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montesclaros.com - Ano 23 - sexta-feira, 9 de junho de 2023


Maria Ribeiro Pires    [email protected]
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Por Maria Ribeiro Pires - 18/3/2019 16:29:57

Voc sabe cantar o Hino Nacional?

Maria Ribeiro Pires

Muita gente importante, ocupando altos cargos no sabe cantar o hino nacional por no ter aprendido na escola. Aqui, neste pequeno retrato em frente ao prdio do Ginsio Municipal de Montes Claros est a prova de nossa educao escolar. No havia filmadora na poca e nem foi preciso a licena de nossos pais para que fossemos retratados. Olhos fixos no rosto gentil da professora Dulce Sarmento sabamos pelo movimento de suas mos a hora em que seria iniciado o hino nacional. L estou eu no meio dos colegas. Enfileirados (na foto, primeira direita), boa postura, cantvamos com f e entusiasmo, olhando a bandeira verde e amarela hasteada no vo da janela principal do prdio. Depois, iramos para a sala de aula.
O professor Erclides resolveu nos ensinar o significado daquelas palavras mais difceis do hino. Palavras que havamos cantado com tal fora e patriotismo, mas que, realmente, no sabamos o seu significado. Aprendemos que as margens plcidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante (grito forte) de um povo heroico que queria a liberdade do Brasil. Sair do domnio de Portugal. Ver o sol da liberdade.
Era a Independncia de nossa Ptria. O penhor; isto , a garantia do brao forte que desafiava a prpria morte na busca da independncia. E a constelao do Cruzeiro do Sul que eu costumava ver nas noites estreladas l no cu velava por ns. Morvamos na Avenida Cel. Prates onde eu a via sempre. Fiquei mais sua amiga. As estrelas nos protegiam. A prpria natureza fazia o Brasil ser um Gigante no presente e no futuro. Cada vez mais eu sabia o motivo de ser minha terra a me to adorada. O que mais gostei foi aprender que o Brasil (fulgurava) quer dizer brilhava como um floro da Amrica. Floro, um enfeite lindo e grandioso. O Brasil pode ser este floro no s da Amrica como o do novo mundo. O smbolo do amor eterno est no lbaro estrelado a bandeira em que esto escritos os dizeres Paz e Progresso, significando Paz no futuro e Glria no passado.
De nosso poeta Gonalves Dias em Cano do Exlio, foram retirados e colocados no Hino Nacional os versos nossos bosques tm mais vida nossa vida em teu seio mais amores. A letra do hino foi escrita por Osrio Duque Estrada em estilo Parnasiano e a msica composta mais tarde por Francisco Manoel da Silva. O hino refora a afirmao de que se for necessrio o filho teu no foge luta, sem temor pois adora sua Ptria. Foi a aula mais linda do Professor Erclides. Aprendemos que sempre depois do nosso cntico coletivo de saudao ao Brasil, o pavilho verde louro respeitosamente era retirado e levado a um local de honra no escritrio do Diretor do Ginsio. A tudo assistimos compenetrados fazendo parte daquela cerimnia de amor Ptria. At hoje, sinto o santo orgulho de pertencer a esta terra forte, gentil e amada, mais amada do que qualquer nao do mundo cante, cante com alma cheia de entusiasmo nosso Hino Nacional. Salve o Brasil!

N. da Redao - Maria Ribeiro Pires e emrita professora de geraes de montes-clarenses, filha de Dona Vidinha e Luiz Pires, irm do mdico Luiz Pires e do ex-prefeito Simeo Ribeiro.


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Por Maria Ribeiro Pires - 1/6/2016 13:45:56
Dvida de gratido de Montes Claros e de todo o Norte de Minas De Minas

Por Maria Ribeiro Pires

H muita dvida com as Irms do Colgio Imaculada Conceio.
As moas ainda jovens saam de cidades pequenas ou de grandes fazendas e iam para o internato do Colgio das Irms em Montes Claros. Aprendiam francs, portugus, matemtica... mas acima de tudo aprendiam uma postura de civilidade, de organizao que levariam depois de formadas a sua terra natal . Eram professoras e ensinariam s crianas e adultos. Aprendiam a postura mesa de refeio, a maneira de cumprimentar e de comportarem-se em sala de visitas ou em salas de aulas. No s aprendiam as disciplinas do currculo escolar... Eram professoras e j crescidas, j moas feitas voltariam para as fazendas sendo arrimo para quem delas necessitassem. Importante a sua ajuda para a Parquia, para a Prefeitura. Era at um bom partido para um homem que ia se casar com uma professora formada no Colgio Imaculada em Montes Claros. Ensinavam msica, piano, pois haviam aprendido no Colgio a tocar, cantar, representar em peas teatrais e passavam a todos o que lhes havia sido ensinado com as Mestras.. Bendito Colgio! Desde os tempos das Irms belgas at o s dias de hoje. Educadas, formavam geraes. Se casadas, ensinavam aos filhos nova posturas frente ao Mundo.
Quem se lembra das Irms belgas, a Irm Canuta, Emili? E tantas outras? Vinham Irms da Blgica, mas outras eram brasileiras e traziam saudades e histrias de Araguari, de So Paulo. Irm Eloina nos contava histrias sobre o plantio do caf.
Irm Beata, Irm Malvina ficavam na Santa casa, mas outras Irms eram destinadas ao magistrio.
Com que carinho guardo a lembrana de Irm de Lourdes, sempre saudosa de Januria e do sol deitando seus raios de luzes sobre o Rio So Francisco
Agora, recebo uma notcia muito triste. Irm Dulce nos deixou. como se um pedao de nossa histria estivesse partido. S agora que percebemos o bem que fizeram conosco. Mesmo indo para centros maiores suas alunas cuidam-se de se reunir, mostrar fotos e contar fatos da vida escolar. A lembrana do Colgio indelvel.
Talvez Irm Dulce em sua delicadeza, sua generosidade nunca percebeu o quanto significou para ns o seu sorriso mesmo na gravidade de seus ensinamentos. Agora, fora dos portes do Colgio, fica aquela lembrana do que ela nos ensinou no catecismo de Jesus, e isto nos d a certeza de que hoje ela est na casa do Pai. Que de l ela nos abenoe.


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Por Maria Ribeiro Pires - 27/5/2015 17:08:42
Cantam sinos por mim, por voc, por todos ns! Boa viagem Susana!
Fui a sua casa acompanhando a amiga comum, Terezinha Collares. Como fui bem recebida! Era como se fosse uma antiga companheira que a fazia satisfeita com a visita. Gostei de voc imediatamente. Pediu-me que conseguisse do meu irmo Simeo Ribeiro Pires um livro O Padre e a Bala de Ouro. Fiz sua vontade. Simeo j estava de cama, passando mal e tenho certeza de que foi o ltimo autgrafo que ele deu ao escrever com dificuldade o seu nome. Entreguei-lhe o livro.
Agora os sinos dobram por Terezinha, por Simeo e por voc.
Ontem, li um poema que diz que um vegetal morreu e se transformou em um animal. Um animal morreu e se transformou em ser humano. O humano morreu e se transformou em anjo e pode voar. Boa viagem Susana!


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Por Maria Ribeiro Pires - 28/8/2014 10:57:15

Sou cronista do jornal e peo a publicao desta crnica numa homenagem ao aniversrio do querido Cndido Canela que seria neste Ms de agosto.

Cndido Canela na histria da imprensa de Montes Claros

Maria Ribeiro Pires


Todos de Montes Claros que conheceram Cndido Simes Canela devem sentir um orgulho misturado com remorso. Explico-me melhor. Orgulho porque ns tivemos um grande poeta que cantou nossa terra com humor, graa e talento Remorso, pois entre tantos escritores brasileiros no o celebramos com a justia que ele merece.

Afinal, celebrar para qu? Ele no suportaria. Cndido era esprita e sabia mais do que ningum que neste planeta chamado Terra s temos aquelas passagens insignificantes de louvores , adulaes e aborrecimentos. So to passageiros.... Ele deve estar no Reino que Jesus prometeu aos seus seguidores.

Tive a honra de freqentar a sua casa onde o encontrei muitas vezes, recostado em uma rede, debaixo de um caramancho de flores, ouvindo o canto de passarinhos soltos, livres.

Cndido contava-me sua vida.

L de dentro vinha o cheiro do caf de Laurinda. Ela trazia aqueles biscoitos gostosos e to apreciados. Ambiente de ternura e paz.Contavam-me rindo e fazendo graa como fora o seu casamento. Os pais da moa no queriam saber do noivo. Ento, eles fugiram e j com um padre avisado numa cidade vizinha, casaram-se. E pronto! Nunca vi um casal to perfeito e harmonioso Como devem ter orgulho de Cndido e Laurinda os filhos, netos, sobrinhos, a descendncia toda! At eu! Cndido me dizia: gosto de sua famlia, de seus pais, irmos, mas voc especial, Maria. Eu j a encontrei muitas vezes nas minhas vidas.

Acredite quem puder crer. Seus filhos, dignos filhos de um dos melhores casais que j conheci: Reivaldo, Reinins, Reinilson, Reinice e Reinilde. Quantos parentes e amigos daquela poca j se foram encontrar com ele no paraso dos mansos e humildes de corao?

Cndido fez o curso Primrio em Montes Claros, diplomando-se na Escola Normal em 1929. Exerceu vrias profisses, tais como comercirio e empregado de escritrio. Foi escrevente de cartrio por vrios anos e depois nomeado Tabelio do 1. Ofcio. Eleito e reeleito vereador Cmara Municipal de Montes Claros teve sempre a atitude corajosa, fartamente elogiada pelo povo .O nosso pequizeiro,Ah! Quem de Montes Claros sabe o que comer arroz com carne de sol e pequi. Uma delcia! Foi por sua insistncia como vereador, que Cndido tornou intocvel o pequizeiro . Sagrado. rvore preservada. E h aqueles pobres ignorantes que ainda tm a coragem de abater a rvore para fazerem carvo. Faz pena. d. O pequi a carne do pobre, o bom da cozinha de minha terra e o produto do maravilhoso licor de pequi! Nesta poca do ano minha terra cheira a pequi. Bom, quem gosta, ama, quem no gosta deixa pr l.

Cndido foi contista, cronista e poeta, filiado escola de Catulo da Paixo Cearense, escrevendo pgina de humor, lirismo e meiguice...

Vejam esta trova:

Criana, bem comparando
Num pensamento profundo
leno branco enxugando
O velho pranto do mundo

Um dia, um viajante deu-lhe um recorte de jornal onde estava impressa uma trova. Sem autor.
Veja, Cndido, voc que gosta disto. Trouxe-lhe de lembrana.

Cndido leu e devolveu o papel rasgado . boa sim...Era dele a trova. Ficou por isto mesmo...
Cndido Canela era culto, normalista e tinha orgulho do francs que aprendera com o Padre Eugnio na Escola Normal de Montes .

Quem j morou em Montes Claros sabe que naquele tempo s havia um jornal. Gazeta do Norte, dirigido por Jair de Oliveira. O povo no lia muito e o jornal j estava em perigo de se acabar, no fosse a idia salvadora de Jair e Cndido.

Criaram uma personagem fantstica chamada Espiridio de Santa Cruz.
Espiridio teria sado de Montes Claros e quem sabe o motivo? Talvez um amor impossvel e fora embora para morar em So Paulo.

Entretanto, lembrava-se com saudade de sua terra.Comeou a escrever semanalmente para a Gazeta do Norte. O alvoroo das notcias saudosas de Espiridio Santa Cruz fez com que toda gente lesse o jornal, pois falava com detalhes de coisas curiosas e que ningum queria se esquecer, Por exemplo, ele se referia Bila, aquela artista em fazer doce de leite seco em forma galinha. Quem no se lembra?E Dona Antnia com sua gelia de mocot feita com rapadura?

Como se esquecer da elegncia de Dulce Sarmento, da pintura de Dona Alzira Cruz? O encanto de pessoa que era Felicidade Tupinamb?, Gente importante ou populares desfilavam com seus casos na pena de Espiridio.Um vizinho de jornal na mo dizia para o outro: Veja aqui como aconteceu o causo que te falei! Esse Espiridio sabe de tudo!

E sabia de tudo mesmo o danado do Cndido! Fez a vida literria, histrica e buclica , de Montes Claros. . O resultado foi fantstico!. Um falatrio do povo que fazia fila para comprar a Gazeta e ler as carta de Espiridio. A Gazeta do Norte vendia a mais no poder. Dono de uma memria prodigiosa, Cndido, unia a pesquisa bem feita aos sentimentos mais bonitos da comunidade. Era o orgulho do sertanejo, o amor por sua regio, seu clima quente, seus doces e pratos preferidos, seus acontecimentos simples e corriqueiros, mas que espelhavam a alma em que o montesclarence se mira com orgulho e prazer, Cndido vestiu o Espiridio com as roupagens de um homem mais velho que escrevia cheio de saudades de nossa gente em estilo elegante e puro. Cndido deixava de lado suas caractersticas, tomadas de Catulo da Paixo Cearense e escrevia sonetos clssicos.

tal a riqueza da alma humana que aqui neste soneto, vem a pergunta: Cndido jovem inquieto e satrico absorveu ou no o esprito de Espiridio Santa Cruz?

Montes Claros

Autor Cndido Canela - Pseudnimo Espiridio Santa Cruz

Tu s minha vida, meu passado.
O meu presente, o meu final futuro;
s meu bero de flores perfumado,
Hera viosa do meu triste muro...
s meu sonho de velho apaixonado.
A noiva eterna a quem amores juro,
A glria deste filho desterrado
O cu de estrelas do meu mundo escuro...
s da velhice a minha mocidade,
Meu pensamento a remoer saudade
De tuas plagas que tanto venero...
Eu te confesso, terra exuberante,
Que cada hora que passa, cada instante.
Mais te adoro, muito mais te quero!

Escrevia sobre as cavalhadas na praa da Matriz, onde os cristos e mouros em soberbas montarias lutavam disputando a princesa

E as festas de congado, fitas coloridas dos catops que estendiam as ponta da fita aos coronis, dizendo; Botiza aqui, Coron. ! E uma nota era pregada .... Tudo detalhadamente contado, o sino repicando na Igreja do Rosrio. Ah, ms de agosto com o Mestre Sabino... Como brilhavam seus capacetes de espelhos ao sol do serto!. Suas danas, cantorias, sapateados, a bandeira do Mestre, louvando o santo do dia, comandantes com dragonas de pingentes dourados,danarinos e as gentes que se juntavam e comiam p- de -moleque e pipoca e soltavam foguetes. A poeira dourada subia no ar, mas a procisso feliz l ia cantando, vibrando at casa do padrinho da festa, escolhido com antecedncia de um ano.Eram os pais da rainha, do rei ou os pais do imperador que ofereciam aos danantes um almoo farto e gostoso! E pandeiro que bate, que vibra, gritando por Nossa Senhora, So Benedito e o Esprito Santo.!

Deus te salve Casa Santa onde Deus fez a morada onde moram o Clice Bento e a Hstia Consagrada!..

Quando subia a bandeira do Santo do dia era uma apoteose!

Foguete por todo lado, de estourar os ouvidos,

Atravs da Gazeta do Norte, Cndido fazia Espiridio lembrar-se de tudo com as mincias que s um observador atento e coevo poderia ter conhecido

E intrigava a elite intelectual da cidade e o povo que ficava atnito com seus comentrios
No h duvidas de que alguns homens afirmavam ser verdade a histria do Espiridio! Pois no que Marciano Fogueteiro afirmava ter tido um encontro meio violento com Espiridio na mal afamada rua dos Maribondos? A briga entre os jovens fora to feia que o Marciano mostrava a marca de um tiro no brao, provocado pelo cime de Espiridio. Outros diziam terem sido colegas de Grupo de Espiridio. Ele tinha morado mesmo em Montes Claros.

Tudo isto me foi contado por Cndido Canela.

Outros, como o Joo Felix [duvidava, quando algum dizia que aquilo era brincadeira de Cndido, pois retrucava prontamente : isto no! Cndido? No possvel! Ele uma besta!. Ele nunca seria capaz de escrever cartas e poemas to bonitos.

Era preciso fazer as honras num grande almoo oferecido em casa de Fina e Dr. Hermes de Paula. Espiridio seria recebido com banda de msica e foguetes. Festa anunciada, almoo pronto e cad Espiridio? Um telegrama chegou a tempo com a notcia da doena do homenageado.

O prefeito Dr Alfeu e o desembargador Dr. Laire arrumaram as malas para visitar o ilustre conterrneo. Tinham at o endereo.

Rua Tatuap, no. 115.So Paulo. Malas prontas e desta vez ... tristes notcias. Ms notcias. A chegada de uma carta do filho de Espiridio decepcionava todo mundo. Espiridio tinha que morrer da forma mais nobre possvel e comovente. O filho narrava emocionado as eternas saudades que o pai sentira de Montes Claros e de seus amigos.

Cndido fundou comigo e com outros sete escritores a Academia Montesclarense de Letras. S ele, o maior de todos ns, no esteve presente na reunio pois,- como ele dizia,- sua neurose no o permitia sair. Realmente, era de receber com carinho os amigos , mas nunca fazia visitas.

Para algum que lhe perguntou se o sobrenome Canela vinha de ilustre famlia italiana, ele respondeu prontamente: no, no... que meu av tinha as pernas finas e ganhou o apelido de Canela. Ficou na famlia.

Cndido est presente na histria de Montes Claros em todas manifestaes de cultura. Foi o grande jornalista da Gazeta do Norte e radialista da ZYD-7 com a A alma do Caboclo. Mesmo quem no tinha rdio podia escut-lo pelos altos falantes que percorriam as ruas da cidade.
Inegavelmente, parte de sua obra literria traz a influncia de Catulo de Paixo Cearense em Lrica e Humor da Serto! E Rebenta Boi. No dizer do Historiador Nelson Viana em ambos os livros trescala o olor campesino das manhs de sol ou se destaca a melancolia dos poentes enevoados, entristecidos pelo aboio dos vaqueiros.

Entretanto, por trs de toda essa poesia estava o esprito meigo, inquieto, crtico de Cndido, captando a simplicidade da gente tabaroa que, apesar de sua aparente inocncia, guarda uma boa dose de esperteza, o que no deixa de conter a gargalhada franca do leitor ao ler os inspirados versos de Cndido.

para rir estes versos:

Mio cozido

Seu douto Marco Alixandre
Moo chique, talentoso
Um dia foi c`umas moas
Na casa de Z Meloso.
No caf do meio dia.
Na mesa Cumadre Chica,
Botou uma travessa cheia
Int nas bera, de cangica.

Seu dout, fazendo beio
Disse s moas cunvencido
Francamente, que num topo
O tal de milho cozido...

Z Meloso dilicado
Pro doto se adiscurpou:
-S vanc se aconformando,
Que o mio cru se acabou...


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Por Maria Ribeiro Pires - 31/10/2013 14:14:21

Aps ler os comentrios sobre o 6 de fevereiro de 1930, no posso deixar de dar o meu depoimento:
Conheci o Senador Melo Viana em Poos de Caldas no Place Hotel
Elegante, amvel . Foi ele quem me procurou para conversar, depois de brincar com o meu filho que mal dava os primeiros passos. Ao me perguntar qual a minha cidade, respondi: Se o Senhor soubesse, talvez no quisesse brincar novamente com meu filho. Sou de Montes Claros
Eu conhecia a histria to comentada em nossa casa O Barulho de 6 de fevereiro
- Engano seu minha senhora, alis, posso de cham-la de voc. Poderia ser minha filha ou minha neta...
Contou-me sua verso dos acontecimentos que tanto abalaram nossa cidade.
Joo Alves e eu ramos mulos, estudantes do Caraa. Carteiras unidas, camas juntas e de acordo com a pedagogia dos padres ramos unidos, mas de certa forma competidores. Tnhamos que competir em notas , comportamento e tudo o mais que o Colgio exigia.Afinal, ficamos mais do que irmos. ramos muito amigos. Adultos , a vida nos separou. Sempre tive vontade de rev-lo. Quando j na Vice-Presidncia da Repblica, fui encarregado de ir a Montes Claros, fiz uma nica exigncia. Quero ver meu amigo. Quero cumpriment-lo. Por esse motivo, a comitiva mudou o percurso , passando em frente a casa de Joo Alves. Eu o vi, passeando na calada de sua casa. Tirei o meu chapu para saud-lo. Comearam os tiros. Uma bala passou raspando o meu pescoo. No entendi na hora e at hoje no sei o que causou tanto pnico. A comitiva voltou comigo.
O Senador havia passado a mo na nuca, mostrando-me uma pequena cicatriz.
Mineira desconfiada, pensei que o Senador no nos procuraria mais. Que engano! hora do jantar, msica de piano de cauda, sua mulher desfilava com seus amigos com vestes lindas e ofuscantes brilhantes. O Senador se desviava e vinha para meu espanto mesa que ocupvamos para me cumprimentar.
Este fato se deu no final do ano de 1951.


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Por Maria Ribeiro Pires - 7/11/2011 16:12:14
(...) Estou enviando uma pesquisa que fiz sobre Aracy de Carvalho,casada com Joo Guimares Rosa. Irei apresentar este texto na Academia Arcdia de Minas Gerais, na prxima quarta feira. Aracy de Carvalho, a JUSTA - Maria Ribeiro Pires
Baseio estas palavras no livro "JUSTA - Aracy de Carvalho e o resgate de judeus, trocando a Alemanha nazista pelo Brasil". o resultado de grande pesquisa feita pela historiadora Mnica Raisa Schpun, fruto de depoimentos e entrevistas. A autora doutora em Histria pela Universidade de Paris com ps-doutorado na Universidade de Milo. Ela relata a grande amizade entre as duas mulheres, Aracy de Carvalho e Margarethe Levy, aproximadas pela tragdia da poca. Aracy de Carvalho, brasileira, filha de pai portugus e me alem, nasceu em Rio Negro, Estado do Paran. Depois, viria morar em So Paulo. Recm-separada do marido embarcou em cinco de maro de 1934 no navio Monte Pascoal com o filho de cinco anos Eduardo Tess, com destino a Hamburgo. Aracy passou a viver algum tempo em Hamburgo com uma tia alem irm de sua me. Um dos seus primeiros desejos foi comprar um carro e aprender a dirigir. Dominando perfeitamente o francs e o alemo, conseguiu trabalhar no consulado brasileiro, onde quatro anos depois conheceu o cnsul adjunto Joo Guimares Rosa, com quem teria uma ligao amorosa e uma vida conjugal at a morte do escritor. Casaram-se no Mxico. Maria Margarethe Bertel Levy, nasceu em Hamburgo e tinha 97 anos quando deu essas informaes a autora deste livro. Estava lcida e falando um excelente francs. Filha de me russa e pai polons, Margarethe foi casada com o dentista Hugo Levy. O casal decidiu no ter filhos e levava uma vida sofisticada, viajando muito. Ela era rica, falava sete idiomas, cosmopolita e integrante da elite de Hamburgo. Ambos eram judeus no praticantes, liberais e seu marido atendia a todos em seu gabinete dentrio, em pleno corao de Hamburgo, sendo alemes ou judeus. O casal foi considerado como membro de "raa inferior" pelos nazistas e decidiu sair da Alemanha para o Brasil. Com o aumento das atividades anti-semitas com os judeus, apresentadas por Hitler em Nuremberg no congresso do Partido Nazista em setembro de 1935, Margarethe e Hugo Levy apresentaram-se ao consulado Brasileiro de Hamburgo, solicitando vistos para o Brasil. Assim, conheceram Aracy, chefe do setor de passaporte. Is to foi conseguido com dificuldades e realmente conseguiram partir para So Paulo em 1938. Como era diferente a vida das duas - Margarethe, mulher de grande riqueza e Aracy trabalhando e cuidando do filho. Em meio a tantos obstculos aconteceu uma grande amizade entre as duas, o que as uniria por toda a vida. Como no caso de Margarethe e Hugo, Aracy conseguiu a concesso de vistos para centenas de judeus, correndo srios riscos de ser demitida e entregue Gestapo. Pelo ato de coragem, compaixo e solidariedade, salvando a vida de inmeros judeus, Aracy de Carvalho foi homenageada em 1882, com o ttulo de "Justa entre as Naes" concedido pelo Museu do Holocausto de Jerusalm. No dia 28 de abril de 1982, ela j estava em So Paulo e, comovida, recebeu a medalha do Holocausto. Dentre os 20 mil "Justos" reconhecidos, 30 eram diplomatas em postos na Europa nazista. Desses trinta, dois so brasileiros e uma nica mulher, Aracy de Carvalho. O outro Luiz Martins de Souza Dantas, ex-embaixador do Brasil em Paris. Aracy deu uma entrevista ao jornal Resenha Judaica por ocasio de seus 80 anos. Sua nora, Beatriz, estava ao seu lado e contou um fato que teria ouvido da boca de sua sogra. Trata-se de uma viagem que Aracy teria feito Dinamarca, levando judeus em seu carro. Na fronteira, a polcia alem quis revistar o carro, mas Aracy resistiu, levantando a voz e invocando a imunidade que sua placa consular lhe proporcionava. Aracy reafirmou depois: "no s lhe procurei conceder-lhes os vistos, como escondi alguns em minha casa e at no porta-malas do carro para atravessar a fronteira". O mistrio permanece. Por que ir Dinamarca? Talvez para levar dinheiro para o exterior. Parece que, nessa poca, Hugo corria srio perigo e ficou algum tempo escondido em casa de Aracy. As providncias para os vistos exigiam quinhentos contos de ris ao Brasil, para a assinatura prvia da autorizao de desembarque, j que o casal fora considerado "capitalista" e Aracy desejava o visto permanente e no o de turista. Segundo Margarethe, o casal j tinha tirado seu capital da Alemanha. Ela comprara um carro novo e nova aparelhagem para o servio de dentista do marido. Era necessria uma verdadeira manobra financeira para fugir do controle dos nazistas. A soluo, segundo Margarethe conta, foi dada por Aracy que enviou a carta pelo correio diplomtico, driblando a censura alem. Sempre discreta e nunca recebendo presentes ou pagamentos dos judeus que ajudara em suas atividades, Aracy disse em uma de suas poucas entrevistas a respeito: "Nunca tive medo, quem tinha medo era Joozinho. Ele dizia que eu exagerava, que estava pondo em risco a mim e a toda famlia, mas no se metia muito e me deixava ir fazendo". Alis, Joo Guimares Rosa afirmava que tinha pena e gostaria de salvar a vida dos miserveis judeus. So palavras de Aracy: "O Joozinho, claro, atendia a todos os pedidos de boa vontade. Ele sempre dizia "Se eu no lhes der o visto, essa gente acabar morrendo e a vou ter um peso na minha conscincia." Este livro retrata em riqussimos detalhes o cenrio com contexto histrico e social em que se misturam os primeiros anos do Terceiro Reich e a poltica restritiva imposta por Getlio Vargas sobre a entrada de judeus no Brasil. Estimulada pelo Livro"Justa", procurei compreender melhor a tragdia sofrida pelos judeus na poca nazista. Fiz pesquisas sobre a chamada "Noite de Cristal". Aprendi: nas noites de 9 e 10 de novembro de 1938, numa manobra cuidadosamente orquestrada por Joseph Goebbels - o chefe da propaganda nazista por toda Alemanha e recm conquistados territrios da ustria e Checoslovquia, as populaes judaicas foram vtimas de atentados e ataques continuados nas ruas e em suas casas e nas sinagogas, naquela que seria a maior tragdia da histria. Pelo menos duas mil sinagogas e perto de oito mil lojas e escritrios foram incendiados. Mais de trinta mil judeus foram presos e enviados a campos de concentrao. Para os judeus alemes, as restries haviam comeado muito antes da "Noite de Cristal" e leis e medidas anti-judaicas eram j aplicadas h vrios meses. Entre as numerosas diretivas, os cidados judeus eram obrigados a declarar todos os bens, suas empresas e pequenas lojas ti nham de ser registradas e expressamente sinalizadas; os inquilinos judeus perderam todos os seus direitos legais; mdicos, advogados e professores judeus foram proibidos de exercer suas profisses. Todos os judeus alemes passaram a ser obrigados a possuir um passaporte especial, marcado com um "J" e um nome prprio foi acrescentado a cada judeu: "Israel" para os homens e "Sarah" para as mulheres. A "Noite de Cristal" foi uma bofetada no rosto da Humanidade, como lhe chamou Elie Wiesel. Mas o mundo ignorou os sinais e voltou o rosto. O Holocausto estava porta. O termo "Justo entre as Naes" existe desde 1953 e dado a no judeus que se arriscaram para salvar judeus durante o genocdio nazista. O termo "Justo entre as Naes" a traduo de uma expresso hebraica de origem rabnica referente aos no judeus que acreditavam em Deus e exprimiam uma atitude amigvel em relao ao povo de Israel. Mesmo aps as dificuldades da sada da Alemanha para o Brasil, ainda havia o problema do visto temporrio de trs meses - vistos de turistas. Passado esse tempo, os portadores eram tratados como clandestinos. Isto implicava em diversas dificuldades de ordem prtica, como o trabalho. Os judeus no eram afeitos agricultura. Eram urbanos. Alm disto, Aracy ainda ajudou a resolver problemas de ordem financeira para os seus amigos judeus. Ela mesma trouxe, em um saco, jias e pertences e conseguiu com amigos da aduaneira que o casal Levy fosse menos importunado ao desembarcar no Brasil. Coisas estranhas acontecem. Um alemo levou em Hamburgo ao consultrio dentrio de Hugo Levy a notcia de que se apressassem, pois o perigo estava prestes a desabar sobre eles. A explicao que Margarethe d para esse procedimento que a me de Hugo tinha dado o seio ao alemo quando ele nascera. Conta ainda que os seus cabelos foram tingidos e que, felizmente, tinha o nariz pequeno ao contrrio do que caracterizava o rosto dos judeus de nariz adunco. Madame Levy repetia esta histria diversas vezes, plenamente convencida de que seu novo aspecto fsico tinha sido uma defesa importante. Margarethe diz que sua me demorara em uma viagem Polnia e em seu retorno fora assassinada. O celebrado mdico e escritor Joo Guimares Rosa, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras a seis de agosto de 1963, sendo recebido por Afonso Arinos de Melo Franco em 16 de novembro de 1967. Guimares Rosa faleceu trs dias depois, em 19 de novembro de 1967. Sempre discreta, Aracy de Carvalho no se preocupou com toiletes para posse do seu famoso marido nas lides literrias, como membro imortal da Academia Brasileira de Letras. Por insistncia de Margarethe, Aracy usou um vestido preto e um colar de prolas. Depois do falecimento de Guimares Rosa, Aracy ainda viveu alguns anos em casa de seu filho e nora no Rio. No dia da morte do marido ela estava justamente assistindo uma missa na Igreja de Nossa Senhora de Copacabana. Sua vida tornou-se silenciosa, discreta e cercada por amigos reconhecidos. Aracy morreu aos 102 anos em trs de maro deste ano de 2011, poucos dias depois da morte de sua amiga Margarethe. Ela sofria de Mal de Alzhimer. Guimares Rosa dedicou-lhe o seu livro "Grandes Sertes Veredas", escrito em 1956. Diz assim a dedicatria: " Aracy, minha mulher Ara, pertence este livro". Aracy deixou quatro netos e oito bisnetos Perdo, Aracy no morreu. Ficou encantada como dizia Joo Guimares Rosa.




Selecione o Cronista abaixo:
Avay Miranda
Iara Tribuzi
Iara Tribuzzi
Ivana Ferrante Rebello
Manoel Hygino
Afonso Cludio
Alberto Sena
Augusto Vieira
Avay Miranda
Carmen Netto
Drio Cotrim
Drio Teixeira Cotrim
Davidson Caldeira
Edes Barbosa
Efemrides - Nelson Vianna
Enoque Alves
Flavio Pinto
Genival Tourinho
Gustavo Mameluque
Haroldo Lvio
Haroldo Santos
Haroldo Tourinho Filho
Hoje em Dia
Iara Tribuzzi
Isaas
Isaias Caldeira
Isaas Caldeira Brant
Isaas Caldeira Veloso
Ivana Rebello
Joo Carlos Sobreira
Jorge Silveira
Jos Ponciano Neto
Jos Prates
Luiz Cunha Ortiga
Luiz de Paula
Manoel Hygino
Marcelo Eduardo Freitas
Marden Carvalho
Maria Luiza Silveira Teles
Maria Ribeiro Pires
Mrio Genival Tourinho
Oswaldo Antunes
Paulo Braga
Paulo Narciso
Petronio Braz
Raphael Reys
Raquel Chaves
Roberto Elsio
Ruth Tupinamb
Saulo
Ucho Ribeiro
Virginia de Paula
Waldyr Senna
Walter Abreu
Wanderlino Arruda
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