, além de professor de Direito Penal da PUC-MG por mais de 25 anos, integrou entidades culturais de várias nações.

Pois Joaquim Cabral Netto acaba de publicar mais um livro: “O Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais - Dentro da História de Minas Gerais/As Diretorias do IHG/MG: 1907 a 2019”.

A ele se devem obras valiosas no campo histórico e jurídico, além de estudos especializados na revista do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, inclusive sobre Iracema Tavares Nardi, a primeira Promotora de Justiça da América latina.

O volume editado é iniciativa do maior relevo que deve ser guardado com cuidado e reverência, porque se trata agora de peça para consulta obrigatória. Sigamos o bom conselho.

Quando convidado para chefiar a Assessoria de Imprensa do Governo de Minas, na gestão de Israel Pinheiro, senti-me motivado a conhecer mais de perto João Pinheiro, seu pai, não apenas nome de uma avenida da capital. Descobri, por exemplo, que o Instituto Histórico muito deve a ele na sua fundação por homens e mulheres interessados em preservar e cultivar a memória mineira. Desde 1907, incentivada a ideia por franca e veemente atuação de Nelson de Sena, entre outros.

Foi uma época que marcou o estado por controvérsias políticas, após a instalação da nova capital. Em 15 de agosto de 1907, a missão estava cumprida, mas em outubro de 1908, pouco mais de um ano após, João Pinheiro falecia, o que quase causou o desaparecimento de uma obra constituída para marcar a vida de homens e instituições. Na instalação do IHGMG, Pinheiro afirmara: “A todos os homens de boa vontade se depara, neste pensamento, o ensejo de bem servir à causa comum, para que, herdeiros de tantas grandezas, nós, os representantes da geração atual, possamos acrescê-las para os nossos filhos”.


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Por Manoel Hygino - 6/9/2023 08:30:20
A língua do Brasil

Manoel Hygino

Na posse do novo presidente da Academia Mineira de Letras, o escritor e professor Jacyntho Lins Brandão, ele propôs a mudança do artigo 1º do Estatuto. Até então, previa-se, como primeira finalidade do sodalício, “a preservação, o estudo e a divulgação da cultura, da língua portuguesa e da literatura”. O artigo passaria então, a ter a seguinte redação: “a preservação, o estudo e a divulgação da língua portuguesa e das demais línguas brasileiras, suas culturas e literaturas”.

Observamos que, na última semana de julho último, as ministras do STF, Rosa Weber e Carmem Lúcia (esta nascida em Montes Claros), visitaram o estado do Amazonas, precisamente São Gabriel da Cachoeira, para lançar o texto de nossa Constituição em nheengatu, língua indígena por meio da qual se poderia contatar a maioria dos povos que vivem às margens dos rios da região.

O jornalista e professor, Aylê-Salassié Figueiras Quintão, na ocasião comentou que, só no município de São Gabriel, que separa o Brasil da Colômbia e da Venezuela, falam-se 25 línguas das famílias aruak, tukano e maku. Para que se compreenda melhor o sentido da proposta de Jacyntho na Academia, transcrevo um trecho mais do artigo de Salassié:

“Em se tratando da língua portuguesa, a população é, no mínimo, analfabeta funcional. O nhengatu é uma das quatro línguas indígenas oficializadas no município junto com o português, o maku e o tucano , usadas tanto do lado do Brasil quanto dos países vizinhos. A reminiscência dessas línguas deve-se, sobretudo, às várias associações e entidades civis, religiosas e indígenas sediadas ali, e que se propõem a organizar aquela multiculturalidade. Juntas, formam o que é conhecido na região como a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), que funciona independente, associativamente, nos moldes do branco, quase como uma assembleia, na qual cada nação indígena se faz representada, sem comprometer suas atividades e organização cultural. Por isso, embora a Constituição em nhengatu possa ter sido festejada pelas autoridades políticas locais, aventa-se na comunidade que ela terá, entretanto, poucos leitores por ali. O índice de alfabetização é baixo, e aquelas nações indígenas já têm uma estrutura comunitária ou tribal. Teme-se, inclusive, que a Lei do branco, na sua volubilidade, vá causar confusão entre os povos da região. Se não gerar um dilema político, pode vir a ser recebida como mais uma agressão à cultura e à organização das nações indígenas regionais”.

É mais um problema a se pensar seriamente.


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Por Manoel Hygino - 5/9/2023 07:42:04
Sem água, não

Manoel Hygino

Uma novela sem fim: a do abastecimento de água a Belo Horizonte. A capital crescia, aumentava a população, exigia-se mais para atender o cidadão. Na administração do prefeito Celso Mello de Azevedo, evoluiu-se para aproveitamento do Rio das Velhas, captado no local denominado Bela Fama.

Para o empreendimento, dadas suas proporções, imprescindível recorrer a financiamento no exterior. Juscelino Kubitschek, presidente da República, decidiu a execução pelo DNOS, marcando a sua inauguração para 30 de janeiro de 1960, 24 horas antes da passagem de seu governo. No dia da assinatura da autorização do empreendimento, grande movimentação das lideranças políticas. O ato foi no Catete, e eu estava lá.

Acompanhei tão de perto quanto possível os entendimentos para a obra e para as demais, imprescindíveis ao bom atendimento da população. Em 2023, já há novamente problemas, mas de outra expressão. De qualquer modo, conseguira resolver temporariamente o problema em uma cidade que não queria parar de crescer.

No ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2023, o desafio volta, a despeito de todas as medidas adotadas pelo poder público. Imprescindível agir enquanto é tempo. O Rio das Velhas tem em implantação um plano de contingência, acertado pelo Ministério Público de Minas Gerais, Copasa e mineradora Vale para evitar o pior. O plano pode ser posto em ação, se uma das barragens se romper, apelando-se para um eventual racionamento e rodízio até a capacidade de abastecimento ser restabelecida.

Não se esperará uma solução milagrosa. Estão previstas duas interligações dos sistemas – Velhas e Paraopeba, a reativação e a perfuração de poços para quatro municípios, bombeamento de água de barramentos existentes, três nova captações em mananciais, poços e reservatórios para 32 serviços essenciais, como hospitais, instituições de ensino e penitenciárias.

O principal, ou essencial, é não deixar que falte água à população. Um rompimento de barragem atingindo o Alto Rio das Velhas é tido como “catástrofe”.

O brasileiro, exaurido em seu cotidiano labor, não quer mais funestas experiências. Prevenir é sempre melhor que remediar como ensina a lição popular. Ademais, as perversas lições que ficaram do passado não muito remoto, advertem as autoridades para levar à frente as ideias que se aprovaram e que, efetivamente, correspondem às expectativas atuais e à confiança que mais terá ampliado nos próximos anos.


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Por Manoel Hygino - 2/9/2023 07:22:55
Novo Código Civil

Manoel Hygino

“O Tempora! O Mores”! O tempo não parou, a vida continua, mudaram-se os costumes, a legislação segue o seu caminho consoante a evolução geral. Mas os juristas tanto quanto os cidadãos percebem e sentem diariamente que há algo faltando, que existe algo a ser mudado para vivermos de maneira melhor e confiantemente.

O jurista mineiro João Baptista Villela ressalta que toda a vida do cidadão está envolvida, de um modo ou de outro, por institutos do Direito Civil. O primitivo Código Civil, de 1916, elaborado por Clovis Bevilaqua, inspirado nas codificações do século XIX, especialmente no Código Civil de 1804, o citadíssimo Código Napoleão, porque exarado por Bonaparte.

No Brasil, insistiu-se durante décadas na sua reforma, que esteve em tramitação por quase trinta anos. Como não poderia deixar de ser, já surgiu desatualizado, confirmando o pensamento aqui inicialmente publicado.

Com a Constituição de 1988, que aí está vigendo com muitas modificações e impondo a discussão no Legislativo de sucessivas PECs, mais se evidenciou a necessidade de algo mais concreto e eficaz. A própria situação política e proposições da sociedade, expressas por meios distintos, mas sobremodo evidentes nas casas do Congresso Nacional, obriga a adoção de caminho mais seguro e sólido. Segundo Miguel Reale, citado pelo desembargador Rogério Medeiros Garcia de Lima (em Refletindo o Direito e a Justiça”, pág. 135 e 136), impõe-se um novo Código Civil que venha atender à sociedade brasileira, no tocante ás suas aspirações e necessidades essenciais. É indispensável interpretá-lo dentro dos novos parâmetros estabelecidos. Nada seria mais prejudicial do que interpretar o novo Código Civil com a mentalidade formalista e abstrata que predominou na compreensão da codificação por ele substituída”.

Para que tudo não fique na promessa, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, assinou o ato de criação da comissão de juristas que proporá atualização do Código Civil Lei - 10.406/ 2002. Será presidida pelo ministro Luís Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça e terá 34 membros. O colegiado tem 180 dias para elaborar o anteprojeto e apresenta-lo à presidência da Casa Alta do Congresso.


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Por Manoel Hygino - 30/8/2023 09:26:53
Brasil/ Angola

Manoel Hygino

O presidente do Brasil, na recente visita à África, teve o aprazível ensejo de falar a língua que é mais ou menos entendida nos dois continentes- no nosso, no hemisfério Sul - empregando a língua portuguesa. Luís Inácio declarou que “a volta do Brasil ao continente africano não deveria ser uma volta, porque nós nunca deveríamos ter saído do continente africano. O Brasil não tem noção de quantas coisas poderemos fazer”. Não sei se a observação de desconhecimento foi uma autocrítica ou aos antecessores gestores de nossas relações diplomáticas.

De todo modo, S. Exa. falou e está falado. Disse mais: ... “que Angola é um bom pagador das coisas que o Brasil investiu aqui”. Uma afirmação importante, porque é sabido que outras nações assumiram responsabilidades e compromissos com a nossa nação e não deram a mínima importância ao pagamento das dívidas assumidas. Não vou dizer que a Venezuela é uma delas.

Em todo caso, o ex-presidente de Angola é Agostinho Neto, nascido no já distante 1922, ano de muitas pelejas militares por aqui, embora também de importantes ações e desenvolvimento. Ademais, ao formar-se em Medicina, depois de um agitado período de vida e de prisões, Agostinho tornou-se credor da confiança popular e se elegeu à presidência.

Não se ignorará sua atuação nos anos pré-independência. Durante decênios, conduziu o processo de transição de Angola para a independência política e enfrentou crises e discussões. Nesse interregno perdeu amigos e companheiros, mas não se deu por vencido.
Observou um experimentado analista: o exercício da liderança fê-lo desenvolver uma importante atividade reflexiva, que suscita interesse do investigador da história contemporânea de Angola.

Em plena Guerra Fria, Agostinho Neto se tornou o primeiro presidente da República (1975- 1979), quando se desencadeou na pátria uma das mais devastadoras guerras civis com repercussões geopolíticas em toda África Austral. Foi um tempo cruel, jamais esquecido com terrível impacto no exercício das liberdades fundamentais.

A despeito de tudo, promoveu reformas profundas e continuou escrevendo, defendendo os ideais de liberdade e dignidade do homem. Saiu vencedor. Para Agostinho Neto, o debate e as ideias são essenciais à vitalidade das dinâmicas sociais e às exigências do conhecimento mais profundo do mundo.


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Por Manoel Hygino - 29/8/2023 08:47:56
A nossa guerra

Manoel Hygino

Não se subestima a violência da guerra na Europa, desde que a Rússia enviou suas tropas para combater a Ucrânia. Enfim, guerra é guerra, ainda que o presidente Putin queira reduzir suas dimensões considerando-a simplesmente “uma operação especial”.

Especial sim, mas já demora mais de um ano, eis que desencadeada em fevereiro de 2022. As estatísticas de mortes e feridos gravemente, dos pesados danos causados na refrega, não estão disponibilizadas com segurança porque a ambos os grupos confrontantes não interessa. O mais importante a esta altura é destruir as forças inimigas.

No Brasil, todavia, que acompanha os fatos pelos veículos de comunicação, o principal é manter-se em permanente ação para conter a violência interna que já chegou a todos os recantos, como temos insistentemente comentado. O semblante do cidadão nascido nestes 8 milhões e 600 mil quilômetros de território nacional em nada lembra o homem tranquilo, fruto de três raízes raciais- tranquilo e esperançoso.

Mata-se de Sul a Norte, de Leste a Oeste, ofende-se, agride-se, fere-se o homem ou mulher, em casa ou em via pública, nas rodovias, nos estádios esportivos, nos bares e lanchonetes, invade-se a propriedade privada, desacata-se o branco, o mulato, o negro, de todas as idades, estupram-se as mulheres, mesmo em tenra idade.

O mapa da violência no Brasil, entre crianças e adolescentes, revela números alarmantes, somam mais de mil vítimas de estupro com menos de 13 anos e os crimes sexuais crescem vergonhosamente. Nas hostes de violência se aliciam jovens, levados à criminalidade por vulnerabilidade e fragilidade das leis. O crime começa dentro de casa, em que o respeito feneceu cedo ou jamais existiu.

A cada dia, um adolescente é apreendido em Belo Horizonte um suspeito de envolvimento em crimes e encaminhado ao Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Autor de Ato Infracional, CIA-BH. No ano passado, 1848 menores de 18 anos foram apreendidos. E daí? Além destes, houve ainda os casos em apuração. O desejo de bens e ostentação atrai adolescentes para o tráfico, muito interessado em crescer suas falanges. O mal começa cedo. O comércio de drogas se acha em plena expansão.

Por mais que se empenhem as autoridades, resta muitíssimo a fazer, tal o vulto dos fatos. E suas sombrias perspectivas. E, evidentemente, todos os setores da sociedade brasileira têm de empenhar-se nesse objetivo. Se não houver interesse geral, tudo resulta em nada.


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Por Manoel Hygino - 26/8/2023 07:35:27
O mineiro José Murilo

Manoel Hygino

No agosto que logo seria passado neste 2023, os jornais de Minas Gerais, sobretudo os da capital, deram ampla cobertura ao falecimento, no dia 13(não era sexta-feira!), de José Murilo de Carvalho. Ressaltavam que, entre outros títulos, era ele membro da Academia Brasileira de Letras e da Academia Brasileira de Ciências.

“Foi um grande pensador do Brasil, está entre os maiores historiadores de qualquer tempo”, defini-o Heloísa Starling, que bem poderia tecer o elogio do ilustre brasileiro. Lilia Moritz Schwarcz, também historiadora e antropóloga, professora da USP, acrescenta: “Com sua formação interdisciplinar, José Murilo, foi um historiador que revolucionou o estudo sobre o Império brasileiro, até então considerado sem importância”. Mas ele mostrou como muito das bases da estrutura institucional brasileira veio no contexto imperial, sobretudo a partir do Segundo Reinado.

No entanto, José Murilo não foi o mais “badalado” historiador do Brasil, inclusive por ter nascido em Minas Gerais, um estado que não tem merecido a melhor atenção e o elogio dos intelectuais da pátria, nem me perguntem por quê. Recolhido ao convívio da ABL, contudo, não se eximiu de emitir opiniões; tanto do tempo pretérito, que muito exigiu de seus esforços, mas da nação de nossos dias. Acrescentou anos à idade, mas não envelheceu. Teve o cuidado e a coragem, inclusive, de manifestar-se sobre os acontecimentos de 1964 e anos seguintes.

Leia-se, por exemplo, o que escreveu: “Quando veio 1964, a sensação que eu tive foi de perplexidade”. Eu me lembro de a gente andar por Belo Horizonte no dia primeiro de abril, perplexo. Não é que as pessoas não esperassem o golpe.

Havia uma expectativa. Expectativa havia. Pessoas que falavam na viabilidade do golpe. Mas ninguém previu o tipo de golpe que foi dado. Isso é... Os militares tomaram o poder e ficaram no poder. Isso era inédito no Brasil”.

Poderia parecer uma anedota, não fosse José Murilo um cidadão cônscio, da maior responsabilidade intelectual e cívica. Nesta hora, é convidativo falar de Murilo. E Rogério Faria Tavares, presidente emérito da Academia Mineira de Letras, constitui bela proposta, pois já tem excelente livro publicado sobre o escritor nascido em Andrelândia. O antecessor de Jacyntho Lins Brandão na Academia foi muito feliz em suas considerações pelos jornais.


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Por Manoel Hygino - 24/8/2023 08:55:25
Uma voz que se cala

Manoel Hygino

Apenas uma coluna em página de caderno não o principal. Assim é jornal, estou acostumado após décadas com a folha impressa. Falo da notícia da morte de Fábio Martins, em 15 de agosto e sepultamento no dia seguinte no Bonfim.

Nascera de Conceição do Mato Dentro, terra de José Aparecido, que toda Minas conhece. Mais propriamente, veio ao mundo em município e cidade, criada por lei de 1953, no local da antiga capela Nossa Senhora do Pilar do Morro do Gaspar, subordinado à antiga paróquia de Conceição do Mato Dentro, depois Morro do Pilar.

Inicialmente, vieram os filhos da família Martins, que se dedicaram ao estudo e conseguiram trabalho. Gente de excelentes raízes, logo fez que o sr. Gentil, o pai, também para cá se transferisse, instalando-se na rua Jequeri, na Lagoinha. Com voz bonita, grave, logo estava no Cinema Educativo, que Zoltan Glueck implantara na Prefeitura, levando filmes às vilas e bairros, em época sem televisão ainda. Aprazia-se o público com jovem locutor anunciando as películas a serem assistidas e transmitindo comunicados oficiais. Logo, estava na Rádio Itatiaia, que Januário Carneiro, em momentos de empreendedorismo, instalara com transmissores em Nova Lima.

Sereno e respeitável, Fábio Martins ganhou espaço. Ouviu quem de mais representativo havia no poder público e na sociedade. Numa entrevista, foi o primeiro a anunciar a Revolução de 1964 (ou golpe), na voz do general Guedes, um dos seus comandantes.

Sensível às causas de interesse nacional, programou uma viagem à Amazônia para assentir de perto os problemas dos índios. Depois, foi à frente, transferindo aos mais moços sua experiência na radiofonia. Fábio Martins foi coordenador do Rádio Educativo, projeto de extensão da UFMG que utiliza o rádio como ferramenta de ensino e inserção social.

Editor da Rádio e Revista, publicação da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich), ele atuou como professor no Departamento de Comunicação.

Martins escreveu “Senhores ouvintes - No ar, a cidade e o rádio”. Fruto de longa pesquisa, apresenta a história do rádio em Belo Horizonte. Partiu aos 87 anos, em sereno adeus, cercado da simpatia de quantos o conheceram.


86834
Por Manoel Hygino - 22/8/2023 09:36:51
Balão no espaço

Manoel Hygino

Em meio ao noticiário de televisões e rádios principalmente, mas também dos jornais - por mais que se disponha de tempo para lê-los - expressivo contingente da sociedade não consegue entender ainda o que o governo está exatamente pretendendo. Para o jornalista Aylê-Salassié Filgueiras Quintão, que é mineiro de nascimento, com extensa atuação em grandes folhas nacionais e em missões no exterior, “o cidadão brasileiro vai-se surpreender angustiado com novas confusões, encrencas, ideias, falas escatológicas dos nossos dirigentes políticos, bem como com os resultados das novas leis, projetos ambíguos e casuísticas gerados no Executivo e sancionados com a conivência do Congresso Nacional e a conveniente omissão do Judiciário.”.

Um tema é tratado especificamente pelo jornalista, conforme publicado por vários jornais. O governo abriu seus portos a navios iranianos, cujo país está sob sanção do Ocidente, por sua teimosia em fabricar uma bomba nuclear no Oriente Médio. Para analistas da política internacional, a atitude do Brasil pode ser interpretada como uma provocação de Brasília ou um desalinhamento explícito.
No entanto, praticamente nada se ouve aqui a respeito. Por quê? Como se conduzirá o Planalto diante dos fatos?

Difícil de responder, até porque as perguntas não partem de um inexperimentado em sistema financeiro. A indagação paira no ar, como um balão perdido em tempo de ventos fortes em mês de junho. Mas como não há praticamente ninguém com plena consciência do problema para responder, ficamos no espera/espera. O futuro, diz-se no interior mineiro, a Deus pertence. Somo meros pacíficos expectadores.

Mas Aylê insiste:
“Se a ancoragem para navios iranianos em portos brasileiros via gerar um problema para o Brasil entre os países do Ocidente, e a Reforma Tributária apresenta uma complexidade de difícil configuração, imagine o problema que o governo está criando ao defender que as transações comerciais e financeiras com o exterior sejam lastreadas não mais no dólar norte-americano ou no euro, mas no “Yuan” chinês ou por meio de uma moeda digital capitaneada pelo grupo dos países Sul planetário, conhecido como BRICS- Brasil, Rússia, Índia, China, Africado Sul-, inclusive dentro do Mercosul, e da Celac (países da América Latina, Central e Caribe) será?! Pode-se confiar nesses pretensos lastreadores do modelo em estudo? Por sua vez, internamente, o Banco Central do Brasil está para divulgar um projeto de substituição do no $Real analógico (moedas, cédulas) por valores correntes “toquenizados”: um token é representação digital e criptografada de um bem real, que pode ser tangível ou intangível. Outra perigosa aventura.”



86832
Por Manoel Hygino - 19/8/2023 07:38:03
Letras em evidência

Manoel Hygino

O novo presidente da Academia Mineira de Letras não esperou que setembro batesse à porta. Cuidou, tão logo assumiu o cargo, de dar continuação à dinâmica gestão do antecessor, Rogério Faria Tavares. Ótimo que assim seja. Na primeira semana de agosto, já se definira uma atividade importante para a entidade, seja para os acadêmicos, ou para os interessados em arte literária.

Assim, Jacynto Lins Brandão deu à publicidade as informações sobre o item novo e valioso. Trata-se do Projeto Literatura, Muito Prazer! Concebido e coordenado pela vice-presidente, Profa. Maria Antonieta Antunes Cunha.

O objetivo é estimular a leitura literária prazerosa, independentemente de idade, situação econômica, profissão e iniciação no tema. Imediatamente, inscreveram-se 100 candidatos, número que corresponde à capacidade do auditório do sodalício, na rua da Bahia, 1466, nas proximidades da Basílica de Lourdes. Não há como não acertar. Para facilitar, os encontros foram programados para os sábados pela manhã.

Como deliberado, no primeiro dia, às 9h30, Murilo Andreas fez um prelúdio literário até 11 horas, quando Antonieta Cunha apresentou “Experiências de Mediação de Leitura”, que demandou duas horas, após as quais Andreas falou sobre “Memórias Literárias”.

Completando agosto, no dia 19, obedecidos os mesmos horários, se ouvirá Beatriz Myrrha; Maurício Guilherme Silva Junior sobre “a seleção de obras literárias e a formação do leitor, enquanto o acadêmico Rogério faria Tavares discorrerá sobre “Memórias Literárias”“.

No dia 26, é a vez do acadêmico Olavo Romano, que o estado todo conhece, enquanto Silvana Costa, Maurício Guilherme Silva Jr. e Antonieta Cunha se manifestarão sobre “A chamada leitura de entretenimento: equívocos de classificação e extensão”, um assunto que muito interessa aos cultores de Letras.

Para concluir a atividade, já em setembro, se terá, no dia 2, o Prelúdio Literário, com Dora Guimarães, após o que Leo Cunha dissertará sobre “Quem tem medo da poesia?” e Elizete Lisboa nas Memórias Literárias. À tarde, a acadêmica Maria Esther Maciel comentará “Vidas Secas- o romance e o filme, e, de 16 horas às 18, será a vez de se ouvir o professor Wander Melo Miranda, também acadêmico, focalizar “Grande Sertão Veredas”, e o filme “O Diabo no Meio do Redemoinho”“.

Trata-se, de certo, de sábados portentosos para os amantes de literatura.


86831
Por Manoel Hygino - 16/8/2023 09:03:29
Os irmãos do Norte

Manoel Hygino

Para fugir à dificílima vida que levam na pátria, os haitianos buscam soluções por todos os meios. A primeira saída que encontram os irmãos daquela parte da ilha (a outra pertence à República Dominicana), é escapar para outro país. O mais provável seria atravessar a fronteira com a vizinha república de Santo Domingo, mas isso é simplesmente uma aventura.

Há poucos dias, trabalhadores haitianos contratados por empresa do Paraná morreram em uma explosão. A sorte não sorri para esses latino-americanos que falam o francês e se esforçam pelo menos para alimentar-se. É um desafio terrível. Os jornais não perdem ensejo pra comentar o sombrio panorama no Haiti. País mais pobre das Américas vive, há anos, uma crise econômica, política e de segurança, agravada pela violência de gangues criminosas que contaminam extensa área do território.

Quem diz muito a propósito da situação dramática que ali se atravessa é Vargas Llosa, que tem competência e coragem de abrir a janela da verdade. O escritor se refere ao país como o mais atrasado do hemisfério ocidental, miserável, que piora sem trégua, afundando sua gente infeliz, cada dia mais, num inferno de fome, desemprego, violência e desespero.

Vargas comenta que não existe limite para a desgraça de todo o povo. O mais grave da infelicidade haitiana é a falta de perspectiva animadora no horizonte. Ao contrário, as esperanças depositadas com novos governantes (se é possível se usar o adjetivo “novo”) se desvanecem. Lá e então, são atualizados e os velhos hábitos de demagogia, corrupção e
despotismo.

O resultado é o caos político, a bandidagem de rua e a paralisação total da economia, quer dizer, condições ainda mais trágicas para a sobrevivência da população. É um problema que ocorre tanto ao Haiti quanto à República Dominicana, o irmão “próspero” na mesma ilha que ambos dividem.

Diante da tragédia haitiana, a situação do latino-americano do outro lado é muito melhor, consideradas as imensas dificuldades que sofrem. Pessoalmente, guardo da capital dominicana boas lembranças e não deixo de recordar que lá se implantou a primeira universidade das Américas. Já não é um galardão?

A República Dominicana, no entanto, age como os Estados Unidos com relação a suas fronteiras. Cuida de construir um muro para evitar que haitianos ingressem em seu território.


86822
Por Manoel Hygino - 5/8/2023 11:39:35
Anuário triste

O Brasil amigo e cordial, que atraí pessoas de todo o mundo, não existe mais. A onda de violência que invadiu todos os estados, as capitais e cidades de maior expressão geográfica e populacional, tanto quanto os locais turísticos, foram contaminados pela bandidagem, pela intolerância, pela insolência que quebraram a boa recepção e a convivência saudável de outras épocas.

Os números da 17ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, tornada pública em julho não mais assustam ou surpreendem, mas deixam um legado de inquietação quanto ao futuro do país.

Mais preocupa porque os dados abrangem não apenas os autores de crimes de toda natureza, praticados por bandidos já diplomados pela perversa escola de delitos que se construiu ao longo de muitos anos e sob olhos das próprias autoridades. Estas, em bom número e para honra da classe, fizeram o que puderam para impedir o crescimento desses grupos que conduziram ao triste panorama de agora.

Nossos presídios se tornaram insuficientes para abrigar essa massa de autores de delitos. Somos o segundo país com maior número de criminosos entre grades. E daí? Seguimos sem conter a desenfreada ação dos criminosos, que chegam a atacar em pleno dia, à luz do sol, as vias públicas, as casas comerciais, os lares.

Nossa economia é ferida em todos os momentos e setores. Os turistas, cientes do clima estabelecido, procurarão paiese mais civilizados e dispostos a proteger seus visitantes. Os empreendedores buscarão praças de negócios com maior poder defensivo dos que se dispõem em aplicar capitais e projetos inovadores.

Quem tiver cuidado de percorrer as estatísticas do recente anuário da Violência, verificará – para dor e tristeza dos mineiros, que nosso estado está em posição de destaque em determinados itens de infrações e crimes, apesar da ação do poder público. No descalabro, incluem-se menores e adolescentes, o que ainda é pior.

A ministra Rosa Weber, presidente do STF, esteve em Belo Horizonte, na quinta-feira, dia 27 de julho, e se declarou preocupada com o sistema carcerário em Minas. O caso do Ceresp Gameleira é apenas um, dentro da atual conjuntura mineira. Mas, simultaneamente estão sendo forjados novos ocupantes das futuras vagas, se tudo continuar do jeito que está.



86818
Por Manoel Hygino - 4/8/2023 08:02:49
Guerras sem fim

Não há paz no mundo. Quem tiver o cuidado de ler os jornais com mais atenção e sem pressa constatará que estamos com projeção de guerra em várias partes do planeta. A despeito das sucessivas reuniões que se fazem em várias regiões para amenizar o quadro, prevalecem as divisões e ameaças.

Já não vamos nos referir ao conflito entre a Rússia e a Ucrânia, que segue sem previsão de fim, já que o presidente Putin é avesso a falar em paz. Os recentes entreveros na região demonstram, de maneira muito clara, que o Kremlin não cogita de negociar com Kiev, sequer aproximar-se.

Russos e ucranianos trocam acusações e anunciam que revidarão qualquer ataque que se faça no Mar Negro, onde se disputa espaço milha a milha. Os navios com grãos que tentam sair da área conflagrada são considerados de guerra e se tornaram alvo da frota do Kremlin. Deste modo, torna-se ineficaz praticamente qualquer tentativa para pacificação.

Russos atacam em terra forças da Ucrânia, esta faz contraofensiva, mas, segundo o presidente russo - “sem resultado”. Disse Putin: “Os recursos colossais de armas fornecidos à Ucrânia pelos aliados ocidentais não estão tendo efeito nas linhas de frente”.

Acrescentou que tudo fará para proteger Belarus, sua indesviável aliada de possíveis ataques. “Uma agressão contra Belarus será como uma agressão à Federação da Rússia”, concluiu.

Na Ásia, o panorama é de permanente e tensa expectativa. A China não abre mão de possuir Taiwan, que se mantém no mesmo posicionamento que vem de longos anos, enquanto a frota e as esquadrilhas adversárias vigiam severamente as águas e os céus em torno de Formosa. Até quando, não se sabe.

Não muito distante, a Coréia do Norte vigia com sua força aérea e seus mísseis o ingresso de aviões e submarinos norte-americanos e da Coréia do Sul. Ali, a guerra ainda não acabou.

O Grupo Wagner, companhia militar e mercenária, que se aliou ao Ministério da Defesa Bielorusso ao anunciar exercícios militares conjuntos junto à fronteira polonesa. A Alemanha promete apoiar a Polônia, sua aliada na Otan, caso haja ataque de caças do Grupo em Belarus, país vizinho da Polônia.

Em uma coletiva de imprensa em Praga, o ministro da Defesa, Boris Pistorius, foi questionado se a Alemanha estava preocupada com a presença do Grupo Wagner em Belarus, ao que ele respondeu: “Estamos todos juntos, sempre na mais estreita coordenação, não só quando nos reunimos fisicamente ao nível dos ministros da defesa, mas também fora dele. Onde nossos amigos poloneses precisam de apoio, se o pior acontecer, eles o receberão”.


86809
Por Manoel Hygino - 29/7/2023 07:59:46

O crime sem peias

Manoel Hygino

Quem vê televisão diariamente, sobretudo durante as tardes, não mais se espanta ou se surpreende com o teor das notícias e das reportagens veiculadas. Trata-se de uma fonte inesgotável de crimes de toda a natureza, nas remotas localidades do interior ou nas mais ricas e prósperas cidades brasileiras, mesmo nas capitais.

A despeito dos esclarecimentos oficiais sobre providências tomadas para conter o descalabro que se disseminou por todos os recantos, a situação é mais do que assustadora, porque se tornou um vendaval de crimes que não amaina. Autoridades, como de dever, esclarecem sobre medidas determinadas para conter o mal, sem produzir resultados positivos.

Os crimes cortam a vida de crianças e idosos, de mulheres e homens, de pretos e brancos, de pessoas que vieram para as cidades maiores em busca de melhores condições de vida, mas não conseguem.

Há os criminosos que se utilizam dos meios mais avançados de comunicação, mas também instrumentos modernos para eliminar a vida alheia, de avançar sobre os bens de pacatos integrantes da sociedade. Não se pode ignorar o sequestro de pessoas, o furto e o roubo em todos os locais em que vive um homem de bem procurando suster-se à família. Todos estão ameaçados, em qualquer lugar e hora.

A vida está por um fio.

Os jornais não dispõem mais de espaços para receber o fortíssimo noticiário das violências praticadas incessantemente. As páginas dos jornais são insuficientes para abrigar o sem número de ilegalidades e atrocidades cometidas, sendo impotentes ou insuficientes as ações de segurança adotadas.

O cidadão brasileiro, o comércio legal, os pequenos e grandes, contribuintes ou não, estão esmagados pelas forças do mal, pelas organizações criminosas ou pelos assassinos solitários, sem falar nos débeis mentais inseridos na população.

Até quando?

Não há quem possa responder à pergunta. Na realidade, os bandidos continuam soltos, crescendo em número, formando-se novas quadrilhas integradas por novas gerações de brasileiros que deveriam e poderiam trabalhar e produzir. Não é o que acontece infelizmente. Até quando e como conseguiremos viver assim? Uma dolorosa indagação de uma sofrida população.

O direito constitucional de ir e vir não mais existe entre nós. A bandidagem, em todas as suas modalidades e níveis, toma conta da situação, disseminando o medo e a morte.


86813
Por Manoel Hygino - 27/7/2023 17:33:50
Moscou e a fome

Manoel Hygino

Pelo que se deduz do amplo noticiário que se tem pelos meios de comunicação, a “operação especial” (este o apelido que Putin deu à guerra com a Ucrânia), movida pela Rússia há mais de 500 dias, se prolongará. Em conflitos assim, não haverá paz se uma das partes não quiser empunhar a bandeira branca. E pelo que se conhece do mandatário do Kremlin, não há perspectiva sequer de um armistício, a curto prazo.

Enquanto Zelinski percorre vários países e pede ajuda ao Ocidente, seguem os confrontos à distância, como permite o maquinário bélico sem combates de infantaria e o corpo a corpo. O tempo de Napoleão está longe e perempto. A Polônia, entretanto, sofre com ameaça do Grupo Wagner, talvez impelido por Putin ou por Belarus.

Mas a guerra que não é guerra, segundo Moscou, continua matando. Milhares já perderam a vida, os mercenários do Wagner estão em lugar incerto e não rigorosamente sabido, enquanto as espera sobre o uso ou não uso dos equipamentos de destruição fragmentar, cogitado pela Casa Branca.

Mas a Rússia anuncia que não renovará sua participação no acordo que permitia à Ucrânia exportar grãos pelo Mar Negro. E a Ucrânia é um dos maiores produtores mundiais de girassol, milho, trigo e cevada para nações daquelas regiões ou do Norte da África.

O fim do acordo pode levar à escassez de alimentos, produzidos na Ucrânia e ficarão parados nos portos de Odessa, Chornomorsk, e Yuzhny/Pivdennyi, no Mar Negro, o que equivale a mais de 32 milhões de toneladas de alimentos deixando de chegar aos mercados mundiais, principalmente a países que deles dependem.

Em resumo: a Ucrânia sentirá profundamente a interrupção de fornecimento desses alimentos a seus tradicionais compradores, os preços continuarão subindo, como já ocorre, e países africanos e do Oriente Médio sofrerão a falta de comida. Mais gente morrendo.
A África Oriental, que já enfrenta desafios com a seca e inundações e quando perdeu grandes quantidades de suas colheitas, agora vê 80% dos grãos exportados da Rússia e da Ucrânia desperdiçados. A guerra é uma prova de insânia, como se depreende.

Como resultado, mais de 50 milhões enfrentam fome, enquanto os preços dos gêneros já aumentaram quase 40% neste ano. É questão mais do que de voracidade territorial de Moscou. Para os brasileiros, é burrice, simplesmente, ou insânia, como dito.

A semana que passou não legou perspectivas alvissareiras. Mas, enfim, assim vive a humanidade estes momentos sombrios. A América Latina é exceção, porque tem problemas regionais próprios e até aqui incontornáveis. É uma pena.


86808
Por Manoel Hygino - 27/7/2023 17:07:25
Pisando em ovos

Manoel Hygino

Há gente falando demais, falando o que não devia, o que é terrivelmente pernicioso neste período grave e sumamente delicado de nossa história. Grave e delicado, porque os ânimos se encontram tão ou mais exaltados do que na campanha eleitoral à presidência, em 2022, que não serve como exemplar.

O cuidado em dizer coisas tem de ser adotado em caráter de urgência, considerando que se criou e estabeleceu no país um ambiente de intolerância jamais visto. Os parlamentares debatem em seus respectivos foros, mas as discussões se espalham por todos os recantos, desde os botequins, ao interior dos aviões, nos aeroportos, gerando mal estar generalizado que pode evoluir para atitudes mais sérias, desavenças que não se circunscrevem ao palco dos episódios.

Os nervos estão à flor da pele, a sensibilidade excita todos os níveis da sociedade. Os próprios membros de superiores tribunais perdem a noção da repercussão que pode assumir uma frase, aparentemente inocente, mas que irá ferir interesses e suscetibilidades.

Este o caso, por exemplo, do ministro Luís Roberto Barroso, uma das vozes sensatas da mais alta corte de Justiça do país, ao manifestar-se sobre bolsonarismo. Não é hora de tais expressões, principalmente quando ele logo será o presidente do STF, com aposentadoria da ministra Rosa Weber.

Por outro lado, o inquérito sobre os acontecimentos de 8 de janeiro, em Brasília, não tem prazo para terminar. Compreende-se que a matéria é complexa e extensa. São milhares de pessoas que agiram contra as sedes dos três poderes na capital federal. Os presos e ex-presos aguardam veredito ou sentença. Todos estão evidentemente preocupados com o que lhes pode acontecer, as penas que lhe serão impostas. Suas famílias, seus companheiros de ideias e de insânia, estão inquietos ante as perspectivas que lhes são reservadas. Assim, vivenciam momentos de ansiedade que podem explodir.

Há de ter-se cuidado extremo, porque estamos pisando em ovos. Vamo-nos conter, antes que sejamos contidos pela força.

Fiz um retrospecto pessoal desta e de outras épocas no país. Chego à conclusão de que a hora não é melhor do que outras passadas, do suicídio de Vargas ou do AI-5. Confesso que temo pelo Brasil e os brasileiros.



86805
Por Manoel Hygino - 22/7/2023 07:46:15
Prazo de validade

Manoel Hygino

O povo brasileiro acompanha com relativo interesse o desenrolar das démarches em torno de projetos que visam ao seu desenvolvimento, isto é, melhores condições de vida ou de sobrevivência de grandes segmentos de seu contingente populacional. Disse “relativo”, no primeiro período do parágrafo, porque parcelas significativas, depois de sacrificadas através de sucessivos anos, já se sentem esvaziadas de esperanças diante de promessas e compromissos dos que detêm o poder de equacionar e solucionar seus problemas.

Enquanto o Planalto e a Câmara dos Deputados comemoravam a aprovação da reforma tributária em dois turnos, em que aguerridamente se posicionaram os parlamentares sob interesses vários, o Senado se preparava para avaliar o texto recebido, que inevitavelmente envolveria a vida do país ,evidentemente influenciando todos os setores.

O cidadão sente na mesa, no posto de saúde, nos balcões das mercearias, nas farmácias, na quitação da mensalidade dos alugueis, na preparação dos filhos para a jornada escolar, no transporte para ou do cotidiano trabalho, em toda e qualquer atividade do dia a dia, imensas dificuldades para se haver bem e dignamente. E sabe, em contrapartida, que existem milhares de pessoas e grupos exatamente agindo em sentido contrário, procurando formas e fórmulas novas para ludibriá-lo, furtá-lo e roubar-lhe o duramente conquistado.

Em tudo e por cima de tudo, constata-se a ação insuficiente, repetidamente incompetente do poder público, enquanto a corrupção perpassa silenciosa nos negócios, os milicianos de todos os estados e grandes capitais, com essa classificação ou outra qualquer, ganham prestígio e formam associações a despeito da fiscalização.

Atravessa a nação um período difícil como nação, aquele espaço de tempo em que as pessoas desconfiam ou perdem confiança nas autoridades. A reforma prioritária aprovada na Casa Baixa do Congresso é um passo importante, mas exigirá mais paciência e capacidade de sobrevivência para ponderáveis segmentos da população. Esta não pode ser esquecida, além do que paciência tem prazo de validade.

No entanto, parece não haver pressa, porque as circunstâncias são adversas. Agora, entraram em férias os nobres parlamentares que preferirão descansar em suas áreas eleitorais. Pensando, inclusive, que 2024 é tempo de nova disputa nas urnas. Que se faça como manda a lei e mais interessar ao Brasil e sua em grande parcela de sofrida população.

* Jornalista montes-clarense , escritor e membro da Academia Mineira de Letras


86802
Por Manoel Hygino - 19/7/2023 08:01:02
Escritor tem vez

Manoel Hygino

Ao terminar seu mandato, sendo dois consecutivos, na Academia Mineira de Letras, o jornalista e escritor Rogério Vasconcelos Faria Tavares, deixou extensa herança ao sucessor, escritor Jacyntho Lins Brandão.

A partir deste 2023, ficou estabelecido que se dará cumprimento à decisão de agraciar, a cada ano, livro publicado em primeira edição, ao longo dos doze meses do calendário.
O candidato ao Prêmio tem de ser natural do Estado de Minas Gerais ou estar nele radicado há mais de 5 anos.

“O Prêmio Academia Mineira de Letras pretende somar-se aos já existentes em Minas e no país. A Academia entende ser importante valorizar os autores daqui, até por ser uma instituição que atua no âmbito do Estado”, comenta o presidente da AML, Jacyntho Lins Brandão.

O Prêmio será concedido tanto ao autor quanto à editora, como sublinha em comunicado o novo presidente, que também informa o valor: de R$ 60 mil para o escritor e de 40 mil para a casa publicadora.

Trata assim, como se vê, de uma herança bendita, que fará os autores sempre se lembrarem do Rogério Faria Tavares, que deixou uma porta aberta àqueles que por aqui se dão ao mister de escrever. Um estímulo, inclusive para os que começam a carreira e quase sempre encontram portas fechadas e dificuldades de toda natureza.

Por sua valia, é que redijo estas linhas, de quem ao longo da vida sempre encontrou barreiras, dificuldades ou pouco interesse pela divulgação de seu trabalho, mui repetidamente de difícil consecução.

No respectivo regulamento, prevê que a escolha do felizardo se fará por Comissão Julgadora, formada pelo Secretário Geral da Academia, a quem cabe à presidência, mais seis acadêmicos indicados pelo Presidente. Neste primeiro ano, os integrantes já foram escolhidos: J. D. Vital, Ângelo Oswaldo, Humberto Werneck, Luís Giffoni, Maria Antonieta Cunha, Maria Esther Maciel, Olavo Romano e Wander Melo Miranda. A Comissão recebeu de acadêmicos da instituição (até 30 de junho), sugestões de obras já publicadas entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2022.

As regras do jogo já estão definidas, portanto. Agora é dar as cartas. Um pormenor está fixado desde este princípio. O Prêmio não poderá ser concedido à obra do autor ou editora de propriedade de membros da Academia ou de seus parentes em linha reta, natural ou por afinidade até o terceiro grau.

Resumindo: é uma bela oportunidade que se oferece. Não se admitem falcatruas, que não passam pela porta do Palacete Borges da Costa, sede da centenária entidade.




Selecione o Cronista abaixo:
Avay Miranda
Iara Tribuzi
Iara Tribuzzi
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Alberto Sena
Augusto Vieira
Avay Miranda
Carmen Netto
Dário Cotrim
Dário Teixeira Cotrim
Davidson Caldeira
Edes Barbosa
Efemérides - Nelson Vianna
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Flavio Pinto
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Haroldo Santos
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