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montesclaros.com - Ano 25 - quarta-feira, 19 de junho de 2024

M. Claros perdeu neste sábado, aos 80 anos, a alegria e a criatividade do cantador Téo Azevedo, patrono das artes populares regionais, em especial de Alto Belo, sua terra, onde será sepultado. Minas emitiu nota de lamento

Sábado 11/05/24 - 8h26

M. Claros perdeu nesta manhã, aos 80 anos, a alegria, a criatividade e o mecenato do cantor Teo Azevedo, patrono informal das artes populares do Norte de Minas, em especial da região de Alto Belo, onde nasceu em 2 de julho de 1943 e onde será sepultado neste domingo.

Teo Azevedo, também repentista, teve intensa vivência nos meios artísticos brasileiros e trouxe grandes nomes da música nacional à sua região, nas últimas décadas.

Vinha internado há semanas, num quadro de insuficiência hepática, depois encefalite.

Deixa viúva a última filha do também poeta e seresteiro João Chaves, Lola Chaves.

MINAS

À tarde, o governo de Minas emitiu a seguinte nota oficial:


O governador Romeu Zema lamenta a morte do artista mineiro Téo Azevedo, aos 80 anos, neste sábado (11/5), em Montes Claros, Norte do estado.

Cantor, compositor, músico e escritor, Teófilo de Azevedo Filho nasceu em Alto Belo, distrito de Bocaiúva, e de lá ganhou o mundo levando a música de raiz. Foram mais de 2,5 mil gravações, além de parcerias com diversos ícones da música popular brasileira, como Luiz Gonzaga, Zé Ramalho, entre outros.

Ele também realizou trabalhos em parceria com a Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), que concedeu a ele o título de Doutor Honoris Causa em 2023.

O Governo de Minas se solidariza com familiares, amigos e admiradores de Téo Azevedo.

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Luto na cultura popular: compositor Téo Azevedo morre aos 80 anos

Artista, natural de Norte de Minas, é considerado o compositor brasileiro com mais músicas gravadas. Corpo será velado na tarde deste sábado (11/5)
Luiz Ribeiro

A cultura brasileira está de luto. Morreu aos 80 anos, na madrugada deste sábado (11/5), em Montes Claros, no Norte de Minas, o compositor, cantor e escritor Téo Azevedo, considerado uma das maiores expressões da cultura popular do pais.

Ele tem mais de 2,5 mil músicas gravadas, cerca de 3 mil trabalhos e 1 mil histórias de cordel escritas, além de 12 livros lançados. Téo também se notabilizou pela luta em defesa da “música de raiz” e da natureza, tendo levantando a voz pela preservação do pequizeiro, o fruto símbolo do Cerrado.

O artista estava internado no Hospital Dilson Godinho e morreu em decorrência de uma encefalite (inflamação no cérebro), segundo a família. O corpo será velado no Memorial da Santa Casa de Montes Claros, de 12 às 15 horas deste sábado.

Em seguida, o corpo será traslado para o Distrito de Alto Belo, no município de Bocaiuva (na mesma região), terra do compositor, onde será sepultado ás 16 horas de amanhã, no Memorial Téo Azevedo.

Ele é considerado o compositor brasileiro com maior quantidade de músicas gravadas. Entre os cantores que gravaram as suas criações estão Sérgio Reis, Milionário & José Rico, Zé Ramalho, Genival Lacerda, Zeca Pagodinho, Jair Rodrigues, Pena Branca & Xavantinho, Tonico & Tinoco, Caju & Castanha e dupla Cristian & Ralf.

Além de construir a própria trajetória, Téo produziu dezenas de discos e levou aos estúdios de gravação centenas de cantores e compositores. Conviveu e firmou parcerias com Sérgio Reis, Zé Ramalho e Luiz Gonzaga, entre outros. Em 2013, ganhou o cobiçado prêmio Grammy Latino com “Salve Gonzagão – 100 anos”, na categoria melhor álbum de raiz.

Em 1997, graças ao produtor e músico americano Michael Grossman, que conheceu quando fazia um programa na Rádio Atual, em São Paulo, Téo se aproximou de Bobby Keys, saxofonista da banda Rolling Stones.

O mineiro fez uma composição em homenagem ao saxofonista, “For Bobby Keys (Music and life)”, que entrou em um disco de Keys, em versão de Michael Grossman. A gravação foi patrocinada por Ronnie Wood, guitarrista dos Stones.

“Uma perda imensa para a cultura brasileira e mineira”, afirma o Violeiro, compositor e cantador mineiro Chico Lobo, de quem Téo Azevedo era grande amigo. "Fui pego de surpresa pela notícia. Sempre foi uma referência para a minha carreira”, afirma.


“Desde os anos 1980, quando cheguei em Belo Horizonte e pude assistir às suas apresentações, me tornei amigo e pude ir aos encontros que ele realizava de folias de Alto Belo, sua terra natal. Pude levá-lo várias vezes no meu programa. Foi responsável por lançar vários artistas e trabalhos diferentes. Descobriu Zé Coco do Riachão. É uma perda muito grande, mas que tem certeza da missão que foi cumprida com muita força e muita resistência. A música dele é eterna em nossos corações", descreve Lobo.

O compositor Tino Gomes, também mineiro (de Montes Claros), foi outro que lamentou a morte de Téo Azevedo. “Hoje partiu para os planos celestiais, no toque da viola, um dos maiores defensores da cultura popular desse pais, ao qual nos todos devemos reverenciar: Téo Azevedo. Ele foi um lutador pela nossa cultura, nosso povo catrumano”, declarou Tino Gomes.



“Téo produziu mais de 500 discos, inclusive o meu. Ele produziu mais de mil livretos de literatura de cordel. (Foi) um poeta e batalhador incansável da nossa cultura. A cultura popular do Brasil fica entristecida, fica mais pobre com a perda desse grande amigo, desse parceiro, com quem eu tive a honra de dividir uma musica só em 50 anos de amizade, que é ´Meu Jeito Catrumano´. Téo Azevedo deixa um legado imenso para essa geração que, por vezes, não sabe nem o que é o que gente está falando da cultura popular, devido a grande mídia não propagá-la tanta”, afirmou o cantor e compositor.

“Saiba, Téo, que nós continuaremos aqui firmes, resistindo trincheirados pela resistência da cultura popular desse pais. A luta continua. Um beijo meu querido, que Deus te receba na paz e na luz”, declarou Tino Gomes.

Doutor Honoris Causa


A Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) divulgou nota de pesar pelo falecimento do cantor, compositor e escritor Téo Azevedo. Na nota, a Unimontes lembra que por meio da Resolução do seu Conselho Universitário, assinada e publicada em 26 de julho do ano passado, foi aprovada a concessão do Título de Doutor Honoris Causa da instituição a Téo Azevedo "pelo seu valioso trabalho em prol da valorização e difusão da cultura, da arte e do conhecimento, especialmente, das nossas tradições, como a Folia de Reis".

O governador Romeu Zema lamentou a morte de Téo Azevedo. Nota oficial diz que "o Governo de Minas se solidariza com familiares, amigos e admiradores de Téo Azevedo."

A Prefeitura de Montes Claros também divulgou nota, lamentando a morte do compositor, ícone da cultura popular. "A Prefeitura de Montes Claros solidariza com a família do cantador e compositor Teo Azevedo. Emudece neste 11 de maio, aquele que dedilhava a viola e era considerado um defensor das últimas trincheiras da cultura popular de resistência do Brasil com "s" que tinha o costume de falar. Téo Azevedo era considerado um Menestrel Sertanejo que, por meio da sua arte, espraiou a cultura norte-mineira por este mundo afora, em milhares de canções e dezenas de livros", diz o texto.





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