16/5/2013 - Delegado que apura desaparecimento da menina Emily, em Rio Pardo de Minas: "...tudo indica que foi coisa planejada e premeditada". O desaparecimento:
Dúvida eterna( ou quase) sobre Dona Tiburtina e Dr. João Alves No dia 06 de fevereiro de 1930, por volta das 23 horas, Dona Tiburtina e a então pequena e pacata Montes Claros entrariam para a história do Brasil, ao dar início a Revolução de 1930, que culminou com a posse de Getúlio Vargas como Presidente da Nova República. Naquela noite Montes Claros não mais seria conhecida apenas como grande entreposto de sal e gado, mas também como marco de uma “rebelião feminina” contra a sociedade patriarcal da época. Naquela noite, onde hoje temos construído o suntuoso Automóvel Clube de Montes Claros, o então Vice-presidente, Fernando Mello Viana, que visitava a cidade, foi supostamente atacado em um tiroteio, que envolveu as duas correntes políticas brasileiras da época, a concentração conservadora e a Aliança Liberal. Seis pessoas morreram, no primeiro de uma série de conflitos que culminou com o fim da República velha. Preservado no Departamento de Documentação da Universidade Estadual de Montes Claros consultamos e analisamos mais de 500 páginas resgatadas em 2002 do acervo do Fórum Gonçalves Chaves de Montes Claros. Na pesquisa importante da Prof.ª Fátima foram encontradas duas cartas relevantes: uma escrita por Abílio Coimbra, de Carangola, em 1939, comparando Tiburtina a Marília de Dirceu, por comandar o levante contra o governo; e outra de Angelita Figueiredo, de 1950, que salientava a sua liderança política e pedia a ela apoio para eleger o marido, Mário Augusto de Figueiredo, como Deputado mineiro representando a região de Capelinha, no Vale do Jequitinhonha. Dr. João Alves faleceu em 1934 e Tiburtina continuou “reinando” nos sertões de Montes Claros. Durante o meu trabalho de pesquisa no Departamento de Documentação da UNIMONTES referente ao Processo do suposto atentado de 1930 à Comitiva de Melo Viana em Montes Claros deparamos com um fato intrigante e que parece será uma dúvida histórica eterna. Vamos tentar explicar com calma. Todo o processo Criminal que se encontrava nos arquivos do Fórum Gonçalves Chaves foi remetido para o Departamento de Documentação da UNIMONTES. Aprofundando os estudos me dirigi aquele centro e solicitei o original dos autos. Grande surpresa. Os autos disponibilizados estão datilografados em Cópia dos autos manuscritos. Naquela época todo o processo era datilografado para cópia. Pesquisas preliminares em fac-símiles de jornais da época bem como narrativas de descendentes dos envolvidos demonstram que após a vitória da Revolução de 30 o Grupo de Dr. João Alves teria queimado os originais (manuscritos) de todo o processo . Na mesma época relata-se que a cópia datilografada foi “ escondida” nos arquivos do Fórum Gonçalves Chaves. A grande dúvida que parece nunca será decifrada é a seguinte: Todos os estudos se baseiam nas cópias. O depoimento de Dona Tiburtina a que tive acesso bem como os outros pesquisadores são datilografados. Seria a cópia datilografada uma “ transcrição real” dos dizeres de Tiburtina perante o Delegado Especial ?. Na cópia datilografada Dona Tiburtina apenas faz referências a arrumação dos quartos para os hóspedes e que na Cidade havia um grande número de Jagunços. Já no depoimento de Dr. João Alves o mesmo se defende das acusações: “ Minhas filhas estavam em casa. Jamais daria início a um tiroteio. Posicionei alguns homens para o caso de alguma eventualidade”. Pelo descrito esta dúvida permanecerá “ ad eternum”. Segundo ainda algumas últimas poucas fontes procuradas, o neto do Jagunço “ Zé Ferrador”, que prefere manter-se em sigilo e preservamos a fonte; todo atentado à Comitiva foi preparado e articulado no fogão de lenha da Cozinha de Dr. João Alves e Tiburtina. O Certo é que o episódio de fevereiro de 1930 mostrou o equilíbrio de forças antagônicas em Montes Claros ambas com aspectos conservadores e Coronelistas sendo que a força encabeçada por Tiburtina e João Alves se alinharam ao Governo Vargas e talvez, por isto, o incêndio dos Originais dos inquéritos, jamais sejam investigados. Seria possível investigar um atentado cometido em 1930 ?. Continua ainda a dúvida da época: Quem teria dado o primeiro tiro ? Os jagunços encastelados na Residência de Dr. João Alves ou os próprios jagunços da Comitiva Oficial de Melo Viana ? De onde partiu o primeiro tiro. O Certo é também que , propositadamente, ao desviarem o roteiro Oficial, da Praça da Estação em direção ao centro para a esquerda ( atual Rua Dom João Pimenta) em direção a Residência de João Alves, a Concentração Conservadora Camilista desejava o embate. O que aconteceu depois Dona Milena Maurício e a Prof. Fátima descreveram com riquezas de detalhes. Mas estas duas dúvidas permanecem: Qual a participação efetiva de Tiburtina em todo o episódio. Quem disparou primeiro tiro? A “ emboscada dos bugres” realmente existiu ou João Alves e Tiburtina apenas agiram em Legítima Defesa ? A história foi escrita pelos vencedores e precisa de alguma forma ser reescrita ou mesmo comentada. Fica a árdua tarefa a se realizar. Cada dia, cada minuto, ela fica mais distante e mais custosa. Gustavo Mameluque- Jornalista- Pesquisador dos fatos envolvendo Dr. João Alves e Dona Tiburtina que antecederam a Revolução de 1930. Professor Universítário. Servidor Público Estadual.
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Gustavo Mameluque
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10/9/2012 11:38:20
Causou estranheza a todos os montesclarenses que não viajaram no feriado o Grande e inusitado consumo de Bebida Alcólica no interior do Campus da Unimontes em envento apoiado por diversas escolas públicas de Montes Claros ( alojamento). Trata-se do Intermed , um evento esportivo de estudantes de Medicina do Estado de Minas. O que se viu foi estudantes com " canecas" e marmanjos urinando na frente da Escola Normal em plena luz do dia. Que exemplos este futuros médicos deixarão para nossas crianças e adolescentes ? O foco não deveria ser a bebedeira mas sim o esporte. Fica o Registro. Lamentável!!! Gustavo Mameluque. Jornalista, Servidor Público Estadual e Professor Universitário. Colunista do montesclaros.com
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Gustavo Mameluque
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4/6/2012 09:30:24
Xuxa, Joana Maranhão, Isabelle e outras. Ainda é tempo...
“ Minha mãe dizia que estudo é a coisa mais linda do mundo. Não é. A coisa mais linda do mundo é o sentimento.” ( Adélia Prado).
O depoimento forte e sincero da apresentadora Xuxa Meneguel no Fantástico da Rede Globo e a contundente abordagem realizada pelo programa Jornalístico “Profissão Repórter” na semana passada reacendem um assunto que há muito tempo vem sendo varrido para debaixo do tapete: O abuso sexual, principalmente contra crianças e adolescentes meninas. Os maiores abusadores ? Padastros, parentes próximos, vizinhos, “amigos da família” e professores (aqueles que deveriam cuidar, proteger e ensinar). Xuxa relata abertamente que foi vítima de um avô-padastro, de um amigo de seu pai e de um professor. A nadadora Joana Maranhão acusa formalmente o seu antigo treinador de natação/professor. E Isabelle, uma jovem da periferia de São Paulo, aponta seu antigo padastro (por coincidência, Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro). Foram depoimentos marcantes, fortes, sinceros, difíceis para a maioria delas; como se estivessem querendo se libertar daquele trauma, daquele peso , que lhes atormentavam a vida. Falam agora porque não têm mais medo da verdade. Falam agora porque não desejam que outras crianças e adolescente passem pelo que passaram. Falam agora para alertar aos pais e responsáveis que a criança , na maioria das vezes, é frágil, não sabe se defender , e se submete por um bom tempo a ação covarde e violenta dos abusadores. Esta tragédia, ficou provada, não acontece apenas em uma classe social. Acontece nas mansões, nos lares de Classe Média e na periferia das grandes cidades. E ainda continua sendo um assunto tabu. Somente quem foi vítima de abuso sexual na infância ou na adolescência, como demonstrado pela “Profissão Repórter” é capaz de compreender o drama pelo qual passou Xuxa, Joana e Isabelle. Meninos também foram e continuam sendo vítimas de abusadores sexuais. Somente uma sociedade hipócrita e indiferente não se sensibiliza com este drama que pode estar ocorrendo , às vezes, muito próximo de nós. Uma sociedade moralista que insiste em “enviar para debaixo do tapete” crimes seríssimos no intuito de proteger instituições ou pessoas. A cidadania exige transparência e busca da verdade . Doa a quem doer. As vítimas de abuso sexual devem receber todo o apoio, toda a compreensão e todo acolhimento que merecem. Cabe ao Estado, inibir a ação dos abusadores , punir com rigor quem comete abusos e proteger a vítima desses absurdos. Neste sentido a Nova Lei “ Joana Maranhão” que somente permite o início da contagem da prescrição do Crime de abuso Sexual após a maioridade ( 18 anos) deve ser comemorada por todos que queremos proteger crianças e adolescente.Todos nós, condenando e denunciando, poderemos minorar o sofrimento físico e psicológico de centenas de crianças e adolescente,e contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa, mais igualitária, mais democrática e menos hipócrita. Não devemos nos esquecer que oprimir uma criança é destruir uma vida, é matar um sonho, é cometer o maior dos pecados: agredir aquele que não tem a mínima possibilidade de se defender. Gustavo Mameluque é Jornalista , Professor Universitário e Bacharel em Direito.
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Gustavo Mameluque
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4/2/2012 12:01:20
A Justiça tarda e falha em Nova Lima(MG): Proteção incompleta.
Apesar de ainda prematura as primeiras informações divulgadas pela imprensa sobre o assassinato da Procuradora Federal Ana Alice Moreira de Melo, seguido da divulgação da descoberta do corpo do agressor Djalma Veloso, levam a triste conclusão de que mais uma vez a Justiça brasileira não foi ágil e que indiretamente contribuiu para este trágico episódio. Inicialmente o Juiz de Direito de Nova Lima deferiu medida protetiva restringindo a apenas 30 metros o contato de Djalma com Ana Alice. No mesmo dia 01 de fevereiro em que Djalma foi intimado da referida decisão, exatamente às 18:00 hs foi determinada nova medida protetiva estabelecendo uma distância de 500 metros e autorizando a Procuradora a abandonar o lar. Infelizmente, por falta de agilidade, o advogado da Procuradora e a administração do Condomínio em que residia Ana Alice não foram comunicados em tempo hábil e às 20:30 hs do mesmo dia primeiro o agressor adentrou a residência do casal, ainda sem saber da segunda decisão. Segundo a imprensa Djalma teria “surtado” ao tomar ciência da notificação judicial e teria ido tirar satisfações com a esposa. Portanto, se imediatamente após a divulgação da segunda medida protetiva( solicitada inicialmente pelo advogado da Procuradora e negada pelo Juiz), os principais interessados e responsáveis tivessem sido avisados esta tragédia anunciada poderia ter sido evitada. Tudo indica, inclusive, que Djalma Veloso tenha morrido sem saber da segunda decisão judicial. Isto mostra que não basta termos leis. Demonstra que elas precisam ser cumpridas com agilidade e resultado. A Delegacia de Crimes contra a Mulher de BH solicitou, em um mês, 932 medidas protetivas, 36% a mais que a média do ano passado. Instituída para criar mecanismos capazes de coibir a violência contra a mulher, a Lei Maria da Penha completou cinco anos em 2011 e ainda apresenta “ deficiências” na sua real proteção à mulher ameaçada. Assassinatos de mulheres se espalham pelo Brasil a fora. Uma Promotora de Justiça ouvida pela reportagem da Rede TV afirmou que para se ter uma eficiente Lei Maria da Penha deveria haver Promotorias da Mulher em Plantão de 24 hs e Juizado Especial para a Mulher em plantão de 24 hs. Quem sabe este triste e lamentável episódio de Nova Lima não seja a semente para que as decisões judiciais (principalmente quando pessoas inocentes correm risco de vida) possam ser cumpridas com mais celeridade e efetividade. Bastava um envio de Fax para o advogado ou para a Administração do Condomínio para que talvez uma vida inocente fosse poupada. Muitos frasistas dizem que “ tempo é dinheiro”... No caso a que nos referimos tempo era sobrevivência. Gustavo Mameluque- jornalista e bacharel em Direito.
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Gustavo Mameluque
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25/1/2012 08:23:52
O Drama de Pinheirinho tão próximo de nós!
“Uma geladeira. Um fogão de quatro bocas. Um tanquinho. 03 armários modulados de cozinha. Um botijão de gás. Uma mesa de cozinha e quatro cadeiras. Uma mesa de cozinha. Dois chuveiros elétricos. Quatro bicicletas. Seis malas com roupas e utensílios domésticos.” Isto era tudo que Dona Severina tinha no barraco de madeira desocupado na segunda-feira na Comunidade de Pinheirinho em São José dos Campos-SP. A área, como diversas outras pelo Brasil a fora era invadida. A Polícia Militar cumpriu uma Ordem de Reintegração e Posse expedida pela Justiça de Primeira instância e confirmada pelo TJSP e pelo STJ em Brasília. Mas o que mais chamou a atenção de todos foi que nesta comunidade existia: Coleta regular de lixo, duas ruas asfaltadas, uma biblioteca pública municipal, uma escola, uma equipe do Progama Saúde da família e centenas de ligações de água, luz e pasmem, telefone. Da mesma forma que o Conjunto Cidade Cristo Rei em Montes Claros o Estado ( União- Estado-Município) proporcionaram àquela comunidade carente os serviços públicos em terras “ irregulares e “ invadidas”. Trata-se de uma drama humano que insistimos em não enxergar. Famílias inteiras são “ empurradas” para a ocupação de terrenos particulares abandonados e o Poder Público, até por uma questão de sobrevivência daqueles famílias se vêem na “ obrigação” de lhes fornecer os Serviços públicos essenciais. No caso específico da Comunidade de Pinheirinho eram 1800 barracos habitados por aproximadamente 8.000 cidadãos ( Cálculos da Prefeitura Municipal de São José dos Campos e da PMSP). Por de traz desta reintegração nos deparamos com a triste situação da exclusão social e em especial da crise habitacional que vivemos nos nosso país. O Governo de São Paulo e a Prefeitura de São José dos Campos ainda não sabem para onde irão as pessoas desalojadas da comunidade irregular. De quem é a responsabilidade por tal situação ? Pinheirinhos e mais Pinheirinhos se alastram por todo o Brasil ; de forma muito marcante nas regiões metropolitanas do Sudeste e do Nordeste. O Progama “ Minha Casa Minha Vida” ainda não consegue absorver todo o déficit habitacional brasileiro avaliado em pelo menos cinco milhões de moradias dignas. As Prefeituras, de pires na mão, encontram-se totalmente impotentes para sozinhas enfrentar o problema. Diante das cenas tristes e humilhantes que assistimos atônitos pela TV devemos nos indignar e trabalhar para que esta questão seja debatida com prioridade nas próximas eleições municipais , estaduais e para Presidente. É preciso regularizar a situação dos que estão em situação irregular e propiciar moradias dignas para quem ainda não as tem. Mais do que um sentimento humano, cristão, ou ético, não é realmente possível colocar tranqüilo a cabeça no travesseiro enquanto centenas de brasileiros não tem onde morar, ou se tem, não moram na maioria das vezes em lugares dignos e habitáveis por um ser humano médio. O Ex-Presidente Francês Jacques Chirac, quando administrava Paris enviou um Projeto de Lei para a Câmara proibindo o despejo de inquilinos durante o Inverno. Chirac era considerado de Direita pela intelectualidade francesa. Mas isso demonstra que independentemente de crença, ideologia, ou convicção religiosa alimentar-se e dispor de uma moradia digna é essencial para que possamos viver em uma sociedade mais justa e igualitária. Gustavo Mameluque- Jornalista . gustavomameluque@gmail.com
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Gustavo Mameluque
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9/1/2012 08:39:57
EM BUSCA DE UM NOVO PACTO FEDERATIVO. EM BUSCA DE UMA NOVA CIDADANIA
Dados publicados pelo IPEA/Ministério do Planejamento revelam que 59,5 por cento das receitas tributárias em 2011 ficaram com o Governo Federal, restando para os estados membros 21,0 por cento e para os municípios 19,5 por cento. Estes dados confirmam a tese do Senador Aécio Neves e de vários tributaristas de que hoje vivemos uma “federação atrofiada”, um Estado Unitário, provocados por uma injusta e inadequada distribuição dos recursos tributários. Se não bastasse isto, os Royalty do Petróleo também estão concentrados na União e nos estados produtores (Rio, Espírito Santo e Bahia). Em função desta injusta realidade materializada na Constituição Federal de 1988 a União Federal vem batendo recordes históricos de arrecadação em detrimento dos Estados e Municípios. Conseqüentemente apenas a União Federal dispõe de recursos para as grandes obras estruturantes e com impacto no desenvolvimento econômico e social. Tomemos como exemplo o “Projeto Jequitaí”. O Estado de Minas jamais poderia financiar tão importante e necessário empreendimento. E de fato, a União arcará com oitenta por cento do valor da obra. Os municípios brasileiros ficam “engessados” e dependentes de repasses do Governo Federal e dos Estados. As suas receitas próprias oriundas do IPTU,ISS, ITBI e Taxas não são suficientes para as diversas demandas na área de infra-estrutura, saúde, educação e principalmente trânsito e Segurança Pública. Diferentemente da União os municípios são obrigados a percentuais de gastos mínimos com a educação e a saúde. E todos eles, sem exceção tiveram dificuldades para quitar o décimo terceiro salário dos seus servidores. As grandes obras desejadas pela população (grandes avenidas sanitárias, viadutos, pontes, anel rodoviário e ferroviário, barragens) não podem ser construídas sem a benção do Governo Federal através do Orçamento Geral da União/emendas parlamentares e do Programa de Aceleração do Crescimento. Novos investimentos são peça de ficção para Estados e municípios. Paralelamente a isto os Estados membros não conseguem socorres os seus municípios circunscricionados. Diante deste quadro desalentador para os Governadores e Prefeitos uma das soluções é a busca de um novo Pacto federativo com uma redistribuição mais justa e adequada das receitas tributárias e a pressão para a aprovação Urgente de uma Reforma Tributária que desburocratize a cobrança de Imposto no Brasil e que distribua a cada ente federado as receitas tributárias em partes iguais. União 33,0%, Estados 33,0% e Municípios 33,0, proposta esta que já está sendo defendida no Senado Federal pelo Governador Aécio Neves e pelo Presidente da Confederação Nacional dos Municípios com um ainda apoio tímido de diversos partidos da base da Presidente Dilma, com destaque para o PSB. O Governador de Pernambuco é um dos maiores entusiastas do referido Pacto. O PT de Minas também vê com bons olhos a proposta vez que Minas é um dos Estados mais prejudicados em função da extensa malha viária que possui. Minas e Pará também são prejudicados no insignificante repasse dos royalty do minério e da desoneração do ICMS na exportação do mesmo. Só para se ter uma idéia enquanto o Estado do Rio de Janeiro recebeu em 2010 seis bilhões de royalty do petróleo, Minas Gerais recebeu no mesmo ano, duzentos e trinta e cinco milhões dos royalty do minério. E o prejuízo ambiental de Minas é monstruoso. Cada cidadão que mora em um município deveria pressionar o parlamentar a quem dedicou o seu voto nas últimas eleições e cobrar que o mesmo se envolva nesta luta para restabelecimento do Pacto federativo brasileiro. Um pacto de cidadania que pudesse devolver aos Prefeitos Municipais e Governadores a capacidade de Gerir com responsabilidade fiscal seus próprios recursos sem precisar ficar de “pires na mão”, de ministério em ministério em busca de obras e serviços que são um Direito de cada munícipe. E também todos os governadores submissos às vontades e prioridades do Presidente de plantão. Gustavo Mameluque- Jornalista. Bacharel em Direito. Crítico de arte. Professor das Faculdades Santo Agostinho-Montes Claros-
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Gustavo Mameluque
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5/1/2012 17:57:06
Titulo da notícia: Arrecadação anual de impostos no Brasil é recorde mais uma vez e soma R$ 1,51 trilhão em 2011
Comentário: Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário apontam que, pela primeira vez, os brasileiros pagaram em um ano mais de R$ 1,5 trilhão em impostos, o que significa mais de R$ 4,143 bilhões ao dia. Sobre o assunto, discute o especialista Gustavo Mameluque. Ele ressalta que segundo dados oficiais do IPEA/Ministério da Fazenda a carga tributária brasileira permanece inalterada em 36,5% do PIB (mesmo índice de 2010). "O que ocorre é que a União vem tendo recordes mensais na arrecadação dos Tributos Federais (principalmente IRPF, IRPJ, IPI, ITR, II, IOF etc.), o que puxa a arrecadação tributária global para cima. Os Estados e principalmente os municípios continuam com suas receitas tributárias praticamente acompanhando a inflação Oficial. Não há crescimento real. Os quase 5.600 municípios brasileiros tiveram dificuldades para quitar o 13° salário dos seus servidores", explica. O valor divulgado é aproximado e se refere à arrecadação de todas as esferas de Governo (União, Estados e Municípios). Não são dados oficiais aceitos pelo Ministério da Fazenda. Gustavo Mameluque lembra que a arrecadação mineira, por exemplo, sofre perdas com a desoneração dos produtos (minério de ferro) destinados à exportação que são imunes do ICMS. Minas e Pará, como grandes exportadores, vêm perdendo receita ano a ano. Minas Gerais também vem sofrendo perdas com a Guerra Fiscal promovida por alguns Estados na Federação. O especialista pontua que a arrecadação da Prefeitura de Montes Claros em termos reais é a mesma de 2010. "Como já dito anteriormente, a solução está em desconcentrar e simplificar a tributação com ênfase na Cobrança do Patrimônio e nos ganhos financeiros, como acontece nos países desenvolvidos. No Brasil, o foco é no consumo e na renda (IPI, ICMS, IRPF) o que acaba prejudicando as classes mais pobres e os assalariados. Reitero que somente uma reforma tributária urgente pode aliviar o bolso do contribuinte e ao mesmo tempo distribuir melhor a arrecadação para os Estados e Municípios", pondera. Ainda segundo Mameluque, enquanto isso não ocorre, a "Guerra Fiscal" produzida por cada Estado Membro procura de todas as formas proteger a sua economia e os seus empregos. O Governo Federal vem tentando amenizar a situação das pequenas e médias empresas através da ampliação das faixas de recolhimento do Simples Nacional, mas este remendo de reforma não é suficiente. "Como levar adiante uma reforma tributária se nenhum ente federado pode perder Receita? Esse debate deve ser travado com prioridade pelo Congresso Nacional. A carga tributária também já chegou ao limite suportável pelo cidadão. Por isto mesmo os governantes têm que priorizar a boa aplicação dos recursos tributários e a Responsabilidade Fiscal. Ainda mais quando se prenuncia uma crise econômica internacional", conclui. Gazeta Norte Mineira de 04.01.2012- Pg. 08. Cronista do Montesclaros.com Professor de Introdução ao Direito das Faculdades Santo Agostinho.
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Gustavo Mameluque
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11/12/2011 19:08:43
Regionalismo político norte-mineiro.
Estudo muito interessante e que merece ser divulgado para acadêmicos, estudiosos, historiadores e para o público em geral e para os nossos políticos é a Tese de doutorado apresentada ao Programa de Pós- Graduação em História Econômica da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo pelo Professor norte-mineiro Laurindo Mékie Pereira com orientação da Profa. Dra. Raquel Glezer. Importante ressaltar que o Projeto do Prof. Mékie teve efetivo apoio da UNIMONTES em diversos aspectos. Prof. Mékie trabalha o regionalismo político norte-mineiro da segunda metade do século XX. O objetivo central é compreender a emergência e o desenvolvimento da ideologia das classes dirigentes, identificando os seus principais componentes, sua difusão e assimilação pelo conjunto da sociedade. Em especial ele analisa muito bem a participação da Sociedade Rural e da Associação Comercial e Industrial de Montes Claros na formulação do conceito de “desenvolvimento regional” e o envolvimento das mesmas com o” Poder político” local. A conclusão mais importante é a de que a burguesia regional se organizou como classe, nesse período, tendo evoluído de uma ação corporativa inicial para o exercício da hegemonia, ao final do século XX. Mas o que mais chama a atenção na sua bem elaborada Tese de Doutorado é a descoberta, durante as suas pesquisas, no Jornal Binômio , de Belo Horizonte de que em Montes Claros, no século XX ainda havia resquícios de escravidão, de escravidão branca, quando casais vindos do nordeste (retirantes) eram negociados . “Em 1959, os retirantes de Montes Claros foram assunto nacional. O jornal Binômio, de Belo Horizonte, divulga que um” mercado de escravos em Montes Claros”, pois os jornalistas, disfarçados de fazendeiros, teriam comprado uma casal de nordestinos por 4 mil cruzeiros, com recibo e garantias de saúde do mesmo.” Tal fato teve repercussão nacional e foi contestado pela imprensa montesclarense da época tendo como porta-voz o ex-colunista e Jornalista Lazinho Pimenta. Mékie destaca ainda a participação do Prof. Simeão Ribeiro Pires e dos Professores Alfredo Dolabella e Expedicto Mendonça na teorização das teses separatistas que fundamentaram o Estado de São Francisco e o Estado de Minas do Norte, ambos derrotados no Congresso Nacional. Dr. Simeão é lembrado pelo Prof. Laurindo da seguinte maneira: “Destacamos, ainda, a atuação de Simeão Ribeiro Pires. Pertencente a uma das mais tradicionais e influentes famílias da região- os Ribeiros-, Simeão, formado em engenharia e história, era também fazendeiro, industrial e liderança política. Foi prefeito de Montes Claros entre 1959 e 1963 e vereador nas gestões 1963-1966 e 1967-1970. Entendemos que ele foi um dos principais formuladores da ideologia regionalista, desempenhando o papel de intelectual das classes dirigentes, organizando-as, contribuindo para lhes dar homogeneidade e exprimirem-se política e economicamente, conforme propõe Gramsci. (...) ele foi voz ativa no movimento de 1987-1988, fornecendo a esse movimento (Estado Minas do Norte) um dos seus argumentos mais fortes: a tese da primazia baiana na colonização do Norte de Minas e a similitude dessa região com o restante do Nordeste. Já em 1962 e 1965, ele publicou artigos defendendo suas idéias e as apresentou, de forma organizada e” completa”, em 1979, com o livro Raízes de Minas.” O mérito maior do Prof. Mékie é sistematizar com clareza e precisão científica o processo de formação da “ideologia do regionalismo” traçando um perfil que se iniciam com as bandeiras paulistas, passando pelas disputas políticas de Camilo Prates e Honorato Alves, a criação da SUDENE, os movimentos separatistas patrocinados pela classe política local e contestada pelo centralismo do Governo mineiro. Deixa claro que neste período contemporâneo não houve espaço para significativas manifestações populares e que realmente o processo político foi ditados pelas classes empresariais e intelectuais, com poucas ou raríssimas exceções . Ressalta por fim que as poucas demandas populares de caráter regional foram capitalizadas pelo tripé: Sociedade rural, ACI e Políticios institucionalizados ( Prefeitos, vereadores e Deputados). Referência: PEREIRA, Laurindo Mèkie. Em nome da região, a serviço do capital: o regionalismo político norte-mineiro. São Paulo: USP, 2007.
Gustavo Mameluque. Jornalista, bacharel em Direito. Crítico de Arte.
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Gustavo Mameluque
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14/11/2011 07:57:38
Dona Tiburtina- Tiburtina Andrade Alves
Tese de Mestrado da Prof.ª Fátima Nascimento e do Prof. Donizete Lima Nascimento lançada o ano passado comemorou os 80 anos de norte-mineira polêmica e ilustre que desafiou os costumes do seu tempo. O Casal João Alves e Tiburtina comandou a política de Montes Claros durante várias décadas. No dia 06 de fevereiro de 1930, por volta das 23 horas, Dona Tiburtina e a então pequena e pacata Montes Claros entraria para a história do Brasil, ao dar início a Revolução de 1930, que culminou com a posse de Getúlio Vargas como Presidente da Nova República. Naquela noite Montes Claros não mais seria conhecida apenas como grande entreposto de sal e gado, mas também como marco de uma “rebelião feminina” contra a sociedade patriarcal da época. Naquela noite, onde hoje temos construído o suntuoso Automóvel Clube de Montes Claros, o então Vice-presidente, Fernando Mello Viana, que visitava a cidade, foi atacado em um tiroteio, que envolveu as duas correntes políticas brasileiras da época, a concentração conservadora e a Aliança Liberal. Seis pessoas morreram, no primeiro de uma série de conflitos que culminou com o fim da República velha. Preservado no Departamento de Documentação da Universidade Estadual de Montes Claros estão a nossa espera mais de 500 páginas resgatadas em 2002 do acervo do Fórum Gonçalves Chaves de Montes Claros. Tudo foi restaurado, digitalizado e escaneado. Na pesquisa importante da Prof.ª Fátima foram encontradas duas cartas relevantes: uma escrita por Abílio Coimbra, de Carangola, em 1939, comparando Tiburtina a Marília de Dirceu, por comandar o levante contra o governo; e outra de Angelita Figueiredo, de 1950, que salientava a sua liderança política e pedia a ela apoio para eleger o marido, Mário Augusto de Figueiredo, como Deputado mineiro representando a região de Capelinha, no Vale do Jequitinhonha. Dr. João Alves faleceu em 1934 e Tiburtina continuou “reinando” nos sertões de Montes Claros. Nascida em itamarandiba, aos 30 de agosto de 1873, filha do Capitão Manoel Florentino de Andrade Câmara e Dona Henriqueta Leocádio de Mello. Querendo livrar-se da opressão paterna, furtava-lhe dinheiro para oferecer aos pobres (conta a lenda). Estudou em Capelinha e Diamantina, em regime de externato. Casou-se primeiramente com Antônio Augusto Câmara Alkmim, família de Bocaiúva, tio-avô de José Maria Alkmim, contra a vontade do pai. Como o marido era boêmio e alcoólatra, ela teve que assumir a lida da fazenda. Nessa situação resolveu mudar-se para Montes Claros em 1902. Fez uma travessia acompanhada de 25 tropeiros e arrieiros que transcorreu em seis dias de viagem. Com a “cara e a coragem” não muito peculiar às mulheres daquela época, sozinha, passou a administrar a nova fazenda adquirida. Além da beleza natural alardeada aos quatro cantos, procurava esmerar-se com boas vestimentas e penteados.Muito cedo Alkmim faleceu e Tiburtina ficou viúva. Nova, bela e muito rica, aos trinta e quatro anos de idade, casou-se em 1907 com o médico, João José Alves, filho do Coronel Marciano Alves, potentado regional. Logo depois do nascimento do primeiro filho do casal, o sogro foi assassinado. Tiburtina tudo fez para descobrir e punir o grupo responsável. A partir daí ela e o marido tomaram a frente da política de Montes Claros. Filiou-se à Aliança Liberal e fez oposição aos coronéis conservadores da região . Participa da Revolução de 30, em luta contra as oligarquias locais. Das suas memórias, relatadas em “Bugres” pela escritora Milene Maurício, fica o registro da mãe adotiva de” fifi”, filho de João Alves e Tiburtina morto no tiroteio de 06 de fevereiro junto com mais cinco pessoas. Até 1950, aproximadamente, no Brasil, a mulher burguesa constituía-se em simples objeto complementar de afirmação existencial do homem. É curioso notar que todas as mulheres históricas do século XIX foram viúvas de potentados coronéis. O que se mostra como um paradoxo. Tiburtina foi uma figura de transição: filha e nora de coronéis, que se transformou em instrumento de luta contra eles. Por tudo isto Dona Tiburtina merece ser estuda, pesquisada, relembrada e quem sabe, reverenciada e recolocada no seu devido lugar histórico. Isto, efetivamente, depende do trabalho de todos nós. “A verdade não é filha do Império. A verdade é filha do tempo” Galileu Galilei. Gustavo Mameluque. Jornalista, bacharel em Direito e Crítico de Artes. Referências: Alencar, Girleno. Jornal Hoje em dia.07.02.2010.Minas. pg.29. Moura, Antônio de Paiva. Revista Libertas. Mulheres mineiras: história e mito.2005. Belo Horizonte.MG.
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Gustavo Mameluque
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4/11/2011 12:54:54
Lembranças de uma infância...
Observando, num dias desses a violenta guerra do trânsito que vivemos em Montes Claros, lembrei-me de um fato pitoresco e singelo que me ocorreu nos idos de 1973, aqui em nossa cidade. Havíamos acabado de chegar a Montes Claros, vindos com saudades de São Francisco. Morávamos em uma casa modesta na Av. Ovídio de Abreu, 351, próximo ao antigo “Cine Lafetá”, vez que chegávamos para recomeçar a vida na promissora cidade dos Montes Claros. Como conta o romance, éramos seis: meu pai, mãe, e os três outros irmãos. Em 1974 fui matriculado na pioneira Escola Polivalente Professor Alcides Carvalho, no nascente bairro Jardim São Luiz. Quem conhece Montes Claros sabe muito bem que a ponta da Avenida Ovídio de Abreu, já quase no Santa Rita, e o Polivalente estavam e estão ainda hoje completamente opostos. Logo no primeiro dia de aula questionei meus pais: - Para chegarmos às sete horas da manhã, a que horas deverei sair de casa para não encontrar o portão fechado?. Lembro-me bem, como se fosse hoje, da resposta da minha mãe Glorinha: - Se você for à pé, deverá sair às seis e quinze da manhã. Segue toda a Avenida, passa com muito cuidado pela rodoviária, desce a Rua Barão do Rio Branco até a Avenida Mestra Fininha. Chegando à Mestra Fininha, você sobe até a Escola Normal, vira à direita, desce quatro quarteirões, vira novamente, só que à esquerda, e, exatamente às sete horas, você estará na porta da Escola. Nunca fui anjo, nem pretendo ser, mas o certo é que, salvo dois ou três dias de garganta inflamada e febre,neste ano de 1974 nunca cheguei atrasado ao Polivalente. E minha mãe prosseguiu na resposta: - Se você for de bicicleta (tínhamos uma antiga MonarK, barra circular verde), poderá sair às seis e meia. Por fim concluiu: - Se o seu pai não estiver viajando para São Francisco, ele poderá te levar de carro e, nesse caso, vocês podem sair às seis e cinqüenta. Nessa época meu pai ainda mantinha seu escritório de advocacia em São Francisco e sempre ia para lá na terça-feira, retornando na sexta. O certo é que, nesse primeiro ano me acostumei a ir à escola a pé ou de bicicleta. No ano seguinte, meu irmão, Leopoldo, também passou a estudar no Polivalente e coube a mim a responsabilidade de transportá-lo na garupa da prestimosa barra circular verde. Quando chegamos em 1976, minhas responsabilidades aumentaram: já teria também que transportar a minha irmã Cristina. Íamos na bicicleta barra circular verde eu, Leopoldo e Cristina. Retorno à minha infância com o intuito de fazer um contraponto com os dias de hoje. Já não se pode deixar que nossos filhos se dirijam à escola de bicicleta. Pelo menos até à quinta série, ou eles têm de ir de carro (os pais levando) ou de ônibus escolar. Não é só o trânsito agitado que preocupa. A violência do dia-a-dia, o estresse, as balas perdidas. Fico a meditar, com a tamanha devoção que meus pais tinham e têm por seus filhos, como seria aquela resposta a mim dada nos dias de hoje. Com certeza eles teriam que nos acompanhar até a escola todos os dias: de carro, de ônibus, ou a pé. Recentemente foi proferida uma palestra pelo filósofo e professor Paulo Volker, em que ele relata a importância do vínculo familiar e do diálogo no processo de proteção dos filhos. Ele relata que os filhos são como plantinhas que não podem se expor muito ao sol e à luz, pois acabam morrendo. A criança precisa de sua privacidade, do seu aconchego e também do abraço afetuoso de seus pais. Conclui a palestra afirmando que, se abraçássemos mais nossos filhos, conheceríamos mais seu cheiro próprio. E poderíamos distinguir outros cheiros, como o do cigarro e outras coisitas mas, por exemplo. Da narrativa acima, retira-se também outra lição. Os pais devem repassar aos filhos o senso de responsabilidade. Minha cota, por exemplo, era transportar meus irmãos, o que procurei realizar da melhor maneira possível. Isso tudo nos mostra também como são importantes as dificuldades que enfrentamos em nossa vida. E entender que, com paciência, tudo se resolve. Hoje eu agradeço a Deus pelas limitações que me foram impostas pelas circunstâncias e pela decisão de meus pais. Não somos uma família perfeita, se é que existe alguma. Mas acreditamos que a vida sempre vence a morte. Que a luz sempre vence as trevas, que a paz é o veneno da guerra e que o amor será uma dia a única língua dos homens. Paz... Paz...Paz... Gustavo Mameluque- Jornalista, Bacharel em Direito e Crítico de Artes.
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Gustavo Mameluque
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30/10/2011 07:44:56
Antônio Dó. O grande sertanejo injustiçado.
Da mesma forma que Napoleão Valadares se entusiasmou ao prefaciar a obra-prima “Serrano de Pilão Arcado- A saga de Antônio Dó” eu também me entusiasmei e vibrei com tão completo, profundo e marcante romance histórico. Merecidamente selecionado pelos Professores de Letras e pela COTEC para o Vestibular UNIMONTES. Fez-me lembrar Juan Rulfo no clássico mexicano Planalto em Chamas e Pedro Páramo, Cem anos de Solidão de Gabriel Garcia Marquez e Grande Sertão Veredas do sertanejo Guimarães Rosa. Antônio Dó- Severo bandido; nos dizeres de Rosa. Perfeição na escrita e na imaginação. Riqueza de detalhes. Riqueza de fatos. Português perfeito. Misto de realidade e fantasia, com predominância do resgate histórico do herói-bandido Antônio Dó. Mas, segundo o Prefaciador Valadares: “o livro não é só história de Antônio Dó, que foi um menino da fazenda Salitre, em Pilão Arcado; um fazendeiro em São Francisco; um garimpeiro no Rio Claro, um jagunço com fama desde o Carinhanha até os Gerais de São Felipe; um bandoleiro que as forças do governo acabaram por desistir de querer matar”. Antônio Dó queria apenas Justiça. Receber o preço justo referente às terras que lhe tomaram com a aquiescência do Poder de Plantão em São Francisco. Somente queria o Justo. Foi empurrado para ser “bandido”. Serrano de Pilão Arcado mostra com muita clareza as arrelias políticas da cidade de São Francisco, cidade que tive a alegria de viver durante minha infância, com os líderes locais tramando conspirações para se agarrar ao poder, com assassinatos, deportações, fugas de canoa, incêndios, cárcere privado, canalhice, nobreza de caráter, grandeza de espírito, tudo o que há na vida e, por conseguinte, há no romance. É uma produção literária nascida de um extremado esforço de pesquisa que, ao lado de outras obras consagrou a presença de Petrônio nas letras brasileiras. Segundo Luiz de Paula Ferreira: “é obra consagrada”. Ler Serrano de Pilão Arcado é voltar ao tempo e relembrar conhecendo todos os segredos e costumes do sertanejo, de maneira especial o sertanejo das barrancas do São Francisco. A narrativa passa por Januária, São Francisco (núcleo central), São Romão, Serra das Araras, Brasília de Minas e Pirapora. O livro que mais se assemelha a um belo roteiro de cinema mostra a chegada de Antônio Dó e sua família na antiga Pedras de Cima (São Francisco) na época do Império. Mostra com riqueza de detalhe os costumes dos Coronéis da época e também do homem comum. Homem comum muito bem representado por Antônio Dó. Antônio Dó foi escorraçado de suas terras pelo desafeto Chico Peba com a complacência e o apoio das lideranças municipais da época, inclusive o vigário de São Francisco. Foi-se embora para Serra das Araras apenas com o desejo de ser indenizado, pela Câmara Municipal pelo prejuízos sofridos. Nesta tentativa de reparo destacamos a forma como Petrônio delineou e explicitou o caráter do Cel. João Maynart. Maynart era amigo de Antônio Dó e intermediou com as autoridades locais o pagamento da indenização pelas perdas. Mas o Juiz Municipal e os Coronéis da Velha República inviabilizaram o Processo e lançaram Antônio Dó de vez no mundo do “Crime”. Antônio Dó era percebido pela população ribeirinha como um verdadeiro Hobin Hood que protegia e lutava pelos mais pobres. A população torcia para que as volantes do Governo não prendessem ou matassem Antônio Dó. Mas para viver e sentir tudo isto que estou falando é preciso ler cada uma das 597 folhas desta Obra-Prima. Morto à traição por um jagunço infiltrado das Cotendas iniciou-se a sua lenda. Foi morto em baixo de um pé de Baru centenário que ainda hoje vive frondoso na Serra das Araras; bem ao lado do córrego da Aldeia; onde ele escolheu para viver seus últimos dias ao lado de Francilha. O Centenário Pé de Barú parece resistir como a gritar que o sertanejo Antônio Dó foi um grande injustiçado. Como João Batista o foi. Ninguém da Corte Herodes se pronunciou quando Salomé recebeu a cabeça de João como prêmio. Da mesma forma ninguém foi solidário com a injustiça cometida ao retirante Antônio Dó de Benedito. Petrônio resgata esta história. Mesmo tardio. Oitenta e dois anos depois da sua morte a memória de Antônio Dó foi restabelecida e uma outra face foi contada. Termino esta resenha crítica com as lindas palavras do ilustre pai de Petrônio Braz, Brasiliano Braz , que também tive a honra e a alegria de conhecer quando meu pai Pedro Mameluque Mota era Prefeito de São Francisco, nestes termos: “Antônio Dó nunca foi vencido. Numa sepultura rasa, nos rincões da serra das araras, dorme agora o sono da eternidade. Os seus feitos são, ainda hoje, o entretenimento, um dos temas dos serões ao pé do fogo, nos lares humildes do sertão mineiro.”
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Gustavo Mameluque
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19/10/2011 08:32:38
Relendo “ O mulo.”... Encontrei Darcy. Filhos dos Montes Claros.
Gustavo Mameluque. Jornalista e Crítico de Arte.
O antropólogo Darcy se mostra completamente inteiro em " O Mulo". Também considerado por muitos literatos brasileiros como um romance regional ele retrata o cotidiano do Sertão das Gerais , de Montes Claros a Cristalina de Goiás. Passa pela construção de Brasília-DF em um tempo de Coronéis, herança próxima dos Coronéis de Brasília de Minas, São Francisco, São Romão e Januária tão bem retratado na obra de Saul Martins e Petrônio Braz ( Antônio Dó e Serrano de Pilão Arcado-respectivamente). Segundo Wanderlino Arruda, escritor montesclarense, Darcy, sem demorar muito será reconhecido, como um dos grandes romancistas brasileiros do Século XX. Será, talvez, lembrado muito mais como romancista do que como o grande sociólogo, político, antropólogo e político questionador que foi. Somente para relembrar: “Assim cheguei a esse poço sem fundo de lembrança, que despejo em cima do senhor. Sou, hoje, um mulo cheio de reminiscências. Eu nem supunha que coubesse em mim, nem em ninguém, tanta lembrança como as aqui recordadas. Com surpresa vi quanta estava em guardada, soterrada, querendo sair, sopitar, sangrar."(1) Sobre esta obra, Darcy Ribeiro escreveu em seu livro Testemunho (2) “Ao contrário do chamado romance social que exalta humildes mas heróicos lutadores populares, em O Mulo eu retrato o nosso povo roceiro, sobretudo os mais sofridos deles que são os negros, tal como os vi, sempre mais resignados que revoltados. Além da espoliação de sua força de trabalho e de toda sorte de opressões a que são submetidos, nossos caipiras sofrem um roubo maior que é o de sua consciência. O patronato rural se mete em suas mentes para fazê-los ver a si mesmos como a coisa mais reles que há. Guardo em mim recordações indeléveis das brutalidades que presenciei em fazendas de minha gente mineira e por todos estes brasis, contra vaqueiros e lavradores que não esboçavam a menor reação. Para eles a doença de um touro é infinitamente mais relevante que qualquer peste que achaque sua mulher e seus filhos. Esta alienação induzida de nossa gente, levada a crer que a ordem social é sagrada e corresponde à vontade de Deus, é que eu tomei como tema, mostrando negros e caboclos de uma humildade dolorosa diante de patrões que os brutalizavam das formas mais perversas. Tanto me esmerei na figuração destes contrastes que um pequeno bandido político em luta eleitoral contra mim fez publicar alguns daqueles meus textos de denúncia como se expressassem minha postura frente aos negros. “ “Quem pegará meus papéis de confissão e sairá depois da minha morte em busca do senhor, seu padre (...) não conto com ninguém.”(1). Darcy retoma o tema da velhice, da desilusão do fim de vida, dos nossos raros momentos de reflexão. ““ O mulo” é uma obra de questionamentos, vividas pelo narrador e pelos seus diversos conhecidos de Montes Claros, como muito bem relata Wanderlino Arruda em suas crônicas e pela ocasião do lançamento de” O mulo” em nossa cidade. Inicialmente incompreendido pelos críticos literários e pela quase maioria dos leitores este romance regional vai se mostrando cada vez mais universal à semelhança de” Grande Sertão: Veredas”. Philogônio é a antítese do herói Riobaldo de Rosa. É a antítese de Antônio Dó, na construção de Petrônio Braz e não na construção de Saul Martins. Darcy, através das falas de Philogônio de Castro Maya e outros nomes se perguntam e perguntam aos leitores mais interessados e analíticos: Se haverá o “perdão” no limiar dos meus dias posso então viver uma vida de maldades e ao final arrepender-me e, passando pela purga, habitar um dia na Casa do Pai? Se não, para que serviria o Cristianismo? E as mortes que pratiquei e que foram “merecidas”? A morte do Lopinho? E a da devassa Emilinha que se dava aos cães em noite de orgia bestial? E quando matei por legítima defesa antecipada? E quando acabei com Dominguinhos-Temido por todas e todos? Estaria fazendo a Justiça com as próprias mãos? Não mais haveria necessidade do Perdão de Deus? E continua provocando, instigando o montesclarense inquieto Darcy. O gênio Darcy. O filho de Mestra fininha e irmão de Mário. O tio de Ucho e Paulinho.O insaciável Darcy. Parece até que antevia os conselhos de Steve Jobs da Apple: “Permaneçam Sedento”. Existem padres santos? A santidade ainda existe nesta terra dos homens? Darcy nos traz um Cel. Maya asqueroso e bruto no seu dia-a-dia. Para ele negro e índio não têm alma. Não é gente. É projeto de Gente. É moinha. De uma certa forma mostra no romance que alguns resquícios deste pensamento conservador e anti-humano criaram raízes no coronelato brasileiro que Gilberto Freyre, tentou escamotear na “democracia racial” de Casa Grande e Senzalas. Havia uma certa harmonia, um certo respeito do Senhor de Engenho para com o negro e especialmente a negra das Senzalas. Negra que se deitava com o Senhor. Negra ama de leite. E viviam em harmonia. Em “o mulo” Darcy quebra, arrebenta está lógica da” Democracia Racial”. E nos traz ainda uma personagem mutante. Como mutante somos. Permeando entre o bem e o mal. Um personagem múltiplo na fala de Wanderlino. Um personagem indefinido para vários resenhistas de “O mulo". Phylogônio de Castro Maya (Maia com Y) é o seu último nome. Inventado. Criado. Forjado. Engendrado pelo recadastramento da Justiça eleitoral goiana, porém, este nome teve diversos outros nomes: Já foi chamado de ninguém, de coisa, de estrupício, de nada, fuso, qualquer um, Filó, Terêncio Bórgia (que se julgava seu pai) e Terezo. Por fim: mulo. “Uma madrugada que acordei estremunhado e saí porta a fora, bati com o pé no moleque que vivia enrodilhado ali; Acordando assustado ele me perguntou gritando: Que é seu mulo? Quem é quem? Perguntei eu. Aprendi ali, naquela hora, meu apelido.”(1) Maya nunca amou verdadeiramente qualquer pessoa. Talvez um amor carnal por Emilinha; mas nem tanto porque a lançou aos negros sedentos. Terminou sem a quem deixar tantas conquistas iniciadas com arrieiro e depois tropeiro em Paracatu, sempre em direção às águas limpas e livres de Goiás. Tornou-se rico de posses, mas pobre de sentimentos nobres. Fazia sua própria justiça, do seu jeito. E narra tudo na fazenda laranjos. Amigos? Talvez um único; Militão. Tão amigo que coube a ele comprar o seu luxuoso caixão em Brasília-DF. Fim de vida amargurado? Arrependido? De alguns pecados. Quais de nós não temos pecados? Quais de nós somos santos? Darcy com toda a sua inquietude e força nas palavras nos impressiona. Romance para ler. E reler. E depois ler de novo. Caliente, quente, para alguns até pornográfico. Existe pornografia em Literatura? Melhor dizendo: Erótico. Sensual. Excitante. Leitura agradável aos olhos. Darcy na sua integridade ética e revolucionária de sociólogo e antropólogo, de educador, de visionário, de gênio falante, de político, de irmão, de lucidez própria dos grandes homens e dos grandes pensadores define a nação brasileira como” a nova Roma.”(3). Mais forte e criativa do que Roma. Porém também eterna. Nação nova. Livre. Da mistura linda de índios, negros e europeus. Darcy, no conjunto da sua obra literária (Maira, Mulo, Povo brasileiro) renova a cada dia a sua convicção antropológica e revolucionária de que aqui na “terra brazilis” formou-se realmente um novo gênero humano. Uma nova civilização; mais produtiva, mais generosa, porque aberta à convivência, com todas as raças e todas as culturas. Talvez o mundo e em especial o Oriente Médio devesse ler mais Darcy. Não só isto. Entender Darcy. “ Ao contrário do que alega a historografia oficial, nunca falhou aqui, até excedeu, o apelo à violência pela classe dominante , como arma fundamental da construção da história”. ( Ribeiro,2006,pg.23) Darcy que tanto admirava a fé de Mestra fininha talvez tenha convivido muito com Deus sem o saber. E poderia muito bem colocar em suas “confissões” uma máxima do Poeta maior Fernando Pessoa:” Cheio de Deus não temo o que virá, pois venha o que vier, nunca será maior do que minh’alma”. Viva o povo brasileiro. Viva Wanderlino. Viva Dona Yvone. Viva Constantin. Viva João Valle Maurício. Viva Ciro dos Anjos. Viva Cândido Canela.Viva Darcy!!! Gustavo Mameluque. Resenha – “ O Mulo” 1).Ribeiro, Darcy. O mulo.Belo Horizonte: Leitura, 2007. 2). Ribeiro, Darcy. Testemunho. São Paulo. Ed. Siciliano, 1991, p.10. 3). Ribeiro, Darcy. O povo brasileiro. São Paulo. Companhia das Letras,2006.
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