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montesclaros.com - Ano 23 - sexta-feira, 9 de junho de 2023


Gustavo Mameluque    [email protected]
86538
Por Gustavo Mameluque - 24/11/2022 09:53:17
A magia do futebol!

O futebol possui essa contagiante magia, que confraterniza, sem rancor e sem violncia, todos os povos do mundo, principalmente durante as copas, que se realizam a cada quatro anos.
As mgicas integrao e confraternizao dos povos, durante a Copa do Mundo, representam a negao absoluta das relaes desenvolvidas pelos governantes, no cotidiano, que contm muito de interesses econmicos e pouco de sinceras cooperao e integrao como as demontradas pelo imprio russo frente a fragilizada Ucrnia.
H pequenos gestos, ao longo de uma Copa do Mundo, que encerram, em si, o universo da to sonhada paz mundial, assim como o DNA em relao vida humana.
Esses pequenos gestos, por sua grandeza e alcance, so, indiscutivelmente, transcendentes e eternos, pelo seu simbolismo.
Vo, aqui, alguns deles. O primeiro ocorreu na copa de 1970, no Mxico, a primeira transmitida para o Brasil, ainda em preto e branco. Os povos presentes no Estdio Asteca no jogo final entre Brasil e Itlia desfraldaram uma enorme bandeira, com a seguinte mensagem: Mexico campeon mundial del amistad (Mxico, campeo mundial de amizade).
O segundo teve lugar na copa de 1974, na Alemanha a primeira transmitida em cores para o Brasil , ao final do jogo entre Brasil e Holanda, que fizeram uma das semifinais e que terminou com a vitria da Holanda, por dois a zero. O capito do time holands, Rud Krol, atravessou o todo o gramado e, aps abraar o lateral esquerdo Marinho Chagas recm-falecido , levantou-lhe o brao e pediu a todas as torcidas que o aplaudissem, como reconhecimento pelo seu belssimo futebol e como belo gesto de amizade.
O terceiro deu-se em 1998, na fatdica final entre Brasil e Frana, quando o placar j era de trs a zero para esta. O meia Rivaldo preferiu jogar a bola para a lateral para permitir o socorro mdico a um jogador francs a tentar fazer o gol, em lance com real potencial para isso. Isso lhe valeu a inaceitvel crtica de alguns de seus companheiros e de parte da imprensa esportiva.
O quarto na Copa de 2014, e foi produzido pelo vibrante, dedicado e no raras vezes estabanado zagueiro brasileiro David Luiz, que, logo aps o encerramento do jogo entre Brasil e Colmbia, no s abraou e consolou o jogador colombiano James Rodriguez, que chorava copiosamente, como, repetindo a citada iniciativa de Rud Krol, levantou-lhe o brao e pediu a todas as torcidas que o aplaudissem.
O quinto tambm da Copa de 2014 e produzido pela Seleo da Alemanha, que, semelhana dos antigos samurais os quais repudiavam a humilhao do adversrio que enfrentavam em mortal combate , recusou-se, terminantemente, a menosprezar e a humilhar a Seleo Brasileira, tratando-a com respeito, que ela mesma no se deu, durante os mais de 90 minutos de jogo de um time s o da Alemanha, claro.
O sexto, igualmente, tambm de 2014 e foi protagonizado pela Seleo da Holanda ao final do jogo em que ela abateu a plida Seleo do Brasil. Enquanto os jogadores desta preferiram correr para os vestirios, como se fugissem de si mesmos, os jogadores holandeses, numa incontestvel demonstrao de respeito, de esportividade e de magnanimidade, percorreram todo o campo, aplaudindo a torcida brasileira, e, para coro-la, o grande jogador Van Persie retirou a sua braadeira de capito do time e deu-a a um torcedor, como a dizer ao Brasil que, apesar da indignidade de sua Seleo, o seu povo inigualvel e campeo mundial de simpatia, de acolhimento e de sincera e despretensiosa amizade.
Na copa de 2018 da Rssia registramos o exemplo do nosso tcnico Tite. Veja o que disse em uma entrevista da poca : Acredito que o esporte pode melhorar muito mais o mundo, como elemento educador. Eu fico sempre dando o exemplo de um lance que aconteceu na Copa do Mundo, que eu gostaria que fosse explorado. Mas ele nunca tanto quanto eu gostaria. Contra o Mxico estvamos vencendo por 1 a 0 tivemos um lateral. Eu tinha visto que havia sido para o Mxico porque tinha batido na perna do nosso jogador. Eu ento comecei a gritar para o Mxico, para o Mxico. Um jogador nosso, que foi cobrar o lateral e sabia que a bola tinha batido no nosso time, veio falar comigo, mas professor, como voc fica falando isso, o jogo est uma fumaa do caramba. Eu respondi Eu quero ganhar jogando futebol.
Tudo isso faz do futebol o maior dos esportes e, mais uma vez, repita-se, o smbolo universal da confraternizao e mola propulsora da efetiva construo da to sonhada paz. Muitos smbolos e sinais surgiro desta nova Copa do Mundo do Catar; copa da polmica e das zebras.
Ah! Como seria bom e promissor se os governantes e os detentores do poder econmico tivessem a sensibilidade de escutar a universal linguagem do futebol. O mundo seria bem diferente. Talvez sem guerras...

Gustavo Mameluque. Jornalista do Novo Jornal de Notcias. Colunista do montesclaros.com



85606
Por GUSTAVO MAMELUQUE - 14/4/2021 17:09:52
Prezado Fred e ngela Assis Martins,

Com profundo pesar registramos nossa gratido ao seu pai, AMRICO MARTINS FILHO, pela sua bela jornada e pelos relevantes servios prestados nossa cidade e ao nosso norte de minas. Mas de maneira especial gostaria de registrar o homem sereno e empreendedor que sabia dar oportunidades s pessoas. Era o verdadeiro " amigo dos amigos". E tambm de quem ele s vezes acabava de conhecer. Foi seu Pai que junto com Tone Santos que em 1976, acolheu meu Pai, Dr. Pedro Mameluque Mota, Ex- Prefeito de So Francisco quando chegvamos a Montes Claros. Nesta oportunidade meu pai foi procurador do Extinto Jornal do Norte ( em parceria com o Escritrio de Dr. Sidneo Paes Ferreira) . Gesto de suma importncia pois chegvamos em Montes Claros " com uma mo na frente e outra atras" aps uma mandato tampo de dois anos na Prefeitura municipal . Em Urucuia foi consolidada a amizade entre Pedro, Marcelo Mameluque Mota e Amrico. Amizade esta fortalecida na nossa chegada a Montes Claros na dcada de 70. Depois Ameriquim ainda cedeu um espao para a Coluna " Crnicas do Cotidiano" no Jornal do Norte para Glorinha Mameluque e alguns anos mais tarde tive a oportunidade de escrever a minha primeira crtica teatral no Caderno 2 do mesmo Jornal, ento sobre a Editoria do saudoso Artur Leite. V-se portanto, que em fases distintas, nossos caminhos sempre se cruzaram; os destinos das nossas famlias. Meu pai e seu pai, agora falecido em muito se assemelham: Eram discretos, polidos, educados, generosos, fraternos e distribuiam sabedoria e amor pelos filhos, pelo meio ambiente e devotavam os valores mais nobres da humanidade. Registramos portanto, neste breve espao, a nossa alegria e reconhecimento, repetindo o que se falou nos ltimos dois dias em nossa cidade : Sentiremos muita falta do empreendedor, do fazendeiro, do sertanista , do Jornalista e principalmente do amigo , Amrico Martins Filho. Lembremos Guimares Rosa no Serto Grande Serto Veredas, passando por Urucuia : " Serto... este serto... no para os fracos... para os fortes... Se apresenta pra gente no no incio e nem no fim... na travessia. Gostaria muito de ser um crocodilo... para mergulhar nas profundezas do Rio; do Rio So Francisco.. Para conhecer as profundezas do Rio como se conhecesse as profundezas da alma dos homens". Descanse em Paz Ameriquim !!!

Gustavo Mameluque. Jornalista e Membro do Instituto Histrico e Geogrfico de Montes Claros. Colunista do montesclaros.com


85601
Por Gustavo Mameluque - 12/4/2021 16:33:53
Neste momento 7 pequenos avies e ultraleves sobreveiam os cus de Montes claros emA ltima homenagem a Amrico Martins Filho, colaborador da Aviao em nossa cidade e incentivador do Aeroclube Flamarion Wanderley e tambm fundador do Ex Jornal de Notcias nas dcadas de 1970/80. Ambientalista, Jornalista e historiador tem um acervo memorvel da Imprensa local e dexia sua marca de empreendedor e homem de viso.Ameriquim , como era chamado pelos mais prximos, deixa um legado tambm no Instituto Histrico e Geogrfico da cidade do qual fazia parte.
Gustavo Mameluque- Colunista do montesclaros.com


85479
Por GUSTAVO MAMELUQUE - 28/1/2021 14:48:27

I`m just a man .. Sou apenas um Homem

Indo para o trabalho passo por um casal de ndios venezuelanos, da tribo Warau, que chegaram em Montes Claros durante a Pandemia do Covid-19. Mais um problema a ser enfrentado pela Prefeitura Municipal e por toda a sociedade montesclarense. O mais grave: crianas pedindo esmola nos semforos. Mas no so crianas brasileiras. So ndios venezuelanos que fazem coc nas praas e no sabem conversar. (Resposta de uma cidad montesclarense) Tive notcia de que o Ministrio Pblico Estadual e a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social j tentaram algumas solues para o problema. Uma das alternativas foi leva-los (ao todo so 87 almas indgenas vivendo em uma casa alugada no Bairro Major Prates) para a antiga Fazendinha do Menor, hoje sob a responsabilidade da Universidade Federal de Minas Gerais.
Interessante que durante o Natal vrias igrejas evanglicas e tambm a Comunidade Catlica de Nossa Senhora Rosa Mstica, aqui no Bairro Ibituruna, se solidarizaram e promoveram algumas aes como distribuio de marmitex, fraldas ( sim fraldas uma vez que um deles j montesclarense tendo sido nascido na Maternidade da Santa Casa de Montes Claros). Mas e o amanh ? Pelas primeiras informaes este irmos venezuelanos no possuem Passaporte ou qualquer outro documento. Informao esta que precisa ser verificada pelo Poder Pblico Municipal junto Polcia e a Justia Federal. Obtivemos tambm a informao de que a Prefeitura Municipal de Montes Claros ajuizou uma Ao Civil Pblica na Justia Federal solicitando providncias uma vez que a questo envolve a Unio, o Estado e o Municpio de Montes Claros. Foi solicitado ao Poder Judicirio a imediata identificao dos venezuelanos que aqui aportaram. Tivemos a informao ainda de que eles aqui chegaram encaminhados por Secretarias Municipais de desenvolvimento de outras cidades. O problema est posto. E agora judicializado. E pasmem !! Existe deciso da Justia Federal permitindo que crianas indgenas estrangeiras fiquem em semforos por se tratar de respeito cultura indgena dos povos ( sic). Durma-se com um barulho deste, como dizia nosso saudoso Mestre do Jornalismo Elias Siuf.
Resumo da pera : Hoje so aproximadamente 80 seres humanos venezuelanos jogados prpria sorte na nossa cidade. Vivem da esmola dos semforos e de aes isoladas da Arquidiocese de Montes Claros na pessoa do Bispo Arquidiocesano e tambm de algumas igrejas evanglicas. Neste meio tempo uma brasileirinha ndia nasceu na Santa Casa de Caridade de Montes Claros. Lembro-me aqui ( sempre gosto de associar a vida real a filmes) da obra prima O Homem Elefante estrelado por Anthony Hoppes e j filmado em trs verses e encenado no Imperial Theatre de Londres: O Homem Elefante , John Merrick sofria de uma grave deformidade ( elefantase) e era explorado nos Circos do subrbio de Londres at que o Dr. Frederic Treves se compadeceu dele e o levou para o seu stio nos arredores de Londres. Em busca de tratamento ( uma vez que tambm tinha problemas mentais) foi internado em um Hospcio ( a contra-gosto do Dr. Treves ). Certo dia o Homem Elefante foge do Hospcio e perseguido no Metr de Londres por uma multido enfurecida e tambm por vrios policiais da Scotland Yard ( que na poca no usavam armas). Encurralado, com fome, perseguido, humilhado, excludo, marginalizado ele foi cercado em um dos banheiros do Metr. E a cena clssica, inesquecvel, que merece ser vista e revista aconteceu ( sugiro assistirem ao filme- qualquer verso). Foi uma aula de respeito Dignidade da Pessoa Humana prevista na Constituio Federal brasileira: Retornando ao filme : Quando o Policial da SY lhe questionou , Quem voc ?. Ele balbuciou amedrontado : I`m just a man Eu sou apenas um Homem
Qualquer semelhana com nossos irmos ndios venezuelanos no mera coincidncia.

Gustavo Mameluque- Jornalista e Crtico de Cinema. Membro do Instituto Histrico e Geogrfico de Montes Claros. Colunista do montesclaros.com, do Jornal O Tempo, da Revista Tempo e do Novo Jornal de Notcias de Montes Claros. Membro da Irmandade de Nossa Senhora das Mercs da Santa Casa de Montes Claros.




85368
Por Gustavo Mameluque - 18/12/2020 07:44:18
A Pandemia e o sonho de Luiz de Paula

Fazendo a minha caminhada matinal no Parque Sagarana passei a refletir sobre este ano que agora se finda. Um ano atpico em que vivemos a pandemia mais severa e mortal de que se tem notcias. Um ano de eleies municipais e tambm de superao. Um ano que deixar em todos ns marcas profundas e mensagens importantes. Nunca se buscou tanta a cincia para a soluo de um problema. E finalmente compreendemos que nela, na pesquisa, na cincia e na tecnologia que est o nosso futuro, as nossas vidas.
Vivemos em um pas em que a educao, as pesquisas cientficas sempre estiveram em segundo plano. Sempre foram tratadas com desdm pela sociedade e pelos governantes. E agora somos obrigados a ver a Pfizer americana (que sempre investiu em cincia) vacinar a primeira enfermeira em New York enquanto aqui, ainda nos prepararmos para iniciar a vacinao de todos em janeiro prximo. Enquanto o Instituto Butant viu seu oramento sendo encurtado ao longo dos anos a Oxford teve o seu oramento duplicado ao longo dos anos; e tambm Oxford, em parceria com a AstraZeneca, tambm comea a vacinar. Tardiamente conclumos que perdemos o bonde da histria no quesito Pesquisa e no quesito educao. E isto nos custou vidas. Isto nos custou muito caro. Pases que sempre valorizaram a educao bsica e a pesquisa cientfica deram melhores respostas pandemia. Por isto no devemos nos esquecer jamais de que a educao, a pesquisa cientfica e tecnolgica devem ser prioridade absoluta de governos municipais, regionais e federal. Retirar do discurso e fazer da prioridade educao um discurso concreto e duradouro para que saibamos enfrentar melhor e com mais eficincia tragdias e pandemias futuras como a fome e a misria.
O saudoso Luiz de Paula Ferreira, com toda a sua sensibilidade e inteligncia sempre dizia ao seu compadre Jos Alencar que alm do sol e da chuva um fator poderia retirar o norte de Minas do subdesenvolvimento, justamente a educao continuada e de qualidade, pensando nisto fundaram juntos o Colgio da COTEMINAS nas proximidades do carente bairro Morrinhos de Montes Claros, que funciona at hoje. Homens de viso. De futuro.
Alm de visionrio Dr. Luiz de Paula era tambm poeta e escritor; em fim um homem adiante do seu tempo. Tambm um homem para no se esquecer; da mesma forma como nunca deveremos nos esquecer deste ano que se finda. Um ano de dor, de sofrimento, de perdas, mas tambm de superao e luta. Vejam que beleza Dr. Luiz nos escreveu no sculo passado: Um cheiro bom que vem na brisa da serra est anunciando que estamos outra vez em setembro. O ms das tardes bonitas, do sol plido. Setembro das queimadas, das tardes calmas de fim de estio. No serto, as primeiras tardes da primavera tm um cheiro bom de inocncia (...) com o cair do crepsculo, vo-se calando, pouco a pouco, todos os rumores. E um quase silncio envolve a natureza, quando sobre o horizonte longnquo a papa-ceia anuncia que vai nascer a noite estival. (...) minha primeira profisso aqui foi de engraxate, na rua Simeo Ribeiro, em frente a um bar onde hoje a Lanchonete cristal. (...)foi decisiva em minha vida a formao em contabilidade. Foi como contador, trabalhando muito e economizando, que consegui montar minha prpria empresa, com a venda da qual pude alimentar o sonho de trazer para Montes Claros a fbrica de tecidos mais moderna do pas.
Na oportunidade desejo a todos os leitores do Novo Jornal de Notcias e do site montesclaros.com um natal de muita paz e um 2021 repleto de vitrias e realizaes, com muita sade, emprego e oportunidades para todos.

Gustavo Mameluque Jornalista, Membro do Instituto Histrico e Geogrfico de Montes Claros e colunista do Novo Jornal de Notcias e do site montesclaros.com


85352
Por Gustavo Mameluque - 10/12/2020 18:49:09
O Segredo da Felicidade...

Segundo Virglio Feliz aquele que pode conhecer a causa das coisas. Para ele ser feliz ter o discernimento total do passado, do presente, sem perder de vista o futuro que sobrevem.
Para muitos a felicidade est no sucesso, na fama, no poder, no dinheiro, nas realizaes, nas vitrias e conquistas, no realizar, no dever cumprido. Afinal de contas no viemos a este mundo para ser feliz ? Sendo assim filsofos, cientistas e pensadores se debruam constantemente sobre este tema e dentre eles destaco hoje a contribuio de Clvis de Barros Filho em seu livro A vida que vale a pena ser vivida. Ele nos relata que at os 13 anos de idade era uma criana infeliz que contava os minutos para a aula terminar, que contava os minutos para o treino de natao no Clube Pinheiros terminar e que tambm contava os segundos para terminar o jogo dominical de Corinthians e Palmeiras no Pacaembu. Mas conta ele que tudo mudou quando aos treze anos foi matriculado no Colgio Jesuita de So Paulo e um determinado Professor de Geografia decidiu que no iria dar aulas formais mas sim organizar Seminrios temticos a ser apresentado individualmente por cada um dos alunos da antiga oitava srie. Eis que chega o grande dia e o aluno Clvis ficou de apresentar o Seminrio com o tema : Petrleo. A sala esta completamente lotada vez que todas as outras turmas participavam do Seminrio. Ele falou durante 50 minutos sobre Petrleo e naquele momento de glria chegou concluso que seria Professor e que ali era e seria o seu lugar para sempre. E assim foi. Ele arrasou na tribuna. A partir deste evento ministrar aulas era um ato de felicidade. Chegou concluso que ali, era a sua praia. E arremata : A vida bem legal quando voc faz o que a sua praia, o que voc ama, o que lhe d prazer. Ai talvez esteja o segredo da felicidade do ser humano.
Ao longo da vida, somos cobrados o tempo todo. Aqueles que nos cobram esperam algo de ns. Na natao ou no Atletismo a medalha de ouro. Em suma, a felicidade o critrio em funo do qual podemos afirmar que uma ao moralmente correta, aceitvel, elogivel ou incorreta. Sero justas ou injustas na medida em que constiturem meios adequados para esse fim. Assim alimento-me para conseguir trabalhar: trabalho pelo salrio; com o dinheiro vou viajar para Paris ou Londres: viajo tambm para comprar livros; compro livros para o ler; leio para alargar meu repertrio; alargo meu repertrio para me tornar mais culto. Rousseau prope que todos os animais so dotados de instinto. Complexo programa que oferece respostas para todas as situaes da existncia. O instinto tudo que o animal tem e tudo de que precisa para conduzir sua vida at o final. Para sobreviver, digamos. O que nos permite sempre concluir que os animais j nascem prontos. Pequeno talvez, mas com todos os recursos disponveis. Reparem nas abelhas, formigas e aranhas. Assim os animais sero rigorosamente fiis a esse instinto. No lhes possvel ser diferente. De tal maneira que um gato, programado para comer carne, morrer de fome do lado de um prato de alpiste. No lhe ocorrer matar a fome com aquilo de que circunstancialmente dispe. Esse improviso lhe escapa. E tambm ao cachorro e ao cavalo. E ao gado bovino e suno. Da mesma maneira, um pombo, que tambm definhar sem arriscar comer um prato de fil que lhe est sendo oferecido. E o homem? Bem, o homem tambm tem algum instinto. Procura o seio materno quando nasce. E o faz por instinto. Mas este pequeno instinto, no caso do homem, no d nem para a primeira semana. O homem precisa de mais, muito mais, para viver e crescer. Fica evidente que, nos seu caso, ele no nasceu pronto. Nos dias de hoje, alis, est precisando de uns trinta anos para sair do forno e sair da casa dos pais. Um longo tempo de preparao. Essa preparao, no mbito individual, a sua EDUCAO. Por isto o homem tambm come alpiste. Hoje ele chama de linhaa. Parece que faz bem sade. Dieta ponderada. Resultado das escolhas. Uma VERDADEIRA OPO DE VIDA. Muito diferente da comida de pombo. Que o que . O homem tambm come fil. De tudo quanto jeito. Se a coisa apertar, o homem come o gato, o pombo e o cachorro , como aconteceu na Roma antiga quando a raa canina quase se dizimou. Por isto cabe ao homem, inventar, ponderar, criar, esculpir, a esttua da prpria existncia.Por isto o homem excede. Transcende a prpria natureza.Vai alm dos instintos.Porque quando a natureza se cala, ainda resta o desejo e a vontade. O ser humano , ante de tudo, um ser de razo e de liberdade em busca da felicidade.
Para terminar perguntaram a Jesus Cristo quando este estava na Galilia qual era o segredo da Felicidade ? E ele respondeu : A vida dedicada ao outro.
Em tempos de Pandemia em que j estamos prontos para a vida fica a mensagem do filho do homem que suplanta a filosofia, a sociologia, a cincia e o negacionismo dela.
A felicidade se resume vida dedicada ao outro.

Gustavo Mameluque, Jornalista . Colunista do montesclaros.com e do Novo Jornal de Notcias. Membro do Instituto Histtico e Geogrfico de Montes Claros.


85272
Por Gustavo Mameluque - 13/11/2020 07:47:31
ERAMOS SEIS.
Montes Claros do sculo passado!!!

Era tera-feira de carnaval do sculo passado, quando em um fusca azul claro ,chegvamos junto com o entardecer, na Avenida Ouvidio de Abreu em Montes Claros. ramos seis. Fui matriculado no Colgio So Jos, bem prximo a nossa primeira morada, na capital do Norte de Minas. Tudo era sonho. Iramos recomear depois de uma passagem do meu pai como Prefeito Municipal de So Francisco. Chegamos, literalmente, com uma mo na frente e outra atrs. Meu pai advogado em uma nova cidade estranha e minha me servidora da Secretaria de Estado de Fazenda. Conhecamos quase ningum. E ningum nos conhecia. Salvo, que me lembre, Dr. Sidneo Paes Ferreira, que acolheu meu Pai no seu escritrio de Advocacia, Dr. Cesrio (mdico de Christina), Tio Guilherme e Tia Dozinha (oriundos de So Francisco tambm). Este primeiro ano foi muito difcil. Passamos algumas privaes. Com quatro crianas, oramento apertado e sonhos dilatados. Meus pais desejavam melhor oportunidade de estudos para ns. E assim foi feito. Prioridade total aos estudos dos meninos como ouvi por diversas vezes. Nossa origem barranqueira. Barrancas do Rio So Francisco. Januria, Pirapora, So Romo e So Francisco se misturaram no nosso sangue, nos nossos sonhos e em nossa alma.
Mas passamos por alguns percalos. Para mim o primeiro deles foi a pergunta de um professor do Colgio So Jos (hoje jamais ocorreria): De que famlia voc ? Respondi amarelado: Dos Mameluques. O professor insistiu: Mameluque de onde? Eu meio nervoso e sem graa, respondi: De Januria e So Romo; sou do Rio So Francisco! O Professor satisfeito me interrompeu: Seja bem vindo mameluco que pode muito bem ser filho de branco e de ndio. Na minha sala havia colegas de vrias famlias tradicionais do Norte de Minas. Mas fui acolhido por todos eles. Nesta jornada de aprendizado, convivi com homens e mulheres ilustres. Alguns por mais tempo; outros de relance, outros e outras mais distante. Conheci homens do povo, pessoas simples e tambm polticos, escritores, benfeitores e benfeitoras. Tive a alegria de em 1982 fazer a minha primeira entrevista jornalstica (era estudante de Jornalismo da PUC) com o Ex- governador Leonel Brizola (que acabara de chegar ao Brasil vindo do seu exlio) e com o antroplogo e escritor Darcy Ribeiro. Esta entrevista se deu na casa de Dr. Mrio Ribeiro, prximo a Santa Casa. Eu estava fazendo estgio de frias na Rdio Sociedade com Jos Nardel, Elias Siuf e Artur Leite (in memoriam) quando em um domingo tarde, Artur sugeriu que eu entrevistasse o Ex Governador Brizola para o Jornal das 12:00 hs na segunda feira. Assim o fiz. Transcrevi a entrevista com Brizola e ainda levei no retorno a Belo Horizonte para apresentao na Faculdade. Para Darcy, lembro-me, fiz uma nica pergunta, meio ingnua: Como o senhor se sente ao voltar aos Montes Claros, mais uma vez?. Ele me respondeu : Nunca sai de Montes Claros meu querido!
Aprendi com o Padre Joaquim Cesrio Macedo (j falecido) uma lio para toda a vida. E com Darcy a certeza de que a gente sai de Montes Claros; mas que Montes Claros no sai da gente.
Em uma de suas homilias, domingo tarde, na Capela do Asilo so Vicente de Paulo, ele dizia que a caridade deve ser valorizada. O acolhimento a pessoas pobres e desesperadas deveria ser a razo de ser do Cristo. Era simplesmente viver o Evangelho. Conta ele que suas irms iam sempre ao antigo Asilo de Montes Claros para visitar os Velhinhos e Velhinhas l
asilados. Contavam casos, cantavam, davam ateno, levavam alimentos, remdios, em fim, jovens de Montes Claros tinha o hbito de visitar o asilo nos finais de semana. Todos estes jovens eram dignos de elogio e incentivo. Mas uma jovem se destacava de todas as outras jovens. Ela lavava as feridas dos idosos e enxugava carinhosamente. Neste momento ele silenciou, Interrompeu a homilia, aproximou-se da primeira fila e beijou as mos desta Jovem ( na poca j Senhora). Ela ficou um pouco sem entender. No final da Homilia ele explicou : Beijei as mos de Cristo.
A convivncia com pessoas simples e despojadas importante na vida da gente. Vejo hoje como foi importante desembarcar nos claros montes, em uma tera-feira de carnaval, em um fim de tarde, desprovido de coisas materiais, mas toda uma pequena famlia impregnada de sonhos, de desejos, de decepes e ensinamentos, para nos transformarmos em uma famlia comum : que erra, que acerta e que acredita que a f, a esperana e o amor podem de fato transformar o mundo em que vivemos.
Dedico este artigo de hoje aos meus pais : Pedro Mameluque Mota( In memoriam) e Maria da Gloria Caxito Mameluque.
Gustavo Mameluque- Jornalista, Bacharel em Direito , Membro do Instituto Histrico e Geogrfico de Montes Claros e da Irmandade de Nossa Senhora das Mercs da Santa Casa de Montes Claros.


85247
Por Gustavo Mameluque - 5/11/2020 12:55:34
Lembranas ...

Observando, num dias desses a violenta guerra do trnsito que vivemos em Montes Claros, lembrei-me de um fato pitoresco e singelo que me ocorreu nos idos de 1973, aqui em nossa cidade. Havamos acabado de chegar a Montes Claros, vindos com saudades de So Francisco. Morvamos em uma casa modesta na Av. Ovdio de Abreu, 351, prximo ao antigo Cine Lafet, vez que chegvamos para recomear a vida na promissora cidade dos Montes Claros. Como conta o romance, ramos seis: meu pai, me, e os trs outros irmos. Em 1974 fui matriculado na pioneira Escola Polivalente Professor Alcides Carvalho, no nascente bairro Jardim So Luiz. Quem conhece Montes Claros sabe muito bem que a ponta da Avenida Ovdio de Abreu, j quase no Santa Rita, e o Polivalente estavam e esto ainda hoje completamente opostos. Logo no primeiro dia de aula questionei meus pais: - Para chegarmos s sete horas da manh, a que horas deverei sair de casa para no encontrar o porto fechado?. Lembro-me bem, como se fosse hoje, da resposta da minha me Glorinha: - Se voc for p, dever sair s seis e quinze da manh. Segue toda a Avenida, passa com muito cuidado pela rodoviria, desce a Rua Baro do Rio Branco at a Avenida Mestra Fininha. Chegando Mestra Fininha, voc sobe at a Escola Normal, vira direita, desce quatro quarteires, vira novamente, s que esquerda, e, exatamente s sete horas, voc estar na porta da Escola.
O certo que, salvo dois ou trs dias de garganta inflamada e febre, neste ano de 1974 nunca cheguei atrasado ao Polivalente. E minha me prosseguiu na resposta: - Se voc for de bicicleta (tnhamos uma antiga MonarK, barra circular verde), poder sair s seis e meia. Por fim concluiu: - Se o seu pai no estiver viajando para So Francisco, ele poder te levar de carro e, nesse caso, vocs podem sair s seis e cinqenta. Nessa poca meu pai ainda mantinha seu escritrio de advocacia em So Francisco e sempre ia para l na tera-feira, retornando na sexta. Nesse primeiro ano me acostumei a ir escola a p ou de bicicleta. No ano seguinte, meu irmo, Leopoldo, tambm passou a estudar no Polivalente e coube a mim a responsabilidade de transport-lo na garupa da prestimosa barra circular verde. Quando chegamos em 1976, minhas responsabilidades aumentaram: j teria tambm que transportar a minha irm Cristina. amos na bicicleta barra circular verde eu, Leopoldo e Cristina.
Retorno minha infncia com o intuito de fazer um contraponto com os dias de hoje. J no se pode deixar que nossos filhos se dirijam escola de bicicleta. Pelo menos at quinta srie, ou eles tm de ir de carro (os pais levando) ou de nibus escolar ou Uber. Isto na poca em que no existia o Corona vrus e que as crianas e jovens ainda iam na escola. Naquele tempo no havia Ensino distncia nem internet. No s o trnsito agitado que preocupa atualmente. A violncia do dia-a-dia. Fico a meditar, como seria aquela resposta a mim dada nos dias de hoje. Com certeza eles teriam que nos acompanhar at a escola todos os dias: de carro, de Uber, de nibus, ou a p.

Recentemente foi proferida uma palestra pelo filsofo e professor Paulo Volker, em que ele relata a importncia do vnculo familiar e do dilogo no processo de proteo dos filhos. Ele relata que os filhos so como plantinhas que no podem se expor muito ao sol e luz, pois acabam morrendo. A criana precisa de sua privacidade, do seu aconchego e tambm do abrao afetuoso de seus pais. Conclui a palestra afirmando que, se abrassemos mais nossos filhos, conheceramos mais seu cheiro prprio. E poderamos distinguir outros cheiros, como o do cigarro e outras coisitasmas, por exemplo. Da narrativa acima, retira-se tambm outra lio. Os pais devem repassar aos filhos o senso de responsabilidade. Minha cota, por exemplo, era transportar meus irmos, o que procurei realizar da melhor maneira possvel. Isso tudo nos mostra tambm como so importantes as dificuldades e revezes que enfrentamos em nossa vida. E entender que, com pacincia, tudo se resolve. Hoje eu agradeo a Deus pelas limitaes que me foram impostas pelas circunstncias e pela deciso de meus pais. No somos uma famlia perfeita, se que existe alguma. Mas acreditamos que a vida sempre vence a morte. Que a luz sempre vence as trevas, que a paz o veneno da guerra e que o amor ser uma dia a nica lngua dos homens. Sonho ? Mas um sonho nunca uma mentira. ( Orson Wells).

Em memria de Pedro Mameluque Mota e de todos os egressos da E.E. Prof. Alcides Carvalho ( Polivalente).

Gustavo Mameluque- Jornalista. Bacharel em Direito. Cronista do montesclaros.com e do Novo Jornal de Notcias. Membro da Irmandade de Nossa Senhora das Mercs/Santa Cas e do Instituto Histrico e Geogrfico de Montes Claros .
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85117
Por Gustavo Mameluque - 24/9/2020 21:23:20
O Mulo. Por Darcy.

O antroplogo Darcy se mostra completamente inteiro em " O Mulo". Tambm considerado por muitos literatos brasileiros como um romance regional ele retrata o cotidiano do Serto das Gerais , de Montes Claros a Cristalina de Gois. Passa pela construo de Braslia-DF em um tempo de Coronis . Segundo Wanderlino Arruda, escritor montesclarense, Darcy, sem demorar muito ser reconhecido, como um dos grandes romancistas brasileiros do Sculo XX. Ser, talvez, lembrado muito mais como romancista do que como o grande socilogo, poltico, antroplogo e poltico questionador que foi. Somente para relembrar: Assim cheguei a esse poo sem fundo de lembrana, que despejo em cima do senhor. Sou, hoje, um mulo cheio de reminiscncias. Eu nem supunha que coubesse em mim, nem em ningum, tanta lembrana como as aqui recordadas.

Sobre esta obra, Darcy escreveu em seu livro Testemunho Ao contrrio do chamado romance social que exalta humildes mas hericos lutadores populares, em O Mulo eu retrato o nosso povo roceiro, sobretudo os mais sofridos deles que so os negros, tal como os vi, sempre mais resignados que revoltados. Alm da espoliao de sua fora de trabalho e de toda sorte de opresses a que so submetidos, nossos caipiras sofrem um roubo maior que o de sua conscincia. O patronato rural se mete em suas mentes para faz-los ver a si mesmos como a coisa mais reles que h.

Guardo em mim recordaes indelveis das brutalidades que presenciei em fazendas de minha gente mineira e por todos estes brasis, contra vaqueiros e lavradores que no esboavam a menor reao. Para eles a doena de um touro infinitamente mais relevante que qualquer peste que achaque sua mulher e seus filhos. Esta alienao induzida de nossa gente, levada a crer que a ordem social sagrada e corresponde vontade de Deus, que eu tomei como tema, mostrando negros e caboclos de uma humildade dolorosa diante de patres que os brutalizavam das formas mais perversas. Tanto me esmerei na figurao destes contrastes que um pequeno bandido poltico em luta eleitoral contra mim fez publicar alguns daqueles meus textos de denncia como se expressassem minha postura frente aos negros.

Quem pegar meus papis de confisso e sair depois da minha morte em busca do senhor, seu padre (...) no conto com ningum.. Darcy retoma o tema da velhice, da desiluso do fim de vida, dos nossos raros momentos de reflexo. O mulo uma obra de questionamentos, vividas pelo narrador e pelos seus diversos conhecidos de Montes Claros, como muito bem relata Arruda em suas crnicas e pela ocasio do lanamento de O mulo. No gente. De uma certa forma mostra no romance que alguns resqucios deste pensamento conservador e anti-humano criaram razes no coronelato brasileiro que Gilberto Freyre, tentou escamotear na democracia racial de Casa Grande e Senzalas. Havia uma certa harmonia, um certo respeito do Senhor de Engenho para com o negro e especialmente a negra das Senzalas. Negra que se deitava com o Senhor. Negra ama de leite. E viviam em harmonia. Em o mulo Darcy arrebenta est lgica da Democracia Racial. E nos traz ainda uma personagem mutante. Permeando entre o bem e o mal. Um personagem mltiplo na fala de Wanderlino.
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Uma madrugada que acordei estremunhado e sa porta a fora, bati com o p no moleque que vivia enrodilhado ali; Acordando assustado ele me perguntou gritando: Que seu mulo? Quem quem? Perguntei eu. Aprendi ali, naquela hora, meu apelido.


Darcy na sua integridade tica e revolucionria de socilogo e antroplogo, de educador, de visionrio, de gnio falante, de poltico, de lucidez prpria dos grandes homens e dos grandes pensadores define a nao brasileira como a nova Roma.. Mais forte e criativa porm. .

Darcy, no conjunto da sua obra literria (Maira, Mulo, Povo brasileiro) renova a cada dia a sua convico antropolgica e revolucionria de que aqui na terra brazilis formou-se realmente um novo gnero humano. Uma nova civilizao; mais produtiva, mais generosa, porque aberta convivncia, com todas as raas e todas as culturas.

Gustavo Mameluque Jornalista Membro do Instituto Histrico e Geogrfico de Montes Claros. Colunista do montesclaros.com - [email protected]



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Por Gustavo Mameluque - 9/9/2020 18:15:55
Compra de Casal nordestino em Montes Claros no fake News.

Estudo muito interessante e que merece ser divulgado para acadmicos, estudiosos, historiadores e para o pblico em geral e para os nossos polticos a Tese de doutorado apresentada ao Programa de Ps- Graduao em Histria Econmica da Faculdade de Filosofia, Letras e Cincias Humanas da Universidade de So Paulo pelo Professor norte-mineiro Laurindo Mkie Pereira com orientao da Profa. Dra. Raquel Glezer. Importante ressaltar que o Projeto do Prof. Mkie teve efetivo apoio da UNIMONTES em diversos aspectos.

Prof. Mkie trabalha o regionalismo poltico norte-mineiro da segunda metade do sculo XX. O objetivo central compreender a emergncia e o desenvolvimento da ideologia das classes dirigentes, identificando os seus principais componentes, sua difuso e assimilao pelo conjunto da sociedade. Em especial ele analisa muito bem a participao da Sociedade Rural e da Associao Comercial e Industrial de Montes Claros na formulao do conceito de desenvolvimento regional e o envolvimento das mesmas com o Poder poltico local. A concluso mais importante a de que a burguesia regional se organizou como classe, nesse perodo, tendo evoludo de uma ao corporativa inicial para o exerccio da hegemonia, ao final do sculo XX. Mas o que mais chama a ateno na sua bem elaborada Tese de Doutorado a descoberta, durante as suas pesquisas, no Jornal Binmio , de Belo Horizonte de que em Montes Claros, no sculo XX ainda havia resqucios de escravido, de escravido branca, quando casais vindos do nordeste (retirantes) eram negociados .

Em 1959, os retirantes de Montes Claros foram assunto nacional. O jornal Binmio, de Belo Horizonte, divulga que um mercado de escravos em Montes Claros, pois os jornalistas, disfarados de fazendeiros, teriam comprado um casal de nordestinos por 4 mil cruzeiros, com recibo e garantias de sade do mesmo. Tal fato teve repercusso nacional e foi contestado pela imprensa montesclarense da poca tendo como porta-voz o ex-colunista e Jornalista Lazinho Pimenta. Mkie destaca ainda a participao do Prof. Simeo Ribeiro Pires e dos Professores Alfredo Dolabella e Expedicto Mendona na teorizao das teses separatistas que fundamentaram o Estado de So Francisco e o Estado de Minas do Norte, ambos derrotados no Congresso Nacional.

Dr. Simeo lembrado pelo Prof. Laurindo da seguinte maneira: Destacamos, ainda, a atuao de Simeo Ribeiro Pires. Pertencente a uma das mais tradicionais e influentes famlias da regio- os Ribeiros-, Simeo, formado em engenharia e histria, era tambm fazendeiro, industrial e liderana poltica. Foi prefeito de Montes Claros entre 1959 e 1963 e vereador nas gestes 1963-1966 e 1967-1970. Entendemos que ele foi um dos principais formuladores da ideologia regionalista, desempenhando o papel de intelectual das classes dirigentes, organizando-as, contribuindo para lhes dar homogeneidade e exprimirem-se poltica e economicamente, conforme prope Gramsci. (...) ele foi voz ativa no movimento de 1987-1988, fornecendo a esse movimento (Estado Minas do Norte) um dos seus argumentos mais fortes: a tese da primazia baiana na colonizao do Norte de Minas e a similitude dessa regio com o restante do Nordeste. J em 1962 e 1965, ele publicou artigos defendendo suas idias e as apresentou, de forma organizada e completa, em 1979, com o livro Razes de Minas.

O mrito maior do Prof. Mkie sistematizar com clareza e preciso cientfica o processo de formao da ideologia do regionalismo traando um perfil que se iniciam com as bandeiras paulistas, passando pelas disputas polticas de Camilo Prates e Honorato Alves, a criao da SUDENE, os movimentos separatistas patrocinados pela classe poltica local e contestada pelo centralismo do Governo mineiro. Deixa claro que neste perodo contemporneo no houve espao para significativas manifestaes populares e que realmente o processo poltico foi ditados pelas classes empresariais e intelectuais, com poucas ou rarssimas excees . Ressalta por fim que as poucas demandas populares de carter regional foram capitalizadas pelo trip: Sociedade rural, ACI e Polticos institucionalizados ( Prefeitos, vereadores e Deputados).
Referncia: PEREIRA, Laurindo Mkie. Em nome da regio, a servio do capital: o regionalismo poltico norte-mineiro. So Paulo: USP, 2007.

Gustavo Mameluque. Jornalista e Cronista do site montesclaros.com - Membro do Instituto Histrico e Geogrfico de Montes Claros.
[email protected]



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Por Gustavo Mameluque - 4/9/2020 18:12:07
Antnio D. O grande sertanejo injustiado E Caleidoscpio.

Da mesma forma que Napoleo Valadares se entusiasmou ao prefaciar a obra-prima Serrano de Pilo Arcado- A saga de Antnio D eu tambm me entusiasmei e vibrei com to completo, profundo e marcante romance histrico. Merecidamente selecionado pelos Professores de Letras e pela COTEC para o Vestibular UNIMONTES. Fez-me lembrar Juan Rulfo no clssico mexicano Planalto em Chamas e Pedro Pramo, Cem anos de Solido de Gabriel Garcia Marquez e Grande Serto Veredas do sertanejo Guimares Rosa. Antnio D- Severo bandido; nos dizeres de Rosa. Perfeio na escrita e na imaginao. Riqueza de detalhes. Riqueza de fatos. Portugus perfeito. Misto de realidade e fantasia, com predominncia do resgate histrico do heri-bandido Antnio D. Mas, segundo o Prefaciador Valadares: o livro no s histria de Antnio D, que foi um menino da fazenda Salitre, em Pilo Arcado; um fazendeiro em So Francisco; um garimpeiro no Rio Claro, um jaguno com fama desde o Carinhanha at os Gerais de So Felipe; um bandoleiro que as foras do governo acabaram por desistir de querer matar. Antnio D queria apenas Justia. Receber o preo justo referente s terras que lhe tomaram com a aquiescncia do Poder de Planto em So Francisco. Somente queria o Justo. Foi empurrado para ser bandido. Serrano de Pilo Arcado mostra com muita clareza as arrelias polticas da cidade de So Francisco, cidade que tive a alegria de viver durante minha infncia, com os lderes locais tramando conspiraes para se agarrar ao poder, com assassinatos, deportaes, fugas de canoa, incndios, crcere privado, canalhice, nobreza de carter, grandeza de esprito, tudo o que h na vida e, por conseguinte, h no romance. uma produo literria nascida de um extremado esforo de pesquisa que, ao lado de outras obras consagrou a presena de Petrnio nas letras brasileiras. Segundo Luiz de Paula Ferreira: obra consagrada.

Ler Serrano de Pilo Arcado voltar ao tempo e relembrar conhecendo todos os segredos e costumes do sertanejo, de maneira especial o sertanejo das barrancas do So Francisco. A narrativa passa por Januria, So Francisco (ncleo central), So Romo, Serra das Araras, Braslia de Minas e Pirapora. O livro que mais se assemelha a um belo roteiro de cinema mostra a chegada de Antnio D e sua famlia na antiga Pedras de Cima (So Francisco) na poca do Imprio. Mostra com riqueza de detalhe os costumes dos Coronis da poca e tambm do homem comum. Homem comum muito bem representado por Antnio D. Antnio D foi escorraado de suas terras pelo desafeto Chico Peba com a complacncia e o apoio das lideranas municipais da poca, inclusive o vigrio de So Francisco. Foi-se embora para Serra das Araras apenas com o desejo de ser indenizado, pela Cmara Municipal pelo prejuzos sofridos. Nesta tentativa de reparo destacamos a forma como Petrnio delineou e explicitou o carter do Cel. Joo Maynart. Maynart era amigo de Antnio D e intermediou com as autoridades locais o pagamento da indenizao pelas perdas. Mas o Juiz Municipal e os Coronis da Velha Repblica inviabilizaram o Processo e lanaram Antnio D de vez no mundo do Crime. Antnio D era percebido pela populao ribeirinha como um verdadeiro Hobin Hood que protegia e lutava pelos mais pobres. A populao torcia para que as volantes do Governo no prendessem ou matassem Antnio D.
Mas para viver e sentir tudo isto que estou falando preciso ler cada uma das 597 folhas desta Obra-Prima. Morto traio por um jaguno infiltrado das Cotendas iniciou-se a sua lenda. Foi morto em baixo de um p de Baru centenrio que ainda hoje vive frondoso na Serra das Araras; bem ao lado do crrego da Aldeia; onde ele escolheu para viver seus ltimos dias ao lado de Francilha. O Centenrio P de Bar parece resistir como a gritar que o sertanejo Antnio D foi um grande injustiado. Como Joo Batista o foi. Ningum da Corte Herodes se pronunciou quando Salom recebeu a cabea de Joo como prmio. Da mesma forma ningum foi solidrio com a injustia cometida ao retirante Antnio D de Benedito. Petrnio resgata esta histria. Mesmo tardio. Oitenta e dois anos depois da sua morte a memria de Antnio D foi restabelecida e uma outra face foi contada.

Felicidade Patrocnio nos apresenta quem Petrnio Braz : Diante do reconhecimento, Petrnio Braz no se deslumbrou, mas aumentaram-lhe as responsabilidades. Sua riqueza ontolgica leva-o a gestos que merecem a nossa esperana. Um exemplo esta obra que agora edita. Partindo da conscincia da transitoriedade da nossa condio humana e entendendo que arte , tambm, a sntese de uma poca, o Autor reflete uma forma que supere os avatares de Chronos, e o que encontra? Novamente a Arte, como elemento de imortalidade. Privilegiando-a na rea da literatura, seleciona textos de contemporneos da regio norte-mineira, espao onde se fez e socializa um contedo que no apenas possa relembrar, mas celebrar e consagrar o que pertence verdade de um povo. Optando pela heterogeneidade temtica, CALEIDOSCPIO registra a exploso das letras de uma regio em um tempo de efervescncia intelectual. Cada seo precedida de uma apresentao dos autores dos artigos, livrando muitos do risco de serem vtimas da ptina do tempo. O que, tambm, quer o Autor, transformar a experincia escrita deste tempo em memria.

Termino esta resenha crtica com as lindas palavras do ilustre pai de Petrnio , Brasiliano Braz , nestes termos:

Antnio D nunca foi vencido. Numa sepultura rasa, nos rinces da serra das araras, dorme agora o sono da eternidade. Os seus feitos so, ainda hoje, o entretenimento, um dos temas dos seres ao p do fogo, nos lares humildes do serto mineiro.

Gustavo Mameluque- Jornalista, Membro do Instituto Histrico e Geogrfico de Montes Claros- Cronista do site montesclaros.com - Colaborador do Caderno Opinio do Jornal Hoje em Dia.



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Por Gustavo Mameluque - 14/8/2020 09:58:44
Em tempo de Pandemia vamos falar de Inveja.

Acabo de ler o excelente livro do Bahiano Joaci Ges, Presidente da Academia de Letras da Bahia com o ttulo A inveja nossa de cada dia em que o mesmo nos trs este sentimento pecaminoso desde Moiss, passando por Napoleo, Hitler, Kennedy, Jhon Lenon e Pel, dentre outros. Compilao de leitura obrigatria para todo aquele que desejar entender mais um pouco deste sentimento que ao longo dos tempos vem provocando guerras, mortes e revolues. Ele distingue com maestria muito bem, Inveja de Ambio. E nos revela que inveja desejar o que o outro tem enquanto que Ambio lutar, estudar, pelejar e trabalhar para chegar naquele patamar de sucesso que o outro chegou.
Captulo de destaque do livro aquele destinado ao Nazismo e tambm ao Vaticano. Pasmem ! Ele estudou profundamente vrios relatos do Pecado Capital, Inveja, no seio do Vaticano. De maneira tcnica e recorrendo a vrias citaes o autor descreve com rara cultura todo o processo de Inveja que culminou com o apogeu e a queda do III Reich Alemo protagonizado por Adolph Hitler. Hitler tinha muita inveja dos comerciantes judeus que viviam em Berlim. Inveja a sua cultura, a sua riqueza e sua prosperidade. Esta inveja transmutou-se em dio e este dio se consubstanciou em guetos e campos de concentrao. Ou seja, a inveja, mal hlito da alma ( segundo Ges) dos Pecados Capitais o mais mortal. Por inveja se deseja, se falseia e se mata.
Quem nunca sentiu schadenfreu provavelmente esta mentindo, j dizia Arnaldo Chuster e Renato Trachtenber na obra As sete invejas capitais.
Shadenfreude, palavra alem, representa quela alegria inconfessvel de outro se dando mal. Algo muito raro no Brasil de hoje. E principalmente na Poltica, ou seja, para alguns, quando pior melhor. Frase smbolo da INVEJA TUPINIQUIM. E no h reza forte ou mandiga, Santo Forte ou Iemanj que impea a inveja de atacar, porque querer o que do outro faz parte da natureza- de macacos a bebs, relembra Ges.
Ao longo da histria. Diversos personagens causaram prejuzos a oponentes que ameaavam roubar seu status. Em um caso famoso que entrou para a galeria de lendas sobre a inveja ( e que no consta no livro de Joaci Ges), o compositor italiano Antnio Salieri teria envenenado Wolfgan Amadeu Mozart, ento com 36 anos. Alis os dois so protagonistas do filme Mozart ganhador do Oscar. Salieri morreu de tanta inveja de Mozart.
Segundo a lenda, ao se preocupar somente em alcanar o gnio austraco, Saliere teria desprezado sua prprias qualidades excepcionais. Era um virtuose da msica tambm. Deu azar de nascer no mesmo sculo de Mozart. Tal qual Neymar Jnior deu azar de nascer no mesmo sculo de Leonel Messi e Cristiano Ronaldo. Dizem as ms lnguas que Neymar Jnior morre de cimes de Messi pelo fato de Messi ter sido eleito por diversas vezes o melhor do mundo pela FIFA. Da mesma forma Diego Maradona morre de inveja de Pel. Maradona gostaria muito de ter sido Pel. Alm de se um excelente compositor, ele havia descoberto Mozart, o que mostra uma sensibilidade aguada. Ele tambm era um gnio. Tal qual Maradora e Neymar. No precisava invejar ningum. Bastava-se em si mesmo.
Toda a trama e narrativa do clssico Machbet de William Sheakspeare, uma das obras que marcaram a passagem do homen medieval para o homem contemporneo, a linha mestra tambm a INVEJA. Lady Machbet chega a desafiar : Se voc no deseja o trono da Esccia no mais sers digno de mim. No sers homem . Machbet se rende ao desejo da esposa, e ao seu prprio desejo, e ensanguenta as suas mos. Como o Rei escocs morto em suas mos declara : Nem toda a gua do oceano vai lavar as minhas mos deste sangue injusto. a inveja produzindo dio, morte e dor. Avassaladora como vrus Covid-19 que no perdoa ningum: jovens, adultos, idosos, sadios e pessoas com cormobidade.
No Judasmo, a inveja s considerada pecado quando existe o desejo de tirar algo do outro. Quando tem o carter de admirao, vista como estmulo para o desenvolvimento material e espiritual. Ficou consagrada a expresso inveja santa ou inveja boa, incentivo para alcanar os objetivos de crescimento.
Concluindo este artigo em tempo de pandemia tenho inveja ( no bom sentido !) do autor deste clssico : A inveja nossa de cada dia. Mas uma inveja sadia. Quem sabe um dia eu e mais um tanto de ns no venhamos a sistematizar e redigir como ele ? Lembando que inveja difere de ambio. E que podem existir duas ambies. Uma de querer crescer e outra de querer destruir para cre







84606
Por Gustavo Mameluque - 25/3/2020 13:01:51
Todas as coisas me so lcitas, mas nem todas as coisas convm. Todas as coisas me so lcitas, mas eu no me deixarei dominar por nenhuma. So Paulo. 1 Corntios 6:12

Afastado das letras por questes de tempo, inspirao e talvez at desnimo vejo-me compelido a escrever algumas linhas sobre a Pandemia do Coronavrus. Este evento de propores planetrias levam-nos a algumas reflexes; tudo um mix de telejornais, informativos da OMS e porque no opinies de parentes, amigos e profissionais da Sade. Nestes tempos tambm, Padres, Pastores, lderes religiosos de toda a crena tambm se manifestam.
Resumindo tudo que vi e ouvi desde 11/03/2020 ( Dia em que a OMS decretou o Estado de Pandemia Internacional) fiz o seguinte relato inconclusivo e incompleto :
1). Esta pandemia no de esquerda, de direita nem de centro. No tem matriz ideolgica nem filosfica.
2). O COVID-19 no escolhe a vtima. Atinge todas as classes sociais em todos os lugares do mundo.
3). Parece que os Governantes pelo mundo afora esto entre uma escolha de Sophia. Ou optam pelo isolamento total das pessoas ou fazem um isolamento parcial priorizando a manuteno mnima dos agentes econmicos.
4). Parece que com o agravamento da crise os nimos entre os vrios nveis de Governo ( Federal/Estadual/Municipal) vo se acirrando levando a situaes e declaraes inusitadas e surpreendentes, dependendo do ngulo em que se est.
5). Nunca se discutiu tanto a importncia da Cincia na busca da cura para os males da terra. E tambm nunca se questionou tanto a Cincia como soluo para os nossos problemas.
6). Nunca foi to atual a clebre frase que encerra o romance russo Os Irmos Karamazov : Se Deus no existisse tudo seria permitido . Inclusive o Caos.
7). Estamos todos certos em protegermos nossos pais, avs, parentes, amigos e a ns mesmos. Quanto a isto no existe polmica.
Como observamos uma verdadeira salda de frutas em que muitos gritam, muitos escutam, muito reproduzem ( s vezes at sabendo que trata-se de Fake News). Salvo melhor juzo, e retomando os ensinamentos dos filsofos e telogos da Academia da PUC-MG entendo que o momento exige muita serenidade, responsabilidade e Bom Senso.
A ironia final que a imortalidade, em vez de nos preservar para a eternidade, nos transformaria em algo que nunca fomos. O Professor de filosofia de Cambridge Stephen Cave lanou um livro sobre imortalidade no qual defende o argumento de que, se um milagre nos desse a vida eterna, a civilizao, tal qual conhecemos, estaria irremediavelmente destruda. Grande parte do que fazemos com base na esperana de vencer a morte. O que faramos se no fosse mais preciso rezar, criar arte nem pesquisas cientficas?, diz Cave. Alm disso o valor de uma coisa definido por sua escassez. Valorizamos o nosso tempo porque ele limitado. Sem ter o que fazer , mas com tempo infinito para faze-lo, seramos outros. As consequncias da eternidade seriam ruins para o indivduo e um desastre para a civilizao.
Mas nada disso matar a esperana, a ltima a morrer, afinal___ de que a morte seja, quem sabe, apenas um novo comeo disfarado.
Talvez pensar integralmente no prximo, amar o prximo, como pediu o Mestre seja a melhor opo nestes tempos de crise, em que a tica, a caridade, o bem comum mais importante que tudo; tal qual Paulo de Tarso proclamava aos Corntios : Tudo me lcito, mas nem tudo me convm. Lembrando que as Autoridades podem muito; mas no podem tudo. A sociedade organizada sim, respeitando o ordenamento constitucional, inclusive o Revisional; pode tudo !


Gustavo Mameluque, Jornalista, Servidor Pblico, Membro do Instituto Histrico e Geogrfico de Montes Claros-MG. Membro da Irmandade de Nossa Senhora das Mercs /Santa Casa de Caridade. Colunista Colaborador do site montesclaros.com




84104
Por Gustavo Mameluque - 22/7/2019 12:14:06
Agenda Antiga.

Relendo uma agenda de 1996 observo uma Coluna de Carlos Heitor Cony ( falecido este ano) que nos oferece uma linda reflexo. Tentarei aqui resumir : j contei, h tempos, a histria daquele empresrio que enfrentou uma greve de seus empregados. Depois de vrias negociaes, ele se dignou a receber a comisso de grevistas que desejava expor as justas reivindicaes da categoria. Se atendidas, a greve seria suspensa e todos voltariam ao trabalho no dia seguinte. O empresrio era cristo e recebeu paternalmente os grevistas com a pergunta : Meus filhos, vocs no sabem que o muro de Berlim caiu ? Esse negcio de greve j era. Muita gente h que, com outras palavras, diz a mesma coisa. Tendo cado o muro de Berlim, a luta pela justia social no tem mais sentido, o socialismo coisa do passado, retrgrodo, ou, como que o Presidente da Repblica Fernando Henrique Cardoso, coisa de pobre de esprito. O afobado come cru- no sou eu quem o digo, a sabedoria dos sculos. O Imperador romano Trajano afobou-se: era tambm bom homem, Suetnio e Renan, fazem elogios a ele, apesar de ter perseguido os cristos em todo o imprio Romano . Trajano foi to eficiente nessa perseguio que cismou de erguer uma Coluna, por sinal existente at hoje em Roma, no foro que tem o seu nome, ali ao lado da Piazza Venezia. Na Coluna, ele colocou a inscrio consagradora : O nome dos cristos foi destrudo . Ou seja, no havia mais cristos ao longo do imenso imprio. O Muro de Berlim havia cado. Conhecemos a histria. Hoje a Coluna de Trajano uma referncia turstica. Muito visitada, diga-se de passagem. Perto dela h uma taberna, chamada Ulpia. Foi fechada diversas vezes pela polcia, era um dos pontos de droga mais famosos de Roma. Ou quem sabe da Itlia. Drogados da frica, da sia, da Amrica Latina e sobretudo da Europa tinham dificuldade de encontrar a taberna, que meio escondida. Bastante escondida. Propositadamente. A referncia que os usurios recebiam era a seguinte : Perto da Coluna de Trajano. Ao menos para isso ela serviu. Quanto aos cristos, eles continuam por l. E espalhados por todos os continentes. Do outro lado do tibre, um sujeito vestido de branco que uma espcie de sucessor de trajano. No entanto o Chefe de Estado do Vaticano. E est mais forte do que nunca....

Gustavo Mameluque Jornalista. Vaticanista e colunista do montesclaros.com. Membro do Instituto Histrico e Geogrfico de Montes Claros.


83816
Por Gustavo Mameluque - 8/2/2019 16:30:30
As perdas de Minas com a Lei Kandir e com as barragens de rejeito montante. Quase 400 vidas que se foram!

Desde 1997 Minas Gerais recebe migalhas do Governo Federal em razo da malfadada Lei Kandir que desonerou a Exportao de alguns produtos primrios , dentre eles o Minrio de ferro, e a partir de ento a Receita do ICMS neste setor caiu vertiginosamente. O fundo de compensao previsto na Lei Kandir no remunera de forma adequada as perdas do Estado. Neste momento de dor pelas perdas de Mariana e Brumadinho lembramos que nesta histria toda Minas fica apenas com as grandes crateras, com as barragens assassinas e com diversas vidas ceifadas. Os lucros e os dividendos ficam apenas paras as empresas Mineradoras. A devastao ambiental no compensa os empregos gerados nas diversas cidades mineradoras de Minas. Principalmente se nestas cidades ainda existirem barragens montante que podem desabar a qualquer momento. Hoje mesmo em Baro de Cocais e Itatiaiuu foi acionada a ordem de evacuao. A Unio e o Estado no conseguem fiscalizar com rigor estas barragens. A propsito disto tudo o Ex Advogado Geral do Estado demonstra as perdas sofridas pelo Estado de Minas em razo da Lei Kandir de 1996 que prejudicou as finanas do Estado na arrecadao deste setor.
Em 2017 o Governador de Minas Gerais solicitou a abertura de novo dilogo institucional para incio de soluo negociada destinada extino, a um s tempo, das dvidas que o Estado possui perante a Unio (no patamar de R$ 88 bilhes) e das eventuais dvidas decorrentes das perdas experimentadas com a desonerao do ICMS nas exportaes, na forma do artigo 91 do Ato das Disposies Constitucionais Transitrias da Constituio da Repblica ADCT/CRFB/88 (cerca de R$ 135 bilhes).
Como sabido, o Supremo Tribunal Federal, na ADO 25, reconheceu a existncia de mora do Congresso Nacional quanto edio de lei complementar destinada a regular o mencionado dispositivo constitucional. No voto condutor, o ministro Gilmar Mendes ilustrou que o esforo de desonerao das exportaes ocorreu mediante reduo dos limites da competncia tributria estadual, ou seja, deu-se em prejuzo de uma fonte de receitas pblicas estaduais.
A CRFB/88 estabelecia em seu artigo 155, pargrafo 2, inciso X, alnea a que o ICMS no incidiria sobre operaes que destinem ao exterior produtos industrializados, excludos os semielaborados definidos em Lei Complementar. Em seguida, a LC 87/96 (Lei Kandir) determinou a desonerao do ICMS sobre as exportaes de forma ampla.
Segundo Onofre Alves Batista Junior a modificao buscou prestigiar e incentivar as exportaes, alegadamente em prol de toda a federao, entretanto, a nova regra, alm de provocar o fenmeno da desindustrializao, feriu mortalmente a fonte de recursos dos Estados que se dedicam atividade de exportao de produtos primrios, como Minas Gerais e Par. Com a ampliao da desonerao, por decorrncia lgica, houve perdas de receitas que, desde logo, foram reconhecidas pelo Congresso Nacional. Tanto assim que a prpria Lei Kandir, em seu artigo 31, criou um sistema de entrega de recursos financeiros da Unio em benefcio dos estados e seus municpios.

A justificativa para a proposio do Projeto de Lei Complementar 95, de 1996, que resultou na chamada Lei Kandir, objetivaria compensar as perdas de arrecadao dos Estados decorrentes da revogao da LC 65/1991 e da concesso de crdito ao contribuinte na aquisio de bem para o seu ativo permanente. A justificativa ao PLP 95/1996 ainda elucida que a desonerao das exportaes na Lei Kandir atendeu a interesses nacionais.
Em dezembro de 2003, tanto a desonerao das exportaes como o sistema de compensao financeira, preconizados pela Lei Kandir ganharam statusde norma constitucional, por fora da Emenda Constitucional 42/2003. Esta deu nova redao alnea a do inciso X do pargrafo 2 do artigo 155 da CRFB/88 e acrescentou, ao ADCT/CRFB/88, o artigo 91. Assim, para compensar a perda de arrecadao que o dispositivo firmou uma frmula de transferncia constitucional obrigatria da Unio em favor dos estados e do Distrito Federal.
No julgado, o ministro Gilmar Mendes, relator, ilustrou, o cenrio das perdas experimentadas pelos estados com a desonerao das exportaes e a razo para o estabelecimento, na CRFB/88, de regras de compensao de perdas. A omisso constitucional, como deixou gizado o ministro Gilmar Mendes, existe e j perdura por mais de uma dcada, portanto, h omisso, h estado de inconstitucionalidade. Nessa toada, o STF estabeleceu que, na hiptese de a nova lei no ser editada no prazo de 12 meses, cabe ao Tribunal de Contas da Unio fixar o valor total a ser transferido anualmente aos estados-membros e ao Distrito Federal e calcular o valor das quotas a que cada um far jus.
A chamada Lei Kandir estabeleceu um critrio provisrio (vlido por cinco anos) de compensao das perdas dos estados. A Unio, entretanto, se omitiu no estabelecimento de um critrio que efetivamente compensasse as perdas, e isso foi detectado pelo STF na ADO 25. O ministro, expressamente, decide que os estados precisam ser compensados pelas perdas impostas pela poltica levada a cabo pela Unio.
No caso mineiro, apenas para ilustrar, se tomarmos os valores repassados nos termos da famigerada Lei Kandir e as perdas efetivas impostas pela Unio, os prejuzos ultrapassam a cifra dos R$ 135 bilhes (valores corrigidos pela Selic capitalizada, menor ndice utilizado pela Unio na cobrana das dvidas dos estados).
Por certo, os prejuzos ao povo mineiro so muito maiores. Basta ver que, na dcada de 1970, todo o investimento feito para implantao de um parque guseiro que pudesse dar suporte indstria siderrgica e lastreasse a almejada implantao de indstria automobilstica foi fulminado. O minrio passou a ser exportado e, hoje, o ao chins chega em condies competitivas MG, feito com minrio das alterosas. O parque guseiro, hoje, est em runas e mais faz lembrar cidades do farwest americano; a indstria siderrgica patina. Em uma s pancada, toda a poltica de desenvolvimento mineira foi fulminada pela poltica de incentivo s exportaes de commodities da Unio.
As compensaes que devem ser firmadas visam apenas reparar as perdas diretas de arrecadao. No contemplam o ressarcimento pela destruio provocada ao parque industrial mineiro, nem ao desemprego consequente etc.

Todos sabemos que a crise financeira dos estados se arrasta h dcadas, e a relao com as perdas financeiras experimentadas pela Lei Kandir direta, clara, evidente. Os nmeros falam por si. Com a arrecadao perdida, MG estaria em condies de resolver todas as suas dvidas, em especial as com a prpria Unio, e poderia avanar, poderia proporcionar ao povo mineiro aquilo que se espera: mais educao, mais sade, mais segurana. Teramos tambm uma melhor estrutura no Sistema Estadual do Meio Ambiente. O que poderia evitar novas Marianas e novos Brumadinhos.
No se pense, porm, que quem perde to somente o estado de Minas Gerais. Todos os municpios (sobretudo os mineiros), da mesma forma, saem perdendo muito. A questo que, nos termos do pargrafo 1 do artigo 91 da ADCT/CRFB/88, do montante dos recursos a serem compensados, 75% pertencem ao estado, e 25%, aos municpios. Nesse compasso, um quarto do valor devido pela Unio pertence diretamente aos municpios e deve ser repassado pelos critrios do Valor Adicionado Fiscal (VAF). Assim, todos os municpios esto perdendo milhes de reais; alguns, por certo, bilhes.
O Ex Advogado Geral do Estado lembra ainda que Todos os entes federativos menores, estados e municpios, esto, com a omisso do legislador federal, perdendo bilhes de reais para o caixa da Unio[1].
O ministro Gilmar Mendes marcou que, caso a omisso persista, deve o TCU disciplinar a questo. A razo do mandamento clara: Na realidade constitucional brasileira, atormenta-nos o risco de julgados do Supremo Tribunal Federal estarem se transformando em meros discursos ltero-poticos. Diversos projetos de lei complementar tramitaram, foram travados, trancados ou foram engavetados no Congresso Nacional. O STF, expressamente, percebendo a realidade, determinou que o TCU se encarregasse da questo.
O problema que o Congresso Nacional conta com legisladores da Unio (federais) e nacionais. Com os mesmos trajes, as normas da Unio so feitas pelos mesmos parlamentares que fazem as normas nacionais. O STF sabe da fora do governo federal na feitura das leis; o julgador da magna corte sabe da influncia da tecnoburocracia da Unio e de seu esforo hercleo, sobretudo quando o que est em jogo so repasses de recursos dos cofres da Unio para os entes menores. Foi por isso que, por dcadas, o dinheiro dos Estados e dos municpios se manteve nas mos da Unio. Isso o STF, como guardio do pacto federativo, por 11 X 0, expressamente, quer evitar.
A propsito, a soluo para a questo no eminentemente poltica, mas tem alto teor tcnico, uma vez que se trata de uma verificao de valores necessrios para se compensar perdas. Prova disso que a apurao dos valores poder ser feita (e, com certeza, ser) pelo TCU.( Onofre Alves Batista Jnior).
Cabe agora ao Supremo Tribunal Federal julgar o pleito mineiro e declarar que realmente a Unio quem deve Minas e no ao contrrio. Decidindo assim permitir ao Estado se desvencilhar da maior crise financeira da sua histria, reparar os danos ambientais provocado pelas mineradoras e implantar um novo modelo de Minerao com a extino definitiva das barragens de rejeito Montante; com uma fiscalizao eficiente e que no produza mais mortes como a de Mariana e Brumadinho. apenas respeitar o Pacto federativo e a Justia. Para que Minas Gerais e os mineiros tenham dias melhores.

Gustavo Mameluque, Jornalista, Membro do Instituto Histrico e Geogrfico de Montes Claros. Colunista do montesclaros.com. Especialista em Administrao Pblica pela Fundao Joo Pinheiro- MG.


83680
Por Gustavo Mameluque - 21/11/2018 17:10:30
As lies de Mercury...


Acabo de assistir ao Filme Bohemian Rhapsody sobre a vibrante trajetria da Banda Inglesa Queen e do seu lder maior Fred Mercury ( interpretado pelo ator Romi MaleK) , falecido em 1991. Trata-se de um filme biogrfico com um excelente roteiro e uma atuao exuberante do ator que interpreta Mercury. A narrativa traz todo o histrico do lder desde a sua juventude como Operador de Malas no maior Aeroporto de Londres at a sua morte pelo vrus da AIDs. O roteiro nos apresenta um artista extremamente sensvel e humano ( at ento uma faceta desconhecida) e ao mesmo tempo bastante determinado e criativo. Sabia exatamente onde queria chegar. A trajetria no foi fcil. No incio a desconfiana das Gravadoras e do prprio empresrio; depois o efeito devastador da vida prosmcua e das drogas. A direo Musical e a trilha sonora so fantsticas e nos leva a uma viagem no tempo com : Love of my Life, Somebody, Bohemian Rhapsody e outros grandes clssicos. A semelhana dos atores com os demais componentes da banda tambm impressionante. Trabalho criterioso do diretor Bryan Singer . Mas quais as lies retiramos desta vida desregrada e fora dos trilhos de Fred Mercury? So trs momentos importantes trazidos pelo roteirista da pelcula. O Primeiro a coragem de Mercury para quebrar Paradgmas e inovar com criatividade e talento. As rdios inglesas somente tocavam hits com no mximo trs minutos; Bohemian Rapsody subverte esta ordem natural das coisas e, pela primeira vez na rdio britnica BBC um hit alcana os incrveis seis minutos e meio. Os dois ltimos momentos marcantes se referem ao retorno de Mercury Banda Queen no Studio da EMI-ODEON em Londres : Ele afirma para Brian May que a sua nova banda no deu certo porque todos os novos integrantes concordavam com tudo que ele dizia e propunha. Ou seja, a produo criativa, segundo Mercury est na discordncia e no debate; na troca de ideias, na tolerncia. Nesta mesma reunio na EMIO-ODEON ele pergunta aos membros da Banda : O que devo fazer para ser perdoado por vocs ? Penso que talvez este tenha sido o pice da narrativa pica. Que demonstrao de humildade daquele que era o lder, o maior, a Estrela dos Universitrios de Londres. A resposta foi rpida : Fazer o que vnhamos fazendo; a partir de agora no existe mais Fred Mercury e Banda Queen; mas apenas e to somente Banda Queen ( com os direitos autorais divididos proporcionalmente por todos. E para encerrar a Odisseia de Mercury, antes da sua apotetica apresentao no Estdio de Wembley em 1986, no Live AID, a passagem na casa dos pais para o incio das despedidas ( quando j se sabia que havia contrado o vrus da AIDS). Em certo momento ele se dirige a sua amada Maryan questionando: Para que vivemos ? Algum sabe o que procuramos realmente? Seria a felicidade? O Sucesso? O Poder? A riqueza? A inovao? O Bem-estar para todos? Para que nascemos? Indagaes e indagaaes que jamais sero respondidas. Nem por Sartre nem por Freud. Existencialismo puro. Qual o nosso fim? Tudo distribudo na letra de Bohemi Rapsody. Resta, portanto, a lio da humildade e a lio do perdo. Foi um homem que sobe perdoar e ser perdoado. Uma genialidade com todas as caractersticas dos grandes gnios: A capacidade de construir, de reconstruir, de errar, de admitir os erros, e sobretudo a capacidade de recomear: Mesmo que para Mercury este recomeo tenha sido interrompido abruptamente pela AIDS. Filme imperdvel. Para ser visto na telona. No Cinema. Onde se pode degustar cada imagem, cada nota do piano mgico de Fred Mercury. Memorvel portanto as suas ltimas palavras na letra da msica : Show mus go one como segue :

Espaos vazios
Pelo que ns estamos vivendo.
Lugares abandonados.
Eu acho que ns sabemos o resultado de novo e de novo.
Algum sabe o que ns estamos procurando ?
Outro heri/Outro crime impensvel/Atrs da cortina
Na pantomima/Segure a linha/Algum quer segurar um pouco mais?
O show deve continuar
O show deve continuar, sim
Por dentro meu corao est se partindo
Minha maquiagem pode estar escorrendo
Mas meu sorriso/Ainda permanece
O Show deve continuar sempre!!!!! Sempre!!!!

Gustavo Mameluque- Jornalista e Crtico de Cinema. Colaborador do montesclaros.com e do Jornal Hoje em Dia.



83017
Por Gustavo Mameluque - 12/1/2018 16:32:13
O PECADO DA MA

Glorinha Mameluque

Acabo de assistir o curta metragem intitulado O PECADO DA MAÔ, rodado e com artistas amadores de Montes Claros, que aborda um tema polmico. Fazendo uma pequena crtica, teo meus elogios produo, que de maneira leve e um pouco ldica aborda o tema, entremeando uma bela trilha sonora, fazendo ressaltar a tese de que A capacidade de amar no se esgota com a idade.
Ao final, a protagonista , por vir de um antigo casamento e estando inclinada a se entregar a outro, procura ajuda e orientao, no que no acolhida por um falso representante da Igreja.
O assunto tem sido fonte de debates e tentando esclarecer alguns pontos frgeis, cito aqui alguns itens da Carta ps-sinodal Amoris Laetitia do querido Papa Francisco, que bem podem ilustrar as dvidas ali colocadas. O que esse documento faz olhar com carinho as duas discusses: indissolubilidade do matrimnio e a misericrdia da Igreja diante daqueles que no puderam manter essa indissolubilidade. Esse olhar muito importante, de vez que existe uma infinidade de casos em que os casais ou apenas um deles fez grandes esforos para salvar o primeiro casamento e sofreu um abandono injusto.
Como membro do Tribunal Eclesistico Interdiocesano, que entre outras coisas, trata da nulidade do matrimnio, tenho visto inmeros casos em que de fato o primeiro casamento nunca deveria ter existido e que a Igreja como me misericordiosa, vem resgatar a pessoa ferida, dando-lhe uma nova oportunidade, aps minucioso e serssimo processo.
Reporto-me ao Boletim da Santa S de 05/08/2015 que diz: A Igreja sabe bem que tal situao contradiz o sacramento cristo. Todavia, o seu olhar de mestre parte sempre de um corao de me: um corao, que animado pelo Esprito Santo, busca sempre o bem e a salvao das pessoas. Eis porque sente o dever por amor da verdade, de bem discernir as situaes.
Se olharmos tambm para estes novos laos com os olhos dos filhos pequenos, vemos ainda mais a urgncia de desenvolver nas nossas comunidades um acolhimento real para com as pessoas que vivem tais situaes. Eles so aqueles que sofrem mais, nestas situaes. De resto, como podemos recomendar a esses pais que faam de tudo para educar os filhos vida crist, dando a eles o exemplo de uma f convicta e praticada, se os mantemos distncia da vida da comunidade, como se fossem excomungados?
...Nestas dcadas a Igreja no ficou insensvel. Graas ao aprofundamento realizado por pastores, cresceu muito a conscincia de que necessrio um fraterno e atento acolhimento, no amor e na verdade, para com os batizados que estabeleceram uma nova convivncia depois do fracasso do matrimnio sacramental; de fato, essas pessoas no foram excomungadas: no so excomungadas! E no devem absolutamente ser tratadas como tal; elas fazem sempre parte da Igreja.
O documento Amoris Laetitia confirma: No s no devem sentir-se excomungados, mas podem viver e maturar como membros vivos da Igreja, sentindo-a como uma me que sempre os acolhe, cuida afetuosamente deles e encoraja-os no caminho da vida e do Evangelho (AL 298)
Infelizmente, em algumas vezes no isto que presenciamos por parte de alguns agentes da Igreja, que excluem, no acolhem e ainda tratam mal e humilham as pessoas nessa situao.
O cone bblico do Bom Pastor(Jo,11-18) resume a misso que Jesus recebeu do Pai: aquela de dar a vida pelas ovelhas, mesmo as que se desgarraram do rebanho.
O prprio Evangelho exige que no julguemos nem condenemos (Mt7,1;Lc 6,37) e o prprio Jesus nos ensinou quando acolheu a prostituta e o pecador. Portanto, o caminho da Igreja deve ser o de Jesus: o caminho da misericrdia e da integrao. O caminho da Igreja o de no condenar eternamente ningum; derramar a misericrdia de Deus sobre todas as pessoas que a pedem com o corao sincero.
Recorrendo ainda ao Papa Francisco na sua carta Amoris Laetitia:
Por isso, um pastor no pode sentir-se satisfeito apenas aplicando leis morais queles que vivem em situaes irregulares, como se fossem pedras que se atiram contra a vida das pessoas. o caso dos coraes fechados, que muitas vezes se escondem at por detrs dos ensinamentos da Igreja para se sentar na ctedra de Moiss e julgar, s vezes, com superioridade e superficialidade, os casos difceis e as famlias feridas.( AL 305) (So palavras do Papa e no minhas)
Graas a Deus, temos em Montes Claros, duas opes de acolhimento a todos aqueles que abraaram um novo relacionamento, pelo fracasso do primeiro: o Tribunal Eclesistico que acolhe e analisa os casos passveis de nulidade e os Encontros do Bom Pastor, de iniciativa da Pastoral Familiar, j atuantes em vrias Parquias, que acolhem, orientam e incluem na Igreja os casais de segunda unio.

Glorinha Mameluque. Escritora. Membro da Academia Montesclarense de Letras.


81475
Por Gustavo Mameluque - 13/4/2016 18:04:13
Tenho 32 anos de Servio Pblico Estadual e 34 anos de atividade jornalstica, sempre em Assessoria de Comunicao e/ ou como colaborador de diversos jornais e veculos, por ltimo colunista do montesclaros.com e do Caderno Opinio do Jornal Hoje em Dia . Por alguns anos fui o Diretor do Sindicato dos Jornalistas para o Norte de Minas. Em minha vida profissional, j escrevi linhas que no foram publicadas. No linhas mandadas. Sou jornalista por vocao e servidor pblico por opo. Amo as duas carreiras; os dois caminhos. E por ltimo transformei-me em Professor Universitrio. Arrisquei um mandato poltico que no se concretizou. No me arrependo. A campanha limpa, sem recursos financeiros, sempre vale a pena; mesmo que no seja vitoriosa.
A poltica nunca foi uma escolha fcil: o conflito uma face da sua essncia. Do ponto de vista metodolgico, a imparcialidade no existe em qualquer anlise social e poltica. Mas importante dizer que ser parcial no significa ser partidrio. Como cidado, defendo a luta da humanidade pela igualdade, liberdade, paz e fraternidade. Tendo por base esses valores, que esto nos compndios dos direitos universais, sempre procurei retratar os fatos o mais fielmente possvel, de diferentes ngulos, e interpret-los. Nesse sentido, entre os interesses polticos e empresariais que fazem parte da sociedade, fico com a minha anlise e com a minha conscincia e coerncia.
A liberdade de imprensa dos grupos empresariais termina onde comea a liberdade do jornalista; e vice-versa. Por acreditar que esta convivncia ainda seja possvel, num Brasil onde as ameaas liberdade e aos direitos individuais crescem, continuo onde estou. Como disse certo pensador, "se o preo do cu a minha conscincia, que venha o inferno".
Digo tudo isto porque fao parte de uma gerao que, quando estudante na Pontifcia Universidade Catlica de Minas Gerais , conheceu de perto o preo da liberdade. Quero seguir na direo certa da histria.
Tenho conscincia do que melhor para o Brasil dos nossos filhos e netos sempre respeitando todas as tendncias polticas e crenas. No entanto sempre estarei ombreado com aqueles Partidos e Candidatos que respeitem a F, a Esperana e a Caridade e a democracia participativa.

(Gustavo Mameluque , inspirado em um desabafo da Jornalista e Cientista Poltica do Estado de Minas Bertha Makroum.

Colaborador do Montesclaros.com e do Caderno Opinio do Jornal Hoje em Dia. Professor das Faculdades Santo Agostinho- Montes Claros-MG)


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Por Gustavo Mameluque - 9/10/2015 15:07:21
Crnica de Uma morte anunciada

Gustavo Mameluque

A populao estarrecida assistiu hoje tarde pelas ondas da INTERTV o anncio ofical da COPASA de que haver racionamento de agua na cidade a partir do dia 13 de outubro prximo. Foi anunciado ainda pela mesma COPASA que o reservatrio de Juramento so resiste por mais seis meses quando ento ocorrer o Caos, caso no chova. A metereologia sinaliza com chuvas fracas apenas para depois do dia 20 de outubro . O reservatrio complementar da Bacia do Pai Joo protegina no Parque Estadual da Lapa Grande que tinha uma vazo de 200 mm dia teve uma significativa queda para 120 mm dia em virtude da falta de chuvas. O mesmo noticirio nos informa que a situao do Pai Joo s no mais grave em virtude da proteco efetivada nas matas ciliares e nas nascentes exixtentes no interior do Parque Estadual da Lapa Grande. Hora ento de reconhecer os esforos do ento Prefeito Athos Avelino, do Secretario Municipal do Meio Ambiente poca ( 2008) Paulo Ribeiro e do Governador Acio Neves na acertada deciso da criao do Parque Estadual da Lapa Grande. Se vamos ter um socorro de agua nos prximos meses muito se dever contribuio do Pai Joo protegido pelo IEF no sagrado Parque Estadual da Lapa Grande. Os versos dos ambientalistas tornaram-se aes prticas em defesa da vida. Quem sabe agora , diante da crise hdrica anunciada, no nos conscientizemos da importncia da preservao das matas ciliares que circundam nossos rios e da importncia do uso racional da gua. Enquanto isto em funo do " El Nino" e das intempries naturais do Semi-rido o Rio Verde Agoniza. O So Lamberto Agoniza. Vrios sistemas agonizam. De doze postos perfurados para reforar o nvel da Barragem de Juramento apenas quatro responderam positivamente. E o Estado e a Prefeitura atordoados com a tragdia anunciada se movimentam em busca de solues alternativas. O que fazer de concreto em perodo de reduo de recursos pblicos e crise econmica? Houve falha no Planejamento do Orgos ambientais e hdricos? A nica certeza que temos que, confirmado o diagnstico da COPASA no MG TV de hoje, dias difceis se vislumbram para o cidado de Montes Claros. Sem as costumeiras chuvas outubro a situao tende a se agravar ainda mais. Ser que esta situao limite no poderia ter sido evitada ou minorada? Sem a participao efetiva da Sociedade Civil e dos Orgos estatais uma soluo prtica e racional no dar resultados. No mais... orar, rezar e pedir a So Pedro e Santa Brbara que nos tragam chuvas. Com muitos raios e trovoadas. E principalmente com muitos e muitos milmetros de gua. Para complicar ainda mais o Rio So Francisco tambm agoniza. Lentamente. Herclito Ortiga, poeta e escritor Ribeirinho jamais imaginara tal tragcia. Tanto que pediu em seu eptfio para plantar seu corao nas margens do Rio. E assim encerramos com o seu poema: " Meus olhos viram tudo que desejaram e meu corao a nenhum prazer se negou. Quero ficar no indefinido tempo enraizr meu corpo no ingazeiro ali, entre as pedras e o rio. Quero me confundir com o verde e a gua beber o sol e me render ao mistrio. Quero anoitecer com todas as noites e amanhecer eternamente doce melodia. Planto meu corao na volta do Rio e o reparto com vocs todos". Que nossos filhos e netos respeitem a natureza. Pois a resposta pelas agresses sofridas nos sero sempre dolorosas.

Gustavo Mameluque. Jornalista e Membro do Conselho Gestor do Parque Estadual da Lapa Grande em Montes Claros.MG. Barranqueiro. Nascido em Pirapora-MG.


80442
Por Gustavo Mameluque - 21/8/2015 10:30:40
Destacando-se em tempos desafiadores: aprendendo com a Honda

Por Gustavo Mameluque e Ricardo Carvalho de Barros


O ambiente econmico e poltico no Brasil est bastante conturbado neste ano de 2015. Ao lermos os dados referentes ao varejo, verifica-se uma queda nas vendas de praticamente todos os setores que atuam na venda ao consumidor final, resultado de forte retrao na economia provocada pela poltica de conteno de gastos do governo federal pela exausto dos recursos para eleger a atual presidente e do baixo astral que tomou conta da populao.
Ns vivemos em grande parte aquilo que acreditamos viver, a realidade ao final uma coisa subjetiva que varia de acordo com a forma que olhamos para ela. Certamente a busca de um olhar isento ajuda a que no sejamos como o cara que caiu do dcimo andar e ao passar pelo nono, oitavo, stimo andar, constatava que at ento tudo ia bem. Agora, entregar os pontos, jamais.
As crises servem para diferenciar os adultos das crianas. Temos que procurar sempre ser uma nau com um mnimo de estabilidade em meio tormenta.
Verificando por exemplo os dados da economia referentes ao mercado de automveis, h as marcas que sofrem muito mais que as outras. Olhar a mdia o vcio de quem no estudou estatstica, pois se eu como um frango e voc nenhum, ambos comemos meio frango na mdia. S que a algum estar de barriga vazia. No caso, em meio ao amargor mdio de queda nas vendas de 20% no setor de automveis, a Honda apresenta crescimento acima de 12% nas vendas. A chave para isto est na inovao. Ao lanar o HRV, a Honda disponibilizou para uma clientela mais seletiva um produto novo que se destacou no marasmo da concorrncia. A fama de ter um timo ps-venda e produzir veculos confiveis ajudou mais ainda que o seu utilitrio esportivo causasse filas de espera em um ambiente de pelo amor de Deus, me queira presente no mercado.
Ainda atuante no mercado de motocicletas que o setor em que tem a liderana absoluta de mercado com aproximadamente 80% das vendas, no dormiu em cima dos louros da vitria e renovou completamente a CG 150 Fan e Titan. O mais interessante que renovou completamente um veculo que nem de longe ameaado de perder seu reinado pelo segundo colocado nas vendas. Este mercado de motos encontra-se todo em retrao, mas as empresas que se destacam so as que inovam e lanam novos produtos, como tem feito tambm a Yamaha. Quando o dinheiro curto, o consumidor torna-se mais exigente.
No se lidera uma corrida solto em meio tormenta tipo nau deriva, portanto, aguardar um socorro para as empresas vindo de uma melhora no mercado e no ambiente de negcios pode fazer com que a seja tarde demais. Se a empresa no caso no trabalha com produtos ligados tecnologia, a busca de inovao no atendimento tambm um fator para se destacar e fisgar o consumidor reticente. Surpreenda seu cliente, muitas vezes com coisas simples que podem faz-lo se sentir especial. Dar um brinde (caneta, bon, etc.) inesperadamente, no deixa-lo entrar no estabelecimento sem ser cumprimentado com um bom dia ou boa tarde, conceder uma entrega de cortesia, arrumar algo que no momento traga pouco lucro mas denote ateno so fatores para espantar o baixo astral. A possibilidade de mudana nas formas de pagamento propiciadas ao consumidor, obviamente aps um processo de levantamento de dados sobre sua capacidade de pagamento, ajuda nas vendas.
Em tempos de crise temos que trabalhar mais para simplesmente manter os resultados. Administradores que conseguirem suplantar as dificuldades e no se deixarem abater pelo mau humor reinante certamente sairo mais fortes destes tempos bicudos.


(Ricardo Carvalho de Barros, engenheiro Agrnomo e professor de agronegcios nas Faculdades Santo Agostinho. Gustavo Mameluque. Jornalista. Professor do Curso de Administrao das Faculdades Santo Agostinho).


80025
Por Gustavo Mameluque - 30/5/2015 12:48:46

Faleceu hoje em Montes Claros o Compositor e Ex- Secretrio Municipal de Cultura Ildeu Brana. Brana foi um dos criadores do Grupo Musical Agreste e teve intensa participao na revitalizao da Cultura Catrumana e no fortalecimento das " Festas de Agosto" resgatando e valorizando a tradio deste evento. Viveu com intensidade e com muita dignidade. Tive a alegria de compartilhar com ele e com sua famlia de vrias lutas e embates. Honrando o sobrenome forte, nunca se curvou s tentaes do consumismo desenfreado e mosca azul do poder. famlia enlutada, a fora da f e o blsamo da esperana. O velrio est ocorrendo na Sala Geraldo Freira idealizada na Gesto de Ildeu frente da Secretaria Municipal de Cultura de Montes Claros.
Gustavo Mameluque. Jornalista. Professor Universitrio.


79571
Por Gustavo Mameluque - 11/3/2015 12:00:57
Para sempre Alice aparece como mais um " filme de atriz" e talvez por isto no tenha sido indicado para o Oscar de melhor filme. O filme tem um roteiro consistente e que prende muito a ateno dos amantes do Cinema e a interpretao de Juliane Moore simplesmente perfeita. Em diversas cenas ela consegue passar ao pblico todo o sofrimento das pessoas que so acometidas pelo Alzheimer. Sentimentos como ansiedade, angstia, medo do novo, reviso de conceitos, preocupao com o que vir. O discurso de Alice na Associao de Alzheimer de N.Y.C. ma lio de vida. Em determinado trecho ela diz: " estou perdendo aos poucos aquilo que me mais caro: a memria, os sentimentos e a minha prpria essncia. Mas estou feliz porque esto aqui comigo todas aquelas pessoas que amo verdadeiramente e que nunha esquecero daquela que sempre fui". Realmente emocionante. O filme com uma fotogragia aplicada e impactante tambm revela um Alec Baldwin insonso e engolido pela interpretao de Moore. Como dizia os diretores de teatro: " Ela rouba toda a cena. Destaque ainda para a atuao de Lydia, filha mais nova de Alice. Realmente a direo no inova e a msica tema um pouco repetitiva. O filme as vezes caminha um pouco para o estilo " documentrio".
Vale a pena ver. E rever. Ao lado de " Hotel Budapeste" pode ser que uma grande inustia tenha sido pela Academia de Los Angeles. Cena marcante: vrias. Destaco aquela em que Alice rene toda a famlia para noticiar o diagntico de Alzheimer. Momentos de emoo e tenso. A cena comove pela beleza, pelos olhares, pelas lgrimas; e mais uma vez pela interpretao avassaladora de Juliane Moore. Gustavo Mameluque Jornalista e Critico de Cinema em Montes Claros-MG.


79454
Por Gustavo Mameluque - 13/2/2015 13:43:10
Faleceu ontem em Guaraciama o Jovem Jonathan Meira dos Santos, 26 anos, vtima de um Acidente na Propriedade de sua famlia. Egresso do Curso de Administrao das Faculdades Santo Agostinho, Produtor Rural e Pequeno empresrio, era casado e deixa filha. Tive a alegria de ser Professor de Direito do Jonathan no Curso de Administrao. Para ele e famlia deixamos a seguinte mensagem aps o Sepultamento ocorrido hoje em Montes Claros. Jonathan o primeiro aluno que perco. Que perco para a eternidade. Foram mais de dez anos de magistrio para que me encontrasse com esta realidade. Talvez outros professores j tenham vivido esta triste experincia. como se a gente perdesse um " filho". Especialmente Jonathan que era alm do mais meu vizinho sendo que o conheci ele ainda tinha 13 anos de idade. Desejo a seus pais Argemiro e Betinha a fora da f e o blsamo da esperana. Com certeza, como lembrou Pe. Avilmar na sua missa de hoje, um dia, todos nos reencontraremos. " A certeza que eu tenho em mim, que um dia verei a Deus. Contempl-lo com os olhos meus a felicidade sem fim".


78973
Por Gustavo Mameluque - 7/11/2014 08:18:06
A crise anunciada e a crise no meu quintal

A vitria de Acio neves anunciava que seriam necessrias mudanas na conduo da poltica econmica para ajustar as contas nacionais. O governo est gastando mais do que arrecada, e isto ocasionar reduo dos gastos para ajuste e consequente esfriamento da economia em setores que tem relao direta com o tesouro, ou a aumento de impostos para cobrir o rombo (com pouco clima para isto), ou ainda a empurrar com a barriga.
Entretanto, o crescimento do PIB dado por uma mdia dos vrios setores que compem a economia (servios, indstria, agricultura, consumo das famlias e governo, investimento em maquinrio) e isto implica que pode ocorrer que enquanto alguns esto com bom crescimento outros setores podem estar encolhendo, e isto na mdia mostrar um crescimento baixo. O crescimento da economia dado pela realidade que pode ser favorvel (uma procura alta por determinado produto que voc ou sua empresa ofeream) ou for fatores desfavorveis (a seca pode limitar a produo e faturamento de vrias indstrias).
Sair comprando em um consumismo frentico coisas que a gente no precisa ou se endividando insano; abrir mo das necessidades porque lemos que o Brasil est em crise tambm no atitude equilibrada. Bem, e o que fazer no meio disto tudo?
No h uma economia na histria que trabalhe sempre em pleno crescimento, portanto um momento de depurao das coisas sempre existir. Quando a economia est a pleno vapor, h uma promoo dos trabalhadores por falta de mo de obra. Assim, servente vira pedreiro, pedreiro vira mestre de obras, engenheiro jnior vira engenheiro pleno. Mas quando a peneira da crise chega, h uma tendncia a quem no se firmou com suas habilidades ser o primeiro a pagar por ela com a dispensa de seus servios. Demitir custa cara para as empresas e formar mo de obra boa tambm. Se o bicho pega, mantm-se o capital humano mais qualificado. E quem vai contratar, sempre vai preferir quem j treinou e aprendeu em outro ligar, para j entrar fazendo certo.
Quanto s empresas, evitar o excesso de endividamento sempre salutar. m. No se despir da ousadia, que ela que permite ao homem chegar lua, mas lembre-se, no foi uma loucura, foi calculado. O exemplo das empresas X do Eike devem ser lembrados, no se pode basear que as coisas sempre daro certo e o banco vai cobrir nosso dficit. Afinal, o banqueiro o sujeito que te empresta um guarda-chuva em dia de sol e o pede de volta quando est chovendo. Nas crises, as empresas salutares engolem as deficitrias via expulso do mercado ou via saia da desta cadeira que agora comigo para desempelotar o caroo deste angu.
Portanto, nada de pnico e tampouco propagandear o Armagedom: simplesmente, esteja preparado. De qualquer sorte 2015 no ser um ano fcil para ns brasileiros comuns. Do Sudeste ou do Nordeste. Rico ou pobre. Includo ou excludo.
Ricardo Carvalho de Barros e Gustavo Mameluque, Professores de Administrao nas Faculdades Santo Agostinho


78872
Por Gustavo Mameluque - 14/10/2014 15:50:39
Tenho 30 anos de Servio Pblico Estadual e 32 anos de atividade jornalstica, sempre em Assessoria de Comunicao e/ ou como colaborador de diversos jornais e veculos, por ltimo colunista do montesclaros.com e do Caderno Opinio do Jornal Hoje em Dia . Por alguns anos fui o Diretor do Sindicato dos Jornalistas para o Norte de Minas. Em minha vida profissional, j escrevi linhas que no foram publicadas. No linhas mandadas. Sou jornalista por vocao e servidor pblico por opo. Amo as duas carreiras; os dois caminhos. E por ltimo transformei-me em Professor Universitrio. Arrisquei um mandato poltico que no se concretizou. No me arrependo. A campanha limpa, sem recursos financeiros, sempre vale a pena; mesmo que no seja vitoriosa.
A poltica nunca foi uma escolha fcil: o conflito uma face da sua essncia. Do ponto de vista metodolgico, a imparcialidade no existe em qualquer anlise social e poltica. Mas importante dizer que ser parcial no significa ser partidrio. Como cidado, defendo a luta da humanidade pela igualdade, liberdade, paz e fraternidade. Tendo por base esses valores, que esto nos compndios dos direitos universais, sempre procurei retratar os fatos o mais fielmente possvel, de diferentes ngulos, e interpret-los. Nesse sentido, entre os interesses polticos e empresariais que fazem parte da sociedade, fico com a minha anlise e com a minha conscincia e coerncia.
A liberdade de imprensa dos grupos empresariais termina onde comea a liberdade do jornalista; e vice-versa. Por acreditar que esta convivncia ainda seja possvel, num Brasil onde as ameaas liberdade e aos direitos individuais crescem, continuo onde estou. Como disse certo pensador, "se o preo do cu a minha conscincia, que venha o inferno".
Digo tudo isto porque fao parte de uma gerao que, quando estudante na Pontifcia Universidade Catlica de Minas Gerais , conheceu de perto o preo da liberdade. Quero seguir na direo certa da histria.
Tenho conscincia do que melhor para o Brasil dos nossos filhos e netos sempre respeitando todas as tendncias polticas e crenas. No entanto sempre estarei ombreado com aqueles Partidos e Candidatos que respeitem a F, a Esperana e a Caridade e a democracia participativa.
Gustavo Mameluque , inspirado em um desabafo da Jornalista e Cientista Poltica do Estado de Minas Bertha Makroum.
Colaborador do Montesclaros.com e do Caderno Opinio do Jornal Hoje em Dia. Professor das Faculdades Santo Agostinho- Montes Claros-MG


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Por Gustavo Mameluque - 29/9/2014 13:42:13
Tambm registramos com enorme pesar o falecimento hoje do " Agitador Cultural" Elthomar Santoro. Msico, cantor, teatrlogo e pessoa que prezava os verdadeiros amigos. Lembro-me que participamos recentemente de uma campanha para ajud-lo quando de um incndio que levou todos os seus pertences. Artista polemico e s vezes incompreendido fazia questo de enaltecer Montes Claros e seus maiores valores culturais. De bar em bar fazia a apologia de Darcy Ribeiro, Beto Guedes, Cndido Canela, Reginauro Silva, Ivone Silveira, Constantin e tantos e tantos outros representantes da nossa cultura, qual ele humildemente no se incluia. Descanse em paz bravo guerreiro! Cante no firmamento para aqui consolar nossa verdadeira tristeza por sua partida. Como uma morte anunciada !!! Gustavo Mameluque. Ator. Jornalista. Vivenciou parte da boemia de Elthomar.


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Por Gustavo Mameluque - 20/3/2014 10:50:32

O Engenheiro Montesclarense, que cursou o Ensino Fundamental na Escola Estadual Prof. Alcides Carvalho ( Polivalente) foi nomeado ontem Reitor da Universidade Federal de Minas Gerais. Filho do Engenheiro da antiga Matsulfur ( fbrica de Cimento) Dr. Ramirez, Jaime J. Ramirez Doutor em Engenharia Eltrica, Professor Titular da UFMG e atuava como Vice-Reitor desde 2010. O ilustre montesclarense era responsvel por todas as atividades internacionais da UFMG e se destacou nos diversos Projetos de Pesquisa desenvolvidos em Parceria com o Governo Canadense e Francs. Quando estudante na Escola Polivalente se destacava pela descrio, amor matemtica e a disciplina. Se Jaime morasse na Dinamarca ou na Alemanha seria recebido em sua terra natal com Banda de Msica, Fogos de artifcios e muita festa! Vitria do Mrito, do conhecimento e da dedicao. Aqui no Brasil a educao ainda no prioridade e nem reconhecida como a nica possibilidade de desenvolvimento sustentvel de uma nao. Gustavo Mameluque.

* Contemporneo no Polivalente de Jaime Ramirez e Colunista do Montesclaros.com


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Por Gustavo Mameluque - 29/1/2014 10:47:11
O teatro Neymar e Neymar Jnior com o Barcelona

Quanto mais tenta explicar mais se enrola o Neymar Pai ao tentar esclarecer o imbrglio em que se meteu e que, forado pelas denncias da Revista Espanhola El Mundo, teve que vir a pblico. Tudo comeou com as reportagens do El Mundo dando conta de que o Barcelona teria pago valores maiores do que o declarado para a imprensa em 2013. Estas denncias levaram renncia do Presidente do Barcelona Sandro Rossel. Ontem em uma tumultuada entrevista na cidade de Santos Neymar Pai, Scio da NN empreendimentos esportivos informa a todos que em 2011, recebeu 10 milhes de euros do Barcelona a ttulo de garantia de preferncia pela venda de Neymar Jnior sob pena de multa e devoluo dos valores. O ESPN Brasil ento mostrou vrias entrevistas em que Neymar naquela poca se dizia divido entre vrias propostas. Tudo no passava de um grande teatro. Em 2011 os Neymares j haviam vendido o destino da maior revelao do futebol brasileiro para os espanhis sem que o Santos Futebol Clube tenha tomado conhecimento. Resumo da pera: Neymar pai agora vai ter que se explicar com o fisco brasileiro e o Barcelona com o fisco espanhol e a torcida do Santos vai continuar chupando o dedo. lamentvel que no ano da copa no Brasil a sua maior estrela se seja envolvido neste disse-me-disse e nesta histria mal contada. Quando se vo s ruas por tica na poltica, nas relaes econmicas, nos esportes, fatos como os narrados acima nos deixam esmorecidos. E para terminar a polmica entrevista coletiva o Neymar Pai declara ainda que se no fosse a genialidade do seu filho na Copa das Confederaes o ano passado as manifestaes de rua no teriam cessado e poderia ter havido uma revoluo no Brasil. E o campeonato brasileiro de 2014. Fica o Fluminense ou a Portuguesa ? Em uma das suas crnicas Nelson Rodrigues ( Fluminense de corpo e alma) dizia que o futebol era um dos melhores exemplos de democracia: poucas regras, paixo pela camisa e valorizao do talento. O saudoso Nelson Rodrigues deve est chateado l de cima. Lembro ainda da mxima vivida pelos brasileiros nos anos 70: O negcio levar vantagem. Certo? A Lei de Grson se encaixa como uma luva na negociata descrita acima em que os Neymares saram ganhando muito, o Santos Futebol Clube ficou com o troco e a imagem do futebol brasileiro j marcada pela ineficincia e desmandos ( problemas na organizao da Copa do Mundo e escndalos do brasileiro) fica mais arranhada ainda. A sada torcer para o meu time do corao na esperana de que a paixo desinteressada e inocente dos tempos de garrincha e tosto mande lembrana aos dirigentes dos Clubes, da CBF e aos atuais atletas e aos seus pais/procuradores. Que nossos craques possam brilhar no campo para compensar a presepada e as trapalhadas dos nossos dirigentes. E a mxima da poltica menor passa tambm agora a valer para a nossa paixo nacional, o futebol: Transparncia ? tica ? Mrito?. Neste grande teatro da transferncia do Neymar valeu tudo !!! S no valeu perder!!! Inclusive os dez milhes de euros ou trinta e cinco milhes de reais, agora revelado. a cena final de um triste espetculo chamado Brazil. Que comeo de ano lamentvel para o futebol brasileiro!!! Ah! Mas que saudade de man Garrincha! Gustavo Mameluque. Jornalista. Ex-reprter esportivo do Dirio da Tarde/Estado de Minas. Colunista do Montesclaros.com


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Por Gustavo Mameluque - 23/12/2013 08:47:57
Armadilha na MG-122 ( Trevo-Capito Enas). Ateno todos os motoristas que iro utilizar a MG-122 na direo de Capito Enas pois foram contabilizados somente neste final de semana doze grandes crateras no asfalto no sentido Camarinhas/Capito Enas e mais 08 grandes buracos no Sentido Capito Enas/Posto Bomzo ( Trevo da 251). Para quem transita nesta estrada h mais de 25 anos foi uma cena desalentadora o que observamos no sbado ltimo. Na ida para Janaba presenciamos aproximadamente trinta veculos no acostamento realizando a indesejada troca de pneus cortados ou estourados. Chovia muito durante todo o dia. Em rpida inquirio a frentistas e moradores de Capito Enas e Posto Caititu uma rpida mas pertinente explicao: " Estrada com asfalto antigo (26 anos), muita chuva, e o trnsito de centenas de Carretas Cegonheiras ( transporte de veculos) com destino ao Nordeste brasileiro. Este " coquetel" molotov est destruindo pneus e rodas mas com a continuidade das chuvas poder tambm destruir mais vidas. Com a palavra o DER para que to logo d uma estiada comece imediatamente com a " Operao Tapa Buraco" no trecho citado. Mas que seja a Operao " recorte quadrado" e no simplesmente jogar brita e lama asfltica na cratera para ser reaberta no prximo ms. Aviso ento aos navegantes, ou melhor aos viajantes: Ateno redobrada aos que viajam para Janaba, Porteirinha, mato Verde, Guanambi, Conquista e para o Nordeste utilizando a antiga e to bem conservada MG-122. Gustavo Mameluque-Jornalista e Usurio da referida via h 25 anos e dois meses ( Nunca presenciei tanto buraco por Km rodado em uma s estrada). Deus nos Proteja a todos os viajantes e os familiares dos viajantes que esperam... Na oportunidade um Feliz Natal e um 2014 repleto de realizaes a todos os leitores do Mural do montesclaros.com


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Por Gustavo Mameluque - 23/9/2013 10:54:19
Supermercados e mercearias de Montes Claros vendem bebidas alcolicas a menores de 18 anos - Contrariando a legislao federal e em especial o Estatuto da Criana e do Adolescente Supermercados e Mercearias de Montes Claros vendem abertamente bebidas alcolicas a menores. Rarssimos so os Caixas dos estabelecimentos que exigem a Carteira de Identidade dos menores no ato da compra quando desconfiam da menoridade do consumidor/cliente. O fato j foi denunciado Vara da Infncia e da Juventude de Montes Claros e os estabelecimentos envolvidos notificados segundo informao reservada obtida da Justia. Na capital federal a Comisso de Constituio e Justia do Senado aprovou recentemente projeto de lei que criminaliza a venda, fornecimento (inclusive gratuito), servir ou entregar bebida alcolica a menores de 18 anos de idade. Nesta parte os Buffets tambm devero que se enquadrar. Apreciada em turno suplementar segunda votao a matria segue para avaliao da Cmara dos Deputados. A proposta aprovada na comisso, de autoria do senador Humberto Costa (PT-PE), excluiu dispositivo da Lei de Contraveno Penal, datada da dcada de 40, que pune de forma mais branda a venda de bebida s crianas e adolescentes. O relator Benedito de Lira (PP-AL) destacou que o Estatuto da Criana e do Adolescente (ECA) "j considera implicitamente" esse comrcio como crime, mas o Superior Tribunal de Justia (STJ) tem determinado, com frequncia, as punies com base na Lei de Contraveno Penal, que a legislao em vigor."O senador Humberto Costa, no seu projeto de lei, diz que a iniciativa ir resolver controvrsia jurdica acerca de qual procedimento aplicar nos casos de venda de bebida alcolica a criana ou adolescente: se o ato deve ser tratado como contraveno ou como crime", frisou o relator. Os senadores estabeleceram que os vendedores ou fornecedores de bebida alcolica processados e condenados pela Justia devero cumprir pena de dois a quatro anos de deteno. O projeto prev multa de R$ 3 mil a R$ 10 mil aos estabelecimentos comerciais punidos e estes ficaro interditados at a efetivao do pagamento. Vender bebidas a menores alm de ser um crime contribui para os inmeros e constantes acidentes automobilsticos que mutilam e ceifam vidas de jovens e adultos nos nossos Montes Claros. At quando ? Gustavo Mameluque. Jornalista e Colaborador do Montesclaros.com


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Por Gustavo Mameluque - 26/8/2013 14:46:13
RESQUICIUS : UMA LIO DE VIDA

Glorinha Mameluque

Saindo do Centro Cultural aps assistir a pea RESQUICIUS, a gente tem a sensao de que acabou de ter uma lio de vida.
So reflexes de cenas e momentos do cotidiano, que s vezes passam despercebidos a ns, pela correria da vida e preciso mesmo parar de vez em quando para uma reflexo.
Cenrio simples, sem ostentao ou elementos decorativos realam o texto e a apresentao dos atores, que sem holofotes da mdia nos passam durante uma hora de apresentao, textos profundos, s vezes carregados de pensamentos filosficos e outras vezes de cenas do nosso dia a dia.
Enfoca o homem prisioneiro, no s das celas fsicas, mas das correias invisveis que o prendem: as injustias, os preconceitos, a submisso ao poder, as diferenas...
Mostra aos espectadores que no preciso ter medo, que temos que atrever, esquecer o passado e viver o presente, viver cada momento como se fosse o nico, sem esperar grandes momentos :
Eu pensei que a vida fosse fcil... eu aprenderia
Eu pensei que lutar por todos os meus sonhos valeria..
Eu pensei que um dia eu venceria, eu lutei...
Fala da necessidade da mudana, da transformao da lagarta em borboleta graas grande esperana que eu tive do meu Deus.
Destaca o valor das pequenas coisas que s vezes desprezamos, como: falar, gritar, correr, andar, pular, tocar, sentir...
O retorno infncia, famlia, adolescncia, aos antigos amores...
A pea tem textos e msica de Jos Mamelluk, que tambm o ator principal.
Na apreciao de Tatiana Carence Martins, Bacharel e licenciada em Letras Portugus/Espanhol pela Universidade de So Paulo (USP), escritora e dramaturga, sobre os versos do autor apresentados na pea : Aqui esto conquistas, encontram-se desiluses, lgrimas, amores, paixes, raiva, perdo, f... e acima de tudo esperana. Em qu? De que a vida seja mais justa, de que o ser seja mais humano, de que o amor prevalea, de que a poesia acontea, de que a leitura seja mais que uma passada de olhos, seja vivncia, debate, conversa...
E foi isto mesmo que a pea transmitiu. profunda, sem ser cansativa; eivada de espiritualidade, sem ser piegas. E o ponto alto: a valorizao do deficiente, to bem expressada na bela voz do cantor e na execuo das msicas. E a frase que ficou ressoando na cabea de todos: Quem ser de ns o doente? Eu que fao da dificuldade a vida, ou tu que fazes da vida uma dificuldade?
No posso falar mais, mas convidar vocs para assistir a pea, nas suas apresentaes finais. Vale a pena! E parabns pelo seu autor e ator Jos Gomes Mamelluk Neto, que nos brindou com to belo texto.
Advogada, psicloga e escritora


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Por Gustavo Mameluque - 25/6/2013 14:37:03
Para um filho(a) que vai participar da sua primeira manifestao poltica:

Hoje meu dois filhos ( um maior outra menor) iro participar pela primeira vez de uma manifestao poltica. Incentivei-os a participar. Mesmo desconfiado e preocupado com o desenrolar dos fatos os incentivei. Disse a eles que participei do Comcio das " Diretas J" em Belo Horizonte na Praa da Rodoviria e que pintei a cara de verde-amarelo contra Collor. Afinal isto ser Jovem !!! poder participar, mesmo que com uma parcela, do fortalecimento da Cidadania e da democracia no nosso pas. Fiz portanto algumas ponderaes : No aceitem provocaes, No agridam pessoas e coisas, Se tiver que gritar que gritem pela Paz!!! Tenho certeza de que tudo dar certo e que a serenidade e o bom senso prevalecero. Reforcei ainda a recomendao da gloriosa Polcia Militar de Minas Gerais : Qualquer sinal de vandalismo sentem-se no cho para que a Polcia possa identificar e prender os baderneiros. Acredito firmemente que sairemos mais amadurecidos e fortalecidos de todos estes episdios recentes. O radicalismo e os extremos nunca construiram em nenhum lugar do mundo !!! Finalmente isto que recomendo aos meus dois filhos e aos outros jovens arrematando com o saudoso Renato Russo : " preciso amar as pessoas como se no houvesse amanh. Porque se voc parar pra pensar na verdade no h. Sou uma gota d` agua. Sou um gro de areia. Voc me diz que seus pais no entendem, mas voc tambm no entende seus pais". Como flexas, vo para o mundo !!! Vo ser feliz!!! Deus lhes protejam!!! Deus proteja o nosso Brasil!!! Muda Brasil!!! Muita calma nesta hora!!! Colunista do montesclaros.com


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Por Gustavo Mameluque - 20/6/2013 00:26:11
Terra em transe: Ou porque no soubemos ouvi-los

Confesso que resisti, ou melhor, evitei escrever este texto que hoje escrevo para tentar entender o que vem ocorrendo no Brasil desde o dia 11 de junho. A Juventude desvinculada de Partidos Polticos, sindicatos e associaes sai para as ruas das grandes capitais com o movimento se alastrando por todo o pas. Inicialmente um protesto direcionado contra o aumento das passagens de nibus de So Paulo sendo fortemente reprimido. Em um segundo momento o foco foi direcionado para os gastos exagerados com os Novos estdios para a Copa do Mundo de 2014 e finalmente um protesta tudo que vai da crtica volta da inflao, Impunidade, Corrupo, com um visvel desprezo pela classe poltica institucionalizada. O que esta juventude que est saindo para as ruas querem nos dizer? A manuteno do atual Estado Democrtico de Direito depender da sensibilidade dos nossos governantes (federal-estadual-municpal) e de todos os poderes da Repblica em no somente ouvir, mas compreender a voz rouca das ruas. Parece que chegamos ao limite: No conseguimos mais ver tantos inocentes serem assassinados por bandidos protegidos pela impunidade, brasileiros e brasileiros nos corredores dos hospitais, professores com salrios que no correspondem a sua importncia para uma sociedade que diz valorizar a educao, do caos no transporte pblico (caro e com baixssimo nvel na prestao do servio) e por fim aquela desconfiana mostrada nos cartazes empunhados de que os nossos representantes em Belo Horizonte e Braslia esto muito mais preocupados com seus pequenos interesses pessoais do que com a construo de um Brasil mais Justo e solidrio para todos. Os Partidos Polticos, a UNE, a OAB, as igrejas, as ONGs, os movimentos Populares organizados, as Centrais Sindicais, todos foram atropelados por um movimento em princpio descoordenado, mas que comea a mostrar resultados. As passagens tiveram reduo em So Paulo e mais cinco capitais. A terra Brasilis est em transe. No sabemos ao certo como tudo isto vai acabar. Importantssimo denunciar para toda a sociedade a infiltrao de vndalos, desordeiros, oportunistas e bandidos profissionais que se aproveitam de qualquer ocasio para depredar, roubar, saquear e destruir o Patrimnio Pblico e particular. Reprimindo e punindo estes vndalos extremistas devemos limpar bem os nossos ouvidos e escutar: Os jovens, os adultos e os idosos. Escutar toda uma sociedade que no agenta mais tanta indiferena da Classe dominante e que est cada vez mais indignada com a falta de compromisso daqueles que se propuseram a nos governar e nos representar. Vivemos uma crise de representao. Uma crise de identidade. Vamos torcer para que a sociedade brasileira, mais madura, mais machucada, mais verdadeira, saia destes acontecimentos podendo comemorar um novo Brasil, um Brasil mais Dom Quixote e pouco ou quase nada Sancho Pana. Vamos todos ouvir a voz rouca das ruas ou poderemos nos arrepender. Ser que esta onda refletir nas eleies de 2014? Quem viver ver! Desculpe o Transtorno- Estamos mudando um pas.
Gustavo Mameluque- Jornalista e Colaborador do site montesclaros.com
[email protected]


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Por Gustavo Mameluque - 13/5/2013 13:55:04
Dvida eterna( ou quase) sobre Dona Tiburtina e Dr. Joo Alves
No dia 06 de fevereiro de 1930, por volta das 23 horas, Dona Tiburtina e a ento pequena e pacata Montes Claros entrariam para a histria do Brasil, ao dar incio a Revoluo de 1930, que culminou com a posse de Getlio Vargas como Presidente da Nova Repblica. Naquela noite Montes Claros no mais seria conhecida apenas como grande entreposto de sal e gado, mas tambm como marco de uma rebelio feminina contra a sociedade patriarcal da poca. Naquela noite, onde hoje temos construdo o suntuoso Automvel Clube de Montes Claros, o ento Vice-presidente, Fernando Mello Viana, que visitava a cidade, foi supostamente atacado em um tiroteio, que envolveu as duas correntes polticas brasileiras da poca, a concentrao conservadora e a Aliana Liberal. Seis pessoas morreram, no primeiro de uma srie de conflitos que culminou com o fim da Repblica velha. Preservado no Departamento de Documentao da Universidade Estadual de Montes Claros consultamos e analisamos mais de 500 pginas resgatadas em 2002 do acervo do Frum Gonalves Chaves de Montes Claros. Na pesquisa importante da Prof. Ftima foram encontradas duas cartas relevantes: uma escrita por Ablio Coimbra, de Carangola, em 1939, comparando Tiburtina a Marlia de Dirceu, por comandar o levante contra o governo; e outra de Angelita Figueiredo, de 1950, que salientava a sua liderana poltica e pedia a ela apoio para eleger o marido, Mrio Augusto de Figueiredo, como Deputado mineiro representando a regio de Capelinha, no Vale do Jequitinhonha. Dr. Joo Alves faleceu em 1934 e Tiburtina continuou reinando nos sertes de Montes Claros.
Durante o meu trabalho de pesquisa no Departamento de Documentao da UNIMONTES referente ao Processo do suposto atentado de 1930 Comitiva de Melo Viana em Montes Claros deparamos com um fato intrigante e que parece ser uma dvida histrica eterna. Vamos tentar explicar com calma.
Todo o processo Criminal que se encontrava nos arquivos do Frum Gonalves Chaves foi remetido para o Departamento de Documentao da UNIMONTES. Aprofundando os estudos me dirigi aquele centro e solicitei o original dos autos. Grande surpresa. Os autos disponibilizados esto datilografados em Cpia dos autos manuscritos. Naquela poca todo o processo era datilografado para cpia. Pesquisas preliminares em fac-smiles de jornais da poca bem como narrativas de descendentes dos envolvidos demonstram que aps a vitria da Revoluo de 30 o Grupo de Dr. Joo Alves teria queimado os originais (manuscritos) de todo o processo . Na mesma poca relata-se que a cpia datilografada foi escondida nos arquivos do Frum Gonalves Chaves. A grande dvida que parece nunca ser decifrada a seguinte: Todos os estudos se baseiam nas cpias. O depoimento de Dona Tiburtina a que tive acesso bem como os outros pesquisadores so datilografados. Seria a cpia datilografada uma transcrio real dos dizeres de Tiburtina perante o Delegado Especial ?. Na cpia datilografada Dona Tiburtina apenas faz referncias a arrumao dos quartos para os hspedes e que na Cidade havia um grande nmero de Jagunos. J no depoimento de Dr. Joo Alves o mesmo se defende das acusaes: Minhas filhas estavam em casa. Jamais daria incio a um tiroteio. Posicionei alguns homens para o caso de alguma eventualidade.
Pelo descrito esta dvida permanecer ad eternum. Segundo ainda algumas ltimas poucas fontes procuradas, o neto do Jaguno Z Ferrador, que prefere manter-se em sigilo e preservamos a fonte; todo atentado Comitiva foi preparado e articulado no fogo de lenha da Cozinha de Dr. Joo Alves e Tiburtina. O Certo que o episdio de fevereiro de 1930 mostrou o equilbrio de foras antagnicas em Montes Claros ambas com aspectos conservadores e Coronelistas sendo que a fora encabeada por Tiburtina e Joo Alves se alinharam ao Governo Vargas e talvez, por isto, o incndio dos Originais dos inquritos, jamais sejam investigados. Seria possvel investigar um atentado cometido em 1930 ?. Continua ainda a dvida da poca: Quem teria dado o primeiro tiro ? Os jagunos encastelados na Residncia de Dr. Joo Alves ou os prprios jagunos da Comitiva Oficial de Melo Viana ? De onde partiu o primeiro tiro. O Certo tambm que , propositadamente, ao desviarem o roteiro Oficial, da Praa da Estao em direo ao centro para a esquerda ( atual Rua Dom Joo Pimenta) em direo a Residncia de Joo Alves, a Concentrao Conservadora Camilista desejava o embate. O que aconteceu depois Dona Milena Maurcio e a Prof. Ftima descreveram com riquezas de detalhes. Mas estas duas dvidas permanecem: Qual a participao efetiva de Tiburtina em todo o episdio. Quem disparou primeiro tiro? A emboscada dos bugres realmente existiu ou Joo Alves e Tiburtina apenas agiram em Legtima Defesa ? A histria foi escrita pelos vencedores e precisa de alguma forma ser reescrita ou mesmo comentada. Fica a rdua tarefa a se realizar. Cada dia, cada minuto, ela fica mais distante e mais custosa.
Gustavo Mameluque- Jornalista- Pesquisador dos fatos envolvendo Dr. Joo Alves e Dona Tiburtina que antecederam a Revoluo de 1930. Professor Universtrio. Servidor Pblico Estadual.


72724
Por Gustavo Mameluque - 10/9/2012 11:38:20
Causou estranheza a todos os montesclarenses que no viajaram no feriado o Grande e inusitado consumo de Bebida Alclica no interior do Campus da Unimontes em envento apoiado por diversas escolas pblicas de Montes Claros ( alojamento). Trata-se do Intermed , um evento esportivo de estudantes de Medicina do Estado de Minas. O que se viu foi estudantes com " canecas" e marmanjos urinando na frente da Escola Normal em plena luz do dia. Que exemplos este futuros mdicos deixaro para nossas crianas e adolescentes ? O foco no deveria ser a bebedeira mas sim o esporte. Fica o Registro. Lamentvel!!! Gustavo Mameluque. Jornalista, Servidor Pblico Estadual e Professor Universitrio. Colunista do montesclaros.com


71911
Por Gustavo Mameluque - 4/6/2012 09:30:24
Xuxa, Joana Maranho, Isabelle e outras. Ainda tempo...

Minha me dizia que estudo a coisa mais linda do mundo. No . A coisa mais linda do mundo o sentimento. ( Adlia Prado).

O depoimento forte e sincero da apresentadora Xuxa Meneguel no Fantstico da Rede Globo e a contundente abordagem realizada pelo programa Jornalstico Profisso Reprter na semana passada reacendem um assunto que h muito tempo vem sendo varrido para debaixo do tapete: O abuso sexual, principalmente contra crianas e adolescentes meninas. Os maiores abusadores ? Padastros, parentes prximos, vizinhos, amigos da famlia e professores (aqueles que deveriam cuidar, proteger e ensinar).
Xuxa relata abertamente que foi vtima de um av-padastro, de um amigo de seu pai e de um professor. A nadadora Joana Maranho acusa formalmente o seu antigo treinador de natao/professor. E Isabelle, uma jovem da periferia de So Paulo, aponta seu antigo padastro (por coincidncia, Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro). Foram depoimentos marcantes, fortes, sinceros, difceis para a maioria delas; como se estivessem querendo se libertar daquele trauma, daquele peso , que lhes atormentavam a vida. Falam agora porque no tm mais medo da verdade. Falam agora porque no desejam que outras crianas e adolescente passem pelo que passaram. Falam agora para alertar aos pais e responsveis que a criana , na maioria das vezes, frgil, no sabe se defender , e se submete por um bom tempo a ao covarde e violenta dos abusadores. Esta tragdia, ficou provada, no acontece apenas em uma classe social. Acontece nas manses, nos lares de Classe Mdia e na periferia das grandes cidades. E ainda continua sendo um assunto tabu. Somente quem foi vtima de abuso sexual na infncia ou na adolescncia, como demonstrado pela Profisso Reprter capaz de compreender o drama pelo qual passou Xuxa, Joana e Isabelle. Meninos tambm foram e continuam sendo vtimas de abusadores sexuais.
Somente uma sociedade hipcrita e indiferente no se sensibiliza com este drama que pode estar ocorrendo , s vezes, muito prximo de ns. Uma sociedade moralista que insiste em enviar para debaixo do tapete crimes serssimos no intuito de proteger instituies ou pessoas. A cidadania exige transparncia e busca da verdade . Doa a quem doer. As vtimas de abuso sexual devem receber todo o apoio, toda a compreenso e todo acolhimento que merecem. Cabe ao Estado, inibir a ao dos abusadores , punir com rigor quem comete abusos e proteger a vtima desses absurdos. Neste sentido a Nova Lei Joana Maranho que somente permite o incio da contagem da prescrio do Crime de abuso Sexual aps a maioridade ( 18 anos) deve ser comemorada por todos que queremos proteger crianas e adolescente.Todos ns, condenando e denunciando, poderemos minorar o sofrimento fsico e psicolgico de centenas de crianas e adolescente,e contribuindo para a construo de uma sociedade mais justa, mais igualitria, mais democrtica e menos hipcrita. No devemos nos esquecer que oprimir uma criana destruir uma vida, matar um sonho, cometer o maior dos pecados: agredir aquele que no tem a mnima possibilidade de se defender.
Gustavo Mameluque Jornalista , Professor Universitrio e Bacharel em Direito.


70309
Por Gustavo Mameluque - 4/2/2012 12:01:20
A Justia tarda e falha em Nova Lima(MG): Proteo incompleta.

Apesar de ainda prematura as primeiras informaes divulgadas pela imprensa sobre o assassinato da Procuradora Federal Ana Alice Moreira de Melo, seguido da divulgao da descoberta do corpo do agressor Djalma Veloso, levam a triste concluso de que mais uma vez a Justia brasileira no foi gil e que indiretamente contribuiu para este trgico episdio.
Inicialmente o Juiz de Direito de Nova Lima deferiu medida protetiva restringindo a apenas 30 metros o contato de Djalma com Ana Alice. No mesmo dia 01 de fevereiro em que Djalma foi intimado da referida deciso, exatamente s 18:00 hs foi determinada nova medida protetiva estabelecendo uma distncia de 500 metros e autorizando a Procuradora a abandonar o lar. Infelizmente, por falta de agilidade, o advogado da Procuradora e a administrao do Condomnio em que residia Ana Alice no foram comunicados em tempo hbil e s 20:30 hs do mesmo dia primeiro o agressor adentrou a residncia do casal, ainda sem saber da segunda deciso. Segundo a imprensa Djalma teria surtado ao tomar cincia da notificao judicial e teria ido tirar satisfaes com a esposa. Portanto, se imediatamente aps a divulgao da segunda medida protetiva( solicitada inicialmente pelo advogado da Procuradora e negada pelo Juiz), os principais interessados e responsveis tivessem sido avisados esta tragdia anunciada poderia ter sido evitada. Tudo indica, inclusive, que Djalma Veloso tenha morrido sem saber da segunda deciso judicial.
Isto mostra que no basta termos leis. Demonstra que elas precisam ser cumpridas com agilidade e resultado. A Delegacia de Crimes contra a Mulher de BH solicitou, em um ms, 932 medidas protetivas, 36% a mais que a mdia do ano passado. Instituda para criar mecanismos capazes de coibir a violncia contra a mulher, a Lei Maria da Penha completou cinco anos em 2011 e ainda apresenta deficincias na sua real proteo mulher ameaada. Assassinatos de mulheres se espalham pelo Brasil a fora. Uma Promotora de Justia ouvida pela reportagem da Rede TV afirmou que para se ter uma eficiente Lei Maria da Penha deveria haver Promotorias da Mulher em Planto de 24 hs e Juizado Especial para a Mulher em planto de 24 hs. Quem sabe este triste e lamentvel episdio de Nova Lima no seja a semente para que as decises judiciais (principalmente quando pessoas inocentes correm risco de vida) possam ser cumpridas com mais celeridade e efetividade. Bastava um envio de Fax para o advogado ou para a Administrao do Condomnio para que talvez uma vida inocente fosse poupada. Muitos frasistas dizem que tempo dinheiro... No caso a que nos referimos tempo era sobrevivncia.
Gustavo Mameluque- jornalista e bacharel em Direito.


70223
Por Gustavo Mameluque - 25/1/2012 08:23:52
O Drama de Pinheirinho to prximo de ns!

Uma geladeira. Um fogo de quatro bocas. Um tanquinho. 03 armrios modulados de cozinha. Um botijo de gs. Uma mesa de cozinha e quatro cadeiras. Uma mesa de cozinha. Dois chuveiros eltricos. Quatro bicicletas. Seis malas com roupas e utenslios domsticos. Isto era tudo que Dona Severina tinha no barraco de madeira desocupado na segunda-feira na Comunidade de Pinheirinho em So Jos dos Campos-SP. A rea, como diversas outras pelo Brasil a fora era invadida. A Polcia Militar cumpriu uma Ordem de Reintegrao e Posse expedida pela Justia de Primeira instncia e confirmada pelo TJSP e pelo STJ em Braslia. Mas o que mais chamou a ateno de todos foi que nesta comunidade existia: Coleta regular de lixo, duas ruas asfaltadas, uma biblioteca pblica municipal, uma escola, uma equipe do Progama Sade da famlia e centenas de ligaes de gua, luz e pasmem, telefone. Da mesma forma que o Conjunto Cidade Cristo Rei em Montes Claros o Estado ( Unio- Estado-Municpio) proporcionaram quela comunidade carente os servios pblicos em terras irregulares e invadidas. Trata-se de uma drama humano que insistimos em no enxergar. Famlias inteiras so empurradas para a ocupao de terrenos particulares abandonados e o Poder Pblico, at por uma questo de sobrevivncia daqueles famlias se vem na obrigao de lhes fornecer os Servios pblicos essenciais. No caso especfico da Comunidade de Pinheirinho eram 1800 barracos habitados por aproximadamente 8.000 cidados ( Clculos da Prefeitura Municipal de So Jos dos Campos e da PMSP). Por de traz desta reintegrao nos deparamos com a triste situao da excluso social e em especial da crise habitacional que vivemos nos nosso pas. O Governo de So Paulo e a Prefeitura de So Jos dos Campos ainda no sabem para onde iro as pessoas desalojadas da comunidade irregular. De quem a responsabilidade por tal situao ? Pinheirinhos e mais Pinheirinhos se alastram por todo o Brasil ; de forma muito marcante nas regies metropolitanas do Sudeste e do Nordeste. O Progama Minha Casa Minha Vida ainda no consegue absorver todo o dficit habitacional brasileiro avaliado em pelo menos cinco milhes de moradias dignas. As Prefeituras, de pires na mo, encontram-se totalmente impotentes para sozinhas enfrentar o problema.
Diante das cenas tristes e humilhantes que assistimos atnitos pela TV devemos nos indignar e trabalhar para que esta questo seja debatida com prioridade nas prximas eleies municipais , estaduais e para Presidente. preciso regularizar a situao dos que esto em situao irregular e propiciar moradias dignas para quem ainda no as tem. Mais do que um sentimento humano, cristo, ou tico, no realmente possvel colocar tranqilo a cabea no travesseiro enquanto centenas de brasileiros no tem onde morar, ou se tem, no moram na maioria das vezes em lugares dignos e habitveis por um ser humano mdio. O Ex-Presidente Francs Jacques Chirac, quando administrava Paris enviou um Projeto de Lei para a Cmara proibindo o despejo de inquilinos durante o Inverno. Chirac era considerado de Direita pela intelectualidade francesa. Mas isso demonstra que independentemente de crena, ideologia, ou convico religiosa alimentar-se e dispor de uma moradia digna essencial para que possamos viver em uma sociedade mais justa e igualitria.
Gustavo Mameluque- Jornalista .
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Por Gustavo Mameluque - 9/1/2012 08:39:57
EM BUSCA DE UM NOVO PACTO FEDERATIVO. EM BUSCA DE UMA NOVA CIDADANIA

Dados publicados pelo IPEA/Ministrio do Planejamento revelam que 59,5 por cento das receitas tributrias em 2011 ficaram com o Governo Federal, restando para os estados membros 21,0 por cento e para os municpios 19,5 por cento. Estes dados confirmam a tese do Senador Acio Neves e de vrios tributaristas de que hoje vivemos uma federao atrofiada, um Estado Unitrio, provocados por uma injusta e inadequada distribuio dos recursos tributrios. Se no bastasse isto, os Royalty do Petrleo tambm esto concentrados na Unio e nos estados produtores (Rio, Esprito Santo e Bahia).
Em funo desta injusta realidade materializada na Constituio Federal de 1988 a Unio Federal vem batendo recordes histricos de arrecadao em detrimento dos Estados e Municpios. Conseqentemente apenas a Unio Federal dispe de recursos para as grandes obras estruturantes e com impacto no desenvolvimento econmico e social. Tomemos como exemplo o Projeto Jequita. O Estado de Minas jamais poderia financiar to importante e necessrio empreendimento. E de fato, a Unio arcar com oitenta por cento do valor da obra. Os municpios brasileiros ficam engessados e dependentes de repasses do Governo Federal e dos Estados. As suas receitas prprias oriundas do IPTU,ISS, ITBI e Taxas no so suficientes para as diversas demandas na rea de infra-estrutura, sade, educao e principalmente trnsito e Segurana Pblica. Diferentemente da Unio os municpios so obrigados a percentuais de gastos mnimos com a educao e a sade. E todos eles, sem exceo tiveram dificuldades para quitar o dcimo terceiro salrio dos seus servidores. As grandes obras desejadas pela populao (grandes avenidas sanitrias, viadutos, pontes, anel rodovirio e ferrovirio, barragens) no podem ser construdas sem a beno do Governo Federal atravs do Oramento Geral da Unio/emendas parlamentares e do Programa de Acelerao do Crescimento. Novos investimentos so pea de fico para Estados e municpios. Paralelamente a isto os Estados membros no conseguem socorres os seus municpios circunscricionados.
Diante deste quadro desalentador para os Governadores e Prefeitos uma das solues a busca de um novo Pacto federativo com uma redistribuio mais justa e adequada das receitas tributrias e a presso para a aprovao Urgente de uma Reforma Tributria que desburocratize a cobrana de Imposto no Brasil e que distribua a cada ente federado as receitas tributrias em partes iguais. Unio 33,0%, Estados 33,0% e Municpios 33,0, proposta esta que j est sendo defendida no Senado Federal pelo Governador Acio Neves e pelo Presidente da Confederao Nacional dos Municpios com um ainda apoio tmido de diversos partidos da base da Presidente Dilma, com destaque para o PSB. O Governador de Pernambuco um dos maiores entusiastas do referido Pacto. O PT de Minas tambm v com bons olhos a proposta vez que Minas um dos Estados mais prejudicados em funo da extensa malha viria que possui. Minas e Par tambm so prejudicados no insignificante repasse dos royalty do minrio e da desonerao do ICMS na exportao do mesmo. S para se ter uma idia enquanto o Estado do Rio de Janeiro recebeu em 2010 seis bilhes de royalty do petrleo, Minas Gerais recebeu no mesmo ano, duzentos e trinta e cinco milhes dos royalty do minrio. E o prejuzo ambiental de Minas monstruoso.
Cada cidado que mora em um municpio deveria pressionar o parlamentar a quem dedicou o seu voto nas ltimas eleies e cobrar que o mesmo se envolva nesta luta para restabelecimento do Pacto federativo brasileiro. Um pacto de cidadania que pudesse devolver aos Prefeitos Municipais e Governadores a capacidade de Gerir com responsabilidade fiscal seus prprios recursos sem precisar ficar de pires na mo, de ministrio em ministrio em busca de obras e servios que so um Direito de cada muncipe. E tambm todos os governadores submissos s vontades e prioridades do Presidente de planto.
Gustavo Mameluque- Jornalista. Bacharel em Direito. Crtico de arte. Professor das Faculdades Santo Agostinho-Montes Claros-


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Por Gustavo Mameluque - 5/1/2012 17:57:06
Titulo da notcia: Arrecadao anual de impostos no Brasil recorde mais uma vez e soma R$ 1,51 trilho em 2011

Comentrio: Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributrio apontam que, pela primeira vez, os brasileiros pagaram em um ano mais de R$ 1,5 trilho em impostos, o que significa mais de R$ 4,143 bilhes ao dia. Sobre o assunto, discute o especialista Gustavo Mameluque. Ele ressalta que segundo dados oficiais do IPEA/Ministrio da Fazenda a carga tributria brasileira permanece inalterada em 36,5% do PIB (mesmo ndice de 2010). "O que ocorre que a Unio vem tendo recordes mensais na arrecadao dos Tributos Federais (principalmente IRPF, IRPJ, IPI, ITR, II, IOF etc.), o que puxa a arrecadao tributria global para cima. Os Estados e principalmente os municpios continuam com suas receitas tributrias praticamente acompanhando a inflao Oficial. No h crescimento real. Os quase 5.600 municpios brasileiros tiveram dificuldades para quitar o 13 salrio dos seus servidores", explica. O valor divulgado aproximado e se refere arrecadao de todas as esferas de Governo (Unio, Estados e Municpios). No so dados oficiais aceitos pelo Ministrio da Fazenda. Gustavo Mameluque lembra que a arrecadao mineira, por exemplo, sofre perdas com a desonerao dos produtos (minrio de ferro) destinados exportao que so imunes do ICMS. Minas e Par, como grandes exportadores, vm perdendo receita ano a ano. Minas Gerais tambm vem sofrendo perdas com a Guerra Fiscal promovida por alguns Estados na Federao. O especialista pontua que a arrecadao da Prefeitura de Montes Claros em termos reais a mesma de 2010. "Como j dito anteriormente, a soluo est em desconcentrar e simplificar a tributao com nfase na Cobrana do Patrimnio e nos ganhos financeiros, como acontece nos pases desenvolvidos. No Brasil, o foco no consumo e na renda (IPI, ICMS, IRPF) o que acaba prejudicando as classes mais pobres e os assalariados. Reitero que somente uma reforma tributria urgente pode aliviar o bolso do contribuinte e ao mesmo tempo distribuir melhor a arrecadao para os Estados e Municpios", pondera. Ainda segundo Mameluque, enquanto isso no ocorre, a "Guerra Fiscal" produzida por cada Estado Membro procura de todas as formas proteger a sua economia e os seus empregos. O Governo Federal vem tentando amenizar a situao das pequenas e mdias empresas atravs da ampliao das faixas de recolhimento do Simples Nacional, mas este remendo de reforma no suficiente. "Como levar adiante uma reforma tributria se nenhum ente federado pode perder Receita? Esse debate deve ser travado com prioridade pelo Congresso Nacional. A carga tributria tambm j chegou ao limite suportvel pelo cidado. Por isto mesmo os governantes tm que priorizar a boa aplicao dos recursos tributrios e a Responsabilidade Fiscal. Ainda mais quando se prenuncia uma crise econmica internacional", conclui. Gazeta Norte Mineira de 04.01.2012- Pg. 08. Cronista do Montesclaros.com Professor de Introduo ao Direito das Faculdades Santo Agostinho.


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Por Gustavo Mameluque - 11/12/2011 19:08:43
Regionalismo poltico norte-mineiro.


Estudo muito interessante e que merece ser divulgado para acadmicos, estudiosos, historiadores e para o pblico em geral e para os nossos polticos a Tese de doutorado apresentada ao Programa de Ps- Graduao em Histria Econmica da Faculdade de Filosofia, Letras e Cincias Humanas da Universidade de So Paulo pelo Professor norte-mineiro Laurindo Mkie Pereira com orientao da Profa. Dra. Raquel Glezer. Importante ressaltar que o Projeto do Prof. Mkie teve efetivo apoio da UNIMONTES em diversos aspectos.
Prof. Mkie trabalha o regionalismo poltico norte-mineiro da segunda metade do sculo XX. O objetivo central compreender a emergncia e o desenvolvimento da ideologia das classes dirigentes, identificando os seus principais componentes, sua difuso e assimilao pelo conjunto da sociedade. Em especial ele analisa muito bem a participao da Sociedade Rural e da Associao Comercial e Industrial de Montes Claros na formulao do conceito de desenvolvimento regional e o envolvimento das mesmas com o Poder poltico local. A concluso mais importante a de que a burguesia regional se organizou como classe, nesse perodo, tendo evoludo de uma ao corporativa inicial para o exerccio da hegemonia, ao final do sculo XX. Mas o que mais chama a ateno na sua bem elaborada Tese de Doutorado a descoberta, durante as suas pesquisas, no Jornal Binmio , de Belo Horizonte de que em Montes Claros, no sculo XX ainda havia resqucios de escravido, de escravido branca, quando casais vindos do nordeste (retirantes) eram negociados . Em 1959, os retirantes de Montes Claros foram assunto nacional. O jornal Binmio, de Belo Horizonte, divulga que um mercado de escravos em Montes Claros, pois os jornalistas, disfarados de fazendeiros, teriam comprado uma casal de nordestinos por 4 mil cruzeiros, com recibo e garantias de sade do mesmo. Tal fato teve repercusso nacional e foi contestado pela imprensa montesclarense da poca tendo como porta-voz o ex-colunista e Jornalista Lazinho Pimenta. Mkie destaca ainda a participao do Prof. Simeo Ribeiro Pires e dos Professores Alfredo Dolabella e Expedicto Mendona na teorizao das teses separatistas que fundamentaram o Estado de So Francisco e o Estado de Minas do Norte, ambos derrotados no Congresso Nacional.
Dr. Simeo lembrado pelo Prof. Laurindo da seguinte maneira: Destacamos, ainda, a atuao de Simeo Ribeiro Pires. Pertencente a uma das mais tradicionais e influentes famlias da regio- os Ribeiros-, Simeo, formado em engenharia e histria, era tambm fazendeiro, industrial e liderana poltica. Foi prefeito de Montes Claros entre 1959 e 1963 e vereador nas gestes 1963-1966 e 1967-1970. Entendemos que ele foi um dos principais formuladores da ideologia regionalista, desempenhando o papel de intelectual das classes dirigentes, organizando-as, contribuindo para lhes dar homogeneidade e exprimirem-se poltica e economicamente, conforme prope Gramsci. (...) ele foi voz ativa no movimento de 1987-1988, fornecendo a esse movimento (Estado Minas do Norte) um dos seus argumentos mais fortes: a tese da primazia baiana na colonizao do Norte de Minas e a similitude dessa regio com o restante do Nordeste. J em 1962 e 1965, ele publicou artigos defendendo suas idias e as apresentou, de forma organizada e completa, em 1979, com o livro Razes de Minas.
O mrito maior do Prof. Mkie sistematizar com clareza e preciso cientfica o processo de formao da ideologia do regionalismo traando um perfil que se iniciam com as bandeiras paulistas, passando pelas disputas polticas de Camilo Prates e Honorato Alves, a criao da SUDENE, os movimentos separatistas patrocinados pela classe poltica local e contestada pelo centralismo do Governo mineiro. Deixa claro que neste perodo contemporneo no houve espao para significativas manifestaes populares e que realmente o processo poltico foi ditados pelas classes empresariais e intelectuais, com poucas ou rarssimas excees . Ressalta por fim que as poucas demandas populares de carter regional foram capitalizadas pelo trip: Sociedade rural, ACI e Polticios institucionalizados ( Prefeitos, vereadores e Deputados).
Referncia: PEREIRA, Laurindo Mkie. Em nome da regio, a servio do capital: o regionalismo poltico norte-mineiro. So Paulo: USP, 2007.

Gustavo Mameluque. Jornalista, bacharel em Direito. Crtico de Arte.


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Por Gustavo Mameluque - 14/11/2011 07:57:38
Dona Tiburtina- Tiburtina Andrade Alves

Tese de Mestrado da Prof. Ftima Nascimento e do Prof. Donizete Lima Nascimento lanada o ano passado comemorou os 80 anos de norte-mineira polmica e ilustre que desafiou os costumes do seu tempo. O Casal Joo Alves e Tiburtina comandou a poltica de Montes Claros durante vrias dcadas. No dia 06 de fevereiro de 1930, por volta das 23 horas, Dona Tiburtina e a ento pequena e pacata Montes Claros entraria para a histria do Brasil, ao dar incio a Revoluo de 1930, que culminou com a posse de Getlio Vargas como Presidente da Nova Repblica. Naquela noite Montes Claros no mais seria conhecida apenas como grande entreposto de sal e gado, mas tambm como marco de uma rebelio feminina contra a sociedade patriarcal da poca. Naquela noite, onde hoje temos construdo o suntuoso Automvel Clube de Montes Claros, o ento Vice-presidente, Fernando Mello Viana, que visitava a cidade, foi atacado em um tiroteio, que envolveu as duas correntes polticas brasileiras da poca, a concentrao conservadora e a Aliana Liberal. Seis pessoas morreram, no primeiro de uma srie de conflitos que culminou com o fim da Repblica velha. Preservado no Departamento de Documentao da Universidade Estadual de Montes Claros esto a nossa espera mais de 500 pginas resgatadas em 2002 do acervo do Frum Gonalves Chaves de Montes Claros. Tudo foi restaurado, digitalizado e escaneado. Na pesquisa importante da Prof. Ftima foram encontradas duas cartas relevantes: uma escrita por Ablio Coimbra, de Carangola, em 1939, comparando Tiburtina a Marlia de Dirceu, por comandar o levante contra o governo; e outra de Angelita Figueiredo, de 1950, que salientava a sua liderana poltica e pedia a ela apoio para eleger o marido, Mrio Augusto de Figueiredo, como Deputado mineiro representando a regio de Capelinha, no Vale do Jequitinhonha. Dr. Joo Alves faleceu em 1934 e Tiburtina continuou reinando nos sertes de Montes Claros.
Nascida em itamarandiba, aos 30 de agosto de 1873, filha do Capito Manoel Florentino de Andrade Cmara e Dona Henriqueta Leocdio de Mello. Querendo livrar-se da opresso paterna, furtava-lhe dinheiro para oferecer aos pobres (conta a lenda). Estudou em Capelinha e Diamantina, em regime de externato. Casou-se primeiramente com Antnio Augusto Cmara Alkmim, famlia de Bocaiva, tio-av de Jos Maria Alkmim, contra a vontade do pai. Como o marido era bomio e alcolatra, ela teve que assumir a lida da fazenda. Nessa situao resolveu mudar-se para Montes Claros em 1902. Fez uma travessia acompanhada de 25 tropeiros e arrieiros que transcorreu em seis dias de viagem. Com a cara e a coragem no muito peculiar s mulheres daquela poca, sozinha, passou a administrar a nova fazenda adquirida. Alm da beleza natural alardeada aos quatro cantos, procurava esmerar-se com boas vestimentas e penteados.Muito cedo Alkmim faleceu e Tiburtina ficou viva. Nova, bela e muito rica, aos trinta e quatro anos de idade, casou-se em 1907 com o mdico, Joo Jos Alves, filho do Coronel Marciano Alves, potentado regional. Logo depois do nascimento do primeiro filho do casal, o sogro foi assassinado. Tiburtina tudo fez para descobrir e punir o grupo responsvel. A partir da ela e o marido tomaram a frente da poltica de Montes Claros. Filiou-se Aliana Liberal e fez oposio aos coronis conservadores da regio . Participa da Revoluo de 30, em luta contra as oligarquias locais. Das suas memrias, relatadas em Bugres pela escritora Milene Maurcio, fica o registro da me adotiva de fifi, filho de Joo Alves e Tiburtina morto no tiroteio de 06 de fevereiro junto com mais cinco pessoas.
At 1950, aproximadamente, no Brasil, a mulher burguesa constitua-se em simples objeto complementar de afirmao existencial do homem. curioso notar que todas as mulheres histricas do sculo XIX foram vivas de potentados coronis. O que se mostra como um paradoxo. Tiburtina foi uma figura de transio: filha e nora de coronis, que se transformou em instrumento de luta contra eles.
Por tudo isto Dona Tiburtina merece ser estuda, pesquisada, relembrada e quem sabe, reverenciada e recolocada no seu devido lugar histrico. Isto, efetivamente, depende do trabalho de todos ns. A verdade no filha do Imprio. A verdade filha do tempo Galileu Galilei.
Gustavo Mameluque. Jornalista, bacharel em Direito e Crtico de Artes.
Referncias: Alencar, Girleno. Jornal Hoje em dia.07.02.2010.Minas. pg.29.
Moura, Antnio de Paiva. Revista Libertas. Mulheres mineiras: histria e mito.2005. Belo Horizonte.MG.


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Por Gustavo Mameluque - 4/11/2011 12:54:54
Lembranas de uma infncia...

Observando, num dias desses a violenta guerra do trnsito que vivemos em Montes Claros, lembrei-me de um fato pitoresco e singelo que me ocorreu nos idos de 1973, aqui em nossa cidade. Havamos acabado de chegar a Montes Claros, vindos com saudades de So Francisco. Morvamos em uma casa modesta na Av. Ovdio de Abreu, 351, prximo ao antigo Cine Lafet, vez que chegvamos para recomear a vida na promissora cidade dos Montes Claros. Como conta o romance, ramos seis: meu pai, me, e os trs outros irmos. Em 1974 fui matriculado na pioneira Escola Polivalente Professor Alcides Carvalho, no nascente bairro Jardim So Luiz. Quem conhece Montes Claros sabe muito bem que a ponta da Avenida Ovdio de Abreu, j quase no Santa Rita, e o Polivalente estavam e esto ainda hoje completamente opostos. Logo no primeiro dia de aula questionei meus pais: - Para chegarmos s sete horas da manh, a que horas deverei sair de casa para no encontrar o porto fechado?. Lembro-me bem, como se fosse hoje, da resposta da minha me Glorinha: - Se voc for p, dever sair s seis e quinze da manh. Segue toda a Avenida, passa com muito cuidado pela rodoviria, desce a Rua Baro do Rio Branco at a Avenida Mestra Fininha. Chegando Mestra Fininha, voc sobe at a Escola Normal, vira direita, desce quatro quarteires, vira novamente, s que esquerda, e, exatamente s sete horas, voc estar na porta da Escola.
Nunca fui anjo, nem pretendo ser, mas o certo que, salvo dois ou trs dias de garganta inflamada e febre,neste ano de 1974 nunca cheguei atrasado ao Polivalente. E minha me prosseguiu na resposta: - Se voc for de bicicleta (tnhamos uma antiga MonarK, barra circular verde), poder sair s seis e meia. Por fim concluiu: - Se o seu pai no estiver viajando para So Francisco, ele poder te levar de carro e, nesse caso, vocs podem sair s seis e cinqenta. Nessa poca meu pai ainda mantinha seu escritrio de advocacia em So Francisco e sempre ia para l na tera-feira, retornando na sexta. O certo que, nesse primeiro ano me acostumei a ir escola a p ou de bicicleta. No ano seguinte, meu irmo, Leopoldo, tambm passou a estudar no Polivalente e coube a mim a responsabilidade de transport-lo na garupa da prestimosa barra circular verde. Quando chegamos em 1976, minhas responsabilidades aumentaram: j teria tambm que transportar a minha irm Cristina. amos na bicicleta barra circular verde eu, Leopoldo e Cristina.
Retorno minha infncia com o intuito de fazer um contraponto com os dias de hoje. J no se pode deixar que nossos filhos se dirijam escola de bicicleta. Pelo menos at quinta srie, ou eles tm de ir de carro (os pais levando) ou de nibus escolar. No s o trnsito agitado que preocupa. A violncia do dia-a-dia, o estresse, as balas perdidas. Fico a meditar, com a tamanha devoo que meus pais tinham e tm por seus filhos, como seria aquela resposta a mim dada nos dias de hoje. Com certeza eles teriam que nos acompanhar at a escola todos os dias: de carro, de nibus, ou a p.
Recentemente foi proferida uma palestra pelo filsofo e professor Paulo Volker, em que ele relata a importncia do vnculo familiar e do dilogo no processo de proteo dos filhos. Ele relata que os filhos so como plantinhas que no podem se expor muito ao sol e luz, pois acabam morrendo. A criana precisa de sua privacidade, do seu aconchego e tambm do abrao afetuoso de seus pais. Conclui a palestra afirmando que, se abrassemos mais nossos filhos, conheceramos mais seu cheiro prprio. E poderamos distinguir outros cheiros, como o do cigarro e outras coisitas mas, por exemplo. Da narrativa acima, retira-se tambm outra lio. Os pais devem repassar aos filhos o senso de responsabilidade. Minha cota, por exemplo, era transportar meus irmos, o que procurei realizar da melhor maneira possvel. Isso tudo nos mostra tambm como so importantes as dificuldades que enfrentamos em nossa vida. E entender que, com pacincia, tudo se resolve. Hoje eu agradeo a Deus pelas limitaes que me foram impostas pelas circunstncias e pela deciso de meus pais. No somos uma famlia perfeita, se que existe alguma. Mas acreditamos que a vida sempre vence a morte. Que a luz sempre vence as trevas, que a paz o veneno da guerra e que o amor ser uma dia a nica lngua dos homens. Paz... Paz...Paz...
Gustavo Mameluque- Jornalista, Bacharel em Direito e Crtico de Artes.


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Por Gustavo Mameluque - 30/10/2011 07:44:56
Antnio D. O grande sertanejo injustiado.

Da mesma forma que Napoleo Valadares se entusiasmou ao prefaciar a obra-prima Serrano de Pilo Arcado- A saga de Antnio D eu tambm me entusiasmei e vibrei com to completo, profundo e marcante romance histrico. Merecidamente selecionado pelos Professores de Letras e pela COTEC para o Vestibular UNIMONTES. Fez-me lembrar Juan Rulfo no clssico mexicano Planalto em Chamas e Pedro Pramo, Cem anos de Solido de Gabriel Garcia Marquez e Grande Serto Veredas do sertanejo Guimares Rosa. Antnio D- Severo bandido; nos dizeres de Rosa. Perfeio na escrita e na imaginao. Riqueza de detalhes. Riqueza de fatos. Portugus perfeito. Misto de realidade e fantasia, com predominncia do resgate histrico do heri-bandido Antnio D. Mas, segundo o Prefaciador Valadares: o livro no s histria de Antnio D, que foi um menino da fazenda Salitre, em Pilo Arcado; um fazendeiro em So Francisco; um garimpeiro no Rio Claro, um jaguno com fama desde o Carinhanha at os Gerais de So Felipe; um bandoleiro que as foras do governo acabaram por desistir de querer matar. Antnio D queria apenas Justia. Receber o preo justo referente s terras que lhe tomaram com a aquiescncia do Poder de Planto em So Francisco. Somente queria o Justo. Foi empurrado para ser bandido. Serrano de Pilo Arcado mostra com muita clareza as arrelias polticas da cidade de So Francisco, cidade que tive a alegria de viver durante minha infncia, com os lderes locais tramando conspiraes para se agarrar ao poder, com assassinatos, deportaes, fugas de canoa, incndios, crcere privado, canalhice, nobreza de carter, grandeza de esprito, tudo o que h na vida e, por conseguinte, h no romance. uma produo literria nascida de um extremado esforo de pesquisa que, ao lado de outras obras consagrou a presena de Petrnio nas letras brasileiras. Segundo Luiz de Paula Ferreira: obra consagrada.
Ler Serrano de Pilo Arcado voltar ao tempo e relembrar conhecendo todos os segredos e costumes do sertanejo, de maneira especial o sertanejo das barrancas do So Francisco. A narrativa passa por Januria, So Francisco (ncleo central), So Romo, Serra das Araras, Braslia de Minas e Pirapora. O livro que mais se assemelha a um belo roteiro de cinema mostra a chegada de Antnio D e sua famlia na antiga Pedras de Cima (So Francisco) na poca do Imprio. Mostra com riqueza de detalhe os costumes dos Coronis da poca e tambm do homem comum. Homem comum muito bem representado por Antnio D. Antnio D foi escorraado de suas terras pelo desafeto Chico Peba com a complacncia e o apoio das lideranas municipais da poca, inclusive o vigrio de So Francisco. Foi-se embora para Serra das Araras apenas com o desejo de ser indenizado, pela Cmara Municipal pelo prejuzos sofridos. Nesta tentativa de reparo destacamos a forma como Petrnio delineou e explicitou o carter do Cel. Joo Maynart. Maynart era amigo de Antnio D e intermediou com as autoridades locais o pagamento da indenizao pelas perdas. Mas o Juiz Municipal e os Coronis da Velha Repblica inviabilizaram o Processo e lanaram Antnio D de vez no mundo do Crime. Antnio D era percebido pela populao ribeirinha como um verdadeiro Hobin Hood que protegia e lutava pelos mais pobres. A populao torcia para que as volantes do Governo no prendessem ou matassem Antnio D.
Mas para viver e sentir tudo isto que estou falando preciso ler cada uma das 597 folhas desta Obra-Prima. Morto traio por um jaguno infiltrado das Cotendas iniciou-se a sua lenda. Foi morto em baixo de um p de Baru centenrio que ainda hoje vive frondoso na Serra das Araras; bem ao lado do crrego da Aldeia; onde ele escolheu para viver seus ltimos dias ao lado de Francilha. O Centenrio P de Bar parece resistir como a gritar que o sertanejo Antnio D foi um grande injustiado. Como Joo Batista o foi. Ningum da Corte Herodes se pronunciou quando Salom recebeu a cabea de Joo como prmio. Da mesma forma ningum foi solidrio com a injustia cometida ao retirante Antnio D de Benedito. Petrnio resgata esta histria. Mesmo tardio. Oitenta e dois anos depois da sua morte a memria de Antnio D foi restabelecida e uma outra face foi contada.
Termino esta resenha crtica com as lindas palavras do ilustre pai de Petrnio Braz, Brasiliano Braz , que tambm tive a honra e a alegria de conhecer quando meu pai Pedro Mameluque Mota era Prefeito de So Francisco, nestes termos:
Antnio D nunca foi vencido. Numa sepultura rasa, nos rinces da serra das araras, dorme agora o sono da eternidade. Os seus feitos so, ainda hoje, o entretenimento, um dos temas dos seres ao p do fogo, nos lares humildes do serto mineiro.


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Por Gustavo Mameluque - 19/10/2011 08:32:38
Relendo O mulo.... Encontrei Darcy. Filhos dos Montes Claros.

Gustavo Mameluque. Jornalista e Crtico de Arte.

O antroplogo Darcy se mostra completamente inteiro em " O Mulo". Tambm considerado por muitos literatos brasileiros como um romance regional ele retrata o cotidiano do Serto das Gerais , de Montes Claros a Cristalina de Gois. Passa pela construo de Braslia-DF em um tempo de Coronis, herana prxima dos Coronis de Braslia de Minas, So Francisco, So Romo e Januria to bem retratado na obra de Saul Martins e Petrnio Braz ( Antnio D e Serrano de Pilo Arcado-respectivamente). Segundo Wanderlino Arruda, escritor montesclarense, Darcy, sem demorar muito ser reconhecido, como um dos grandes romancistas brasileiros do Sculo XX. Ser, talvez, lembrado muito mais como romancista do que como o grande socilogo, poltico, antroplogo e poltico questionador que foi. Somente para relembrar: Assim cheguei a esse poo sem fundo de lembrana, que despejo em cima do senhor. Sou, hoje, um mulo cheio de reminiscncias. Eu nem supunha que coubesse em mim, nem em ningum, tanta lembrana como as aqui recordadas. Com surpresa vi quanta estava em guardada, soterrada, querendo sair, sopitar, sangrar."(1)
Sobre esta obra, Darcy Ribeiro escreveu em seu livro Testemunho (2) Ao contrrio do chamado romance social que exalta humildes mas hericos lutadores populares, em O Mulo eu retrato o nosso povo roceiro, sobretudo os mais sofridos deles que so os negros, tal como os vi, sempre mais resignados que revoltados. Alm da espoliao de sua fora de trabalho e de toda sorte de opresses a que so submetidos, nossos caipiras sofrem um roubo maior que o de sua conscincia. O patronato rural se mete em suas mentes para faz-los ver a si mesmos como a coisa mais reles que h.
Guardo em mim recordaes indelveis das brutalidades que presenciei em fazendas de minha gente mineira e por todos estes brasis, contra vaqueiros e lavradores que no esboavam a menor reao. Para eles a doena de um touro infinitamente mais relevante que qualquer peste que achaque sua mulher e seus filhos. Esta alienao induzida de nossa gente, levada a crer que a ordem social sagrada e corresponde vontade de Deus, que eu tomei como tema, mostrando negros e caboclos de uma humildade dolorosa diante de patres que os brutalizavam das formas mais perversas. Tanto me esmerei na figurao destes contrastes que um pequeno bandido poltico em luta eleitoral contra mim fez publicar alguns daqueles meus textos de denncia como se expressassem minha postura frente aos negros.
Quem pegar meus papis de confisso e sair depois da minha morte em busca do senhor, seu padre (...) no conto com ningum.(1). Darcy retoma o tema da velhice, da desiluso do fim de vida, dos nossos raros momentos de reflexo. O mulo uma obra de questionamentos, vividas pelo narrador e pelos seus diversos conhecidos de Montes Claros, como muito bem relata Wanderlino Arruda em suas crnicas e pela ocasio do lanamento de O mulo em nossa cidade. Inicialmente incompreendido pelos crticos literrios e pela quase maioria dos leitores este romance regional vai se mostrando cada vez mais universal semelhana de Grande Serto: Veredas. Philognio a anttese do heri Riobaldo de Rosa. a anttese de Antnio D, na construo de Petrnio Braz e no na construo de Saul Martins.
Darcy, atravs das falas de Philognio de Castro Maya e outros nomes se perguntam e perguntam aos leitores mais interessados e analticos: Se haver o perdo no limiar dos meus dias posso ento viver uma vida de maldades e ao final arrepender-me e, passando pela purga, habitar um dia na Casa do Pai? Se no, para que serviria o Cristianismo? E as mortes que pratiquei e que foram merecidas? A morte do Lopinho? E a da devassa Emilinha que se dava aos ces em noite de orgia bestial? E quando matei por legtima defesa antecipada? E quando acabei com Dominguinhos-Temido por todas e todos? Estaria fazendo a Justia com as prprias mos? No mais haveria necessidade do Perdo de Deus? E continua provocando, instigando o montesclarense inquieto Darcy. O gnio Darcy. O filho de Mestra fininha e irmo de Mrio. O tio de Ucho e Paulinho.O insacivel Darcy. Parece at que antevia os conselhos de Steve Jobs da Apple: Permaneam Sedento. Existem padres santos? A santidade ainda existe nesta terra dos homens? Darcy nos traz um Cel. Maya asqueroso e bruto no seu dia-a-dia. Para ele negro e ndio no tm alma. No gente. projeto de Gente. moinha. De uma certa forma mostra no romance que alguns resqucios deste pensamento conservador e anti-humano criaram razes no coronelato brasileiro que Gilberto Freyre, tentou escamotear na democracia racial de Casa Grande e Senzalas. Havia uma certa harmonia, um certo respeito do Senhor de Engenho para com o negro e especialmente a negra das Senzalas. Negra que se deitava com o Senhor. Negra ama de leite. E viviam em harmonia. Em o mulo Darcy quebra, arrebenta est lgica da Democracia Racial. E nos traz ainda uma personagem mutante. Como mutante somos. Permeando entre o bem e o mal. Um personagem mltiplo na fala de Wanderlino. Um personagem indefinido para vrios resenhistas de O mulo".
Phylognio de Castro Maya (Maia com Y) o seu ltimo nome. Inventado. Criado. Forjado. Engendrado pelo recadastramento da Justia eleitoral goiana, porm, este nome teve diversos outros nomes: J foi chamado de ningum, de coisa, de estrupcio, de nada, fuso, qualquer um, Fil, Terncio Brgia (que se julgava seu pai) e Terezo. Por fim: mulo.
Uma madrugada que acordei estremunhado e sa porta a fora, bati com o p no moleque que vivia enrodilhado ali; Acordando assustado ele me perguntou gritando: Que seu mulo? Quem quem? Perguntei eu. Aprendi ali, naquela hora, meu apelido.(1)
Maya nunca amou verdadeiramente qualquer pessoa. Talvez um amor carnal por Emilinha; mas nem tanto porque a lanou aos negros sedentos. Terminou sem a quem deixar tantas conquistas iniciadas com arrieiro e depois tropeiro em Paracatu, sempre em direo s guas limpas e livres de Gois. Tornou-se rico de posses, mas pobre de sentimentos nobres. Fazia sua prpria justia, do seu jeito. E narra tudo na fazenda laranjos. Amigos? Talvez um nico; Milito. To amigo que coube a ele comprar o seu luxuoso caixo em Braslia-DF. Fim de vida amargurado? Arrependido? De alguns pecados. Quais de ns no temos pecados? Quais de ns somos santos? Darcy com toda a sua inquietude e fora nas palavras nos impressiona. Romance para ler. E reler. E depois ler de novo. Caliente, quente, para alguns at pornogrfico. Existe pornografia em Literatura? Melhor dizendo: Ertico. Sensual. Excitante. Leitura agradvel aos olhos.
Darcy na sua integridade tica e revolucionria de socilogo e antroplogo, de educador, de visionrio, de gnio falante, de poltico, de irmo, de lucidez prpria dos grandes homens e dos grandes pensadores define a nao brasileira como a nova Roma.(3). Mais forte e criativa do que Roma. Porm tambm eterna. Nao nova. Livre. Da mistura linda de ndios, negros e europeus.
Darcy, no conjunto da sua obra literria (Maira, Mulo, Povo brasileiro) renova a cada dia a sua convico antropolgica e revolucionria de que aqui na terra brazilis formou-se realmente um novo gnero humano. Uma nova civilizao; mais produtiva, mais generosa, porque aberta convivncia, com todas as raas e todas as culturas. Talvez o mundo e em especial o Oriente Mdio devesse ler mais Darcy. No s isto. Entender Darcy.
Ao contrrio do que alega a historografia oficial, nunca falhou aqui, at excedeu, o apelo violncia pela classe dominante , como arma fundamental da construo da histria. ( Ribeiro,2006,pg.23)
Darcy que tanto admirava a f de Mestra fininha talvez tenha convivido muito com Deus sem o saber. E poderia muito bem colocar em suas confisses uma mxima do Poeta maior Fernando Pessoa: Cheio de Deus no temo o que vir, pois venha o que vier, nunca ser maior do que minhalma. Viva o povo brasileiro. Viva Wanderlino. Viva Dona Yvone. Viva Constantin. Viva Joo Valle Maurcio. Viva Ciro dos Anjos. Viva Cndido Canela.Viva Darcy!!!
Gustavo Mameluque. Resenha O Mulo
1).Ribeiro, Darcy. O mulo.Belo Horizonte: Leitura, 2007.
2). Ribeiro, Darcy. Testemunho. So Paulo. Ed. Siciliano, 1991, p.10.
3). Ribeiro, Darcy. O povo brasileiro. So Paulo. Companhia das Letras,2006.




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